Debate político em São Paulo: coragem de uns e, de outros, nem tanto…

Reta final das eleições em vários municípios do país. E, novamente, vamos falar sobre São Paulo. Nos últimos dias, o debate político entre Fernando Haddad, do PT, e José Serra, do PSDB, contou com uma troca constante de farpas – como era de se esperar. Tudo começou com o apoio público dado pelo pastor Silas Malafaia, da comunidade protestante Assembleia de Deus, à candidatura de Serra. Haddad parece não ter gostado. Fez uma declaração, acusando seu adversário de “instrumentalizar” religiões: “O Serra instrumentaliza as religiões. Fez isso para atacar a Dilma, e eu entendo que ele fará o mesmo para me atacar. A minha família está muito indignada em relação a esses ataques, com a atitude do Serra de instrumentalizar pastores para me atacar na honra.”

Malafaia entendeu o recado de Haddad e publicou uma resposta, em forma de vídeo, fazendo críticas ferrenhas ao ex-ministro da Educação.

Apesar de ser pastor protestante – e, portanto, pregar uma Fé mutilada pelos erros da reforma luterana e do subjetivismo pentecostal -, Malafaia é uma personalidade que merece respeito, por sua coragem e valentia em defender seus princípios. Além de denunciar abertamente as obras destruidoras propaladas pelos inimigos do Cristianismo, criticando com veemência o discurso totalitário de muitos dos novos movimentos sociais – como o LGBT, feminista, ambientalista etc. -, não tem vergonha de dizer a verdade, nua e crua, mesmo que isto lhe custe a fama de “fundamentalista” ou “radical”: “Não tenho medo de dar minha cara a tapa, não estou nem aí se alguém não está gostando. Não estou em concurso de beleza.”

Bem diferente do discurso do líder da Assembleia de Deus foi a entrevista concedida por Dom Fernando Figueiredo à Folha de São Paulo, no começo desta semana.

Perguntado sobre o “kit gay” produzido por Haddad enquanto ministro da Educação, e sobre um programa similar – porém, mais genérico, não visando especificamente a abordagem de “preconceito sexual” – produzido por Serra, durante seu mandato no governo do estado, Dom Fernando “tirou o corpo fora”: “Elaborar esse material pode ser considerado algo que desabone um candidato? Creio que essa questão é muito delicada. (…) Não colocaria essas questões num período eleitoral.”

Questionado se a posição de Malafaia em condenar a campanha de Haddad foi preconceituosa, limitou-se a dizer que “não gostaria de julgar”.

Quando indagado sobre como as lideranças religiosas deveriam participar no debate político, afirmou que “ninguém deveria dizer quem é o candidato” no qual vai votar, pois “é um abuso do contato e da credibilidade que os fiéis nos dão”.

Por fim, perguntaram-lhe sua opinião sobre a atual ministra da Cultura, Marta Suplicy, famosa por sua militância frenética frente ao movimento LGBT, e também por ostentar a bandeira da descriminalização do aborto no Brasil. Dom Fernando falou pouco, e não disse nada: “Marta, Marta, Marta… O que eu poderia falar da Marta? Aqui na região sul… Ela tinha uma preocupação pela saúde. Vemos postos de saúde que ela incentivou. Isso foi importante.

A entrevista toda é reflexo de uma pusilanimidade aterradora. Dom Fernando chega ao ponto de afirmar que “há uma lei na igreja que, se a pessoa se aproxima para a comunhão, você não pode negá-la”, quando o Código de Direito Canônico pede justamente o contrário: que “não sejam admitidos à sagrada comunhão os excomungados e os interditos, depois da aplicação ou declaração da pena, e outros que obstinadamente perseverem em pecado grave manifesto” (cân. 915).

