Sacerdote maçom removido de suas funções, em Annecy, França

Fonte: Secretum Meum Mihi – Tradução: Ecclesia Una | Quando veremos este tipo de medidas, e ainda mais drásticas, nos altos vértices vaticanos, onde recentemente um cardeal (anônimo) revelou haver infiltração maçônica? É necessário esclarecer que as denúncias de pertença de membros curiais à maçonaria não é de agora, mas data dos anos 70, época desde a qual o Vaticano jamais saiu a desmentir a informação, mas manteve o que se chama silêncio complacente, o que, em nossa linguagem de dia a dia se entende como “quem cala, consente”.

Em um comunicado, que data de 26 de maio de 2013, a diocese de Annecy, na França, informa (tradução de Secretum Meum Mihi, ênfase nossa):

Por razão de sua participação ativa em uma loja maçônica, um sacerdote da diocese foi removido de suas funções pelo Mons. Yves Boivineau, Bispo de Annecy, a pedido de Roma. Com efeito, apesar da incompatibilidade de princípios no plano da fé e das suas exigências morais, o sacerdote em questão, cura de uma paróquia na diocese de Annecy, é adepto de um loja do Grande Oriente da França desde 2001.

(…)

A respeito da “incompatibilidade” da qual fala o comunicado, consultar aqui, aqui e aqui.

Prossegue ofensiva laicista da maçonaria na França

maçons 2Já tínhamos comentado aqui o posicionamento claro tomado pela Loja do Grande Oriente da França, a mais antiga obediência maçônica existente, com relação ao recente projeto de conceder mais benefícios a pares homossexuais, suscitado pelo próprio presidente do país, François Hollande. Em nota divulgada no site da Loja, “o Grande Oriente da França recorda que as igrejas devem estar restritas unicamente à esfera espiritual, e não devem interferir, com imprecações e declarações violentas e detestáveis, no legítimo debate público e democrático” (tradução nossa).

Agora, novas informações são disponibilizadas pelo site Religión en Libertad, confirmando os interesses da maçonaria em intensificar a ofensiva à religião no país. Entre outras coisas, fala-se especialmente do número significativo de maçons do Grande Oriente presente na alta cúpula do governo Hollande – dos 38 ministros, um terço seria favorável aos interesses propagados pela Loja. Os importantes ministérios da Educação e da Defesa, por exemplo, já foram tomados.

Um pouco de história

O mais interessante é o que vem no final da notícia: “Esta influência está provocando rivalidades entre as lojas, e algumas denunciam a prepotência do Grande Oriente da França, que é a que, nestes momentos, desfruta de maior presença quantitativa e qualitativa no aparato de poder” (tradução nossa).

Esta observação revela um fato importante para compreendermos melhor a maneira como age a maçonaria: não há uniformidade completa de culto e ação em todo o seu organismo, como equivocadamente é muitas vezes pressuposto. À semelhança da história do Cristianismo, a da maçonaria é recheada de cismas e rupturas. Na França mesmo, é emblemática a cisão que ocorreu na Loja do Grande Oriente, que acabou dando origem a outras três obediências. É o que conta-nos padre Jesus Hortal (2002, p. 18). O Grande Oriente da França:

Começou por substituir o lema Deus meumque ius (“Deus e o meu direito”) pelo de suum cuique ius (“a cada qual o seu direito”). Esse passo, de fundo claramente antirreligioso, completou-se em 1877, quando foi riscada qualquer referência ao “Grande Arquiteto do Universo”, e foram introduzidas, nos estatutos, modificações que garantiam a admissão de ateus dentro das lojas. O Grande Oriente da França tomou, no século XIV, mas sobretudo durante o Governo Combes, nos inícios do século XX, atitudes extremamente anticlericais. Contudo, ao lado desse Grande Oriente, subsistem, na França, outras obediências maçônicas: a Grande Loja da França, a Grande Loja Nacional da França e a Maçonaria mista ou co-Maçonaria, denominada também de “Direito Humano”.

Limitamo-nos à descrição das brigas na França, mas elas aconteceram na maçonaria ao redor de todo o mundo, inclusive no Brasil (HORTAL, 2002).

Aí vem a grande questão: não devem existir, entre as múltiplas lojas hoje associadas a diferentes obediências, uma ou outra “conciliável” com a fé católica? A resposta do Magistério é incisiva: não. Mas, não custa lembrar que, mesmo em cisões como as que se deram na França – em que outras obediências acabaram destoando, em certos pontos, do anticlericalismo exacerbado do Grande Oriente -, os princípios essenciais da associação, contrários à boa e velha doutrina da Igreja, permaneceram os mesmos. Embora não maquinando abertamente contra o Cristianismo, por meio de perseguições escancaradas aos seguidores da religião, os maçons continuam ensinando a velha cartilha deísta, naturalista e iluminista sob a qual eles nasceram. Continua, portanto, impossível a um católico estar ao mesmo tempo abrigado sob o teto da comunhão e filiado às seitas maçônicas.

