O bom humor de São Pio de Pietrelcina

Encontrei um blog que evangeliza de uma maneira muito interessante: fazendo humor. Na blogosfera católica, é cada um no seu quadrado, cada um com seu estilo próprio de comunicação, mas, ao mesmo tempo, é todo mundo junto na unidade, afinal, integramos o mesmo Corpo, que é a Igreja. E é por essa maneira diferente de evangelizar que recomendo aos nossos leitores o blog O Catequista. Eles trazem artigos católicos sobre temas muito controversos. Já falaram de cerveja – ou, como eles preferiram chamar, “birita” -, já falaram sobre o sentido da existência humana, e até sobre a aparente falta de misericórdia do Deus do Antigo Testamento.

Aproveito a oportunidade – já que estou falando do blog mesmo – para somar com um ótimo post que eles fizeram sobre o bom humor na vida do Padre Pio de Pietrelcina. Provavelmente, boa parte dos católicos já assistiu ao filme de sua vida – se não assistiram, não sabem o que estão perdendo, mesmo. Para quem assistiu, mas leu pouco sobre a vida do santo, ficou talvez a imagem de um santo nervoso, sempre enfurecido e irritado.

Primeiro, vamos desconstruir essa ideia totalmente falsa. Embora o cristão deva viver numa profunda tensão – está feliz por causa da graça de Deus que vem em seu socorro, mas, ao mesmo tempo, experimenta o temor de afastar-se d’Aquele que lhe concede a paz -, sua existência não é de maneira alguma uma desgraça, uma infelicidade. O pessimismo e o desgosto diante da vida definitivamente não são atitudes condizentes com o espírito do Evangelho. Por ocasião da última Audiência Geral, nesta quarta-feira, o Papa Bento XVI se pronunciou de maneira excelente sobre este tema:

“Em definitiva, o homem tem necessidade da eternidade; mas por que experimentamos o medo diante da morte? Dentre as várias razões, está o fato de que temos medo do nada, de partir para o desconhecido. Não podemos aceitar que de improviso caia, no abismo do nada, tudo aquilo que de belo e de grande tenhamos feito durante a nossa vida. Sobretudo, sentimos que o amor requer a eternidade, não pode ser destruído pela morte assim num momento. Além disso, assusta-nos a morte, por causa do juízo sobre as nossas ações que a ela se segue. Mas Deus manifestou-Se enviando o seu Filho Unigênito para que todo aquele que acredita não se perca, mas tenha a vida eterna. É consolador saber que existe um Amor que supera a morte, um amor que é o próprio Deus que se fez homem e afirmou: ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá’ (Jo 11,25).”

- Papa Bento XVI, Audiência Geral
2 de novembro de 2011

“O homem tem necessidade da eternidade.” Foi enraizado nesta Teologia verdadeiramente cristã que São Pio de Pietrelcina, inflamado pelo amor a Deus, sacrificou a sua vida ao Altíssimo. “É consolador saber que existe um Amor que supera a morte.” Foi sustentado neste Amor consolador que São Pio de Pietrelcina alegrava-se e buscava as almas… fazendo humor, também, por que não?! Abaixo algumas histórias bem humoradas da vida deste grande místico do século XX:

http://ocatequista.com.br/wp-content/uploads/2011/11/padre_pio_humor.bmp“[U]m menino de seis anos estava realizando o exame de religião para poder receber a Primeira Comunhão. O examinador lhe fez uma pergunta ardilosa:”

“– Quantos deuses existem?”

“Por trás do examinador, o Padre Pio deu a ‘cola’ errada ao menino, mostrando-lhe três dedos. Confiando no santo capuchinho, a criança disse que havia três deuses, fazendo explodir a gargalhada geral de todos!”

“Um dia, um artista mostrou a Padre Pio uma pintura que havia feito de seu rosto. No retrato, o santo estava muito feio, com um rosto carrancudo e ameaçador. Porém, orgulhoso, o pintor pedia que ele escrevesse algumas palavras sobre a tela. Solícito, Padre Pio pegou uma caneta e escreveu em cima: ‘Não tenham medo, sou eu’.”

“Padre Pio ironizava até a sua fama de santidade. Durante a 2ª Guerra Mundial, na Itália, muitas pessoas diziam ter escapado ilesas dos bombardeios por carregarem uma imagem sua (santinho) junto de si. Pois bem. Certa vez, um irmão capuchinho aconselhou Padre Pio a não se preocupar com as ameaças feitas por seus inimigos. Sorrindo, o santo disse:”

– Estou tranquilo: trago aqui comigo uma fotografia do Padre Pio para a minha proteção!

(Extraído do blog O Catequista.) [grifos meus]

Por intercessão de São Pio de Pietrelcina, Deus nos conceda a graça de buscá-Lo sempre mais, dando-nos também ao próximo, com alegria.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Repudiar o mal para salvar as almas

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“Pensamos nos grandes poderes da história de hoje, pensamos nos capitais anônimos que escravizam o homem, que não são mais algo do homem, mas são um poder anônimo ao qual os homens servem, pelos quais os homens são atormentados e até mesmo massacrados. São um poder destrutivo, que ameaçam o mundo. E, em seguida, o poder das ideologias terroristas. Aparentemente em nome de Deus é feita violência, mas não é Deus: são falsas divindades, que devem ser desmascaradas, que não são Deus. E, em seguida, a droga, esse poder que, como uma besta voraz, estende as suas mãos sobre todas as partes da terra e destrói: é uma divindade, mas uma divindade falsa, que deve cair. Ou também o modo de viver propagado pela opinião pública: hoje se faz assim, o matrimônio não conta mais, a castidade não é mais uma virtude, e assim por diante.

