“Não crê verdadeiramente no Espírito Santo quem não ama a Igreja.”

“Estamos convencidos (…) de que possuímos o Espírito Santo na medida em que amamos a Igreja de Cristo.”
- Santo Agostinho

Non est abbreviata manus Domini, não se tornou mais curta a mão de Deus: Deus não é hoje menos poderoso do que em outras épocas, nem é menos verdadeiro seu amor pelos homens. A nossa fé ensina que a criação inteira, o movimento da terra e dos astros, as ações retas das criaturas e tudo quanto há de positivo no curso da história, tudo, numa palavra, veio de Deus e para Deus se ordena.”

“A ação do Espírito Santo pode passar-nos despercebida, porque Deus não nos dá a conhecer seus planos e porque o pecado do homem turva e obscurece os dons divinos. Mas a fé recorda-nos que o Senhor atua constantemente: foi Ele que nos criou e nos conserva o ser; é Ele quem, com a sua graça, conduz a criação inteira para a liberdade da glória dos filhos de Deus.”

“Por isso, a tradição cristã resumiu num só conceito a atitude que devemos adotar perante o Espírito Santo: docilidade. Temos que ser sensíveis àquilo que o Espírito divino promove à nossa volta e em nós mesmos: aos carismas que distribui, aos movimentos e instituições que suscita, aos efeitos e decisões que nos faz nascer no coração. O Espírito Santo realiza no mundo as obras de Deus: como diz o hino litúrgico, Ele é dador de graças, luz dos corações, hóspede da alma, descanso no trabalho, consolo no pranto. Sem a sua ajuda, nada há no homem que seja inocente e valioso, pois é Ele quem lava o que está manchado, cura o que está enfermo, aquece o que está frio, reconduz o extraviado e encaminha os homens até o porto da salvação e da felicidade eterna.”

“Mas nossa fé no Espírito Santo deve ser plena e completa: não é uma crença vaga na sua presença no mundo; é uma aceitação agradecida dos sinais e realidades a que Ele quis vincular especialmente a sua força. Quando vier o Espírito de Verdade – anunciou Jesus -, Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. O Espírito Santo é o Espírito enviado por Cristo para realizar em nós a santificação que Ele nos mereceu na terra.”

“É por isso que não pode haver fé no Espírito Santo se não houver fé em Cristo, na doutrina de Cristo, nos sacramentos de Cristo, na Igreja de Cristo. Não é coerente com a fé cristã, não crê verdadeiramente no Espírito Santo quem não ama a Igreja, quem não tem confiança nEla, quem só se compraz em apontar as deficiências e as limitações dos que a representam, quem a julga de fora e é incapaz de se sentir seu filho. E sou levado a considerar também como é extraordinariamente importante e abundantíssima a ação do Divino Paráclito durante a celebração da Santa Missa nos nossos altares, enquanto o sacerdote renova o sacrifício do Calvário.”

- São Josemaría Escrivá em O Grande Desconhecido,
extraído do livro “É Cristo que passa”, cap. 13

Não há Pentecostes sem a Virgem Santíssima

Diz São Luís de Montfort que “podemos (…), segundo o parecer dos santos e de vários homens ilustres, dizer-nos e fazer-nos escravos amorosos da Santíssima Virgem, para deste modo sermos mais perfeitamente escravos de Jesus Cristo”. O Santo explica que “a Virgem é o meio de que nosso Senhor se serviu para vir a nós e é também o meio de que nos devemos servir para ir a Ele”, já que “ela não é como as outras criaturas que, se a elas nos prendêssemos, nos poderiam afastar de Deus em lugar de nos aproximar d’Ele”.

Esta bela reflexão, contida no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, é a inspiração da mensagem de Pentecostes que produzimos neste ano de 2012. Abaixo, o resultado deste humilde projeto. ;)

Papa Bento XVI: “O tempo do deserto pode transformar-se em tempo de graça”

“Depois do batismo de penitência do Jordão, no qual assume sobre si o destino do Servo de Deus que renuncia a si mesmo e vive pelos outros e se coloca entre os pecadores para tomar sobre si o pecado do mundo, Jesus se refugia no deserto para estar quarenta dias em profunda união com o Pai, repetindo assim a história de Israel, todos aquelas sequências de quarenta dias ou anos os quais citei [cf. Gn 7,4.12; 8,6; Ex 24,18; Dt 8,2.4; Jz 3,11.30; 1 Re 19,8]. Esta dinâmica é uma constante na vida terrena de Jesus, que procura sempre um momento de solidão para orar ao seu Pai e permanecer em intima comunhão, em intima solidão com Ele, em exclusiva comunhão com Ele, para depois retornar para o meio das pessoas. Mas neste tempo de ‘deserto’ e de encontro especial com o Pai, Jesus se encontra exposto ao perigo e é invadido pela tentação e pela sedução do Maligno, o qual o propõe uma outra via messiânica, longe do projeto de Deus, porque passa através do poder, do sucesso, do dinheiro, do domínio e não através do dom total na cruz. Esta é a alternativa: um messianismo de poder, de sucesso ou um messianismo de amor, de dom de si.”