Nada de novo debaixo do sol

Ainda segundo a notícia de ReL, “os maçons querem constitucionalizar a lei de 1905 – atualmente vigente, ainda que parcialmente reformada -, especificamente anticatólica e responsável pela progressiva descristianização do país ao longo do século XX. (…) A presença da Igreja foi desaparecendo das instituições onde havia sido milenária, em virtude dessa lei, que agora a maçonaria quer transformar em tronco da República, blindando-a contra qualquer reforma ou supressão” (tradução nossa).

Para quem não sabe, a lei de 1905 significou na França a separação entre o Estado e a Igreja, acompanhada de uma agressiva laicização das escolas e demais instituições da República. E contou com o apoio decisivo da franco-maçonaria, o mesmo que fortaleceu o governo Calles na guerra cristera no México, produzindo uma legião de mártires católicos.

Não são novos estes ataques virulentos dos franco-maçons à Igreja e à liberdade religiosa. A França, que já foi palco da intolerância dos laicistas no debate público, sofre, mais uma vez, com a investida destes que, sedentos pelo poder, querem calar qualquer um que ouse passar por seu caminho: não respeitam ninguém, nem os cidadãos, nem a Igreja, nem o próprio Deus. Que Nossa Senhora de La Salette tenha piedade da França.

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Referências:

HORTAL, Jesus. Maçonaria e Igreja: conciliáveis ou inconciliáveis?. 4. ed. São Paulo: Paulus, 2002.

Grande Oriente da França quer católicos fora do debate político

Comentei ontem uma notícia da AFP, que reportava uma manifestação conservadora em toda a França, contra o casamento gay. No entanto – mea culpa -, acabei não situando o contexto do protesto: o presidente do país, François Hollande, enviou ao Congresso proposta para legalizar o “matrimônio” gay. Além da união civil, que já é legal na França desde 1999, o novo projeto do socialista Hollande prevê “direitos de herança ou de receber a pensão do cônjuge” e a adoção de crianças por pares homossexuais, o que, pelas estatísticas divulgadas recentemente pela mídia, foi determinante para a reação da população francesa à proposta de seu chefe de Estado. Pouco mais da metade dos franceses são contrários à adoção por homossexuais.

E, agora, o ponto que eu gostaria de sublinhar: contra os conservadores da França estão não só o governo Hollande, como também a Maçonaria.

E por que estou falando disto? Porque muitos católicos entraram na ilusão de uma Maçonaria inofensiva, ingênua, passiva, boazinha, e até “amiga” do Cristianismo. Mas – e a declaração contra a Maçonaria, de 1983, da Congregação para a Doutrina da Fé, está de provaos princípios defendidos pela Maçonaria ainda estão em contradição com a doutrina católica! Mais: quando fica evidente o fervilhar de um novo debate político, no qual é contundente a tentativa de destruição da moralidade judaico-cristã, a Maçonaria sempre se coloca contrária à Igreja, defendendo um laicismo agressivo e intolerante.

Esta situação de conflito na França é prova cabal disto. E permitam que eu transcreva aqui trecho da nota que os maçons lançaram em seu site, sobre esta polêmica do casamento gay. Eles não só defendem abertamente o projeto de Hollande, como citam nominalmente contra quem estão lutando – a Igreja Católica!

“A definição dos direitos humanos depende só da vontade coletiva dos homens.”

“O Grande Oriente da França condena energicamente as declarações da Igreja Católica acerca do projeto de lei sobre a abertura do matrimônio civil a todos os parceiros, que será apresentado na quarta ao Conselho de Ministros.”

(…)

“A referência feita pelo cardeal André Vingt-Trois de que ‘as profundas mudanças legislativas poderiam transformar radicalmente as relações que sustentam nossa sociedade’ refletem posturas obscurantistas completamente descompassadas das necessárias evoluções sociais e políticas de nosso tempo.”

(…)

“Em nome da laicidade, o Grande Oriente da França recorda que as igrejas devem estar restritas unicamente à esfera espiritual [grifos meus], e não devem interferir, com imprecações e declarações violentas e detestáveis, no legítimo debate público e democrático (…).”

(Projet de loi sur le mariage pour tous,
disponível em francês no site do Grande Oriente da França)

Esta nota me deu tanta raiva, que nem sei por onde começo.

A frase que principia a coisa já mostra a a noção distorcida que os maçons têm da moralidade. Para eles, esta é subjetiva, depende da “vontade coletiva dos homens”. Vamos à prática! Se, seguindo o inevitável “progresso” da humanidade, os homens decidirem, no termo de alguns anos, legalizar as relações sexuais entre adultos e crianças, que seja… afinal, a moral depende da “vontade coletiva dos homens”. Se, em determinado ponto da “evolução” social e política que vivemos, a opinião pública estiver a favor do infanticídio, lá vamos nós de novo, porque, afinal… “a definição dos direitos humanos depende só da vontade coletiva dos homens”. Exagero? Mas já não estão fazendo assim com o casamento gay, com o aborto, com a eutanásia? Já não deram uma infinidade de significados aberrativos à expressão “direitos humanos”? Já não estão moldando a opinião pública aos seus interesses, para dar êxito a seus projetos insidiosos?