O teor desta entrevista infeliz é digno de lástima, mas é a imagem exata de como andam muitos mitrados na América Latina: se não estão entregues ao demônio do socialismo e da esquerda laicista e anticristã, estão nas redes sufocantes do bom-mocismo ou da cumplicidade silenciosa… com os maus, com os abortistas, com os inimigos da família. São poucas as estrelas que brilham no escuro céu latino-americano, mas são elas, insufladas pela intercessão sempre eficaz da Virgem de Guadalupe, a verdadeira Igreja de Cristo. Porque, como já dizia Santo Atanásio de Alexandria, “ainda que os católicos fiéis à Tradição se reduzam a um punhado, são eles a verdadeira Igreja de Jesus”.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Serra e Haddad vão para o segundo turno em São Paulo. E Chalita se alinha novamente ao PT.

“Russomacedo”. Ilustração de Eduardo Nunes.

Na terra do valente Padre Anchieta, e contrariando praticamente todas as pesquisas eleitorais, o candidato do PRB à Prefeitura, Celso Russomanno, não foi nem para o segundo turno. No início do mês de setembro, voltou a circular um texto polêmico, escrito pelo presidente do partido de Russomanno – e, não por acaso, pastor da Universal – que acusava a Igreja Católica de promover o “kit gay”. Dom Odilo Scherer condenou veementemente o artigo. O clima de tensão perdurou até o dia 22 de setembro, quando o arcebispo de São Paulo se reuniu com Russomanno.

Já era muito tarde. Estava evidente a forte ligação entre o PRB e o negócio dirigido por Edir Macedo, desde 1977, para enganar os incautos (e que alguns ousam chamar de “igreja”). Acredito que, aliado à pequena expressão política de Russomanno, este fato foi decisivo para a definição nas urnas. Há tempos a comunidade do bispo Macedo é conhecida por seus desrespeitos à religião católica, por seus atentados à bioética e – não poderíamos esquecer – por inúmeras acusações de envolvimento em esquemas de corrupção.

Vão disputar a corrida eleitoral, no segundo turno, os candidatos José Serra, do PSDB, e Fernando Haddad, do PT. Este último, conhecido por propor o “kit gay” enquanto ministro da Educação, vai contar com o apoio especial do filósofo Gabriel Chalita – que obteve 13,6% dos votos válidos na capital. Segundo notícia da Folha Online, “os petistas prometem abrir espaço para Chalita no comando da campanha”. Afinal, “ele deverá atuar como ponte entre o PT e a Igreja Católica”.

Gabriel Chalita vai militar pelo PT, mais uma vez. Pelo partido cujo histórico denuncia um compromisso escancarado com a “cultura de morte”; pelo partido que se identifica com a defesa de programas voltados à “diversidade” – o que, na verdade, não passa de eufemismo para indicar submissão aos interesses do movimento LGBT. Chalita, que chegou a apresentar programas na TV Canção Nova, se alia novamente ao partido que jogou no lixo a ética e o respeito pela vida dos mais indefesos. Os jornais erram, dizendo que ele “deverá atuar como ponte entre o PT e a Igreja Católica”. Entre um partido abortista e a Igreja nenhuma ponte pode ser construída, a não ser a da excomunhão.

Enquanto alguns católicos cantam uma música melosa, de mãos dadas com abortistas e gayzistas, o pastor Silas Malafaia se manifesta contrário à candidatura de Haddad, o “autor do kit gay”. Como diz o adágio popular, “mais macho que muito homem”.

Jornalista “cutuca” e Russomanno se irrita: “Vamos falar sobre São Paulo?”

Em entrevista concedida à Rede Globo, o candidato do PRB à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, ficou irritado: ele interrompeu a conversa quando o jornalista César Tralli perguntou sobre as recentes críticas feitas pela Igreja Católica paulista à ligação entre ele e a Universal do Reino de Deus. Abaixo o vídeo da entrevista (o candidato fica nervoso aos 3min).