“Esta situação de ambivalência descreve também a condição da Igreja no caminho no ‘deserto’ do mundo e da história. Neste deserto, nós cristãos temos certamente a oportunidade de fazer uma profunda experiência com Deus que faz forte o espírito, confirma a fé, nutre a esperança, anima a caridade; uma experiência que nos faz participantes da vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte mediante o sacrifício de amor na cruz. Mas o ‘deserto’ é também o aspecto negativo da realidade que nos circunda: a aridez, a pobreza das palavras de vida e de valores, o secularismo e a cultura materialista, que fecham a pessoa no horizonte mundano do existir diminuindo toda referência à transcendência. É este também o ambiente no qual o céu que está sobre nós é obscuro, porque está coberto pelas nuvens do egoísmo, da incompreensão e do engano. Apesar disso, também para a Igreja de hoje, o tempo do deserto pode transformar-se em tempo de graça, já que temos a certeza que também da rocha mais dura, Deus pode fazer brotar água vida que mata a sede e restaura.”

- Papa Bento XVI, Audiência Geral
22 de fevereiro de 2012

O bom humor de São Pio de Pietrelcina

Encontrei um blog que evangeliza de uma maneira muito interessante: fazendo humor. Na blogosfera católica, é cada um no seu quadrado, cada um com seu estilo próprio de comunicação, mas, ao mesmo tempo, é todo mundo junto na unidade, afinal, integramos o mesmo Corpo, que é a Igreja. E é por essa maneira diferente de evangelizar que recomendo aos nossos leitores o blog O Catequista. Eles trazem artigos católicos sobre temas muito controversos. Já falaram de cerveja – ou, como eles preferiram chamar, “birita” -, já falaram sobre o sentido da existência humana, e até sobre a aparente falta de misericórdia do Deus do Antigo Testamento.

Aproveito a oportunidade – já que estou falando do blog mesmo – para somar com um ótimo post que eles fizeram sobre o bom humor na vida do Padre Pio de Pietrelcina. Provavelmente, boa parte dos católicos já assistiu ao filme de sua vida – se não assistiram, não sabem o que estão perdendo, mesmo. Para quem assistiu, mas leu pouco sobre a vida do santo, ficou talvez a imagem de um santo nervoso, sempre enfurecido e irritado.

Primeiro, vamos desconstruir essa ideia totalmente falsa. Embora o cristão deva viver numa profunda tensão – está feliz por causa da graça de Deus que vem em seu socorro, mas, ao mesmo tempo, experimenta o temor de afastar-se d’Aquele que lhe concede a paz -, sua existência não é de maneira alguma uma desgraça, uma infelicidade. O pessimismo e o desgosto diante da vida definitivamente não são atitudes condizentes com o espírito do Evangelho. Por ocasião da última Audiência Geral, nesta quarta-feira, o Papa Bento XVI se pronunciou de maneira excelente sobre este tema:

“Em definitiva, o homem tem necessidade da eternidade; mas por que experimentamos o medo diante da morte? Dentre as várias razões, está o fato de que temos medo do nada, de partir para o desconhecido. Não podemos aceitar que de improviso caia, no abismo do nada, tudo aquilo que de belo e de grande tenhamos feito durante a nossa vida. Sobretudo, sentimos que o amor requer a eternidade, não pode ser destruído pela morte assim num momento. Além disso, assusta-nos a morte, por causa do juízo sobre as nossas ações que a ela se segue. Mas Deus manifestou-Se enviando o seu Filho Unigênito para que todo aquele que acredita não se perca, mas tenha a vida eterna. É consolador saber que existe um Amor que supera a morte, um amor que é o próprio Deus que se fez homem e afirmou: ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá’ (Jo 11,25).”

- Papa Bento XVI, Audiência Geral
2 de novembro de 2011

“O homem tem necessidade da eternidade.” Foi enraizado nesta Teologia verdadeiramente cristã que São Pio de Pietrelcina, inflamado pelo amor a Deus, sacrificou a sua vida ao Altíssimo. “É consolador saber que existe um Amor que supera a morte.” Foi sustentado neste Amor consolador que São Pio de Pietrelcina alegrava-se e buscava as almas… fazendo humor, também, por que não?! Abaixo algumas histórias bem humoradas da vida deste grande místico do século XX:

http://ocatequista.com.br/wp-content/uploads/2011/11/padre_pio_humor.bmp“[U]m menino de seis anos estava realizando o exame de religião para poder receber a Primeira Comunhão. O examinador lhe fez uma pergunta ardilosa:”

“– Quantos deuses existem?”