A nota segue. As declarações do cardeal de Paris, Vingt-Trois, condenando o casamento gay, são, no linguajar maçônico, “posturas obscurantistas”, “declarações violentas e detestáveis”. Ah, o velho anticlericalismo maçônico… O mesmo que tentou destruir a Igreja Católica no século XVIII; o mesmo que tirou a educação religiosa de nossas escolas; o mesmo que atacou a família, militando por todas as vias possíveis a favor do divórcio… o mesmo que, agora, quer restringir as igrejas “unicamente à esfera espiritual”! E depois vêm alguns – bispos, até! – dizer que, ah!, deve haver comunhão fraterna entre os católicos e os maçons… Que comunhão fraterna, cara-pálida? Estão querendo tirar nossa liberdade de entrar na esfera política, de participar do debate público! Estão querendo calar a nossa boca! E, no fim, ainda falam de “democracia”… Só se for a democracia do demônio: todo mundo pode “dar pitaco”, menos os bispos, padres e leigos católicos.

Esta posição defendida pela Maçonaria francesa é o exemplo perfeito de laicismo condenado pelo papa João Paulo II, em 2004, durante discurso ao Corpo Diplomático acreditado no Vaticano:

“As comunidades de crentes estão presentes em todas as sociedades, expressão da dimensão religiosa da pessoa humana. Por conseguinte, os fiéis esperam poder participar legitimamente no diálogo público. Infelizmente, deve-se observar que nem sempre é assim. Nestes últimos tempos, em certos países da Europa, nós somos testemunhas de uma atitude que poderia pôr em perigo o respeito efetivo pela liberdade de religião. Se o mundo inteiro concorda em respeitar o sentimento religioso dos indivíduos, não se pode dizer a mesma coisa do ‘fato religioso’, ou seja, da dimensão social das religiões (…). Evoca-se com frequência o princípio da laicidade, em si mesma legítima, quando é compreendida como distinção entre a comunidade política e as religiões. Todavia, distinção não quer dizer ignorância! Laicidade não é laicismo! Ela não é senão o respeito por todos os credos por parte do Estado, que assegura o livre exercício das atividades cultuais, espirituais, culturais e caritativas das comunidades dos crentes. Numa sociedade pluralista, a laicidade é um lugar de comunicação entre as diferentes tradições espirituais e a nação. Pelo contrário, as relações Igreja-Estado podem e devem dar lugar a um diálogo respeitoso, portador de experiências e de valores fecundos para o futuro de uma nação. Um diálogo sadio entre o Estado e as Igrejas que não são concorrentes, mas parceiros pode, sem dúvida, favorecer o desenvolvimento integral da pessoa humana e a harmonia da sociedade.”

Este apelo do beato João Paulo II é justamente aquilo que a Maçonaria combate, em seu ódio antigo pela Igreja. Fica aqui o nosso recado aos católicos: deixem de bom mocismo e de mil amores com a Maçonaria. Enquanto vocês vão às lojas e beijam os maçons, lá na França – e no resto do mundo – tem um monte deles querendo confinar os católicos à sacristia.

Dom Aquino de fibra: “Deve bastar a um católico a palavra da Igreja ou do Papa”.

Publicamos recentemente neste espaço algumas considerações de um bispo mato-grossense do século XX sobre a intolerância católica. O homem de coragem de quem falávamos na ocasião é Dom Francisco de Aquino Corrêa. Ele foi arcebispo de Cuiabá durante um período conturbado da história mundial – administrou a diocese da capital durante a Segunda Grande Guerra -, sendo sempre um homem de extrema fidelidade à Igreja e ao Santo Padre, o Papa. Grande orador e escritor, foi o primeiro mato-grossense a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

Em Cuiabá, o nome de Dom Aquino Corrêa é bastante conhecido; entretanto, não se pode falar o mesmo de sua obra. Por isso, o nosso apostolado deseja levar adiante um trabalho para maior conhecimento e propagação das magníficas letras escritas e pronunciadas por este ilustríssimo membro do episcopado brasileiro.

Vivemos tempos tenebrosos, em que as nuvens escuras de uma teologia avessa aos valores do Evangelho cobrem a Igreja brasileira e sufocam a esperança de muitas vocações sacerdotais. Por isso é importante que apeguemo-nos a figuras zelosas, personagens bravas, que colocavam a obediência a Cristo acima dos respeitos do mundo. Dom Aquino Corrêa foi, sem dúvida, um destes homens extraordinários, que trazem alento e novo fulgor à Igreja. Também em nossa época, possamos redescobrir o tesouro da Fé exposto nos discursos e escritos de Dom Aquino – um homem de fibra.

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“Deve bastar a um católico a palavra da Igreja ou do Papa, para tirar-lhe toda a dúvida: Roma locuta, causa finita. Mesmo que não se trate de artigos de fé, não se discute. A Igreja e o Papa enxergam muito mais, e muito mais sabem do que nós, inspirados como são, em maneira toda peculiar, pelo Espírito Santo.”

