Dezembro de 1941: Pio XII denuncia a totaler Krieg, de Hitler. E The New York Times repercute.

Pio_XII_últiumoNa mensagem radiofónica natalícia de Dezembro de 1941, o Papa fala novamente da guerra. «A ideia da força sufoca e perverte a norma do direito. Se se oferece uma porá aberta aos indivíduos e aos grupos sociais e políticos para lesarem os bens da vida alheia; se se deixa que todas as outras destruições morais perturbem e incendeiem tempestuosamente a atmosfera civil; veremos as noções de bem e de mal, de direito e de injustiça perder os seus contornos definidas [sic], embotarem-se e ameaçarem desaparecer.

«A majestade e a dignidade da pessoa humana e das sociedades particulares é humilhada, aviltada e é suprimida a ideia de força que cria o direito; a propriedade privada torna-se para uns um poder directo de explorar a obra dos outros; nestes cria inveja, intolerância e ódio…

«No campo de uma nova ordem fundada sobre princípios morais, não há lugar – depois de eliminados os mais perigosos focos de conflito – para uma guerra total nem para uma desenfreada corrida aos armamentos…

«Portanto, torna-se inexplicável porque é que nalgumas regiões múltiplas disposições se atravessam no caminho da mensagem da fé cristã, enquanto concedem passagem ampla e livre a uma propaganda que a combate. Roubam a juventude à benéfica influência da família cristã e afastam-na da Igreja; educam-na num espírito adverso a Cristo, instilando nela concepções, máximas e práticas anticristãs; tornam árdua e perturbada a obra da Igreja na cura das almas e nas acções de beneficência; desconhecem e rejeitam a sua influência sobre o indivíduo e sobre a sociedade…»

É de notar, antes de mais, a referência à “guerra total”, totaler Krieg, uma expressão comum entre os nazis, repetida muitas vezes pelo próprio Adolfo Hitler. Ademais, observa Rosario Esposito, «não existem possibilidade de aplicar estas denúncias a mais ninguém que não seja à Alemanha. É de excluir a Rússia, já que, aqui e noutras passagens, Pio XII se refere à Igreja Católica que ali não está presente; são de excluir os Estados Aliados, porque em nenhuma das suas nações havia perseguição… Só na Alemanha existiam as condições a que Pio XII se referia, salvo nos poucos meses que seguiram imediatamente a conquista nazi do poder»1.

O “New York Times”: Pio XII, voz solitária

A 25 de Dezembro de 1941, no dia seguinte à difusão da mensagem radiofónica, no editorial do “New York Times” (jornal liberal, tradicionalmente próximo da comunidade judaica americana) pode-se ler um significativo reconhecimento ao Papa: «A voz de Pio XII é a uma voz solitária no silêncio e na escuridão em que caiu a Europa neste Natal. Ele é o único soberano do continente europeu que tem a coragem de levantar a sua voz… Só o Papa exigiu o respeito pelos tratados, o fim das agressões, um tratamento igual das minorias e a libertação da perseguição religiosa. Ninguém mais além do Papa é ainda capaz de falar a favor da paz»2. Também neste caso, como nas palavras de Einstein, deve-se fazer notar o apreço pelos pronunciamentos do Papa, que evidentemente não se prestavam a nenhum mal-entendido.

(TORNIELLI, Andrea. Trad. António Maia da Rocha. Pio XII, il Papa degli ebrei. Porto: Civilização, ANO. pp. 169-171.)

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1. Esposito R. F., Processo al Vicario, Editrice Saie, Turim 1965.
2. Editorial do “New York Times”, de 25 de Dezembro de 1941. Cfr. ANTÓNIO GASPARI, Nascosti in convento, Ancora, Milão, pág. 106.

Contra a legalização do aborto de anencéfalos

Todos sabem a que conduziu a eugenia no século passado, e como um povo inteiro – o judeu – sofreu nas mãos do impiedoso führer alemão, o nazista Adolf Hitler. Considerados uma raça inferior, indignos de perpetuar a sua descendência, os judeus foram cruelmente mandados para campos de concentração, obrigados a realizar trabalhos forçados e, depois, assassinados de diversas maneiras. O Holocausto fez milhares de vítimas, e a humanidade ainda carrega consigo as tristes lembranças deste fato aterrador.

