O genocídio comunista e a Inquisição

Milhões de pessoas foram mortas por regimes comunistas no século XX. Só pra lembrar alguns exemplos, podemos falar do genocídio de Holodomor na Ucrânia e também do extermínio em massa em Camboja, liderado pelo secretário-geral do Partido Comunista, Pol Pot, que matou mais de 1 milhão de pessoas. Isso se não mencionarmos os nomes de ditadores genocidas como Mao Tsé-Tung, Josef Stalin ou Adolf Hitler. Estima-se que, juntos, os três tenham matado aproximadamente 100 milhões de pessoas.

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Os críticos do socialismo não tinham somente motivos ideológicos para criticá-lo. O sistema político foi duramente criticado por teóricos do século XX também por apresentar propostas totalitárias totalmente opostas à correta aplicação dos direitos humanos. O Papa Pio XI, na encíclica Divini Redemptoris, deplorou os crimes perpetrados pela ideologia socialista no mundo: “Bispos e sacerdotes foram desterrados, condenados a trabalhos forçados, fuzilados, ou trucidados de modo desumano; simples leigos, tornados suspeitos por terem defendido a religião, foram vexados, tratados como inimigos, e arrastados aos tribunais e às prisões” (n. 19).

Quando me perguntaram por que eu não simpatizava com o comunismo, expliquei que não podia concordar com tantas atrocidades cometidas por esse sistema político. A resposta foi imediata: “Se és anticomunista porque o comunismo matou pessoas, então por que és católico, se a Igreja Católica assassinou ainda mais pessoas?”

A pergunta faz sentido. Para aqueles que têm uma mentalidade formada pelo anticlericalismo comum a grande parte de nossos professores de História e pelo ódio que a mídia fomenta contra a obra católica, a dúvida faz muito sentido.

Vamos, primeiramente, analisar a pergunta do sujeito. Ele afirma que a Igreja Católica assassinou “ainda” mais pessoas que o comunismo. Mas, será que essa afirmação é verdadeira? Transitemos pelo fato histórico que hoje é comentado pelo mundo moderno como símbolo da intolerância e da “crueldade” da Igreja: a Inquisição. Historiadores modernos sérios têm investigado o assunto e concluído que a caracterização desse tribunal eclesiástico como uma instituição perversa e sanguinária não passa de lenda inventada pelos filósofos iluministas para derrubar a força da Igreja Católica. Em verdade, o número de mortes por execução em fogueiras é bem menor do que é anunciado nas nossas salas de aula e o uso de tortura não era tão frequente como se pensa. (Não duvidamos de que houve, sim, abusos, cometidos por alguns inquisidores, mas, esses abusos não representam a totalidade do pensamento cristão e nem podem ser chamados de verdadeiro testemunho do que foi a Inquisição)

Além disso, é preciso sempre analisar um texto em seu contexto. A Inquisição se deu durante a Idade Média. A mentalidade popular estava totalmente moldada pelo pensamento religioso e a ligação entre o Estado civil e a Igreja era fortíssima. Encontramos na doutrina de São Tomás de Aquino alguns ensinamentos importantes para compreendermos esse assunto. P. ex., na Suma Teológica (II-II, questão 11, art. 3), lemos: “É muito mais grave corromper a fé, que é a vida da alma, do que falsificar a moeda, que é o meio de prover à vida temporal”. Ora, continua S. Tomás, “se (…) os falsificadores de moedas e outros malfeitores são (…) condenados à morte pelos príncipes seculares, com muito mais razão os hereges, desde que sejam comprovados tais, podem não somente ser excomungados, mas também em toda justiça ser condenados à morte”.

A filosofia corrente nessa época da história nos permite inferir que a instituição de pena de morte para crimes de heresia não era considerada violenta como o é hoje. É porque, infelizmente, muitos deturpam a realidade histórica e tiram a Inquisição do seu contexto. Inclusive, foi nessa linha que se pronunciou João Paulo II aos cientistas participantes no simpósio sobre esse tema: “O Magistério eclesial não pode, certamente, propor-se a realizar um ato de natureza ética, como é o pedido de perdão, sem antes ter-se informado com exatidão acerca da situação daquele tempo”.

E qual é a situação daquele tempo? Olhemos para a justiça civil da Idade Média e início da Idade Moderna. Temos um precário sistema de investigação para crimes e frágeis sistemas de reabilitação para criminosos. A pena de morte era como que a única alternativa encontrada pelo Estado naquele tempo para executar punições. E isso, por acaso, contradiz os mandamentos da lei de Deus? Não está escrito “Não matarás” na Bíblia Sagrada? Será que podemos falar de contexto em um tempo onde a Igreja, ciente desse mandamento da lei de Deus, mesmo assim, o usava entregar os hereges obstinados ao braço secular para que fossem executados?

