“Tempos difíceis, que já duram demais.”

“Escuta-se de tudo neste mundo. Cada vez mais, cada um diz o que bem entende e ai de quem contradizer aqueles que julgando estar na verdade, arvoram-se em critério do mundo.”

“A Igreja também tem tipos assim…: leigos, religiosos, sacerdotes e até bispos, não se assustem nem se escandalizem.

“Pontificam com um ‘magisteriozinho’ pessoal, fundamentando-se em suas opiniões, ou no que os outros gostam, ou no que a maioria faz, ou no que disse tal e qual ‘teólogo’ (sempre aqueles que contradizem o que o Magistério oficial da Igreja ensina). Enfim, alguns estribam-se até mesmo em alguns documentos de determinadas Conferencias Episcopais, escritos em épocas de confusão, com linguagem dúbia, contradizendo o ‘sensus fidei’, alguns deles autenticas aberrações. Quem os contradiz, é imediatamente considerado e tachado de fundamentalista. Tempos difíceis, especialmente marcados pelo relativismo moral, pela busca irresponsável de uma inculturação litúrgica, que rebaixa o Mistério aos níveis de um reles sincretismo, pela confusão doutrinal, fundada na aceitação tácita de que a Fé cristã é uma entre tantas outras válidas, pela pura e simples adoção de princípios ideológicos incompatíveis com a visão cristã do homem e do mundo. Tempos difíceis, que já duram demais. Talvez falte-nos ainda a firmeza que não se contrapõe à caridade: antes, a promove na Verdade. Caridade sem Verdade, no máximo, é pura benemerência humana, superficial, que não muda nem melhora nada. Pobre Igreja, se lhe fazem pregar a Caridade sem a Verdade… Corre o risco de tornar-se, como alertou o atual Papa Francisco, em uma ONG….”

De Sua Excelência Reverendíssima, Dom Antonio Carlos Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen, em mensagem no Facebook, hoje, dia 11 (grifos nossos).

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Lembrando aos leitores que está acontecendo esta semana, em Aparecida, a 51ª Assembleia Geral dos bispos do Brasil. O encontro tem a finalidade de discutir o que alguns mitrados denominaram como um “novo conceito de paróquia”. O evento termina no dia 19.

Padre Paulo fala sobre inculturação e profanação da Liturgia

http://beinbetter.files.wordpress.com/2012/02/446602_us_missa_afro_mundo_209_279.jpg?w=279Digite “abusos litúrgicos” no Google e se prepare… para sofrer um infarto! As fotos são horríveis… É coroinha levantando patena na hora da doxologia, é a Comunhão sendo oferecida aos fiéis em vasos de vidro, é indivíduo fantasiado de sei-lá-o-quê dançando em frente ao altar, é padre levantando a sagrada Hóstia enquanto, ao lado, tem um carinha segurando um espeto de churrasco (esta é particularmente escandalosa), enfim, enfim… É preciso confessar que, em muitos lugares de nosso país, o Santo Sacrifício do altar não vem sendo devidamente celebrado. E respeitado.

Por isto recomendo que assistam ao último “A Resposta Católica”, no qual padre Paulo Ricardo responde se as Missas ditas “inculturadas” são permitidas. Abaixo, transcrevi alguns trechos do vídeo, para maior conforto dos leitores. Aproveitem.

(…)

Inculturação é simplesmente tirar aqueles elementos que iriam perturbar a compreensão da Missa e do Santo Sacrifício naquela cultura específica, mas isso não se faz espontaneamente, não se faz a partir do alvitre do celebrante, e nem sequer de Bispos locais. É necessário que haja a aprovação da Santa Sé. As pessoas que celebram esse tipo de Missa estão violando um direito fundamental dos fiéis. O Código de Direito Canônico, quando coloca os direitos dos fiéis em geral, diz o seguinte, no cânon 214: “Os fiéis têm o direito de prestar culto a Deus segundo as determinações do próprio rito aprovado pelos legítimos Pastores da Igreja”.