“Por trás do examinador, o Padre Pio deu a ‘cola’ errada ao menino, mostrando-lhe três dedos. Confiando no santo capuchinho, a criança disse que havia três deuses, fazendo explodir a gargalhada geral de todos!”

“Um dia, um artista mostrou a Padre Pio uma pintura que havia feito de seu rosto. No retrato, o santo estava muito feio, com um rosto carrancudo e ameaçador. Porém, orgulhoso, o pintor pedia que ele escrevesse algumas palavras sobre a tela. Solícito, Padre Pio pegou uma caneta e escreveu em cima: ‘Não tenham medo, sou eu’.”

“Padre Pio ironizava até a sua fama de santidade. Durante a 2ª Guerra Mundial, na Itália, muitas pessoas diziam ter escapado ilesas dos bombardeios por carregarem uma imagem sua (santinho) junto de si. Pois bem. Certa vez, um irmão capuchinho aconselhou Padre Pio a não se preocupar com as ameaças feitas por seus inimigos. Sorrindo, o santo disse:”

– Estou tranquilo: trago aqui comigo uma fotografia do Padre Pio para a minha proteção!

(Extraído do blog O Catequista.) [grifos meus]

Por intercessão de São Pio de Pietrelcina, Deus nos conceda a graça de buscá-Lo sempre mais, dando-nos também ao próximo, com alegria.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

O paraíso é o complexo de todas as alegrias imagináveis

“Oh! que delícias gozarão as almas no paraíso! Segundo o testemunho de S. Paulo são elas inenarráveis: O olho não viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais experimentou o coração do homem o que preparou Deus àqueles que O amam (1 Cor 2, 9). Deverei dizer-vos alguma coisa do céu?, pergunta São Bernardo, e responde: Lá nada existe que desagrade, mas tudo que pode satisfazer.”

“Tendo a alma entrado na bem-aventurança de Deus, nada mais encontrará que a desgoste, nada mais que a possa afligir. E Deus enxugará todas as lágrimas de seus olhos e não haverá mais nem morte, nem luto, nem dor alguma, porque as primeiras coisas passaram (Ap 21, 4). No céu não há doença alguma, nem pobreza, nem adversidade de espécie alguma. Lá não haverá mudança de dias e noites, de frio e calor; lá existirá uma primavera eterna e a todos os respeitos deliciosa. Não haverá perseguição e inveja, já que aí todos amar-se-ão ternamente; cada um se alegrará tanto com a felicidade do outro como com a própria. Lá não haverá mais temores, pois a alma confirmada em graça não poderá mais perder a Deus. Eis que faço novas todas as coisas. Tudo é novo, tudo nos alegra e satisfaz. Os olhos regozijar-se-ão com a vista dessa cidade de incomparável beleza. Que admiração não se apoderaria de nós, se víssemos uma cidade calçada de cristal, com palácios de pura prata forrados de ouro e ornados da maneira mais aprazível com jarros das mais esquisitas flores! Oh! quanto não fica acima disso a Jerusalém celeste. Que encanto ver os habitantes do céu vestidos com pompa real, pois lá haverá tantos reis quantos os moradores, segundo S. Agostinho. Que delícia ver a Santíssima Virgem, mais bela que todo o céu. http://beinbetter.files.wordpress.com/2011/07/00energia5b15d.jpg?w=202&h=248Que prazer então ver o Cordeiro de Deus, Jesus, o esposo das almas. S. Teresa teve uma vez a dita de ver uma mão do Salvador glorificado, sendo tão grande sua beleza que a santa entrou em êxtase. Perfumes esquisitos e fragrâncias paradisíacas nos deleitarão nos céus. Deliciarão nossos ouvidos harmonias sobrenaturais. Um anjo fez S. Francisco ouvir uma só melodia celeste, sentindo-se o santo desfalecer de gozo. Que será então quando se ouvir cantar os coros dos anjos e santos? Que será então ouvir a Santíssima Virgem louvar a Deus? A voz de Maria no céu assemelha-se à do rouxinol, que sobrepuja À de todos os outros pássaros, nota S. Francisco de Sales. Numa palavra: o paraíso é o complexo de todas as alegrias imagináveis.”

“E contudo essas alegrias todas são os menores bens do céu. O que constitui propriamente o céu é o Sumo Bem, é Deus. ‘Tudo o que esperamos está contido em duas sílabas, Deus’, diz S. Agostinho (In Jo X, tract. 4). A recompensa que Deus promete não consiste propriamente em belezas, harmonias e alegrias para os sentidos; a recompensa principal que nos espera é Deus mesmo; ela consiste, em especial, na visão e amor de Deus. Eu sou tua recompensa excessivamente grande, disse Deus a Abraão (Gn 15, 1). Se Deus se mostrasse aos condenados, no mesmo instante o inferno tornar-se-ia um paraíso, diz S. Agostinho.”