“Essas ideologias que dominam, que se impõem com força, são divindade. E na dor dos santos, na dor dos fiéis, da Mãe Igreja, da qual nós somos parte, devem cair essas divindades, deve realizar-se o que diz a Carta aos Colossenses e aos Efésios: as dominações, os poderes caem e tornam-se súditos do único Senhor Jesus Cristo. Desta luta na qual nós estamos, deste enfraquecimento de deus, dessa queda dos falsos deuses, que caem porque não são divindade, mas poderes que destroem o mundo, fala o Apocalipse no capítulo 12, também com uma imagem misteriosa, da qual, parece-me, podem ser feitas diversas belas interpretações. É dito que o dragão coloca um grande rio de água contra a mulher em fuga para oprimi-la. E parece inevitável que a mulher seja afogada neste rio. Mas a boa terra absorve esse rio e ele não pode produzir danos. Eu penso que o rio seja facilmente interpretável: são essas correntes que dominam a todos e que desejam fazer desaparecer a fé da Igreja, a qual não parece mais ter lugar diante da força dessas correntes que se impõem como a única racionalidade, como único modo de viver. E a terra que absorve essas correntes é a fé dos simples, que não se deixa abater por esses rios e salva a Mãe e salva o Filho. Por isso o Salmo diz – o primeiro salmo da Hora Média – a fé dos simples é a verdadeira salvação (cf. Sal 118, 130). Essa salvação verdadeira da fé simples, que não se deixa devorar pelas águas, é a força da Igreja.”

- Bento XVI na 1ª Congregação do Sínodo para o Oriente Médio
11 de outubro de 2010

A doutrina da Igreja não pode mudar para satisfazer os desejos do homem. Diz o papa Gregório XVI, citando Santo Agatão: “Nada se deve tirar daquelas coisas que hão sido definidas, nada mudar, nada acrescentar, mas que se devem conservar puras, quanto à palavra e quanto ao sentido”. Aquilo que o Espírito Santo ditou à Igreja há dois milênios, aquilo que é a doutrina da Santa Igreja não pode ser mudado, porquanto Deus é imutável. E quantas vezes os homens têm tentado interferir nessa imutabilidade da sã doutrina da salvação. O homem moderno brada contra a Igreja, chamando-a de instituição medieval e antiga, dizendo que defende normas velhas e ultrapassadas. A essência do ser humano, no entanto, continua a mesma. Os meios de se buscar a felicidade são aparatos totalmente novos, mas a tática é aquela velha tentativa de fugir de Deus, de fugir da obediência que traz a verdadeira felicidade.

Esses “meios de se buscar a felicidade” dos quais falamos não são eficientes, mas conquistam numerosos adeptos. Uns sucumbem diante do primeiro fracasso; outros se afundam de tal modo no pecado que, quando caem em si, estão se fartando da comida dos porcos. E quem não experimenta todo esse princípio de perdição encontra no Evangelho a sua força que renova. Devemos redescobrir, em nossos corações, a verdade totalmente nova da mensagem de Cristo. Ler a Sagrada Escritura, estudar a doutrina da Santa Igreja, não é recorrer a palavras de pessoas antigas, palavras que se encerram no tempo e não têm mais validade; muito pelo contrário. Quando colocamos em prática os ensinamentos do Homem de Nazaré, notamos que tudo aquilo que Ele disse acerca do homem, acerca da vida e acerca da morte são verdades que cabem em nossa realidade.

O amor que o homem deve ter pelo seu próximo e o ódio que deve cultivar por aquilo que prejudica seu irmão são, por exemplo, valores que o homem moderno infelizmente esqueceu. Tem-se preocupado muito em cultivar uma cultura de tolerância, mas esquece-se de mostrar o que deve ser tolerado. Assim, tolere-se o mentiroso, porque pode mudar; repudie-se a mentira, porque será sempre artimanha de Satanás. Tolere-se o mau, porque esse pode se converter em uma pessoa amável aos olhos de Deus e dos homens; combata-se com todas as forças o mal, que degrada o ser humano e o afasta do caminho do Senhor. É isso o que quer nos ensinar a Igreja hoje, especialmente quando se coloca em defesa da vida humana e da família cristã. Essa cultura de morte que se alastra pelo mundo e deseja ceifar almas humanas não deve ser de modo algum tolerada pelas pessoas de boa vontade. A adesão a esse movimento significa a perda de comunhão com a Igreja, com a luz de Cristo. Esse “modo de viver propagado pela opinião pública” que se coloca contra o casamento cristão, contra a castidade, contra a pureza, contra a virgindade, é um movimento que, deturpando o objetivo do ato sexual que é principalmente a propagação da vida e ignorando que o homem e a mulher se tornem, pelo sacramento do Matrimônio, “uma só carne”, deve ser repudiado e condenado. Toda essa cultura anticristã que se espalha é um grito de Satanás contra o Altíssimo, um movimento que acaba destruindo o próprio homem.

Lutemos, então, cristãos do mundo inteiro! Lutemos contra a morte, contra a impureza, contra a indiferença religiosa. E, por amor a Deus e ao próximo, façamos do lema de São João Bosco – Da mihi animas, cetera tolle - um lema para a nossa vida. O que importa é salvar almas. O que importa é levar os homens a um encontro pessoal com nosso Senhor Jesus Cristo. Nos ajude Maria Santíssima, Mãe de Deus e da Igreja.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

“O que Deus quer é que vos torneis santos”

“Não é frequente que um Papa – na verdade, nem mesmo qualquer outra pessoa – tenha a oportunidade de falar ao mesmo tempo com os estudantes de todas as escolas católicas da Inglaterra, Gales e Escócia. E como eu tenho essa oportunidade, há algo que está muito forte em meu coração para dizer-vos. Tenho a esperança que entre vós, que hoje estais aqui para ouvir-me, haja alguns dos futuros santos do século XXI. O que Deus mais quer para cada um de vós é que vos torneis santos. Ele vos ama muito mais que possais imaginar e deseja o melhor para vós. E a melhor coisa de todas para vós é, de longe, o crescer em santidade.”