A Sagrada Escritura verdadeiramente tem essa lei. Mas, ao mesmo tempo, a lei de Moisés, que foi aperfeiçoada pela lei de Nosso Senhor Jesus Cristo, prescrevia pena de morte para pecados como adultério, homossexualismo e homicídio. Entende-se, então, que Deus está fazendo referência, ao afirmar que não devemos matar, a pessoas inocentes. Em todo o tempo matar inocentes e justos é um pecado que clama aos Céus. No entanto, ao falarmos de criminosos, precisamos diferenciar tempos. Há leis eternas e leis temporais. Eternas são aquelas que são válidas para todos os povos, em todos os tempos; temporais são válidas somente para um determinado período da história. Ora, ninguém duvida que a pena de morte é uma lei temporal, pois o homem nem sempre gozou de métodos eficientes de restituição social para infratores durante a história.

É, mas e o contexto do século XX? Será que ele nos permite dizer que os crimes do socialismo na verdade não são tão cruéis e perversos como se diz hoje? Sim, por que se o argumento do contexto é válido para analisarmos a Inquisição, certamente também é válido para analisarmos o genocídio comunista no último século.

Durante o tempo da Inquisição, havia uma geral aceitação do rigor. Durante a prosperidade dos regimes comunistas, no entanto, houve sempre muitos protestos contra os crimes perpetrados em nome da revolução, seja por líderes de direita seja por representantes da ala esquerdista. Durante o tempo da Inquisição, os hereges eram condenados ou inocentados após uma criteriosa investigação; se comprovados que eles verdadeiramente se obstinavam em defender um modo de vida muitas vezes ameaçador à própria sociedade cristã daquele tempo, eram entregues ao braço secular e, por fim, executados; isso quando não eram liberados pelo Tribunal com brandas penitências. Durante a perseguição do socialismo alemão aos judeus, eram mortos sem piedade judeus, negros e deficientes, em nome da supremacia da raça ariana. Durante a tentativa dos socialistas em consolidarem a “sociedade sem classes”, eram eliminados todos aqueles que eram considerados empecilhos para a concretização dos ideais socialistas. E aqui está o problema: as pessoas que eram mortas pelos regimes revolucionários eram assassinadas em nome de um futuro hipotético. Valia tudo para concretizar os ideais comunistas… Crimes definitivamente indefensáveis.

Mas, por que eles ocorreram? Há muitos motivos, mas um deles está relacionado com a ausência de moralidade presente no pensamento socialista. O comunismo nega a existência de Deus, nega a importância da religião. É essencialmente materialista. O brado de Dostoievski é particularmente importante para compreendermos os crimes perpetrados em nome do ateísmo no século XX, que, diga-se de passagem, ocorreram em um número bem mais assombroso e assustador do que o real número de “crimes cometidos em nome da religião”. Ele dizia que, se Deus não existe, então tudo é permitido. A afirmação faz sentido na medida em que explica a importância da lei cristã para a formação da moralidade tradicional. A fé em Deus põe limites às paixões do homem.

Os ataques que muitos ateus promovem hoje à religião podem parecer desencorajadores. No entanto, mais desencorajadoras que as críticas são as atitudes daqueles que querem condenar a religião, mas acabam por não olhar para a história sangrenta e desumana do comunismo ateu durante o século passado.

Resistência alemã antinazista pediu a Pio XII que não interviesse diretamente contra Hitler

Fonte: ACI Digital

Roma, 8 de fevereiro de 2010 (ACI). – O L’Osservatore Romano publicou um artigo no que, através de uma série de documentos históricos, comprova-se que a resistência alemã antinazista pediu ao Papa Pio XII não intervir diretamente contra Hitler; em uma clara resposta aos caluniadores do Papa Pacelli que o acusam falsamente de haver mantido-se em “silêncio” ante o holocausto, quando, em realidade ajudou a salvar a vida de mais de 800 mil judeus.

O artigo escrito pelo historiador e catedrático italiano Roberto Pertici, explica que o documento 242 que faz parte de uma relação dedicada ao Vaticano e os Estados Unidos publicada em Milão em 1978, elaborada por Ennio Di Nolfo, dá a conhecer o testemunho do advogado católico alemão Josef Müller, que fazia parte da resistência alemã antinazista e que foi o contato com a Santa Sé entre 1939 e 1940.