Mas, aparentemente, por muitos homens a eugenia ainda não foi totalmente abandonada. A desconfiança perante a possibilidade de um novo Holocausto surge, de modo especial, quando observamos propostas como esta, da descriminalização do aborto de anencéfalos. Que em todo mundo já acontece um Holocausto silencioso, que ceifa a vida de milhares de crianças ainda no útero de suas mães, é coisa sabida por todos. O que não pode acontecer, de jeito nenhum, é que as autoridades simplesmente ignorem tal ignomínia; que se façam surdas ao grito desesperado de um número infindável de seres humanos que sequer tiveram a possibilidade de contemplar a luz do dia; que tornem leis práticas que colocam a vida de uma criatura humana – o nascituro – subordinada à decisão de outrem.

Todos têm direito à vida. É uma garantia fundamental dada pela Constituição Federal. Se, porém, permitirem que crianças deficientes sejam desumanamente assassinadas, só porque, como dizem os defensores da coisa, elas morrerão – como se os seres humanos estivessem livres de, um dia, encontrarem a sua morte -, a Lei será solapada no seu alicerce basilar. Se, porém, a vida destas crianças não receber mais a proteção do Estado, teremos o caminho aberto – como foi dito – à supervalorização da dignidade de uns em detrimento da vida de outros – no caso, os anencéfalos. É o fantasma da eugenia que volta a assombrar o mundo, só que, agora, travestido de “direitos reprodutivos da mulher” – como se esta última estivesse, utilizando uma expressão do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, “além do bem e do mal”.

Para lutar contra o aborto de anencéfalos, a Igreja se unirá em oração, em todo o país, clamando ao Senhor que livre a nação brasileira deste terrível flagelo. A proposta se desdobra em três vertentes: a primeira consiste em uma Vigília presencial em frente ao Supremo Tribunal Federal, neste dia 10, a partir das 18h00min; a segunda deve ser realizada em todas as dioceses de nossa nação – a Vigília foi convocada oficialmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e tem início no mesmo horário (às 18h); a terceira consiste no movimento virtual clamando pela vida dos nascituros anencéfalos. Haverá, como de costume, um tuitaço, com as hashtags #abortonuncamaisjá conhecida de nossos leitores – e #afavordavida, hoje, a partir das 18h. O movimento vai se estender até o dia de amanhã, quando termina o julgamento do STF. O Facebook e outras mídias também serão palco de manifestações.

Outra forma de gritar em defesa da dignidade da vida humana é enviando aos ministros da Suprema Corte o nosso e-mail apelativo. O Deus lo Vult! disponibilizou todos os endereços eletrônicos e também alguns modelos de mensagem para envio.

Nestes dias, urge bradarmos forte pela vida, contra a morte, porque, como já dizia o bem-aventurado João Paulo II, “o País que mata os seus filhos não tem futuro”. Não deixemos que seja derramado, nesta Terra de Santa Cruz, o sangue dos inocentes.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

* * *

Leia também: Sobre o aborto de anencéfalos, do arquivo do nosso blog.

Leia mais: Cardeal e bispos brasileiros em defesa da vida, do blog O Possível e O Extraordinário.

Ateus brasileiros buscam visibilidade com campanha inverossímil

http://www.bahianoticias.com.br/fotos/editor/Image/holocausto.jpg“Quando a ciência se aventura para além de suas áreas de interesse no reino da moralidade, costuma deixar cadáveres em seu caminho.”

- David Brog, via Jornada Cristã

Os insensatos que fizeram do ateísmo bandeira de luta têm promovido um forte movimento antirreligioso recentemente. É a reação da modernidade ao mistério do Natal, do Deus que se encarna por amor, do Criador que se revela e redime a humanidade pecadora.

Há algum tempo noticiávamos a manifestação do ateísmo militante na Europa, onda que fazia uma forte propaganda anticristã nos transportes das cidades do Velho Mundo. Provavelmente Deus não existe, dizia o anúncio. Pare de preocupar-se e aproveite a vida. Agora é a vez dos ateus brasileiros polemizarem. Reunidos na Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, os militantes alardeavam uma comparação entre dois personagens da história do século XX: Adolf Hitler, líder do nazismo alemão, e Charlie Chaplin, famoso ator norte-americano. Abaixo da foto de Chaplin escreveram: “não acredita em Deus”; abaixo da de Hitler, “acredita em Deus”. E a mensagem está no alto da propaganda: Religião não define caráter.