E, pelo visto, a relação entre Russomanno e a Igreja Católica está longe de ser amistosa. Em recente debate eleitoral organizado pela Arquidiocese de São Paulo, o candidato do PRB não compareceu; e foi criticado por seu adversário do PMDB, Gabriel Chalita – o mesmo que apoiou o PT nas últimas eleições e se manifestou favorável à união civil homossexual. “É um candidato sem proposta nenhuma, que nem veio aqui hoje”, atacou Chalita, durante o debate.

Enquanto isso, uma pesquisa divulgada hoje (25) pelo Ibope mostra Fernando Haddad, candidato do PT à prefeitura de São Paulo, em vantagem sobre José Serra, do PSDB. Celso Russomanno continua na frente.

Fernando Haddad vai à igreja

Nas eleições de 2010, o que não faltou foi político indo à igreja para pedir o voto do eleitorado católico. Digo, sem medo de errar, que maior parte dos sujeitos mal sabe o que significam os termos essenciais da nossa Fé, tais como “batismo”, “salvação”, “graça”, “pecado”, “Eucaristia”, “sacrifício” et cetera. Ficou bastante claro que os indivíduos compareceram no templo por puro interesse político. Vamos além: até candidatos cuja fé católica parecia inquestionável – como era o caso do hoje pré-candidato à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita – se renderam ao mesquinho jogo de interesses eleitoral e traíram de modo vil a sua Fé. Hoje, Chalita defende o Partido dos Trabalhadores, se cala com relação à descriminalização do aborto e ainda defende a união civil de homossexuais. Coisas realmente incompreensíveis para um “católico praticante”.

Este ano, mais uma vez os católicos vão às urnas. E, novamente, os políticos vão às igrejas “para rezar”. O safado da vez é o ex-ministro da Educação – e hoje concorrente de Chalita na corrida pela prefeitura de São Paulo -, Fernando Haddad. Mas o petista não se contentou em ficar sentado no banco não! Conforme reportou a Folha Online, o idealizador do projeto “Brasil sem Homofobia” – popularmente conhecido como “kit gay” – “fez uma leitura no microfone (…) e recebeu a hóstia”.

Não vou nem falar da recepção indigna da Sagrada Comunhão – todo bom católico tem consciência de que “aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor” (1 Cor 11, 27). Inquieta igualmente ver um homem cuja vida não é nenhum modelo de catolicidade auxiliando na celebração da Santa Missa – o que pressupõe o consentimento das autoridades eclesiásticas!

Permanece válida, neste sentido, a instrução da Redemptionis Sacramentum (mais clara que isso, impossível!):

46. O fiel leigo que é chamado para prestar uma ajuda nas Celebrações litúrgicas e deve estar devidamente preparado e ser recomendado por suu vida cristã, fé, costumes e sua fidelidade para o Magistério da Igreja. Convém que haja recebido a formação litúrgica correspondente a sua idade, condição, gênero de vida e cultura religiosa. Não se eleja a nenhum cuja designação possa suscitar o escândalo dos fiéis.”

Ah, mas ninguém é suficientemente santo para ajudar dignamente no Sacrifício da Cruz…! Verdade. Mas que pelo menos se escolha algum pecador que queira conduzir a sua vida como pede a doutrina católica! Este senhor jamais demonstrou simpatia alguma ou pelo Papa ou por qualquer devoção católica que seja. Muito pelo contrário! Haddad declara abertamente que é um socialista! Só ignora este fato quem não conhece os interesses do Partido dos Trabalhadores e dos promotores disto que conhecemos hoje como “marxismo cultural”.

Sim, Haddad não é nem o primeiro nem o último homem a ir à igreja pra aparecer e fazer campanha política. Não vamos – nem queremos – impedi-lo de usar seu direito de ir e vir. A única coisa que pedimos é respeito. Respeito à comunidade católica de São Paulo, respeito a Jesus Eucarístico, respeito ao Santo Sacrifício da Missa. E isto não é pedir demais.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!