“Müller era parte dos serviços secretos alemães (Abwehr)” que constituía “um dos centros ocultos da oposição anti-hitleriana. Foi enviado a Roma com uma desculpa, mas com a missão de tomar contato com o entorno do Papa (no qual havia vários bispos alemães) e informar a Pio XII sobre o projeto da oposição alemã para derrocar Hitler e construir uma Alemanha democrática”, explica o artigo.

As vitórias de Hitler na Noruega e na França fizeram abortar a operação, ainda que a não tenha impedido de gerar um contato claro.

Müller foi detido em 1943 para logo ser conduzido a um campo de concentração. Depois de sua liberação, por parte do exército americano em 5 de maio de 1945, o advogado chegou ao Vaticano em 2 de junho e escutou o Papa Pio XII condenar enérgica e publicamente o nazismo.

“Podem ver – disse o Pontífice naquela ocasião – o que fica atrás de uma concessão e uma atividade do Estado que não tem em conta os sentimentos mais sagrados da humanidade, que pisoteia os invioláveis princípios da fé cristã. O mundo inteiro, estupefato, contempla hoje a ruína” gerada pelos nazistas.

Naquela ocasião o Papa Pacelli também recordou sua contribuição na encíclica Mit brennender Sorge de 1937 que condena o nazismo e sua mensagem radial de Natal de 1942 contra a perseguição nazista.

De tudo isto e outros temas relacionados, Müller conversou em 3 de junho de 1945 com Harold H. Tittmann, o jovem encarregado dos assuntos americanos perante a Santa Sé. Depois do diálogo enviou um completo relatório a seu superior Myron Taylor, o representante pessoal do Presidente dos Estados Unidos ante o Pontífice.

O relatório de Harold Tittmann dizia à letra: “o doutor Müller disse que durante a guerra sua organização antinazista na Alemanha tinha insistido muito que o Papa evitasse qualquer declaração pública especificamente dirigida como condena contra os nazistas, e tinha recomendado que as observações do Papa se mantivessem entre os limites das considerações gerais”, como efetivamente fez Pio XII.

“O doutor Müller – prosseguia Tittmann – afirmou que foi obrigado a dar este conselho porque se o Papa tivesse sido específico, os alemães o teriam acusado de ceder às pressões de potências estrangeiras e isso teria gerado mais suspeita sobre os que não era católicos alemães e haveria restringido grandemente sua liberdade de ação em seu trabalho de resistência ao nazismo”.

Tittmann também disse que “o doutor Müller disse que a política da resistência católica na Alemanha era que o Papa devia manter-se à parte, enquanto a hierarquia alemã (os bispos) levava adiante a luta contra o nazismo ao interior da Alemanha, sem que as influências externas se manifestassem”.

Finalmente, no relato de 3 de junho de 1945, Tittmann explicava que “o Papa seguiu este conselho durante toda a guerra”. Müller pensava que “o Papa tinha decidido falar agora abertamente contra os nazistas porque as implicâncias de suas denúncias são atualmente muito importantes e o faz tomando em conta uma grande quantidade de considerações”.

Outra história velha – Olavo de Carvalho

Indicação: Adversus Haereses
Fonte: olavodecarvalho.org

Olavo de Carvalho

Jornal da Tarde, 31 de janeiro de 2002

Não se espantem que, numa semana tão cheia de novidades, eu insista em contar histórias velhas. Nada pesa mais sobre as decisões do presente do que a visão do passado. Por isso os partidos totalitários se esforçam tanto em deformá-la segundo seus propósitos. Empenham nisto verbas consideráveis e os esforços de seus melhores intelectuais de aluguel: uma falsa imagem do ontem é o mais firme sustentáculo da mentira de hoje.

Talvez o exemplo mais escabroso e mais típico de falsificação da História, nas últimas décadas, tenha sido o assalto geral à memória dos descobridores e colonizadores das Américas. Não há, hoje, quem não acredite piamente que foram ladrões e genocidas cruéis, tão famintos de ouro quanto sedentos de sangue indígena. Filmes, livros didáticos, reportagens em profusão – um bombardeio incansável e avassalador – fizeram da “leyenda negra” da colonização uma verdade estabelecida. O modelo universalmente aplaudido dessa interpretação da História continental foi o ensaio do lingüista Tzvetan Todorov, A Conquista da América, lançado em 1982, que fez de Hernán Cortez um Adolf Eichmann ibérico, inspirando ao historiador David Stannard a conclusão: “O caminho para Auschwitz passa direto pelo coração da América.”

Essa crença se espalhou e serve, hoje, para legitimar não só políticas indigenistas, indenizações e cotas preferenciais, mas também a oficialização do terrorismo intelectual anticristão nas principais universidades americanas.