“Dizemos isto, particularmente com referência a certas sociedades condenadas pela Igreja, e às quais, por conseguinte, não pode filiar-se o católico. Algumas dessas sociedades, como o protestantismo, não enganam o católico. São eles, os protestantes, os primeiros a não quererem ser, nem parecer católicos, e nisto se mostram muito lógicos e coerentes, dignos de louvor. Assim é que nunca se viu nenhum deles apresentar-se para padrinho de Batismo ou de Crisma, nem serem reclamados para eles, depois da morte, os sufrágios religiosos e públicos do catolicismo.”

Outras sociedades, porém, como a maçonaria, o espiritismo etc., embora saibam que são reprovadas pela Igreja Católica, insistem em fazer crer que os seus membros possam continuar como bons católicos. E muitos se deixam iludir e ilaquear. Já se viu maior contrassenso? Nem a maçonaria, nem o espiritismo, nem sociedade alguma tem competência para julgar o que pode ou não pode fazer um católico, sem faltar à fidelidade para com a Igreja. O católico, que se inscreve em semelhantes associações, deve, para ser leal e sincero, renunciar aos seus direitos nessa Igreja, a quem não mais reconhece por mãe, a quem desobedece, a quem ipso facto repudia solenemente.”

“Ou a Igreja é o que diz ela ser, única arca de salvação, ou não é: se é, faz-se mister obedecer-lhe em tudo; se não é, por que teimar em pertencer a uma Igreja, que, na hipótese, seria a maior impostura, que jamais existiu em todo o mundo e em todos os séculos?”

(…)

“Não se pode servir a dois senhores: força é escolher entre a Igreja e a maçonaria, entre a Igreja e o espiritismo, entre a Igreja e quaisquer associações por ela excomungadas. Assim já procederam muitos, que, afinal, morreram, tranquilos, no seio maternal da Igreja. Porquanto, isso de claudicar para dois lados, como dizia o profeta Elias, ora com o Deus verdadeiro, ora com Baal; ou como dizemos nós, acender uma vela a Deus e outra ao diabo, é o caminho mais seguro da perdição eterna.”

[Dom Aquino Corrêa, 15 de agosto de 1948. Cartas Pastorais, vol. III, tomo II. Testamento do Vosso Arcebispo. pp. 300-301. Brasília, 1985.]

* * *

No tempo de Dom Aquino Corrêa, o católico que se filiasse às seitas maçônicas, estava excomungado da Igreja. A pena de excomunhão não é mais prevista no novo Código de Direito Canônico, de 1983; mas “permanece (…) imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas”, estando em pecado mortal os fiéis que pertencem a estas seitas. Ou seja, catolicismo e maçonaria continuam incompatíveis. Portanto, a crítica severa de Dom Aquino permanece, em toda sua atualidade… e rigidez.

Escândalo: Missa pelo “Dia do Maçom” em Pernambuco

A notícia é de um mês atrás, mas vale a pena tecer alguns comentários sobre a Missa celebrada, na Diocese de Pesqueira, pelo “Dia do Maçom”. No dia 20 de agosto, o padre Geraldo de Magela Silva, pároco na cidade de Belo Jardim, Pernambuco, celebrou a Liturgia, rezando por uma intenção nada convencional: foi comemorado, durante a celebração, o Dia do Maçom.

O fato repercutiu em todo o Brasil e houve uma repulsa generalizada pela atitude do padre pernambucano. Com razão, já que a Igreja Católica sempre condenou a filiação de seus fiéis à Maçonaria. Uma declaração de 1983, assinada pelo então Cardeal Joseph Ratzinger – hoje Papa Bento XVI, gloriosamente reinante –, apontava que:

“Permanece (…) imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.”

Trocando em miúdos, católico não pode ser maçom. Esta iniciativa de realizar uma celebração pelo “Dia do Maçom” é completamente absurda, pois tenta criar na Igreja a simpatia por uma festividade cujo cerne é totalmente alheio à sua doutrina e à sua moral. E essa condenação não se trata – como muitos “defensores dos oprimidos e excluídos” poderiam alegar – de falta de misericórdia ou de radicalismo. Os maçons têm sua visão particular de Deus, da verdade e da moral: que pratiquem sua religião e cultuem o “Grande Arquiteto do Universo” em suas lojas! O que não pode acontecer é que, por imprudência e desobediência de alguns pastores, o deísmo e relativismo maçônicos sejam acolhidos no seio da Igreja, como se as duas visões antagônicas de mundo pudessem conviver harmonicamente; como se não fosse incoerente servir ao mesmo tempo a Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo, e a um facilmente modelável “arquiteto”. Antes de qualquer coisa, o compromisso dos católicos deve ser com a Verdade. E – esta é a verdade – o catolicismo não é compatível com a filosofia maçônica.

Rezemos. Para que cessem os desrespeitos pela Sagrada Liturgia; para que cessem as desobediências ao Evangelho de Nosso Senhor. E que pelo menos Seus ministros defendam a Sua Igreja.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Está certo colocar a Ordem DeMolay e a Maçonaria “no mesmo saco”?