- Santo Afonso de Ligório
(Excerto extraído do livro Escola da Perfeição Cristã,
capítulo segundo, da felicidade que nos procura a perfeição)

A vida presente é uma guerra contínua com o inferno

http://beinbetter.files.wordpress.com/2011/07/batalha.jpg?w=220&h=291“O que mais consola uma alma que ama a Deus, ao se lhe anunciar sua morte, é o pensamento de que em breve estará livre de tantos perigos de ofender a Deus, de tantas inquietações de consciência, de tantas tentações do demônio. A vida presente é uma guerra contínua com o inferno, na qual corremos, a cada instante, o perigo de perder a Deus e a nossa alma. S. Ambrósio diz que na terra só caminhamos sobre ciladas armadas por nossos inimigos a fim de nos roubarem a graça divina. (…) Com que ânsia não deseja uma pessoa retirar-se de uma casa, cujas paredes ameaçam desabar, diz S. Cipriano. Pois bem, aqui neste mundo uma desgraça horrível ameaça de todas as partes a nossa alma: o mundo, o inferno, as paixões, nossos sentidos revoltosos, tudo nos quer induzir ao pecado e lançar-nos na morte eterna. Quem me livrará deste corpo de morte? (Rm 7, 24), exclama o Apóstolo. Que alegria, portanto, não sentirá a alma ao ouvir estas palavras: Vem do Líbano, minha esposa… vem do covil dos leões. Vem, que serás coroada (Ct 4, 8). Vem, minha esposa, deixa esse vale de lágrimas, vem desse antro de leões que procuram engolir-te e roubar-te a minha graça.”

“É para a alma um grande favor chamá-la Deus a si quando se encontra em estado de graça, tirando-a deste mundo onde poderia mudar de sentimentos e perder a amizade divina. Todo aquele que vive em união com Deus é feliz. Mas como um navio, na expressão de S. Ambrósio, só se pode ter por seguro quando entrado no porto e escapo à tempestade, assim também uma alma só então se poderá julgar inteiramente feliz quando deixar esta vida em estado de graça. Se o navegante se julga feliz ao chegar ao termo de sua viagem, depois de superar grandes perigos, quantos mais feliz julgar-se-á aquele que dentro em pouco se verá seguro, na posse de sua eterna felicidade.”

- Santo Afonso de Ligório
(Excerto extraído do livro Escola da Perfeição Cristã,
capítulo segundo, da felicidade que nos procura a perfeição)

A graça de receber o pão da vida, com as devidas disposições

http://www.marypages.com/Siena2.jpgConsidera como é grande a pessoa que recebeu o pão da vida, o alimento dos anjos, com as devidas disposições. Ela permanece em mim e eu nela, como o peixe está no mar e o mar no peixe.”
- Deus a Santa Catarina de Sena

Celebramos no dia de hoje a memória de Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja. Esta grande mística é muito conhecida por denunciar as imoralidades às quais aderiam os sacerdotes de sua época, chamando-os a abrir os olhos à necessidade de salvar as almas e glorificar o Altíssimo. Mas, muitos outros temas procurou abordar Catarina, seja no livro conhecido como O Diálogo, no qual ela mantém uma conversa profunda com Deus, seja em suas Cartas, muitas piedosamente redigidas, sendo que numerosas foram endereçadas a membros do clero, convidando-os ao zelo pelas almas e pelas coisas do alto.

Gostaríamos de fazer alguns comentários a um trecho d’O Diálogo, publicado no blog Tesouros da Igreja Católica, no qual Santa Catarina fala da maneira como deveríamos receber a Sagrada Eucaristia. Recordemos, a priori, aquilo que nos fala o Catecismo de São Pio X quanto às disposições para receber dignamente o excelso Sacramento: “Para fazer uma comunhão bem feita, são necessárias três coisas: primeira, estar em estado de graça; segunda, estar em jejum desde uma hora antes da comunhão; e terceira, saber o que se vai receber e aproximar-se da sagrada Comunhão com devoção” (n. 626). Aquilo que dizem os preceitos da Igreja não pode ser simplesmente ignorado e banalizado; o que sabemos, porém, é que muitas pessoas, em nossas igrejas, estão comungando em estado de inimizade com Deus. E o mesmo Catecismo de São Pio X é enfático ao falar de tal atitude: “Quem comungasse em pecado mortal, receberia a Jesus Cristo, mas não a sua graça; pelo contrário, cometeria sacrilégio e incorreria na sentença de condenação” (n. 630). A expressão usada explicita a gravidade do pecado de quem se aproxima indignamente de Jesus Eucarístico. Sublinhamos a palavra “indignamente” porque sabemos que nenhum de nós somos dignos nem mesmo de nos aproximarmos d’Aquele que é. Deus quis, entretanto, dar-se a nós, neste Sacramento; pede-nos, outrossim, pelo menos que estejamos em estado de amizade para com Ele. E a certeza de que comungar em pecado mortal é “sentença de condenação” remonta aos tempos apostólicos, como nos garante São Paulo: “Aquele que o come [o pão] e o bebe [o vinho] sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação” (1 Cor 11, 29).