Talvez o maior problema destes ateus militantes – religiosos que creem no absurdo – é o enorme esforço que fazem para construir analogias enganosas ou mal explicadas, todas a serviço do proselitismo dos descrentes. Poderíamos simplesmente imaginar como era católico Adolf Hitler, que planejava até mesmo sequestrar o Papa Pio XII, ou seríamos convidados a pensar na fúria que sentiu o führer alemão ao ver a publicação da Mit Brennender Sorge, de Pio XI, que condenava os erros do nazismo e desqualificava totalmente a ideologia totalitária liderada pelo genocida antissemita. Pode até ser verdade que Hitler acreditava em Deus; mas se ele o fazia, não era apoiado na moralidade tradicional que assassinava os judeus e os enviava aos campos de concentração.

Era baseado em que, então, que Hitler se fazia genocida? À semelhança de Pol Pot, Mao Tsé-Tung, Josef Stalin e tantos ditadores comunistas que governaram o mundo no século XX, todos os crimes eram fruto de uma pestilenta mentalidade revolucionária: ascenderemos ao paraíso – ou melhor, formá-lo-emos já aqui na terra – e, para fazê-lo, é lícita a prática de qualquer ato criminoso. O resultado foram pilhas de cadáveres. Aqueles que impediam a construção de um Céu que os loucos visionários comunistas já vislumbravam eram todos extirpados. Nunca na história se havia presenciado um espetáculo tão cruel e assustador.

E este espetáculo é o fruto de uma doutrina já antes concebida, o comunismo ateu. E caracterizamo-lo como ateu porque é elemento essencial do pensamento marxista a crença no materialismo e a extinção de uma moralidade superior aos indivíduos. A guerra dos revolucionários marxistas era uma batalha também contra a religião. Ela seria, segundo Marx, o ópio do povo. (A história, por fim, mostrou que o comunismo é que era, de fato, o ópio do povo.) Mas esta batalha teve consequências trágicas. A pergunta de Dostoiévski permanece, por isso, atual para a modernidade: “Se Deus morreu, então tudo é permitido?” A experiência vivida pela humanidade no último século aponta para uma história de safadeza, desonestidade, covardia e sangue.

Colocar Charlie Chaplin como símbolo de luta dos militantes ateus do nosso século não faz sentido nenhum. Seria deveras coerente estampar nos ônibus a foto dos descrentes que verdadeiramente militaram a favor do ateísmo e, além disso, mudar a foto de Hitler para a de um cristão ou crente verdadeiramente compromissado com os princípios religiosos que professava. A sugestão de Fernando de Barros e Silva, que escreve na Folha de S. Paulo, soa interessante: de um lado, coloquemos Madre Teresa de Calcutá, crente, e de outro, Stalin, o ateu. O objetivo da propaganda seria modificado, mas a nova situação seria assaz verossímil.

A notícia sobre a campanha ateísta em ônibus brasileiros foi vista no blog do Roberto Cavalcanti.

A dignidade do nascituro banalizada

Segundo informou a Agência Zenit, no Reino Unido, evidenciou-se uma polêmica discussão entre abortistas e clérigos católicos. Anúncios publicitários patrocinados por uma associação feminista instigam mulheres a realizar o aborto. “Se atrasar [a menstruação], você pode estar grávida. Se está grávida e não está segura do que fazer, Marie Stopes International pode ajudá-la”, diz a propaganda.

A reação do clero católico foi imediata. Os bispos da Inglaterra e de Gales se manifestaram dizendo que “[o] aborto não é um serviço de consumo”. Complementaram, afirmando que essas propagandas “deterioram o respeito à vida”; qualificaram os anúncios como “enganosos e muito prejudiciais para as mulheres, que podem ser persuadidas a tomar uma decisão precipitada e que logo poderão se arrepender”.

O debate é interessante porque, mesmo que as pessoas naqueles países sejam contrárias à propaganda dos serviços relacionados ao aborto, a mídia insiste em transmitir o infame anúncio. A atitude de abortar já é, em si, totalitária; é a supremacia da mulher sobre a vida de outro ser humano. Nada, nesse mundo, pode justificar esse crime hediondo. Injustificável – não na mesma medida – é a ação da mídia que, se contrapondo à opinião do público, decide divulgar – e, assim se tornar cúmplice desse assassinato – a oportunidade de realização do aborto.

Outro aspecto importante a se destacar é que a reação dos bispos mostrou repugnância à relação que talvez pudesse se criar entre aborto e saúde, algo que não existe, definitivamente. Inclusive, há pesquisas sérias mostrando que mulheres que realizaram aborto têm mais tendências a desenvolverem problemas psicológicos e depressão que mulheres que nunca abortaram. Dados comprovam que a realização do aborto provocado facilita a ocorrência de um aborto espontâneo no futuro. Enfim, a realização de um aborto sempre está envolvida de um caráter dramático não só para o bebê, que será assassinado, mas também para a mulher, considerando as seqüelas psicológicas e físicas que esse ato acarreta.