Mas como foi, realmente, a história de Hernán Cortez? Ele desembarcou no México em abril de 1519, com 500 soldados. Na cidade de Tenochtitlán, encontrou a sede do Império Asteca, prodigiosamente rico e poderoso.

Mas não antigo. Os astecas eram nômades que tinham chegado ali em 1325 (tão arrivistas, portanto, como os espanhóis). Só no século seguinte ascenderam ao poder imperial, dominando pelo terror as tribos em torno e obrigando-as a fornecer escravos e vítimas sacrificiais para os ritos de sua religião vampiresca. O principal desses ritos consistia em imolar vítimas ao deus sol, arrancando-lhes o coração e cortando-as em pedaços. Só os sacerdotes manejavam o punhal sagrado, mas a população inteira colaborava na “mise-en-scène”, com alegria feroz, literalmente banhando-se de sangue. Nos grandes festivais anuais, o número de imolações subia a 20, 30 mil. A orgia macabra prolongava-se por 3 meses, antecedida por 6 meses de “estação de guerra” durante os quais os astecas percorriam o país para aprisionar as futuras vítimas (durante os restantes 3 meses do ano não consta que fizessem mal a ninguém).

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Astecas oferecem sacrifícios ao deus sol

As tribos circunvizinhas viviam aterrorizadas. Sonhavam com a libertação.

Ela veio pelas mãos de Cortez, que as unificou para um grande assalto conjunto à fortaleza asteca. Os combates terminaram pelo cerco vitorioso a Tenochtitlán. Cortez, conforme o hábito militar europeu, queria a rendição, mas seus aliados índios decidiram que só a total liquidação do adversário poderia livrá-los do perigo. “Não podemos deixar nenhum vivo”, disse um deles, “nem os jovens, que se levantarão em armas de novo, nem os velhos, que os aconselharão a isso.”

Cortez nem quis nem ordenou a matança dos astecas. Ela foi inteiramente obra de índios. Não foi um genocídio empreendido pelo invasor contra a população local. Foi a liquidação de um império genocida por suas próprias vítimas, num paroxismo de vingança – vingança que pode ter sido excessiva e bárbara, mas não desprovida de motivo. Cortez não foi opressor e matador de índios: foi seu libertador. Essa conclusão foi firmemente estabelecida pela historiadora australiana Inga Clendinnen em seu livro Aztecs: An Interpretation, publicado pela Cambridge University Press, que não é obra de mera agitação jornalística como a de Todorov, mas uma pesquisa original em fontes primárias, destacando-se como a primeira utilização global e sistemática dos depoimentos indígenas, muitos e detalhados, que se conservam sobre os acontecimentos.

Não obstante, a calúnia vociferada por um charlatão ainda é citada respeitosamente em aulas, seminários, livros didáticos, debates elegantes e jornais, ao passo que a pesquisa científica, por mais louvada que tenha sido nos círculos acadêmicos, continua ignorada pelo público geral e pela mídia.

Lenda negra sobre Pio XII – falsa e maliciosa

Lenda Negra sobre Pio XII – Falsa e Maliciosa

 

Fonte: Boletim Mater Ecclesiae

Rabino afirma que Pio XII teve um papel importante na salvação de muitos judeus

A “falsa e maliciosa visão histórica” exposta num recente best-seller sobre o Papa Pio XII como colaborador de Adolf Hitler no extermínio de milhões de judeus durante o holocausto é refutada pelos fatos, afirmou um rabino que também é professor na Universidade Ave Maria em Naples na Flórida.

Falando em New Orleans em novembro, o rabino David Dalin, autor de “The Myth of Hitler’s Pope: How Pius XII Rescued Jews from the Nazis” (O Mito do Papa de Hitler: Como Pio XII Salvou os Judeus dos Nazistas, nt), afirmou que a caracterização de Pio XII “como o mais perigoso eclesiástico na história moderna, sem o qual Hitler provavelmente jamais conseguiria prosseguir com o holocausto”, feita pelo autor britânico John Cornwell, trai os fatos.

“Na verdade, nada poderia estar mais longe da verdade”, disse o Rabino Dalin numa leitura feita na Universidade de Tulane. “Uma pesquisa histórica precisa do papel de Pio XII durante o holocausto nos conduz ao exato oposto da conclusão falsa e maliciosa do livro de John Cornwell”. “Pio XII não foi o Papa de Hitler, mas sim um protetor e amigo do povo judeu no tempo em que isso mais importava”, acrescentou o rabino.

Mesmo concluindo que “ninguém fez o suficiente durante o holocausto”, ele disse que o Papa Pio usou sua experiência como Núncio Papal na Alemanha, na década de 1920, e como Secretário de Estado na de 1930 para salvar a vida de judeus durante a guerra.