Já há um tempo que recebi algumas indagações de mais demolays e simpatizantes da Ordem. O questionamento é: afinal, está certo colocar a Ordem DeMolay e a Maçonaria “no mesmo saco”? Um comentarista pediu: “Não cite filosofia maçônica nos tópicos da Ordem DeMolay, até porque DeMolay e Maçonaria só têm uma coisa em comum de conhecimento do membros da Ordem, que é o patrocínio.” Outro fez uma contestação: “Não devemos comparar DeMolays com Maçons. Podem ter algumas características relacionadas, mas não é a mesma coisa.”

A questão é relevante. Afinal, a proscrição da Igreja à Maçonaria enquadra também as associações por ela patrocinadas – como é o caso não só da Ordem DeMolay, mas também da Ordem Internacional das Filhas de Jó – ou se restringe à participação nas reuniões da franco-maçonaria?

Comecemos por definir a relação existente entre Maçonaria e Ordem DeMolay. Uma página na Internet esclarece que “a Ordem DeMolay é uma organização ou instituição para-maçônica, ou seja, ligada a Maçonaria, porém, apesar de ter grande ligação com a Maçonaria, ser um DeMolay não garante um futuro maçônico”. No entanto, é postulado que “para que um capítulo (…) se mantenha e possa exercer seus trabalhos, é necessário obrigatoriamente o patrocínio de uma loja maçônica”. Mais: sabe-se que a Ordem juvenil foi fundada por um maçom – o grão-mestre Frank Sherman Land.

Para entrar na Ordem, é de conhecimento de todos que a pessoa deve crer em um Ser Superior – que tanto os demolays quanto os maçons chamam de Grande Arquiteto do Universo -, independente da confissão religiosa. Esta semelhança que a Ordem mantém com a Maçonaria é um dos objetos da condenação católica à maioria das associações secretas. Basta lembrar o que dizia, por exemplo, o papa Leão XIII, na Humanum Genus: “Se aqueles que são admitidos como membros não são ordenados a abjurar por quaisquer palavras as doutrinas Católicas, esta omissão, muito longe de ser adversa aos desígnios dos Maçons, é mais útil para os seus propósitos. (…) Como todos que se oferecem são recebidos qualquer que possa ser sua forma de religião, eles deste modo ensinam o grande erro desta época – que uma consideração por religião deveria ser tida como assunto indiferente, e que todas as religiões são semelhantes” (n. 16).

Conclui o mesmo Pontífice que, por isso, “é desnecessário colocar as seitas Maçônicas em julgamento”: “elas já estão julgadas; seus fins, seus meios, suas doutrinas, e sua ação, são todos conhecidos com indisputável certeza. Possuídos pelo espírito de Satanás, cujos instrumentos eles são, eles ardem como ele com um ódio mortal e implacável a Jesus Cristo e Sua obra; e eles se esforçam por todos os meios para derrubá-la e acorrentá-la” (Dall’Alto Dell’Apostolico Seggio, n. 2). Pergunta-se: O termo “seitas maçônicas” deve ser entendido como uma extensão da condenação também às associações patrocinadas pela Maçonaria?

Quando Leão XIII redigiu estas duas encíclicas, a Ordem DeMolay nem havia sido fundada, mas o termo “seitas” certamente dialoga com a expressão “associações maçônicas”, utilizada no último documento de 1983, da Congregação para a Doutrina da Fé, para se referir às organizações secretas proibidas pela Igreja. Sobre os demolays, o prof. Felipe Aquino, conhecido apresentador da TV Canção Nova, no livro “Falsas Doutrinas – seitas e religiões”, esclarece que:

“Tal iniciativa, patrocinada e orientada pela Maçonaria, é incompatível com os princípios do Catolicismo ou mesmo do Cristianismo (várias confissões cristãs não católicas condenaram a Maçonaria). Uma das razões desta incompatibilidade é o caráter relativista que a Maçonaria assume frente a Deus e à própria verdade; ademais a Maçonaria nos países latinos da Europa e da América se tornou explicitamente avessa ao Catolicismo; parece que até hoje é sociedade em que tendências antirreligiosas persistem. – Ora, tal orientação fundamental das lojas não pode deixar de influir nos quadros e nas atividades da Ordem DeMolay. Mais: para formar bons cidadãos, já existem várias escolas confessionais, inclusive católicas; a Ordem, porém, parece não reconhecer o valor destes, já que enfatiza unilateralmente o apoio às escolas públicas.”

Pelo visto, o patrocínio maçônico à iniciativa demolay não é apenas material, como também fortemente ideológico. Afinal, de onde os demolays teriam herdado a crença no G.A.D.U. ou os princípios de indiferentismo religioso e relativismo que predominam em seus discursos e argumentações?

Sim, a condenação da Igreja à Maçonaria inclui também as associações a ela filiadas. Os conceitos irreconciliáveis com a doutrina católica estão presentes tanto na filosofia dos “tios” quanto na ideologia dos demolays, das filhas de Jó et caterva.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Catolicismo e Ordem DeMolay – outro esclarecimento

Nos últimos dias, o post Catolicismo e Ordem DeMolay – mais um esclarecimento recebeu, de vários demolays e simpatizantes da Ordem, um número considerável de comentários, os quais, agora, publico e comento, a fim de que sejam esclarecidos outros pontos que possam ter ficado obscuros e também para que não se tenha a impressão – equivocada, por certo – de que o nosso blog agora tenha se tornado uma verdadeira “casa da mãe Joana”.