Após considerar tudo isso, é desencorajador ter que ouvir de uma candidata à Presidência da República do Brasil uma comparação entre o aborto e… o processo de arrancar um dente! Perguntaram a Dilma Rousseff o que ela achava da descriminalização do aborto, ao que ela respondeu:

“Não é uma questão se eu sou contra ou a favor, é o que eu acho que tem que ser feito. Não acredito que mulher alguma queira abortar. Não acho que ninguém quer arrancar um dente, e ninguém tampouco quer tirar a vida de dentro de si.”

- depoimento citado no blog do Reinaldo Azevedo

Essas propagandas que estimulam a realização do aborto têm o mesmo alicerce ideológico dessas afirmações abortistas do pessoal do Partido dos Trabalhadores. Não é questão de “querer” tirar a vida de dentro de si. A questão é “poder”. A Lei garante que “todos têm direito à vida”. Se a afirmação é verdadeira, então é verdade que “ninguém pode tirar a vida de dentro de si”. As mulheres não só não querem tirar a vida de dentro de si; elas não podem. “Matar um ser humano” e “tirar um dente” são atitudes totalmente distintas uma da outra, de modo que chega a ser escandaloso estabelecer uma comparação entre elas.

Mas, essa mentalidade é fruto de quê, na verdade? Do pensamento materialista, no século XIX, e da “objetificação” do homem, que faz com que ele se torne não mais um ser com direitos que precisam ser respeitados, mas um simples “amontoado de células”, coisa que pode ser descartada. Inclusive, sabiam que o aborto na Polônia começou com Hitler?

Pio XII e o Nazismo

http://rawsocket.org/rtfm/images/pius12.jpgO nome do Papa é Eugenio Pacelli, mais conhecido como Pio XII. Por alguns é considerado – e erroneamente – o Papa de Hitler. Para outros, porém, mais um grande Sumo Pontífice da Igreja Católica. A realidade é que opiniões divergem dos fatos. E os fatos mostram que a Igreja e Pio XII nunca deixaram de condenar o Nazismo e as atrocidades por ele cometidas. Aquilo que diverge de fatos são mentiras. Sim: assim intitulamos a suposta “opinião” daqueles que pensam que a Igreja não foi contrária à Guerra e ao Holocausto.

O primeiro fato é que a Igreja nunca se calou diante dos crimes abomináveis do Nazismo. Nunca. Seja por meio de cartas apostólicas, encíclicas ou outros documentos, a Santa Sé deixou bem claro que Igreja e Nazismo são incompatíveis. É nítida essa mensagem no documento do Papa Pio XI Mit brennender Sorge, em que ele condena expressamente os erros do nazismo. Nessa encíclica, Pio XI enfatiza principalmente o erro do paganismo e do preconceito, ideologias declaradas por Hitler em seus discursos ideológicos. Escreve:

“Se a raça ou o povo, se o Estado ou uma forma determinada do mesmo, se os representantes do poder estatal ou outros elementos fundamentais da sociedade humana têm na ordem natural um posto essencial e digno de respeito, contudo, quem os arranca da alta escala dos valores terrenos elevando-os à suprema norma de tudo, até mesmo dos valores religiosos, e, divinizando-os com culto idolátrico, perverte e falsifica a ordem criada e imposta por Deus, está longe da verdadeira fé e de uma concepção de vida conforme esta.

(…)

“Nós damos graças, veneráveis irmãos, a vossos sacerdotes e a todos os fiéis que, defendendo os direitos da Divina Majestade contra um provocador neopaganismo, apoiado desgraçadamente com freqüência por personalidades influentes, têm cumprido e cumprem seu dever de cristãos. Essa gratidão é particularmente íntima e cheia de reconhecida admiração para todos os que, no cumprimento deste dever, se têm feito dignos de sofrer por causa de Deus sacrifícios e dores.” 1

Essa carta de Pio XI gerou imediata reação na Alemanha. Nunca se encontrou tão forte contestação ao nazismo como durante o período que sucedeu a leitura do documento nas igrejas alemãs. Mas Hitler não deixou barato e impôs perseguição violenta aos católicos. Em maio de 1937, 1100 padres e religiosos foram lançados nas prisões do Reich. Organizações católicas foram dissolvidas; escolas confessionais, interditadas 2. Além disso, afirma-se que, até a definitiva queda do Nazismo, “cerca de onze mil sacerdotes católicos (quase metade do clero alemão dessa época) foram atingidos por medidas punitivas, política ou religiosamente motivadas, pelo regime nazista, terminando muitas vezes nos campos de concentração.” 3

Então, é falso o pensamento não só daqueles que afirmam que a Igreja foi conivente com o Nazismo ou se calou diante dos seus erros e crimes; pecam por mentira também aqueles que dizem que a reação da encíclica de Pio XI na Alemanha quase não foi significativa. Quem pensa desta forma acredita numa mentira e não é digno de consideração em suas palavras.