A Palavra de Deus ecoa pelos séculos. E Santa Catarina é responsável por transmitir esta sempre nova mensagem aos cristãos de seu tempo; é Deus Quem lhe fala: “Sabes a que se assemelha a pessoa que comunga indignamente? Se assemelha a uma vela molhada na água que apenas faz barulho ao ser encostada ao fogo; e, se por acaso acende, logo se apaga, fazendo fumaça.” Não há como acender o pavio da “vela” da alma de uma pessoa que está em pecado mortal. Explica o Senhor a Catarina: “No dia do Batismo, recebeis uma vela; se depois pecais, derramais ‘água’ em vosso íntimo, umedecendo o ‘pavio’ de vossa graça batismal; então, sem procurar ‘secá-lo’ por meio da penitência, ides à mesa da comunhão receber a luz do sacramento eucarístico: recebê-la-eis materialmente, não segundo o espírito.” O exemplo dado é muito bom, pois ilustra com precisão o drama daquele que, recebendo o perdão dos pecados no dia do seu Batismo, acaba perdendo a graça de Deus aderindo ao Seu inimigo, que é o demônio. A nossa alma se encontra literalmente morta e não é a Eucaristia que irá restaurá-la a vida.

Ora, mas não é o padre mesmo que pede, antes de comungar, que a Eucaristia que ele irá receber seja “sustento e remédio para minha vida”? Ora, sim, mas as enfermidades mais graves – como é o caso do pecado grave -, devem ser curadas com outro Sacramento: o da Penitência. A Eucaristia apaga os pecados veniais, não os mortais. É por isso, sacramento de vivos, ao passo que a Confissão é sacramento de mortos – ou seja, daqueles que estão com alma em estado de desgraça. Sim, pode interrogar um cristão, mas e se eu sentir em meu coração o impulso a comungar, mesmo que eu esteja em pecado grave? Bom, se esta inspiração lhe incita a desobedecer um preceito da Igreja, certamente não é uma inspiração divina, definitivamente. Não podemos, como já foi dito, imaginar as palavras da Igreja como meros detalhes, coisas insignificantes que podemos burlar caso “sentirmos em nosso coração” um desejo contrário ao que por ela é exortado. O que diz a Igreja é o que quer dizer-nos o Senhor. Por isso entregou este a Pedro as chaves do Reino dos céus: para que tudo que fosse ligado na terra fosse também ligado nos céus (cf. Mt 16, 19).

Também pede-nos o Catecismo, para que bem comunguemos, “saber o que se vai receber e aproximar-se da sagrada Comunhão com devoção”. É o que Santa Catarina continua a nos falar:

http://beinbetter.files.wordpress.com/2011/04/asagradacomunhc383o.jpg?w=226&h=143“Todo homem deveria sentir o coração inflamado de caridade ao considerar, entre os outros favores meus, o benefício deste sacramento! Com que olhos, filha querida, tu e os demais deveríeis ver e tocar este mistério! Quero dizer: ‘ver’ e ‘tocar’ não apenas materialmente. Aqui, pouco valem os sentidos externos. O olho vê unicamente um pãozinho branco; a mão, ao tocar, nada percebe de mais profundo; o paladar sente só o gosto do pão. Enganam-se os pobres sentidos! Não se enganem, porém, os sentimentos do coração. Que o homem não queira enganar-se; que ele não recuse a luz da fé através do pecado da infidelidade. É pelo sentimento interior que o homem saboreia este sacramento; ele somente é visto pela inteligência iluminada com a fé. Somente esta enxerga na hóstia branca o todo-Deus e o todo-Homem, a natureza divina unida à humana, o corpo, alma, sangue de Cristo; sua alma unida ao corpo, o corpo e a alma unidos à divindade!”

Praestet fides suplementum sensuum defectui, diz o hino composto há oito séculos por São Tomás de Aquino. Aos nossos sentidos escapa o milagre da transubstanciação; à nossa “inteligência iluminada com a fé”, porém, não passa despercebida a notável verdade do Deus que se faz alimento para a nossa salvação. E é tendo sempre em mente esta certeza que devemos nos aproximar da Sagrada Eucaristia. Aquilo que nos oferece o sacerdote não é um simples pedaço de pão, não é um simples alimento, um rito do qual participamos como se participássemos de qualquer banquete; quando nos ajoelhamos diante da hóstia, ajoelhamo-nos diante do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. O sacerdote diz-nos: “O Corpo de Cristo!” E é verdade: ali está verdadeiramente nosso Senhor! Que temor, pois, deve assaltar o nosso coração só de pensarmos em contristar Aquele que derramou o Seu Sangue para a nossa salvação! Este temor deve converter-se em ação concreta. Se estamos conscientes de tê-Lo ofendido gravemente, não entramos na fila da Comunhão. E não importa se a sua melhor amiga ali entrou, se aquela pessoa que tem uma conduta pouco exemplar ali está… Ali, na igreja, estão você e os homens. No dia do Juízo, estarão cara a cara você e Deus. A quem queremos, afinal, agradar?