Enquanto 80% dos judeus vivendo na Europa ocupada pelos nazistas foram mortos pelos nazistas durante o holocausto, o Rabino Dalin afirma que na Itália “quase 85% dos judeus sobreviveram”, incluindo 75% dos judeus da comunidade de Roma.

O professor declarou que judeus foram secretamente hospedados em 155 monastérios, conventos e igrejas na Itália durante todos os anos do holocausto, incluindo 3000 em Castel Gandolfo, a residência de verão do Papa fora de Roma. “Em nenhuma outra localidade da Europa ocupada tantos judeus foram escondidos por tanto tempo quanto em Castel Gandolfo”, concluiu o Rabino. “Isso não seria possível sem a aprovação pessoal e o envolvimento ativo de Pio XII”.

“De fato, comida kosher (comida típica judaica, nt) foi providenciada aos judeus mais religiosos que estavam escondidos em Castel Gandolfo durante a ocupação nazista de Roma”.

A conclusão que qualquer um pode tirar vendo a capa do livro de Cornwell é que Hitler e Pio XII eram “muito próximos”, disse o Rabino Dalin. A capa mostra o Papa sendo saudado por um soldado enquanto ele deixa o prédio. “O fato é que eles nunca se encontraram”. O Arcebispo Eugenio Pacelli, futuro Pio XII, era um diplomata do Vaticano na Alemanha durante a década de 20, mas deixou a Alemanha em 1929, “e nunca mais voltou”, disse o Rabino Dalin.

Em 1938, quando Hitler fez sua primeira visita de estado a Roma, ele disse, o então cardeal Pacelli, Secretário de Estado do Vaticano, e seu predecessor, Pio XI, “publicamente esnobaram Hitler”.

O Rabino Dalin concorda que o Papa Pio XII poderia ter feito mais, talvez até excomungando Hitler, que foi batizado como Católico, juntamente com outros membros do regime nazista.

O Papa Pio XII também é criticado por não ter se pronunciado publicamente contra Hitler e o horror do holocausto. O Rabino Dalin encontrou 55 situações, começando em 1920 quando ele era Núncio Papal na Alemanha, nas quais Pio XII “fez declarações atacando Hitler e os Nazistas”. Quando uma declaração papal foi lida em cada púlpito num domingo na Bélgica, durante a II Guerra, “as represálias nazistas foram violentas. Em nenhum outro país ocupado pelo regime um percentual tão alto de extermínio de judeus – e também católicos – foi alcançado como na Bélgica”. “Pio XII foi um diplomata”, conclui o rabino. “Muito do seu trabalho era de bastidores. Ele era reticente em fazer declarações públicas que poderiam ser contraproducentes”. Contudo, Hitler tinha um clérigo favorito, disse o Rabino Dalin: o Grã Mufti de Jerusalém, Muhammed Amin al-Husseini, um grande “anti-semita e igualmente um grande anticristão” que “criticava os oficiais nazistas por não fazerem o suficiente para exterminar os judeus”. O rabino afirma que a caracterização negativa do Papa começou com uma peça de teatro, “The Deputy”, escrita em 1963 por Rolf Hochhuth, um alemão. Ela apresentava o Papa como um anti-semita.

“Esta peça era uma ficção e se tornou a base para os ataques”. “Durante a sua vida e por anos após a sua morte, Pio XII foi considerado um amigo do povo judeu. Mais de 60 anos depois do Holocausto, é bom lembrar o verdadeiro papel de Pio XII”.

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Boletim Eletrônico Mater Ecclesiae, Ano I, Edição nº I, pg. 7
Janeiro de 2010

Convicções históricas tendenciosas contra Pio XII

Essa semana os grandes servos de Deus, João Paulo II e Pio XII, foram proclamados veneráveis pela Santa Igreja. No entanto, alguns historiadores – sem contar os judeus – não cultivam uma simpatia muito grande por Eugenio Pacelli. É aquela velha história que todos já conhecem “de cor e salteado”: Pio XII teria se calado diante das atrocidades cometidas pelo nazismo… A questão é realmente complicada, mas, deve ser analisada a par dos preconceitos que muitas vezes estão envolvidos nessas discussões. Por exemplo, é importante observar a alusão à condenação da Igreja e do próprio Pio XII ao nazismo em alguns documentos da Santa Sé e também à lealdade da Igreja na ajuda prestada aos judeus durante a guerra. Em suas radiomensagens de Natal – em 1941 e 1942, por exemplo – Pio XII falou da situação deplorável em que se encontravam aquelas pessoas que “às vezes só por motivos de nacionalidade ou raça, se vêem destinadas à morte ou a um extermínio progressivo” (Radiomensagem de 1942, n. 55). Era, sem sombra de dúvida, uma crítica à perversa ideologia nazista.