O segundo fato – e que também reafirma a realidade de que Pio XII nunca se calou diante do Nazismo – é que o Cardeal Pacelli, quando ainda era Secretário do Estado do Vaticano, ajudou na elaboração do documento Mit brennender Sorge, o qual falamos anteriormente. O Cardeal Tarcisio Bertone, por ocasião do 50º Aniversário da morte do Papa Pio XII, discursou:

Com a ajuda determinante do Cardeal Pacelli e dos seus colaboradores alemães da máxima confiança (Mons. Ludwig Kaas e os Padres jesuítas Robert Leiber e Augustin Bea), chegou-se deste modo à Mit brennender Sorge (“Com profunda preocupação”), a Carta Encíclica que em 1937 condenava a ideologia racista e pagã, que já se tinha afirmado no Reich alemão.” 4

O que foi afirmado pelo Cardeal Bertone nesse discurso é muito importante para compreendermos a posição do Papa Pio XII sobre o nazismo. O seu comportamento durante o pontificado não foi diferente, seja frente às atrocidades nazistas seja diante dos crimes de guerra cometidos por ambas as alianças bélicas.

Daí segue o terceiro fato, que são justamente as atitudes tomadas pelo Papa Pio XII no seu pontificado para condenar a ideologia nazista. Muito embora se diga o contrário, Pio XII não se calou… As provas estão em documentos assinados pelo Sumo Pontífice, em que é visível e a sensibilidade e o sentimento de revolta do Santo Papa diante da perseguição aos inocentes imposta pelo regime nazista. Em um, publicado no Natal de 1942, o Pontífice demonstra sua solidariedade “às centenas de milhares de pessoas que sem culpa nenhuma da sua parte, às vezes só por motivos de nacionalidade ou raça, se vêem destinadas à morte ou a um extermínio progressivo”. 5

Há quem diga que palavras não valem muita coisa. Por isso historiadores já deixaram claro que durante o pontificado de Pio XII foram salvos milhares de judeus. O rabino David Dalin, autor do livro “The Mith of Hitler’s Pope”, escreveu: “Na cidade [Roma], 155 conventos e mosteiros abrigaram cerca de 5 mil judeus durante a ocupação alemã. E outros 3 mil se refugiaram em Castel Gandolfo, a residência de verão do papa” 6. Na mesma linha, judeus como Albert Einstein, Golda Meir, Paolo Mieri, também deixaram claro 7 que Pio XII ajudou muitos judeus a se livrarem do extermínio nos campos de concentração.

Mas por que – perguntar-se-á – o Papa Pio XII não condenou tão veementemente o nazismo? Por que não massacrou objetivamente as idéias desse cruel regime totalitário? Porque Pio XII bem sabia que uma condenação mais objetiva e clara ao nazismo de nada ia adiantar para salvar almas do Holocausto ou diminuir o número de “católicos” que aderiam ao nazismo na Alemanha. As coisas, pelo contrário, só iriam piorar. Robert Kempner, advogado judeu que participou do processo contra Hitler e Frick na Alemanha, escreveu: “Qualquer movimento de propaganda da Igreja Católica contra o Reich hitlerista não só teria sido um ‘suicídio voluntário’ (…) mas teria também acelerado a execução capital de um maior número de judeus e sacerdotes8.

O historiador e diplomata israelense, Pinchas Lapide, ex-cônsul de Israel em Milão, também defende Pio XII nesse ponto. Afirma que se o protesto da Igreja contra o nazismo fosse maior, haveria também maior retaliação. Em seu livro “Three Popes and the Jews”, usou como exemplo a Holanda. No país, em cada igreja foi lido um documento que condenava abertamente o nazismo. O resultado não foi consolador: “Enquanto os bispos protestavam, mais judeus, cerca de 110 mil, ou 79% do total, eram deportados aos campos de extermínio”9.