Demos, enfim, graças a Deus por que Ele quis se fazer presente em nosso meio através do diviníssimo Sacramento da Eucaristia. E esforcemo-nos para comungar com frequência, buscando, ao mesmo tempo, manter em nossa alma seco o pavio, para que Ele, encontrando-nos, possa acender em nós o fogo da sua graça. E que Santa Catarina de Sena rogue ao Altíssimo por Seus sacerdotes, para que celebrem com piedade e profundo respeito o Sacrifício que Ele quis instituir para a remissão de nossas faltas.

Santa Catarina de Sena,
rogai por nós!

Graças e louvores sejam dados a todo o momento
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Deus deseja que todos os homens se salvem

http://lh3.ggpht.com/jbewiahn/SJSiQLaiIII/AAAAAAAAEk4/lznozp20EFk/Jesus_pastorx.gif“Se, no entanto, o mau renuncia a todos os seus erros para praticar as minhas leis e seguir a justiça e a equidade, então ele viverá de certo, e não há de perecer.
Não lhe será tomada em conta qualquer das faltas cometidas: ele há de viver por causa da justiça que praticou.
Terei eu prazer com a morte do malvado? – oráculo do Senhor Javé. Não desejo eu, antes, que ele mude de proceder e viva?

(Livro de Ezequiel, 18, 21-23)

Diz São Paulo a Timóteo: “Deus, nosso Salvador (…) deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2, 3-4). São verdadeiras as palavras do Sacro Evangelho. Deus deseja a conversão do pecador, e não a sua ruína. “Não sinto prazer com a morte de quem quer que seja” (Ez 18, 32). O problema não está, então, na Misericórdia de Deus, que se compadece de todos os homens, mas na obstinação do pecador que, negando a reconhecer a autoridade divina, prefere satisfazer seus desejos carnais a praticar a vontade de Deus, escrita no coração de todos os homens. Em suma, se tem alguém que condena o homem é ele mesmo.

Deus é Misericórdia!”, clama constantemente o povo de Deus. É certo. Não negamo-lo. Aliás, a Bíblia, por diversas vezes, enfatiza passagens em que Deus, do alto de sua Bondade, se compadece da situação do homem. O livro do profeta Jonas é uma clara amostra da Misericórdia de Deus que socorre seu povo. Ele passou por Nínive, dizendo aos habitantes do lugar que a cidade seria destruída, caso eles não se arrependessem de seus pecados. E eis que o povo fez penitência, jejuou e se arrependeu. O que aconteceu, por fim? “Diante de uma tal atitude, vendo como renunciavam aos seus maus caminhos, Deus arrependeu-se do mal que resolvera fazer-lhes, e não o executou” (Jn 3, 10). Diante da conversão do pecador, a Misericórdia de Deus age.

O problema não está em falar que Deus é Misericórdia – o que é uma afirmação muito verdadeira -. O problema está em desconsiderar a Justiça Divina. Ou seja, é errado olharmos para a Misericórdia como uma forma de multiplicarmos as nossas faltas contra Deus. Diz ainda o profeta Ezequiel: “É segundo o vosso próprio proceder que julgarei cada um de vós” (Ez 18, 30). É, portanto, o homem, através do ato da sua vontade, que se salva ou se condena. Se se condena, é porque rejeita a graça de Deus; se se salva, é porque conta com ela. A graça a todos está disponível; mas nem todos se deixam guiar por ela. Como dizia Jesus, “muitos serão os chamados, mas poucos os escolhidos” (Mt 20, 16). Por isso, Deus deseja que todos os homens se salvem; mas nem todos Ele salva, porque nem todos buscam a salvação.

Misericórdia: é preciso que a compreendamos corretamente. Os espíritas amam negar a realidade do inferno se apoiando na ideia de Deus misericordioso. Como explicar um Deus bom e a existência do inferno? Voltamos à passagem do livro de Ezequiel: “Não desejo eu, antes, que ele [o pecador] mude de proceder e viva?” Deus não quer a morte do homem, mas se o homem insiste obstinadamente em trilhar os caminhos do pecado, cujos termos conduzem inevitavelmente à morte, então “ele perecerá”. Afinal, Deus não obriga ninguém a amá-Lo. Ele faz um convite ao homem. Expõe as consequências dos seus atos, mas deixa o homem entregue à própria decisão. É, portanto, o homem responsável por sua condenação, não Deus. De todas as formas se manifesta Deus ao homem para propor-lhe a conversão, mas a palavra final é nossa.