Passo, primeiramente, ao comentário de uma tal Régia, bastante oportuno, justamente por mostrar o quão esperta é a tática maçônica para conseguir fazer mais adeptos em suas associações. Ela pergunta “porque a ordem é para adolescentes e jovens entre 12 e 21 anos”. “Essa etapa do ser humano – observa – não é justamente o período formativo, a busca de conhecimentos (…)?”

Justamente! É assim que agem os membros da Ordem. “Arrebanham” – se é que me permitem usar esta palavra – os jovens, a fim de formar adultos que pensem conforme a filosofia e a práxis maçônicas. É, sem dúvida, uma ideia inteligente. Trazendo a coisa para a Igreja Católica, observamos crescente, nos últimos anos, a preocupação especial dos pastores católicos com os adolescentes – a criação da Jornada Mundial da Juventude é expressão visível disto. O Papa e os bispos têm consciência de que é conquistando a juventude que se dá vigor ao Corpo Místico de Cristo. No caso da Maçonaria e da Ordem DeMolay, porém, os jovens são conduzidos a pensar de uma maneira racionalista, desprezando a noção de Revelação, sem a qual definitivamente não pode haver autêntico Cristianismo.

É esta também a resposta ao comentário de Isaac Luna, que defende certo aspecto cristão em um trecho supostamente extraído do livro de um maçom grau 33. Para este, “a (…) grande preocupação (da Maçonaria) é o autoaperfeiçoamento do homem, orientando-o num aprendizado constante, conforme a Verdade”. Não vou nem levar em consideração o fato de que não é citado nenhum autor e nenhuma fonte. É sabido que, desde o princípio, a Maçonaria estabeleceu como um de seus “projetos” este da “busca da verdade”, que os membros da associação seriam responsáveis por cultivar. Ao lado deste princípio, porém, caminha um – e este, sim, condenável – relativismo, a ideia de que, por mais que se buscasse a verdade (e isto, somente usando a razão humana!), cada indivíduo deveria conviver com sua visão pessoal de divindade, estando o que eles cultuam como Grande Arquiteto do Universo sujeito às impressões de cada maçom, em particular.

Albert Pike também era maçom grau 33. E seu G.A.D.U., definitivamente, não era o Deus da Santíssima Trindade.

“Para os Maçons, a grande Verdade é Deus, vista através de Cristo”, teria escrito este mesmo maçom grau 33. Mas, ora, considerando que nas associações maçônicas são aceitos, além de cristãos, adeptos de outras religiões, esta afirmação simplesmente não faz sentido. Um maçom muçulmano certamente não aceitaria que a verdade que ele busca na Maçonaria é “vista através de Cristo”. Um ocultista, da mesma forma, veria no G.A.D.U. uma personagem bem diversa daquela que foi Jesus. Albert Pike, maçom e ocultista, trata de exaltar, p. ex., o inimigo de nosso Senhor – o diabo. “Lúcifer, o portador da luz! Nome estranho e misterioso para dar a um espírito das Trevas! Lúcifer, o filho da manhã! É ele quem traz a Luz, e com seus intoleráveis esplendores cega as almas fracas, sensuais ou egoístas? Não duvides!” (Morals and Dogma, cap. XIX, Pontiff).

Adiante, o comentário de Isaac destoa para o anticlericalismo, assim como os ataques de Herisson Bezerra não passam de histeria protestante (mais uma acusação infundada de idolatria). Estes, porém, são temas para outra postagem.

O que precisa ficar claro é que, por mais que se tente defender que as associações maçônicas não são anticristãs, os exemplos que possuímos e expomos demonstram justamente o contrário. Desde o princípio, o culto exacerbado à razão humana e a constante relativização da verdade, presentes na Maçonaria, conduzem seus membros pela estrada esburacada do agnosticismo… Não é, pois, sem razão que já por quase 300 anos perdura a condenação da Maçonaria pela Igreja.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

A Maçonaria, que nega o inferno, constitui uma prova da sua existência

- por padre Garrigou-Lagrange, OP

http://beinbetter.files.wordpress.com/2012/03/garrigou2.jpg?w=186Ao ler a Encíclica de Leão XIII Humanum genus, de Abril de 1884 sobre a maçonaria e as obras mais objetivas sobre esta questão não é difícil descortinar o objetivo real que têm em vista.

Depois de a malícia do demônio ter dividido o mundo em dois campos – diz em resumo Leão XIII -, a verdade tem os seus defensores, e também os seus adversários implacáveis. Aí temos as duas cidades opostas de que fala Santo Agostinho: a de Deus, representada pela Igreja de Cristo, com a sua doutrina de salvação eterna; e a de Satã, com a sua revolta contínua contra a doutrina revelada. A luta entre os dois exércitos é perpétua e, desde o fim do século XVII, data do começo da franco-maçonaria, que englobou todas as sociedades secretas, as seitas maçônicas organizaram uma guerra de extermínio contra Deus e contra a Igreja. Têm por fim descristianizar a vida individual, familiar, social, internacional e, para isso, todos os seus membros se tratam como irmãos em toda a superfície do globo. Constituem uma outra igreja: uma associação internacional e secreta.