Ora, deveria então a Igreja insistir em condenar objetivamente o nazismo assim como muitos historiadores expuseram, ardendo em um tremendo ódio contra a Igreja Católica e sua Verdade? Claro que não, uma vez que isso só traria mais dor e sofrimento para os judeus massacrados na Guerra… Além disso, afirmar que uma declaração muito explícita do Papa condenando o nazismo pudesse influenciar de maneira definitiva na mentalidade dos católicos alemães não passa de conversa sem fundamento. Se com a encíclica de Pio XI e a radiomensagem de natal de 1942 do Papa Pio XII os “católicos” nazistas não tomaram a iniciativa de mudar, outra carta refutando a ideologia nazista muito pouco adiantaria. Só traria – como foi dito anteriormente – mais mortes e extermínios aos católicos e judeus nos campos de concentração.

Quando falamos da falta de documentos objetivos e explícitos, não falamos, contudo, que o Sumo Pontífice Pio XII se omitiu diante das atrocidades do nazismo. Já deixamos aqui palavras do Papa na Radiomensagem de Natal de 1942, em que ele deixava claro que a Igreja não pode aceitar os crimes cometidos por aqueles que se julgam no direito de eliminar a vida de outrem por puro preconceito ou discriminação. Em outra radiomensagem, no ano anterior (1942), Pio XII deplorava as conseqüências desastrosas da Guerra:

http://www.eb23-p-francisco-soares.rcts.pt/guerra/guerramundial/images/judeus.jpg“Nós todavia com a angústia, que nos oprime a alma, ponderamos, e vemos, como num sonho mau, os terríveis embates de armas e de sangue deste ano que agora finda; a infeliz sorte dos feridos e dos prisioneiros; os sofrimentos corporais e espirituais, as mortandades, destruições e ruínas, que a guerra aérea leva e despenha sobre grandes e populosas cidades, sobre centros e vastas regiões industriais; as riquezas dilapidadas dos Estados, os milhões de pessoas que o imane conflito e a dura violência vão lançando na miséria e na fome.

(…)

Quem poderá hoje maravilhar-se, se esta oposição radical aos princípios da doutrina cristã veio enfim a converter-se em ardente choque de tensões internas e externas, que levou a esse extermínio de vidas humanas e destruição de bens, que estamos vendo e a que assistimos com profunda pena? A guerra, funesta conseqüência e fruto das condições sociais descritas, bem longe de lhes sustar o influxo e o desenvolvimento, promove-o, acelera-o, amplifica-o, com tanto maior ruína, quanto mais se prolonga, tornando a catástrofe cada vez mais geral.” 10

Mas a Igreja, mesmo condenando as terríveis causas e conseqüências da guerra, assim como as falácias e absurdos do nazismo, preferiu cumprir com maior empenho aquela santa exortação do Apóstolo: “O Reino de Deus não consiste em palavras, mas em atos11. Então salvou almas de milhares de judeus refugiados da guerra, ajudando-os a se livrarem do extermínio promovido pelos nazistas.

Fatos: é o que buscamos apresentar. Ao contrário das mentiras anticlericais constantemente pregadas a esmo por historiadores acatólicos, apresentamos aos católicos aquilo que a Igreja verdadeiramente fez durante a Segunda Guerra Mundial. Chega de preconceitos anticristãos e de falácias anti-religiosas. “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará!” 12.

Graça e paz.

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(1) Encíclica do Papa Pio XI, Mit brennender Sorge, n. 12 e 17

(2) Wikipédia, Mit brennender Sorge, Efeitos

(3) 50º Aniversário da Morte do Papa Pio XII, discurso do Cardeal Bertone.

(4) 50º Aniversário da Morte do Papa Pio XII, discurso do Cardeal Bertone.

(5) Papa Pio XII, Radiomensagem de Natal de 1942, n. 55

(6) Aventuras na História, Pio XII: bendito ou maldito?, A favor de Pio XII

(7) Apostolado SCR, 13 declarações de líderes judeus em defesa do Papa Pio XII

(8) Wikipédia, Papa Pio XII, Críticas, prós e contra

(9) Aventuras na História, Pio XII: bendito ou maldito?, A favor de Pio XII

(10) Papa Pio XII, Radiomensagem de Natal de 1941, n. 4 e 10

(11) 1 Cor 4, 20

(12) Jo 8, 32

Quando a Igreja alemã excomungou o nazismo

Fonte: Zenit

Importante descoberta da “Pave the Way Foundation”

Por Antonio Gaspari

NOVA YORK, quinta-feira, 1º de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Nada de “Papa de Hitler”. Nada de colaboradores voluntários do nazismo. Alguns documentos encontrados na Alemanha pela Pave the Way Foundation (PTWF) provam que, desde setembro de 1930, os bispos católicos haviam excomungado o Partido Nazista de Hitler.