(…)

“Quando vos convido a tornar-vos santos, estou pedindo-vos que não vos contenteis com escolhas de segunda mão. Estou pedindo-vos que não persigam um objetivo limitado, ignorando todos os outros. Ter dinheiro torna possível sermos generosos e fazer o bem no mundo, mas, por si só, não é suficiente para fazer-vos felizes. Ser altamente qualificado em alguma atividade ou profissão é uma coisa boa, mas não poderá nunca satisfazê-los a ponto de dispensar a aspiração por algo ainda maior. Poderá tornar-nos famosos, mas não nos fará felizes. A felicidade é algo que todos desejamos, mas uma das grandes tragédias deste mundo é que muitas pessoas nunca conseguem encontrá-la, porque a procuram nos lugares errados. A solução é muito simples: a verdadeira felicidade é encontrada em Deus. Precisamos ter a coragem de colocar as nossas esperanças mais profundas somente em Deus: não no dinheiro, numa carreira, no sucesso mundano, ou nas nossas relações com os outros, mas em Deus. Somente Ele pode satisfazer as necessidades mais profundas do nosso coração.”

- Papa Bento XVI, Discurso aos estudantes em Londres
17 de setembro de 2010

Papa aos jovens de Turim

http://www.franciscanosmapi.org.br/cms/fotos/destaques/papa%20e%20jovens.jpg“O jovem do Evangelho – nós sabemos – pergunta a Jesus: Que devo fazer para ganhar a vida eterna? Hoje não é fácil falar de vida eterna e de realidades eternas, porque a mentalidade do nosso tempo nos diz que nada é permanente: tudo muda, e com grande velocidade. Mudança tornou-se, em muitos casos, a palavra de ordem, o exercício mais emocionante da liberdade, e desta maneira também vós jovens sois levados a pensar que é impossível fazer escolhas definitivas, que comprometem por toda a vida. Mas esta é a maneira certa de usar a liberdade? É verdade que para ser feliz é preciso contentarmo-nos com pequenos prazeres e fugazes alegrias momentâneas, que, uma vez terminadas, deixam a amargura no coração? Queridos jovens, não é esta a verdadeira liberdade, a felicidade não é alcançada assim. Cada um de nós é criado não para fazer escolhas provisórias e revogáveis, mas escolhas definitivas e irrevogáveis, que dão pleno sentido à existência. Vemos em nossas vidas: cada experiência boa, que nos enche de felicidade, queríamos que não tivesse mais término. Deus nos criou em vista do “para sempre”, colocou no coração de cada um de nós a semente para uma vida que alcance algo bonito e grande. Tenham a coragem de fazer escolhas definitivas e vivê-las fielmente! O Senhor poderá chamar-vos ao matrimônio, ao sacerdócio, à vida consagrada, para um dom particular de vós mesmos: respondei-o com generosidade!”

- Papa Bento XVI, aos jovens de Turim
2 de maio de 2010

Nasceu Maria Cecília

A beleza da vida está na alegria de um sorriso, no calor de um abraço, na admiração de um olhar. Amar: eis o verbo! O verdadeiro amor quer a vida, não a morte. O verdadeiro amor deseja a felicidade, não a tristeza. O verdadeiro amor… Ah, o amor! Sentimento tão desvalorizado. Ah, a vida! Realidade tão banalizada. Mas, eis que há uma esperança: há uma fonte de amor e vida que brota do coração (e da barriga) de todas as mulheres que rejeitam a cultura de morte.

Sim, não duvidamos das dificuldades da gravidez; não duvidamos das dificuldades do parto; não duvidamos das dificuldades de se cuidar de uma criança. Só de uma coisa duvidamos: dos sentimentos daquelas que, em nome de uma falsa liberdade, matam seus filhos e tiram seus nomes do Livro da Vida. Eis uma vencedora, eis uma criança que teve sua dignidade à vida respeitada. Eis uma menina que teve o direito de nascer, que teve a oportunidade de dar o primeiro choro ao ser tirada da barriga de sua mãe…

Seja bem-vinda ao mundo, Maria Cecília!
Que Deus lhe abençoe imensamente!

* Nasceu no dia 9 de fevereiro, essa semana, minha irmã, Maria Cecília.

Rápidas

http://www.cancaonova.com/portal/arquivos/fotos/2009/junho/02_eventos_003.jpg- Padre Paulo Ricardo fez uma bela pregação na Canção Nova, durante a Quinta-Feira de Adoração, intitulada “Sangue da nova e Eterna Aliança”, falando sobre a necessidade de sermos fiéis a Deus para que possamos produzir em nós a verdadeira felicidade. “Se você for fiel apenas 10%, será feliz apenas 10%. Mas, se der toda a sua vida ao Pai, você será totalmente realizado. A sua felicidade depende do seu grau de intimidade com o Senhor. Jesus perdoa a sua infidelidade e mostra a fidelidade d’Ele, esse é o poder do Sangue de Jesus”.

http://www.cancaonova.pt/wp-content/uploads/2009/03/bento_xvi_inicio.jpg- Audiência do Santo Papa Bento XVI, no dia de ontem, disponibilizada pela Agência Zenit: “Durante este Ano Sacerdotal, que se estenderá até a próxima solenidade do Sagrado Coração de Jesus, oremos por todos os sacerdotes. Que se multipliquem nas dioceses, nas paróquias, nas comunidades religiosas (especialmente nas monásticas), nas associações e nos movimentos, nas diversas agregações pastorais presentes no mundo inteiro, as iniciativas de oração, em particular de adoração eucarística, pela santificação do clero e pelas vocações sacerdotais, respondendo ao convite de Jesus a pedir “ao dono da messe que envie operários à sua messe” (Mt 9, 38)”.