Leão XIII, ao terminar a mesma encíclica, aponta a maneira como estas seitas clandestinas se insinuam na confiança dos príncipes, com o pretexto falacioso de proteger a sua autoridade contra a dominação da Igreja. Na realidade, é para minar todo o poder, como bem prova a experiência; pois, em seguida – diz o Papa -, estes homens pérfidos lisonjeiam as multidões, mostrando-lhes uma prosperidade de que a Igreja e os reis seriam os únicos inimigos. Afinal, acabam por precipitar as nações no abismo de todos os males, nas agitações revolucionárias e na ruína geral, que apenas aproveitam a alguns oportunistas.

Este objetivo real de descristianização da sociedade apareceu a princípio, mascarado por um fim aparente. A seita não passava, na aparência, de uma sociedade filantrópica e filosófica. Mas, após os primeiros triunfos, logo depôs a máscara. Gloria-se de todas as revoluções que sublevaram a Europa, em particular, da Revolução Francesa; de todas as leis contra o clero e ordens religiosas, da laicização das escolas; da ablação do crucifixo dos hospitais e tribunais; da lei do divórcio; de tudo o que descristianiza a família e diminui a autoridade do pai, para a substituir pela de um Estado ateu. Ela segue a divisa: dividir para reinar; separar da Igreja os reis e os Estados; enfraquecer os Estados, separando-os uns dos outros, a fim de os dominar por um poder oculto internacional; preparar conflitos de classes, separando os patrões dos operários; enfraquecer e arruinar o amor da pátria; na família, separar os esposos, proporcionando-lhes o divórcio legal e sempre cada vez mais fácil, separar, enfim, os filhos dos pais, para os tornar a presa da escola chamada neutra, mas ímpia, e do Estado ateu.

No seu entender, rejeitar toda a revelação divina, toda a autoridade religiosa, equivale a contribuir para o progresso da civilização. Quer os mistérios e os milagres devem banir-se de todo o programa científico. Põem-se de parte o pecado original, os sacramentos, a graça, as orações, os deveres para com Deus, a distinção entre o bem e o mal. Reduzem o bem ao útil, toda a obrigação moral desaparece, as sanções de além-túmulo não existem. A autoridade não vem de Deus, mas do povo soberano.

A maçonaria caracteriza-se especialmente pelo ódio a Jesus Cristo. Reservam as mais requintadas blasfêmias e imprecações para atingir o seu santo nome. Chegam a procurar hóstias consagradas para as profanarem da maneira mais ultrajante. A apostasia é condição imprescindível para preencher os cargos mais elevados. Os iniciados não têm rebuço em aceitar a condenação de Jesus de Nazaré pela autoridade judiciária e em concordar com a crucifixão, como outrora os judeus endurecidos. Combate-se a Igreja católica como inimiga. A noção de Deus, tolerada ao princípio, aparece irradiada do vocabulário maçônico.

A perversidade satânica da obra aparece oculta no segredo que envolve todos os seus planos. Os principais projetos, discutidos nos comícios misteriosos, são totalmente subtraídos ao conhecimento dos estranhos e até ao de muitos filiados de categoria mais baixa. Quanto aos iniciados, quando recebidos nos graus superiores, juram nunca revelar os segredos da sociedade e eles, que se colocam como defensores da liberdade, ligam-se completamente a um poder oculto que não conhecem e cujos projetos mais recônditos jamais conhecerão. O roubo, a supressão dos documentos mais importante, o sacrilégio, o assassinato, a violação de todas as leis divinas e humanas, tudo isto lhes poderá ser imposto; deverão executar estas ordens abomináveis, sob pena de morte.

A árvore avalia-se pelos seus frutos. A raiz desta árvore má é o ódio a Deus, a Cristo Redentor e à sua Igreja. Estamos perante uma obra satânica, que, à sua maneira, prova a existência do inferno, daquele inferno que a mesma seita pretende negar.

Não admira, pois, que a Igreja tenha condenado, em várias ocasiões a franco-maçonaria, designadamente nos pontificados de Clemente XII, Bento XIV, Leão XII, Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII. O Santo Ofício, na sua circular de Fevereiro de 1871 ao episcopado, impôs mesmo a obrigação de denunciar os corifeus e os chefes ocultos destas sociedades perigosas. Não se dispensa o filho de denunciar o pai e reciprocamente. O esposo deve agir do mesmo modo para com a esposa, o irmão, para com a irmã. É o bem geral da sociedade que o exige. O motivo desta decisão do Santo Ofício baseia-se nos embustes a que recorrem as lojas, apresentando ao público nomes falsos.