Nos documentos achados por Michael Hesemann, colaborador da PTWF, consta que, em setembro de 1930, três anos antes que Adolf Hitler subisse ao poder, a arquidiocese de Mogúncia condenou de forma pública o Partido Nazista.

Segundo as normas publicadas pelo Ordinário de Mogúncia, estava “proibido a qualquer católico inscrever-se nas filas do Partido Nacional-Socialista de Hitler”.

“Aos membros do partido hitleriano não era permitido participar de funerais ou de outras celebrações católicas similares.”

Enquanto um católico estivesse inscrito no partido hitleriano, não podia ser admitido aos sacramentos.”

A denúncia da arquidiocese de Mogúncia foi publicada em primeira página pelo L’Osservatore Romano, em um artigo de 11 de outubro de 1930.

O título do artigo é: “Partido de Hitler condenado pela autoridade eclesiástica”. Nele se declarava a incompatibilidade da fé católica com o nacional-socialismo.

Nenhuma pessoa que se declarasse católica podia converter-se em membro do partido nazista, sob pena da exclusão dos sacramentos.

Em fevereiro de 1931, a diocese de Munique confirmou a incompatibilidade da fé católica com o Partido Nazista.

Em março de 1931, também a diocese de Colônia, Parderborn e as das províncias de Renânia denunciaram a ideologia nazista, proibindo de forma pública qualquer contato com os nazistas.

Indignados e furiosos pela excomunhão emitida pela Igreja Católica, os nazistas enviaram Hermann Göring a Roma com a petição de audiência com o secretário de Estado Eugenio Pacelli. No dia 30 de abril de 1931, o cardeal Pacelli rejeitou encontrar-se com Göring, que foi recebido pelo subsecretário, Dom Giuseppe Pizzardo, que tinha a tarefa de anotar tudo o que os nazistas pediam.

Em agosto de 1932, a Igreja Católica excomungou todos os dirigentes do Partido Nazista. Entre os princípios anticristãos denunciados como hereges, a Igreja mencionava explicitamente as teorias étnicas e o racismo.

Também em agosto de 1932, a Conferência Episcopal alemã publicou um documento detalhado no qual eram dadas instruções de como relacionar-se com o Partido Nazista. Nele, estava escrito que era absolutamente proibido aos católicos que fossem membros do Partido Nacional-Socialista. Quem desobedecesse, seria imediatamente excomungado.

Também estava escrito que “todos os Ordinários declararam ilícito pertencer ao Partido Nazista”, porque “as manifestações de numerosos chefes e publicitários do partido têm um caráter hostil à fé” e “são contrárias às doutrinas fundamentais e às indicações da Igreja Católica”.

Em janeiro de 1933, Adolf Hitler chegou ao poder e as associações católicas alemãs difundiram um folheto intitulado: “Um convite sério em um momento grave”, no qual consideravam a vitória do Partido Nacional-Socialista como “um desastre” para o povo e para a nação.

No dia 10 de março de 1933, a Conferência Episcopal alemã, reunida em Fulda, enviou um apelo ao presidente da Alemanha, o general Paul L. von Beneckendorff und von Hindenburg, expressando “nossas preocupações mais graves, que são compartilhadas por amplos setores da população”.

Os bispos alemães se dirigiram a von Hindenburg manifestando seu temor de que os nazistas não respeitassem “o santuário da Igreja e a posição da Igreja na vida pública”. Por isso, pediram ao presidente uma “urgente proteção da Igreja e da vida eclesiástica”.

Os bispos católicos haviam previsto isso, mas não foram escutados.

Os documentos encontrados pela PTWF são de notável importância porque põem um fim às repetidas calúnias que pretenderam manchar a Igreja Católica como diligente colaboradora do nazismo, quando na verdade foi a primeira em denunciar sua periculosidade.

Rápidas

- A Zenit publicou dois artigos super-importantes falando da relação Pio XII – nazismo. Um mostrando a tentativa frustrada de Hitler de matar o Santo Papa, e outro apresentando quão erradas são as afirmações que falsamente dizem que o Papa se omitiu quanto ao nazismo. Aproveitando a ocasião, recomendada é a leitura do artigo do Prof. Valter de Oliveira sobre o assunto. Uma breve antecipação: “Apenas a Igreja Católica protestou contra a violação da liberdade por Hitler. Até então, eu nunca me havia interessado pela igreja, mas hoje sinto uma grande admiração por ela, que teve a coragem de combater sozinha pela verdade espiritual e pela liberdade moral” (Albert Einstein).