- Fifa repreende comemoração religiosa do Brasil na África. A notícia que, diga-se de passagem, é lamentável, vem do Blog do Torcedor. E eu estava achando tão bonito os jogadores se reunirem na oração do Pai Nosso… É, alguém tinha mesmo que se manifestar. O mundo laicista não suporta a religião, tem aversão a Deus. Segundo o presidente da Federação Dinamarquesa, “a religião não tem lugar no futebol”. Não tem lugar em nada, pelo que parece. Oremos.

- Da Época: “Pais não revelam sexo de sua criança de dois anos e meio”. A mãe diz que quer “que Pop cresça com maior liberdade e que não seja forçado a um gênero que o/a moldará”. Ora essa, mas todos nós nascemos com um só gênero! Não existe essa conversa de gênero que o moldará. Infelizmente, é assim mesmo que o mundo segue: ao abismo, seja na moral, seja na ética.

- Não sei se já falei aqui do nosso Twitter. Com tantas inovações no mundo das comunicações, não podemos ficar fora dessa novidade. Criamos um para o blog, com frases para reflexão. Aguardamos a sua visita.

O compromisso de viver por Jesus

Celebrávamos hoje a liturgia do 12° Domingo do Tempo Comum. Não podia deixar de falar da segunda leitura do dia de hoje, de São Paulo, que nos convida a não vivermos mais para nós mesmos, “mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Cor 5,15). Especialmente no dia de hoje, em que celebramos a alma do venerável São Luís Gonzaga, patrono da juventude, pedimos ao bom Deus que conceda aos nossos jovens a graça de não viverem mais para si, para os prazeres da carne… Que façamos como São Luís. Seu pai, sabendo da sua vocação sacerdotal, o levava para festas mundanas a fim de fazê-lo desistir da sua missão, mas nem isso o fazia desanimar.

A caminhada junto a Deus exige de nós essa busca da renúncia. Talvez seja por isso que o cristianismo seja difícil: por pregar a cruz, a submissão. Não somos mais nós que vivemos, é Cristo quem tem que habitar em nós (cf. Gl 2,20). E isso faz de nós pessoas que sofrem, mas ao mesmo tempo cristãos alegres. Como isso é possível? Explica o Beato Pier Giorgio Frassati: “A verdadeira felicidade, ó jovens, não consiste nos prazeres do mundo e nas coisas terrenas, mas na paz de consciência que só se tem se somos puros de coração e de mente” (Discurso à Juventude Católica de Pollone, 1923). E alertava: “O católico tem que ser alegre: a tristeza deve ser erradicada da alma do católico! A dor é diferente da tristeza, que é a mais detestável de todas as doenças. (…) A finalidade para a qual nós fomos criados nos mostra o caminho que, mesmo com muitos espinhos, não é de nenhum modo triste. É um caminho alegre, mesmo através da dor”. (À sua irmã Luciana, 14.2.1925)

O mundo abusa do cristianismo, dos cristãos e os chama de sofredores, pessoa que não têm alegria de viver. Engana-se quem pensa que os católicos são pessoas tristes só porque sofrem. Engana-se quem pensa que viver bem é desfrutar dos prazeres da carne e das concupiscências. Tudo isso passa. E tudo o que passa não pode trazer felicidade duradoura. O prazer de ser cristão está justamente em saber que a sua felicidade não passa. O mundo passa, o pecado passa, a euforia mundana passa. Mas, Deus, que está dentro dos corações que amam a Sua Palavra, não passará nunca porque Ele é eterno. O amor, ao mesmo tempo não passa. Diz São Paulo: “A caridade jamais acabará” (1 Cor 13,8). As coisas fundadas por Deus realmente não acabam.

Ora essa, por que será que a Igreja dura 20 séculos e até hoje não caiu? Nem Império Romano, nem burguesia, nem iluminismo, nem comunismo, nem ateísmo, nem laicismo derrubaram a Igreja porque “a Igreja é firme demais para ser derrubada pelo esforço dos homens” (Leão XIII). A Igreja, meus irmãos, é divina! Já tentaram derrubá-la, mas não conseguiram e nunca conseguirão porque as coisas de Deus jamais acabam.

Assim, a felicidade plena, aquela que Cristo a nós propõe, exige de nós renúncias. A vida do católico é um constante desafio. Para ele, nada está conquistado, nada está feito, tudo está em processo de santificação. Não pode e nem deve existir no vocabulário do católico expressões como: “…eu já estou salvo”. Isso não existe. Na vida caminhamos sem a certeza na busca de uma meta, o que não quer dizer que já a alcançamos. Podemos sim cultivar em nós a esperança e isso não é problema algum para o cristão. No entanto, a presunção é um pecado grave. Precisamos nos cuidar com essas atitudes, com essas crenças que muitas vezes temos.

E mais do que isso precisamos viver por Cristo, que é o que nos pede São Paulo na segunda leitura de hoje. Que linda passagem! Que bela motivação! Com efeito, ser cristão não significa ir à Santa Missa no domingo e achar que já está salvo. Ser cristão significa seguir a Jesus Cristo e isso não é fácil. Viver por Ele, com Ele e n’Ele exige de nós um compromisso que seja capaz de anular tudo o que mundo nos oferece. Camisinha, promiscuidade, depravação: isso não é coisa de católico de verdade se envolver. Olhemos fixamente para Jesus, o modelo da castidade e não deixemos de observar a conduta perfeita da Sua Santíssima Mãe, Maria. Eles nos ajudam a carregar a cruz, que suportamos com dificuldade.

Graça e paz.