O problema é que grande parte dos ataques que são feitos à figura de Pacelli são, na verdade, mentiras anti-clericais que partem de inimigos ferozes da Igreja; os fundamentos dos seus argumentos nem sempre são os melhores.

Saiu no BOL: Israel pede investigação para impedir Pio 12 de virar santo. A notícia faz inclusive uma relação entre o suposto silêncio de Pio XII durante a guerra com o fato de Ratzinger ter pertencido à juventude hitlerista… Lamentável tentativa de se afirmar que Bento XVI poderia supostamente ser nazista ou comungar com o pensamento do nazismo.

Mas o que mais me impressiona é a revolta dos judeus. Eles já estão vendo Pio XII como santo. Provavelmente não conhecem todo o processo que leva a isso, toda a apuração histórica que se dará em torno da posição de Pacelli frente às atrocidades nazistas – que será melhor esclarecida quando o Arquivo do Vaticano for aberto. Estão fazendo uma tempestade em copo d’água. Além disso, estão analisando todo esse processo como uma injustiça, como se de fato a posição de Pio XII tivesse sido de aprovação ao nazismo.

Alguns líderes judeus deixaram uma dúvida no ar quanto a essa “convicção” da atual comunidade israelense em afirmar que Pio XII foi conivente com o nazismo. Abaixo estão alguns claros exemplos:

“Somente a Igreja permaneceu firme, em pé, para fechar o caminho às campanhas de Hitler que pretendiam suprimir a verdade. Antes eu nunca havia experimentado um interesse particular pela Igreja, mas agora sinto por ela um grande afeto e admiração, porque a Igreja foi a única que teve a valentia e a constância para defender a verdade intelectual e a liberdade moral” (Albert Einstein, 23 de dezembro de 1940).

“O povo de Israel nunca se esquecerá o que Sua Santidade [Pio XII] e seus ilustres delegados, inspirados pelos princípios eternos da religião que formam os fundamentos mesmos da civilização verdadeira, estão fazendo por nossos desafortunados irmãos e irmãs nesta hora, a mais trágica de nossa história, que é a prova viva da divina Providência neste mundo” (Isaac Herzog, 28 de fevereiro de 1944).

Fonte: Cleofas

Enquanto muitos historiadores insistem em afirmar que a posição de Pacelli frente aos crimes cometidos pelo nazismo foi lamentável, outros, no entanto, como o historiador judeu Lapide, escritor do livro Three Popes and the Jews, vão afirmar que uma maior condenação ao nazismo receberia maior retaliação. Com efeito, não se está dizendo que Pio XII não condenou o nazismo. A Mit Brennender Sorge, na qual o até então Cardeal Eugenio Pacelli, secretário do Vaticano, participou, foi uma condenação moralmente explícita à ideologia nazista. No entanto, na época, foi secretamente lida em todas as igrejas católicas da Alemanha. Foi suficiente para uma repercussão instantânea. Após a escrita da carta, mais judeus foram imediatamente jogados nos campos de concentração, cerca de 110 mil, segundo afirma Lapide. A constatação “maior condenação, maior retaliação”, analisando-se esses dados, parece tanto quanto óbvia.

Pio XII, escreve Lapide, “poderia ter elevado vibrantes protestos, que pareceriam inclusive insensatos, ou melhor proceder passo a passo, em silêncio. Palavras gritadas ou atos silenciosos. Pio XII escolheu os atos silenciosos e tratou de salvar o que poderia ser salvo”. As convicções históricas da comunidade judaica realmente impressionam na falta de bom senso.

Enfim, a questão histórica da relação entre Pio XII e nazismo é bastante conturbada e deve ser devidamente analisada. Mas, que caiam o preconceito, o ódio, a vingança e a inimizade à Igreja, tendências que levam à manipulação a favor do anti-clericalismo.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

* * *

Leia mais: Pio XII e o nazismo.

“O caso Galileu”

[Mais um episódio do programa “Igreja Católica, Construtora da Civilização”, apresentado por Thomas Woods. Dessa vez ele fala do caso Galileu Galilei. Quais foram os problemas dele com a Igreja? Será que Ela realmente condenou o copernicanismo? Será que a até então teoria de que a terra girava em torno do sol foi de fato criticada pela Igreja ou tiveram outros motivos que circularam a condenação do Santo Ofício às obras de Galileu? Assista abaixo os vídeos de mais um episódio desse ótimo programa, que visa desmascarar mentiras anti-católicas que foram pregadas pelos iluministas e tendenciosos.]