Por fim, há um comentário do livro do Apocalipse de São João que acho bastante oportuno para a ocasião. É o Senhor quem diz: “Eis que estou à porta e bato” (Ap 3, 20). Deus não arromba a porta do nosso coração. Ele bate. Cabe a nós abrirmo-la. “Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa…” Atenção, diz o Senhor a Ezequiel, “convertei-vos!” (Ez 18, 30).

Estamos no tempo da Quaresma, período propício para essa conversão que Deus nos propõe. Para os cristãos que são tentados a pecarem uma vez mais, no pretexto de depois se arrependerem e alcançarem o perdão, oportuna é a observação de Santo Afonso de Ligório: “Se esta hora, se este momento, em que me apartasse de Deus, fosse o último para mim, de modo que já não restasse tempo para reparar a falta, que seria de mim na eternidade?” Tenhamos esse sentimento sempre em nosso coração e dificilmente pecaremos. Estejamos sempre diante do Senhor, observando com vigilância seus mandamentos; dificilmente transgrediremos sua Lei. Peçamos, enfim, à Maria Santíssima, Mãe de Misericórdia, que interceda por nós junto a Deus, para que nosso arrependimento e nossa confiança em Deus nos conduzam à Pátria Celeste.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Como um jovem manterá pura a sua vida

“Como um jovem manterá pura a sua vida?
Sendo fiel às vossas palavras.
De todo o coração eu vos procuro;
não permitais que eu me aparte de vossos mandamentos.
Guardo no fundo do meu coração a vossa palavra,
para não vos ofender.
Sede bendito, Senhor;
ensinai-me vossas leis.
Meus lábios enumeram
todos os decretos de vossa boca.
Na observância de vossas ordens eu me alegro,
muito mais do que em todas as riquezas.”

(Salmo 118 [119], 9-14)

“Como um jovem manterá pura a sua vida?” Essa pergunta é constantemente realizada pelo mundo moderno. Como poderá o homem guardar a castidade e seguir retamente os caminhos do Senhor? Não é isso impossível aos olhos do mundo?

A sabedoria de Deus é loucura para o mundo, já dizia São Paulo (cf. 1 Cor 1, 21). O que diz a Santa Madre Igreja? O que prega a Sé Apostólica? Castidade? Pureza? Em verdade, todos esses valores mexem com o egoísmo humano, mexem naquele problema que está arraigado na natureza humana desde que Adão e Eva pecaram: a concupiscência. Pede Deus a todos nós que guardemos os nossos corpos puros e íntegros; nada de indecências, nada de prevaricações. Mas é justamente isso o que o mundo quer. E é aqui que a lei de Deus e a vontade dos homens entram em contradição. O homem é de natureza caída. As proposições do mundo o afundam mais na lama. As leis de Deus o elevam. Só que é mais fácil ao homem contaminar-se nas impurezas desse mundo do que buscar algo mais digno. A busca por algo superior é “nadar contra a correnteza”.

Como o jovem manterá pura a sua vida? O salmista responde: “Sendo fiel às vossas palavras”. O Catecismo de São Pio X adverte: “Vencem-se as tentações com a vigilância, com a oração e com a mortificação cristã” (n. 43). Quem, com firme propósito, procura realizar a vontade de Deus não é nunca desamparado. Aquele que busca na oração observar as leis de Deus não se frustra.

“Guardo no fundo do meu coração a vossa palavra, para não vos ofender.” Eis que o homem está entregue à sua decisão. É a liberdade do homem que age para o bem ou para o mal. Ou o homem se apega ao Bem eterno e imutável ou ele trilha pelo caminho do mal. E o que é preciso fazer para não ofender ao Senhor? Guardar a sua Palavra no fundo do coração, ou seja, estar constantemente convencido de que a ofensa a Deus acarreta males horríveis para a nossa alma, além de nos tirar a felicidade e a calma. Nesse sentido, o salmista dirige ao Senhor uma súplica: “[E]nsinai-me vossas leis”. E por que ele não pede a Deus que não o prive da graça? Justamente porque não é Ele que nos priva da graça; somos nós mesmos, com nossos pecados, que nos afastamos dela. O Autor Sagrado quer conhecer as leis de Deus, para trilhá-las; quer conhecer o amor de Deus, para que possa permanecer na Sua graça.