Solenidade da Santíssima Trindade

A especialidade da Liturgia dominical do dia 6 de junho de 2009 está totalmente ligada a um dos maiores mistérios da nossa fé: a Santíssima Trindade. É fundamentado nesse dogma que o católico, quando faz o Sinal da Cruz, professa a existência do “Pai, Filho e Espírito Santo”. Esse mistério de ver um Deus trino e ao mesmo tempo uno está explicado nas Escrituras de uma maneira implícita. Coube à Igreja aprofundar esse tema; e ela o fez devidamente por meio do seu Sagrado Magistério.

http://theophilusmonk.files.wordpress.com/2008/05/trinity.jpg?w=500&h=715

Verdadeira felicidade

A primeira leitura, do Livro do Deuteronômio, está introduzida no contexto do Antigo Testamento. Moisés, personagem famoso da Sagrada Escritura, depois de narrar tudo o que o povo de Israel tinha passado, com a graça de Deus, diz ao povo que ele devia gratificá-Lo por tudo o que fez em seu favor. Diz o profeta:

“… terá jamais algum Deus vindo escolher para si um povo entre as nações, por meio de provações, de sinais e prodígios, por meio de combates, com mão forte e braço estendido, e por meio de grandes terrores, como tudo o que por ti o Senhor vosso Deus fez no Egito, diante de teus próprios olhos?” (Dt 4,34)

É voltando atrás, investigando o passado, que observamos quão grandes são as maravilhas que Deus realiza em nossa vida. Moisés, mesmo sabendo que isso havia acontecido (passado) põe o verbo em que pronuncia suas palavras não só no passado, mostrando que Deus age agora: Ele não é o Deus do ontem, do passado, mas do hoje. Isso significa que Ele está a querer realizar em nós incessantemente aquele milagre que domingo passado celebramos: Pentecostes. O Espírito Santo, terceira pessoa da Trindade, Deus, quer agir em nós todos os dias e não só num dia isolado de todos os outros.

Esse hoje quer denotar a ação de Deus e ao mesmo tempo a nossa atitude como cristãos, como filhos de Deus renovados. É preciso praticar a Palavra de Deus hoje, como um símbolo da nossa união com Ele. Se Ele age em nós todos os dias, somos capazes de praticar a Sua Palavra também todos os dias. Perseverar no amor de Deus, nos dias de hoje, é muito difícil e só conseguimos realizar essa meta se caso renovarmos o Pentecostes em nossa vida a cada momento. Na dor, na aflição, na tristeza, na tribulação, na alegria, na felicidade, é preciso sempre invocar a graça de Deus para que, por meio de Seu Filho, nos envie o Seu Espírito e assim possamos proclamar: Espírito Santo, vinde!

“Reconhece, pois, hoje, e grava-o em teu coração, que o Senhor é o Deus lá em cima no céu e cá embaixo na terra, e que não há outro além dele” (Dt 4,39). Com essas palavras, Moisés ‘comprova’ a oração do PAI NOSSO, cuja estrutura estamos a meditar aqui no blog. Quando dizemos “seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no Céu”, estamos proclamando o senhorio de Jesus na Terra – em nossas atitudes e princípios – e no Céu – na Sua justiça e no Julgamento final. Não basta, ainda na fala de Moisés, saber que Deus O é lá em cima e cá embaixo; é preciso reconhecer e gravar ISSO em nosso coração. “Saber”, “reconhecer” e “gravar no coração”, com efeito, são processos diferentes: enquanto saber não exige nenhuma persuasão da pessoa que sabe, ou seja, quem sabe se convence que aquilo é verdade, no entanto, não se adepta a essa verdade, reconhecer constitui justamente essa adequação à verdade revelada. Gravar no coração, nesse processo de amadurecimento, é algo ainda mais profundo, pois revela um reconhecimento de fé e de caridade, de atitude.

Ao mesmo tempo, saber, reconhecer e gravar no coração que “Deus é Deus em todo lugar” e que Ele é o Único Deus verdadeiro são passos que todo cristão devia dar para conhecer de fato a verdadeira natureza do Senhor, o que Ele realmente é. Muitas pessoas, de fato, têm uma visão errada sobre Deus, sobre Sua Igreja, sobre os seus ensinamentos. Só assim, gravando no coração o conceito certo de Deus, o homem poderá achegar-se a Ele e salvar-se. O homem não está no centro, como professavam os “homens modernos”; quem está no centro é Deus e Ele é o Centro. Não é uma invenção minha ou arrogância divina; é a verdade.

E como só podemos ser felizes conhecendo a Deus e à sua verdade, Moisés termina dizendo: “Guarda suas leis e seus mandamentos (…) para que sejas feliz” (Dt 4,40). Muitas vezes ouvimos, de pessoas que não professam a fé cristã, palavras do tipo: “Vocês, religiosos, vivem uma vida infeliz, triste e inútil porque não aproveitam a vida…”. Sabemos, com efeito, que o mundo criou uma imagem muito deturpada do que é aproveitar a vida: seria transar com quantas mulheres fosse preciso para se ter fama. É essa a realidade, pelo menos quando se fala do setor masculino. Tiveram a coragem de perguntar pra mim: “Você vai ser padre, mas, antes vai ‘aproveitar a vida’?” E eu: “Como assim aproveitar a vida”? Já esperava aquela resposta, mas era decepcionante demais.

Viver feliz, hoje, é sinônimo de fazer o que bem entender. E quando não se faz isso, então se é apelidado de atrasado, bobo, igual todo mundo. Mas que lembremo-nos das palavras verdadeiras da Santa Bíblia: para sermos feliz, precisamos guardar os mandamentos de Deus. Veja: Moisés não falou de ter fé ou coisa parecida. Ele falou de atitude. Portanto, a felicidade é uma conseqüência dos nossos atos. Aquilo que praticamos tem um fim e, caso estamos praticando o que nos pede o Senhor, então, caminhamos para a felicidade, a verdadeira felicidade.