Fonte: Tubo de Ensaio

Apenas um breve esclarecimento. Muitos historiadores que não conhecem devidamente a doutrina da Igreja – aliás, eles nem são obrigados a conhecerem, mas, se caso quiserem falar dela devem pelo menos ter algumas noções básicas de Magistério – argumentam que o caso Galileu é uma prova contra o dogma da infalibilidade papal. O fato é que o Papa exerce sua infalibilidade quando exorta o povo de Deus em algo referente à fé e à moral. Quando se pronuncia ex cathedra, ou seja, como pastor angélico, como sucessor de Pedro, aí sim é infalível. Sobre isso penso serem pertinentes as palavras do Catecismo da Igreja sobre o assunto:

891. «Desta infalibilidade goza o pontífice romano, chefe do colégio episcopal, por força do seu ofício, quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis, e encarregado de confirmar na fé os seus irmãos, proclama, por um ato definitivo, um ponto de doutrina respeitante à fé ou aos costumes [...]. (…)

Ora, e o Papa, de fato, exerceu a infalibilidade no caso Galileu? Não. As decisões do Tribunal do Santo Ofício, assim como aquelas que estão relacionados especificamente a esse assuntos são visões que a Igreja tinha, baseando-se nas Sagradas Escrituras, de teorias que estavam intimamente relacionadas à ciência. Existem alguns respeitados autores que pensam que houve abuso de autoridade por parte do Papa Urbano VIII, que era Pontífice na ocasião. Mas isso de modo algum remete a um suposto “erro de fé” da Igreja, que, de fato, não pode acontecer, uma vez que Ela está guiada pelo Espírito Santo.

* * *

Leia mais sobre o assunto: Afinal, o que aconteceu com Galileu Galilei?, do Tubo de Ensaio.

O debate e a obstinação dos adventistas

Há muitos dias iniciou-se aqui no Ecclesia Una uma discussão, mais especificamente na página Mentiras Adventistas, entre adventistas e católicos: os representantes da Igreja, Carlos, Angélica e Ancião do blog Jornadas Espirituais, combatendo contra os representantes da seita adventista, Marcelo Damm e Francisco Alves de Pontes. Debates são muito bons, primeiro porque são capazes de nos levar a refletir a posição daqueles que estão do outro lado; segundo, porque exercita a nossa capacidade crítica de contra-argumentar ou de concordar com alguma tese do outro. Existem muitas outras dimensões importantes em um debate, as quais demoraria dias para citar aqui nesse post.

O que quero enfatizar é que algumas funções essenciais presentes num debate não estiveram presentes aqui nessa discussão do blog, não por falta de esforço dos nossos amigos católicos, mas pela insistência adventista em apresentar repetidamente os mesmos argumentos sem articulá-los devidamente. Por esse motivo e por outros que apresentarei ao longo desse post, decidi, não depois de muito pensar, BANIR qualquer tipo de comentário que apareça na já citada página. Exatamente no dia 30 de novembro de 2009 [Atualização: a página foi fechada para comentários HOJE, dia 23 de novembro de 2009. Esse post que você está lendo também será banido, mais especificamente dia 30, dia em que seria fechada a outra página. Agradecemos a compreensão] a página Mentiras Adventistas não poderá mais receber comentários de nenhuma pessoa e isso permanecerá vigente por tempo indeterminado.

Por que fazer isso? Primeiramente porque a intenção desse blog é clara: promover e defender a fé católica. Já o fizemos. Carlos, Angélica e o Ancião do blog Jornadas já combateram devidamente – com ótimos argumentos, diga-se de passagem – as heresias ideológicas pregadas pelo adventismo. Então a nossa missão como católicos já foi feita. A conversão dos fautores de heresia é missão do Espírito Santo de Deus e é a Ele que entregamos as almas desses miseráveis inimigos do Sagrado Magistério da Igreja, Corpo Místico de Cristo.

Tentamos – não negamos – de todas as formas mostrar aos adventistas a verdade pregada pela Madre Igreja. Explicamos que a “pedra” a qual Jesus se refere em Mt 16, 18 é Pedro e que isso não exclui o fato de que Jesus é a “pedra angular” da qual as Escrituras tanto falam. Explicamos que Pedro, como homem, era falível e pecador, mas como primeiro Papa, em matéria de fé e moral, não podia errar, afinal no versículo seguinte ao anteriormente citado Jesus dava ao bispo de Roma a autoridade de “ligar” e “desligar”: “Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 19). Explicamos também que a alma do ser humano é imortal e que, muito embora nossa carne pereça, a nossa alma, na morte, vai para junto de Deus. Comprovamos isso biblicamente, mas os adventistas que aqui debatiam sempre desconversavam e mudavam de assunto.