A maçonaria, que é a primeira a negar o inferno, constitui, pois, pela sua perversidade satânica, uma prova da existência dele. Isso revela-se, sobretudo, nas profanações da Eucaristia, manifestamente inspiradas pelo demônio e que pressupõem a sua fé na presença real. Esta fé do demônio, como explica São Tomás (II, II, q. 5, a. 2), não é a fé infusa e salutar com humilde submissão do espírito à autoridade de Deus revelador, mas sim uma fé adquirida, que se funda somente na evidência dos milagres, vê bem que se trata de verdadeiros milagres, inteiramente diferentes dos fatos maravilhosos que ele pratica. Esta terrível profanação de hóstias consagradas, constitui, pois, à sua maneira, uma prova sensível da malícia, e portanto, do inferno a que o demônio foi condenado. O próprio demônio confirma assim o testemunho da Escritura e da Tradição, testemunho que ele desejaria negar.

Além disso, em certas ocasiões, como durante a última guerra, revela-se por vezes um ódio horrível, dir-se-ia que o inferno se entreabre debaixo dos nossos pés. Tudo isto vem confirmar a revelação: os crimes de que não há arrependimento serão punidos com uma pena eterna.

[Padre Reginald Garrigou-Lagrange em O Homem e a Eternidade, 3ª parte – O Inferno, O Inferno segundo a Sagrada Escritura]

Catolicismo e Ordem DeMolay – mais um esclarecimento

Nossa discussão com membros da Ordem DeMolay continua. Recebemos agora as indagações de um demolay de Minas Gerais mesmo, que se apresenta como Roberto Nery. Os seus questionamentos se referem à postagem Ordem DeMolay e maçonaria – perigos aos cristãos, de fevereiro de 2009.

“Everth, o que você sabe sobre a Ordem DeMolay para a acusar daquela forma? Você, por acaso, tem informações concretas sobre a ordem, por acaso já teve a oportunidade de ir a uma reunião aberta?”

“Infelizmente, sem saber até do que se fala, você comenta e difama uma ordem que só ajudou a sociedade, ao contrario de algumas igrejas católicas (não todas) que forçam as pessoas a darem dizimo, dizendo que se a pessoa não doar tudo que tem a igreja e se dedicar integralmente a mesma, irá para o inferno.”

Não, nunca fui a uma reunião aberta da Ordem DeMolay. E não tenho sequer a pretensão de participar. Quanto ao que sei sobre a Ordem, sei o suficiente para rejeitar a filosofia que cerca tanto esta associação quanto a própria Maçonaria, cujos membros são tidos como “tios” por parte dos demolays.

Você me acusa de difamar “uma ordem que só ajudou a sociedade”… O que se encontra aqui não são difamações, mas sim esclarecimentos. Quando, neste espaço, escrevi que os princípios defendidos pela Maçonaria são simplesmente inconciliáveis com a doutrina católica, fiz apenas um alerta àqueles que são membros da Igreja, a fim de que estejam conscientes de que “permanece (…) imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas”. O documento está no site da Santa Sé para qualquer homem de boa vontade ler.

Quanto à ideia de que “algumas igrejas católicas (…) forçam as pessoas a darem dízimo”, é preciso que fique bem claro que a) existe uma boa diferença entre “Igreja” e “igrejas” – Aquela é o Corpo Místico de Cristo, sendo uma realidade que transcende a própria história, enquanto estas são as comunidades dos fiéis espalhadas pelo mundo; b) as pessoas não são forçadas a darem dízimo, muito embora se saiba que é um dos cinco mandamentos da Igreja “atender às necessidades materiais da Igreja, cada qual segundo as suas possibilidades”. A assembleia precisa colaborar, de alguma forma, com a manutenção da sua comunidade.

“Sou católico e demolay, com muito orgulho, e gostaria de saber o que você tem contra a Ordem DeMolay.”

Roberto Nery, como católico, tenho contra a Ordem DeMolay o fato de ela entender Deus de uma maneira diversa daquela que ensina o Magistério da Igreja. A Maçonaria – e da mesma forma as associações a ela filiadas – é adepta do indiferentismo religioso e do agnosticismo. Pra quem deseja entender melhor as razões que separam a Igreja Católica da Maçonaria, recomendo novamente a leitura do livro A Maçonaria no Brasil – Orientação para católicos, do frei Boaventura Kloppenburg, OFM. Também já fizemos inúmeras postagens sobre o assunto. Agora, vai caber a você escolher ou o catolicismo de fato – o que reconhece os princípios cristãos em sua totalidade – ou o catolicismo self-service – aquele em que você, como em um restaurante, escolhe da doutrina cristã aquela parte que mais lhe convém e ignora aquela que lhe desagrada.

E pra quem acha que o documento da Congregação para a Doutrina da Fé condenando a filiação de católicos a associações maçônicas é “velho” – considerando que a Igreja tem 2 milênios de vida, 25 anos nem fazem cócegas -, temos uma recente declaração do cardeal português Dom José Policarpo, que foi publicada recentemente no Fratres in Unum. O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa afirmou, em conformidade com as leis da Igreja, que “não é compatível” ser católico e maçom, já que as associações maçônicas “rejeitam aquilo que é o essencial da fé, a aceitação da Palavra de Deus e da revelação sobrenatural”.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!