Filhos amados de Deus

Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”, diz São Paulo na segunda leitura hoje, encontrada em Romanos 8,14-17. Ao mesmo tempo em que isso mostra a estreita relação que há entre o Pai e o Espírito, respectivamente 1ª e 3ª pessoas da Trindade, revela a nós a importância de nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo. É isso o que dizia Moisés na primeira leitura: cumprir os mandamentos de Deus. Na carta aos romanos, de um modo especial, São Paulo mostra a diferença em “viver pela Lei” e “viver pelo Espírito”. Com efeito, ele não quer fazer uma distinção entre “Lei” e “Espírito”, como, a primeira vista, se pode pensar. Aqui ele demonstra que, a partir de Jesus, o homem não vê a lei como algo difícil de ser cumprido. Antes de cumpri-la, contudo, invoca o Espírito Santo para que possa guardar os mandamentos do Pai.

Para sermos mesmo chamados filhos de Deus, é preciso, portanto cumprir o que Ele nos manda. O sinal dum filho verdadeiro e considerado está na sua obediência. A desobediência, no entanto, não nos torna menos ou mais filhos de Deus, como esse trecho da leitura pode dar a entender. Prova disso é a parábola do filho pródigo. O filho que foi embora, mesmo desobediente, afastado da vontade de Deus, não deixou de ser filho de seu pai. Pelo contrário, Deus está sempre de braços abertos, a nos amar, esperando a nossa conversão, a nossa obediência. Somos filhos de Deus mesmo não agradando a Ele. Todos o somos. Mas Paulo vê a necessidade de enfatizar que especialmente aqueles que praticam Sua Palavra o são de corpo e coração.

Depois desse versículo, São Paulo diz que não recebemos espírito de escravo, mas de filho. É preciso pôr em avaliação, nesse momento, o que diferencia o escravo do filho. O escravo é obrigado a cumprir a Lei enquanto o filho aprende a cumprir a Lei e a pratica de livre e espontânea vontade. Essa é a diferença entre os dois! Não pensemos que ser filho nos torna capazes de fazermos o que bem entendermos. Não! Ambos – tanto filho como escravo – cumprem a Lei. No entanto, os dois de modos diferentes. Enquanto um é guiado pela opressão, outro é guiado pelo Espírito Santo de Deus. São Paulo quer dizer que, pela Paixão e Ressurreição de Cristo, somos novas pessoas, “livres da Lei”: ela agora não mais representa um fardo, uma carga pesada a se carregar. O Espírito é o auxílio que precisávamos para que pudéssemos cumprir a Lei de modo pleno. Na Lei imperfeita do Velho Testamento, nada muda, no entanto, tudo é levado à perfeição. E assim o homem se torna capaz de, pelo Espírito Santo, guardar TODA a Lei.

Se somos filhos, completa São Paulo, também somos herdeiros. Como vos disse, todos somos filhos. No entanto, ser herdeiro e receber a herança são duas diferentes dimensões. Para recebermos a herança, que é um direito que todos temos, é preciso “sofremos com ele (…) para sermos também glorificados com ele” (Rm 8,17). Sofrer com Jesus Cristo significa passar por tudo o que ele passou e, portanto, viver como Ele viveu. É SER SANTO! Somos todos herdeiros, filhos do Pai Celeste. Se queremos de fato receber a herança que Ele tem a nos dar, precisamos nos compromissar com Sua vontade e sua Palavra, que são, no sentido literal da palavra, vida e vida em abundância.

Essa vida que o Senhor tem a nos dar por meio de sua herança já nos é dada aqui na terra por meio da felicidade descrita na primeira leitura e que recebemos com a presença de Jesus. Ora, Ele ao céu não se elevou? Sim. Mas sua presença, pelo Espírito Santo, aqui se perpetua: “Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28,20). Deus não abandonou seu povo, seus filhos. Por meio do Espírito Santo, que age na Igreja Católica, deixou-nos uma fonte plena de verdade, que podemos confiar.

Geremos em nosso coração uma confiança capaz de criar a verdadeira felicidade. Não, não queremos a felicidade que o mundo nos dá. Como “cidadãos do Céu” e filhos do Pai Celeste, exigimos nossa herança e lutamos por esse “passaporte” a cada dia, negando sem parar o que o mundo nos quer conceder. Roguemos à Santa Virgem que implore a Jesus, seu Filho, por cada um de nós, pecadores. É só buscando apoio em Jesus e na Sagrada Mãe Maria que vamos achegar-nos a Deus.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Graça e paz.

“…santificado seja o vosso nome…”

Depois de apresentar-se diante de Deus – PAI NOSSO que estais no céu – o homem agora busca louvar e glorificar o Senhor por meio da proclamação: “…santificado seja o vosso nome” (Mt 6,9). Santificar o nome de Deus é afirmar e reafirmar a sua santidade, por muitas vezes cantada por nós na Santa Missa: “Santo, Santo, Santo é o Senhor, Deus do Universo, o céu e a terra proclamam a vossa glória…” É essa glorificação que o homem busca promover dizendo ao Seu Pai que Ele é Santo.

É, além disso, uma busca da verdade. É só confessando que Jesus Cristo é o Senhor – abrindo, dessa maneira, as portas do nosso coração ao Espírito Santo de Deus – que podemos chegar à genuína verdade. Chamar Deus de Santo é uma missão que precisa ser desempenhada de maneira fiel por cada um de nós. Essa fidelidade é reproduzida quando buscamos imitar a Deus, cumprindo suas leis e vivendo o que Ele viveu. É justamente por isso que o verbo é conjugado não no infinitivo – “é” – mas no subjuntivo. Não como se o nome de Deus não fosse santo. Aqui o subjuntivo não expressa nem hipótese nem dúvida.