É um direito do fiel. Ou seja, um fiel, quando vai à igreja, tem o direito de receber a Missa da Igreja, não a Missa do padre. Agora, é evidente que padres e celebrantes gemam diante deste cânon. Por quê? Porque está tirando deles a possibilidade de ser um tiranete. Ou seja, “eu sou o pequeno ditador que diz como a Missa será”… É evidente que equipes de Liturgia gemam diante deste cânon. Porque equipes de Liturgia, criativas, que querem começar a Missa com a bênção final e terminá-la com a procissão de entrada (…), essas pessoas que querem tudo de cabeça para baixo, irão protestar… Mas, que alívio para os fiéis! Que alívio para os fiéis saber que a Igreja os defende e defende seus direitos; que quando eu vou à Missa, eu não quero ser refém do celebrante e da equipe de Liturgia; quando eu vou à Missa, eu quero saber como ela começa, tem o seu prosseguimento, segundo os ritos, e como é que ela acaba… Que bom saber que a Missa pode e deve ser respeitada!

Uma outra realidade é o fato de que essas Missas “inculturadas” (…) são, na verdade, Missas dessacralizadas. Existe algo de profundamente errado, antropologicamente errado, nessas Missas, que é o seguinte: Quando você vai a um terreiro de macumba, as vestes que as pessoas estão oficiando o sacrifício são vestes diferentes, os ritmos, a música, são ritmos e músicas diferentes, existe naquela religião um sentido do sagrado. Ou seja, a pessoa que está realizando aquele culto afro-brasileiro, ela não está nem se vestindo e nem se comportando como ela faz no dia-a-dia. Porque existe um princípio antropológico básico de que o culto se presta com algo diferente do dia-a-dia. Ou seja, existe o sagrado, existe o secular, o profano, aquilo que eu faço no dia-a-dia. O culto a Deus é prestado com algo diferente do meu dia-a-dia. (…)

A Igreja sempre viveu dentro desta verdade antropológica. Nós tínhamos uma música sagrada – o gregoriano -, roupas sagradas – os paramentos litúrgicos -, textos sagrados, havia toda uma realidade sagrada… Eu estou usando “havia” não porque foi abolido, mas “havia” porque as pessoas jogaram fora, jogaram fora o patrimônio da Igreja! Tudo isto ainda existe, ainda está aí, e não foi o Vaticano II que acabou com isso… Essas pessoas que dizem isso (…) jamais le[ram] uma linha do Vaticano II. Eu desafio você a encontrar na Sacrosanctum Concilium qualquer tipo de aprovação deste tipo de maluquice litúrgica. Não há… E isso jamais passou pela antecâmara do cérebro dos padres conciliares.

(…)

Pois bem, aqui está a realidade. Estas Missas – assim chamadas “inculturadas” – deveriam se chamar Missas profanadas, dessacralizadas, Missas onde o sagrado agora já não existe, existe somente o profano. Você (…) usa a roupa profana, usa uma roupa que não foi pensada para o culto, colocam-se danças que não são danças sagradas, colocam-se ritmos que não são ritmos sagrados, tudo isto dentro da Missa. Ora, mesmo que fossem ritmos e danças sagradas, ninguém teria a autorização de inserir nada sem a licença da Santa Sé, porque é necessário apresentar à Santa Sé primeiro para que ela aprove qualquer modificação dentro do rito, porque a Santa Sé está aí para tutelar a Tradição ritual da Igreja, a validade dos Sacramentos, a retidão da fé, e, nesse caso, o direito dos fiéis. Então, vejam, este tipo de Missa não somente não tem cabimento, mas como não tem verdade antropológica.

Uma terceira coisa: este tipo de Missa não tem verdade teológica. Ou seja, se você for ver, todas estas inserções, estes tipos de rituais, foram feitos por pessoas que não entendem absolutamente o que é o verdadeiro rito da Missa. A Missa é a celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, é o Santo Sacrifício Eucarístico. Todas essas inculturações sempre (…) vão na direção de “festosas” celebrações comunitárias, onde o Sacrifício de Cristo na Cruz fica encoberto, esquecido, quase que ausente. Por quê? Porque o que é importante é aquilo que você é, o importante é aquilo que nós temos no dia-a-dia, trazer o profano pra dentro da Igreja.

Chamar isto de profanação talvez seja literal demais. Mas é isto que está acontecendo.