- Mais na Agência Zenit: Próxima encíclica responde à crise econômica. Segundo a notícia, o Papa pode assinar o documento no fim desse mês ainda. Aguardemos o que sua Santidade Bento XVI tem nessa encíclica. “Como sabeis, em breve se publicará minha encíclica dedicada precisamente ao grande tema da economia e do trabalho (…); nela se destacarão quais são, para nós, cristãos, os objetivos a serem buscados e os valores a serem promovidos e defendidos incansavelmente para chegar a uma convivência humana realmente livre e solidária.”

- Audiências do Papa João Paulo II sobre Nossa Senhora. É incrível! Em 1997, maioria das audiências do Papa tratavam sobre esse assunto: Maria e a Igreja. Aqui deixo algumas delas, cujo tema está revelado em seu título; boa leitura!

A Assunção de Maria na tradição da Igreja;

A Assunção de Maria, verdade de fé;

Maria, Mãe da Igreja;

A intercessão celeste da Mãe da graça divina;

Maria Medianeira;

O culto da Bem-aventurada Virgem.

“Papa ajudou no Holocausto…” – hã?

Estava andando hoje na rua quando um colega “católico” me ligou dizendo para eu ligar a televisão e ver o Jornal Nacional. Liguei e vi uma notícia lamentável. No site do Jornal da Globo, a “manchete” para a notícia é: Fortes críticas cercam visita do Papa Bento XVI à Terra Santa. Fiquei me perguntando: Ora essa? Mas o que o Papa fez de errado agora para receber críticas? E eu idiota ficava a imaginar, mas havia me esquecido que até sem motivos as pessoas querem criticar o Sumo Pontífice.

O que me entristeceu foi que o criticaram por um assunto banal. Totalmente banal e que já havia sido esclarecido por ele e por Professor Felipe Aquino, e diversas outras pessoas no mundo católico da Internet. O motivo foi: Faltou um pedido de desculpas, de remorso, pelo Holocausto. Mas, para que o Papa vai insistir num assunto que já foi tratado anteriormente? “Ah, o Papa fez parte da ‘juventude hitlerista’. Tinha que se retratar…”

Sim. Meu colega nem esperou a notícia terminar no jornal e me ligou falando: “Uai, que isso? O Papa fazia parte da juventude hitlerista?” Eu então disse: “Sim, não sabia não…?”. E ele então, como um ignorante, perguntou: “Então quer dizer que ele ajudou a matar 60000 judeus no Holocausto?

Joseph Ratzinger (…) pertenceu à Juventude Hitlerista durante a Segunda Guerra Mundial, quando isso era obrigatório na Alemanha, segundo sua autobiografia. Mas ele nunca foi membro do partido nazista e sua família se opôs ao regime de Adolf Hitler, segundo biógrafos. (Fonte: Terra)

Eu sinceramente nunca tinha visto UMA PERGUNTA TÃO IGNORANTE em toda a minha vida e acho que, infelizmente, essa ignorância não é só dele não, mas de muitos católicos desse mundo inteiro. Por isso, existe a URGÊNCIA de se postar algumas considerações:

- O Papa FEZ parte da juventude hitlerista;

- O Papa NÃO apóia o nazismo; NÃO apoiou e, segundo o conceito que temos de nazismo e Igreja, NUNCA apoiará;

- O Papa NÃO matou 60000 judeus, NEM AJUDOU;

- O Papa NÃO ajudou o Holocausto.

Depois do episódio com Dom Williamson que, sinceramente, NÃO TEM NADA A VER com a questão do Papa ser ou não ‘a favor do nazismo’, os judeus insistem em querer que o Papa se retrate e blá-blá-blá. Só faltou os chefes religiosos judaicos pedirem ao Papa para beijar o dedão do pé deles e ainda dizer: Salve Rabi!

Infelizmente, o que me deixa mais chateado é saber que hoje eu tenho que ir à escola e ser obrigado a ouvir do meu colega muito católico mais e mais críticas à Igreja. Tudo isso culpa do ar irônico de Willian Bonner ao debochar do Papa; tudo isso culpa da sociedade atual, que não se cansa de perseguir a Santa Igreja de Deus. Rezemos pelo Papa. REZEMOS MUITO PELO PAPA!