Quando se diz “seja”, quer se afirmar que precisamos, em nossas atitudes, reproduzir a santidade que Deus nos pede. Em diversas ocasiões, ainda no Velho Testamento, Deus, ao instruir o seu povo com o Código da Aliança dizia: “Sede santos porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2). Confessar a santidade de Deus não é, portanto, somente um ato isolado, mas algo que deve ser posto em prática na nossa vida de uma forma concreta. O Senhor é Santo? Então, sejamos santos também! Canta Ricardo Sá na música “Que Santidade de vida!”: “Que eu seja santo, santo, santo, pois Deus é santo, santo, santo…” É esse o espírito daquele que pronuncia com o coração essas palavras que o Cristo nos ensinou.

Louvar e glorificar o Criador nessas palavras são atitudes importantes, pois expressam (1) o nosso agradecimento a Deus por Ele nos ter criado e “arquitetado”, (2) o reconhecimento que temos pelo amor do Pai que vem ao encontro do seu filho por meio de Jesus Cristo e, sobretudo, (3) a tendência do homem em buscar as coisas do alto. A nossa vida é projetada para que tenhamos felicidade. E não há nenhum problema nisso. O homem precisa mesmo ser feliz. Ele está na terra para ser alegre e viver uma vida que o alegre. No entanto, precisamos nos cuidar onde estamos buscando essa felicidade.

O conceito de felicidade, humanamente falando, pode parecer relativo, mas a única fonte onde ele permanece guardado de maneira fidedigna, à espera daqueles que a procuram, é em Deus. Por isso quem não crê em Deus NUNCA vai obter uma completa felicidade. Pode-se até dizer: “Ah, eu vivo feliz; tenho minha família, meus filhos, meu trabalho…” Bom… Mas o que realmente importa você não tem. É ter tudo e, ao mesmo tempo, não ter nada. Buscar a felicidade em Deus também é santificá-lo. É mostrar que Ele é nosso porto seguro e que confiamos inteiramente nEle.

Que possamos proclamar que o nome de Deus é santo, buscando em nossa vida a profunda felicidade, cuja base está principalmente fundamentada na santidade. Invoquemos o PAI NOSSO e peçamos que Ele nos ajude a viver essa missão.

Graça e paz.

O ensinamento da Igreja

Fonte: Catecismo da Igreja Católica

I. «Santificado seja o vosso nome»

2807. A palavra «santificar» deve ser entendida, aqui, antes de mais, não no seu sentido causativo (só Deus santifica, torna santo), mas, sobretudo num sentido estimativo: reconhecer como santo, tratar de um modo santo. É assim que, na adoração, esta invocação é por vezes entendida como louvor e ação de graças (57). Mas esta petição é-nos ensinada por Jesus na forma optativa: um pedido, um desejo, e expectativa na qual Deus e o homem estão empenhados. Desde a primeira petição ao nosso Pai, mergulhamos no mistério íntimo da sua divindade e no drama da salvação da nossa humanidade. Pedir-Lhe que o seu nome seja santificado é envolvermo-nos «no desígnio benevolente que Ele de antemão formou a nosso respeito» (Ef 1, 9), para que «sejamos santos e imaculados diante d’Ele, no amor» (Ef 1, 4).

2808. Nos momentos decisivos da sua economia, Deus revela o seu nome; mas revela-o realizando a sua obra. Ora esta obra só se realiza, para nós e em nós, se o seu nome for santificado por nós e em nós.

2809. A santidade de Deus é o foco inacessível do seu mistério eterno. Ao que dela se manifestou na criação e na história, a Escritura chama Glória, a irradiação da sua majestade (58). Ao fazer o homem «à sua imagem e semelhança» (Gn 1, 26), Deus «coroa-o de glória» (59), mas, ao pecar, o homem é «privado da glória de Deus» (60). Desde então, Deus vai manifestar a sua santidade revelando e dando o seu nome, para restaurar o homem «à imagem do seu Criador» (Cl 3, 10).

2810. Na promessa feita a Abraão e no juramento que a acompanha (61), Deus compromete-Se a Si mesmo, mas sem revelar o seu nome. É a Moisés que começa a revelá-Lo (62), e manifesta-O aos olhos de todo o povo salvando-o dos Egípcios: «revestiu-Se de glória» (Ex 15, 1). A partir da Aliança do Sinai, este povo é «seu» e deve ser uma «nação santa» (ou consagrada; em hebreu é a mesma palavra) (63), porque o nome de Deus habita nela.

2811. Ora, apesar da Lei santa que o Deus santo lhe deu e tornou a dar (64), e muito embora o Senhor, «por respeito pelo seu nome», usasse de paciência, o povo desviou-se do Santo de Israel e «profanou o seu nome entre as nações» (65). Por isso, os justos da Antiga Aliança, os pobres retornados do exílio e os profetas arderam de paixão pelo Nome.

2812. Finalmente, é em Jesus que o nome do Deus santo nos é revelado e dado, na carne, como salvador (66): revelado pelo que Ele é, pela sua Palavra e pelo seu sacrifício (67). É o coração da sua oração sacerdotal: «Pai santo, [...] por eles Eu me consagro para que também eles sejam consagrados na verdade» (Jo 17, 19). Porque Ele próprio «santifica» o seu nome (68), é que Jesus nos «manifesta» o nome do Pai (69). No termo da sua Páscoa é que o Pai Lhe dá então o nome que está acima de todo o nome: Jesus é Senhor para glória de Deus Pai (70).

2813. Na água do Batismo, nós fomos «purificados, santificados, justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus» (1 Cor 6, 11). Em toda a nossa vida, o nosso Pai chama-nos «à santidade» (1 Ts 4, 7) e, uma vez que é por Ele que nós estamos em Cristo Jesus, «o qual Se tornou para nós [...] santidade» (1 Cor 1, 30), interessa à sua glória e à nossa vida que o seu nome seja santificado em nós e por nós. Tal é a urgência da nossa primeira petição.