Por fim, o Salmo diz: “Na observância de vossas ordens eu me alegro, muito mais do que em todas as riquezas”. Felicidade. A alegria duradoura está em Deus. As riquezas passam, o ouro passa, todos os bens deste mundo passam, mas as palavras de Deus não passarão jamais. Está feliz o insensato? Está alegre o pecador? Dê a ele um tempo e verá na sua face uma sombria tristeza. Eis que a aparência de felicidade que o desobediente demonstra é passageira. Ele bem sabe que a sua desobediência acarretar-lhe-á o inferno e que ele está cada vez mais próximo do abismo. Confiemos, pois, em Deus; eis a verdadeira e real felicidade.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

A justiça que vem da graça de Deus

http://images.orkut.com/orkut/photos/OgAAACoM8nFLGHE8TcDskBRjFDSitPQhiQOr8J-hk8w878aaEwBlF-_wm5c9SZI5tJixKCJzoigY-Kn0BZHTtWhHqoQAm1T1UB-Ihl6l9MfkIAau93k2ywg2sn17.jpg“Qual é portanto a justiça de Cristo? É antes de mais a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura si mesmo e os outros. O fato de que a “expiação” se verifique no “sangue” de Jesus significa que não são os sacrifícios do homem a libertá-lo do peso das suas culpas, mas o gesto do amor de Deus que se abre até ao extremo, até fazer passar em si “a maldição” que toca ao homem, para lhe transmitir em troca a “bênção” que toca a Deus (cf. Gl 3, 13-14). Mas isto levanta imediatamente uma objeção: que justiça existe lá onde o justo morre pelo culpado e o culpado recebe em troca a bênção que toca ao justo? Desta maneira cada um não recebe o contrário do que é “seu”? Na realidade, aqui se manifesta a justiça divina, profundamente diferente da justiça humana. Deus pagou por nós no seu Filho o preço do resgate, um preço verdadeiramente exorbitante. Perante a justiça da Cruz o homem pode revoltar-se, porque ele põe em evidencia que o homem não é um ser autárquico, mas precisa de um Outro para ser plenamente si mesmo. Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da auto-suficiência para descobrir e aceitar a própria indigência – indigência dos outros e de Deus, exigência do seu perdão e da sua amizade.”

(Papa Bento XVI, Mensagem para a Quaresma de 2010, § 6-7; 30 de outubro de 2009)

A proposição do Papa para a quaresma desse ano explica a justiça cristã. O homem, que herda de Adão o pecado original (cf. Sl 51, 7) não pode salvar a si mesmo. Ele, por si mesmo, não pode ir para o Céu. Então, Deus se compadece do homem e manda à humanidade Seu Filho único para que possa redimi-la e purificá-la. Eis a justiça de Deus: Ele não se compraz em ver o sofrimento dos fracos; não se compraz na condenação daqueles que se esforçam para amar a Deus. Por isso, envia seu Filho, Jesus Cristo. Ele devolve aos homens a graça que o gênero humano havia perdido pela renúncia do bem.

O homem se vê indigente. Todos os cristãos clamam junto com o salmista: “Eis que eu nasci na culpa, e a minha mãe concebeu-se no pecado” (Sl 51, 7). Mas ao mesmo tempo louvam a Misericórdia de Deus, bem traduzida nos versos que entoamos no dia de Páscoa: “Ó pecado de Adão, indispensável, pois o Cristo o dissolve em seu amor. Ó culpa tão feliz que há merecido a Graça de um tão Grande Redentor!” O homem se apegou aos bens finitos e mutáveis, se apegou à realidade material, obstinando-se na prática do pecado e violando a Aliança que Deus havia firmado com seu povo. Mas, eis que surge o Filho do Homem. Ele realiza uma Nova Aliança, na qual o homem descobre a inutilidade do seu egoísmo e a insensatez daquela idéia de auto-suficiência.

Não. Nós, por nós mesmos, nada podemos fazer de bom. É preciso que o homem se apegue ao Bem eterno e imutável. Mas, como poderá ele, com seu coração ferido pela arrogância e pela prepotência, se achegar a Deus? Graças sejam dadas a Jesus Cristo, que inaugura a justiça cristã! O homem pode finalmente gozar da alegria de estar junto de Deus. Com Cristo, ao mesmo tempo, acontece o processo de libertação. Ele é a genuína Verdade e é conhecendo a Ela que poderemos nos libertar (cf. Jo 8, 32) do nosso egoísmo. Com efeito, o cristão põe no centro de sua vida Jesus, e não ele; porque sabe bem que não é seus méritos que alcança a salvação, mas unicamente pela graça de Deus. O cristão confessa dia após dia aquilo que São Paulo há muito dizia: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). Não sou eu que me salvo; minha natureza é caída. Eu, por mim mesmo, não posso me levantar. É Cristo quem ergue o homem, devolvendo-lhe a graça, aquele bem precioso que tinha perdido no dia que havia desobedecido a Deus.

Eis a verdadeira justiça!, clama o Papa. Possamos ouvi-lo, possamos descobrir na Redenção uma fonte insondável de amor e misericórdia. Não lamentemos aquilo que já foi. Louvemos Aquele que é. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5, 20).

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!