«Por quem poderia Deus ser santificado se é Ele próprio quem santifica? Mas porque Ele mesmo disse: “sede santos, porque Eu sou santo” (Lv 14, 44), nós que fomos santificados no Batismo, pedimos e rogamos para perseverar no que começamos a ser. E isso nós o pedimos todos os dias. Precisamos de uma santificação quotidiana para que, incorrendo em faltas todos os dias, todos os dias sejamos delas purificados por uma santificação assídua [...] Portanto, oramos para que esta santificação permaneça em nós» (71).

2814. Depende inseparavelmente da nossa vida e da nossa oração que o seu nome seja santificado entre as nações:

«Pedimos a Deus que o seu nome seja santificado, porque é pela santidade que Ele salva e santifica toda a criação. [...] Este é o nome que dá a salvação ao mundo perdido. Mas nós pedimos que este nome de Deus seja santificado em nós pela nossa atuação. Porque se nós agirmos bem, o nome de Deus é bendito; mas é blasfemado se agirmos mal. Escuta o que diz o Apóstolo: “O nome de Deus é blasfemado entre as nações, por causa de vós” (Rm 2, 24) 72. Nós, portanto, pedimos para merecermos ter nos nossos costumes tanta santidade, quanto é santo o nome de Deus» (73).

«Quando dizemos: “Santificado seja o vosso nome”, pedimos que ele seja santificado em nós que estamos n’Ele, mas também nos outros, por quem a graça de Deus ainda está à espera, para nos conformarmos com o preceito que nos obriga a orar por todos, mesmo pelos nossos inimigos. É por isso que nós não dizemos expressamente: santificado seja o vosso nome “em nós”, porque pedimos que o seja em todos os homens» (74).

2815. Esta petição, que as inclui todas, é atendida pela oração de Cristo, como as restantes seis petições que se seguem. A oração que fazemos ao nosso Pai é nossa, se for rezada «em nome» de Jesus (75). Na sua oração sacerdotal, Jesus pede: «Pai santo, guarda em teu nome aqueles que Me deste» (Jo 17, 11).

Essência esfacelada

A oração do terço representa para a sociedade atual o sinal de que Deus ainda vive no meio de nós

Somos de Deus e para Sua glória fomos criados. Nossas atitudes, nossos pensamentos, nossas filosofias, enfim, a nossa vida, suas “casualidades” e conseqüências, buscam algo maior, cujo nome é Deus. Infelizmente, nem sempre entendemos isso e acabamos canalizando as nossas forças, o nosso trabalho, os nossos atos em coisas passageiras. Perdemo-nos na libertinagem sexual, na orgia e na depravação, nas drogas, nas bebidas, nos becos de ruas… Desrespeitamos a Deus e a nós mesmos, templos do Espírito Santo. Na nossa busca por algo maior, pela felicidade, pela alegria, acabamos nos contentando com o que o mundo chama de paz, mas que representa de fato uma euforia, algo momentâneo e efêmero, que passa.

A essência do ser humano vai se esfacelando. A sociedade vai cada vez mais se afastando de Deus – não por ação divina, mas do próprio homem – e o progresso tão almejado por todos se torna sinônimo de criseCra, de regresso, de atraso econômico. Por quê? – questiona o homem. A resposta não está em fatores externos, mas sim dentro do coração humano. É preciso pensar: que valores estamos cultivando? Que crenças estamos promovendo? E a partir dessas análises, a partir do aprofundamentos dessas idéias vai se percebendo que a culpa de tudo isso está em nós mesmos.

Enquanto a Igreja nos propõe uma família onde viva primordialmente a castidade, o diálogo e a união, o mundo idealiza uma casa sobre a areia: se estiver difícil, o melhor é separar. Enquanto o Papa fala de resolver a AIDS com castidade com celibato consagrado, com amor a Deus, os governos distribuem livremente as camisinhas pelas ruas, achando que, com isso, estão ajudando a combater as doenças sexualmente transmissíveis. Pregam que devemos praticar o imoral, mas devemos nos cuidar, ou seja, praticar o mal, mas cortar as conseqüências. E o mesmo acontece com aborto, casamento homossexual e muitos outros assuntos em que vemos que a sociedade de fato ‘andou para trás’.

E assim de pouco a pouco o homem não aprende a enfrentar as dificuldades da vida. Delas ele quer fugir. Encarar a realidade e as conseqüências que os atos humanos produzem? De modo algum! É mais fácil eu cobrir o meu órgão sexual dum material composto de látex, que pelo menos eu ‘tampo’ os atos depravados que eu cometo; é mais fácil eu me livrar daquele que me incomoda, me separar daquele que me impede de fazer o que eu quero. É mais fácil eu fazer o que todo mundo quer do que fazer o que Deus de fato quer. Mas Ele está vendo tudo o que fazemos. Não é um preservativo, uma carta de divórcio que vão anular compromissos que fizemos no nosso batismo, no nosso matrimônio, na nossa Igreja. Tudo Ele vê. Só que pensamos, erroneamente, que podemos tampar a realidade com a peneira. Não! Todos pagaremos por nossos atos ainda aqui na terra.

Agora, cabe a nós aprender com nossos erros, com as desgraças e tentar progredir. E, paradoxalmente, cabe a nós também ‘estacionar’ no pecado, na onda desse mundo promíscuo e esperar, quando a dificuldade chegar de novo, que Deus me ajude e me tire do buraco que vivo. Enfim, a escolha é nossa. Toda escolha gera conseqüências: umas ruins, outras melhores. Podem querer ‘cortar’ essas conseqüências e mudar a realidade, mas ninguém escapa do juízo final, do momento em que ficaremos cara a cara com Deus, mais perto do que nunca d’Ele e, ao mesmo tempo, tão longes, graças à nossa vã maneira de viver. Fazer tudo para a glória de Deus não é fácil, mas não é impossível. Será que estamos pelo menos nos esforçando?

Graça e paz.