Não pretendo, com essa proibição, impedir que os nossos amigos católicos que tanto defenderam a Verdade parem de evangelizar. Longe de mim fazer isso! Mas os adventistas deram clara demonstração de que não estão abertos a aceitarem a Verdade da Igreja. Entregamo-los à Misericórdia de Deus. Damos o debate por encerrado. Poderemos sim voltar a permitir comentários na página, mas somente quando os adventistas tiverem o propósito de argumentar de maneira racional e esquematizada – muito embora pense eu que para se defender uma mentira só mesmo recorrendo a métodos de repetição de palavras vãs. Por enquanto isso não aconteceu. É como disse o Ancião do Jornadas em um comentário:

[Santo Inácio de Loyola] recomenda ser caridosos com os hereges que não são obstinados. Foi da mesma maneira que São Paulo recomenda a Tito. Confesso que fiquei pensando a luz da recomendação do apóstolos e do confessor… Mas estes SÃO obstinados.

Um debate que não leva a lugar nenhum, que só traz desconforto, ira e indignação para ambas as partes, não é um bom debate. Um debate onde os mentirosos tentam vencer os outros pelo cansaço e pela repetição é vergonhoso.

Esperamos sinceramente que o Espírito Santo, que guia a Igreja Católica à Verdade, possa guiar os adventistas teimosos à Igreja. E também esperamos que aqueles que nesse debate tanto se empenharam em defender a Igreja – e aí faço alusão ao Carlos, à Angélica e ao Ancião – continuem firmes no caminho da fé e que estejam de acordo com as proposições desse post.

Graça e paz.

Pregação de São Pedro em Roma – Eusébio de Cesaréia

[Para tentarem afirmar que a Igreja Católica Apostólica Romana não é a verdadeira Igreja de Cristo alguns protestantes tentam se basear na falácia de que Pedro nem em Roma esteve. Pois então, é mentira. O trecho abaixo, retirado do livro História Eclesiástica, de Eusébio de Cesaréia, o confirma. São Pedro esteve sim em Roma e lá se tornou o primeiro papa. A leitura é recomendada.]

Fonte: Scribd


Da pregação do apóstolo Pedro em Roma

Eusébio de Cesaréia

1. A este Simão [Simão Mago], pai e autor de tão grandes males, o poder malvado e odiento de todo bem, inimigo da salvação dos homens, destacou-o naquele tempo como grande adversário dos grandes e divinos apóstolos de nosso Salvador.

2. No entanto a graça divina e celestial veio em socorro de seus servidores, e somente com a aparição e presença destes extinguiu rapidamente o fogo ateado pelo maligno, e por meio deles humilhou e abateu toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus.

3. Por isso nenhuma maquinação, nem de Simão nem de nenhum outro dos que então proliferavam, prevaleceu naqueles tempos apostólicos: a luz da verdade e o próprio Verbo divino, que recentemente tinha brilhado sobre os homens, florescendo sobre a terra e convivendo com seus próprios apóstolos, triunfava sobre tudo e dominava tudo.

4. Em seguida o mencionado impostor, como ferido nos olhos da mente por um ofuscamento divino e extraordinário quando anteriormente o apóstolo Pedro pôs a descoberto suas malvadas intenções na Judéia, empreendeu uma longa viagem para além do mar, e foi-se fugindo de oriente a ocidente, convencido de que somente ali seria possível viver segundo suas idéias.

5. Chegou à cidade de Roma, e com a grande ajuda do poder que nela se assenta, em pouco tempo alcançou tamanho êxito em seu empreendimento, que os habitantes do lugar chegaram a honrá-lo como a um Deus, dedicando-lhe uma estátua.

6. Não chegaria muito longe esta prosperidade. De fato, pisando em seus calcanhares, durante o próprio império de Cláudio, a providência universal, santíssima e amantíssima dos homens, levava sua mão em direção a Roma, como contra um tão grande flagelo da vida, o firme e grande apóstolo Pedro, porta-voz de todos os outros devido a sua virtude. Como nobre capitão de Deus, equipado com as armas divinas, Pedro levava do oriente aos homens do ocidente a apreciadíssima mercadoria da luz espiritual, anunciando a boa nova da própria luz, da doutrina que salva as almas: a proclamação do reino dos céus.

Eusébio de Cesaréia

História Eclesiástica”, l. 2, cap. XIV

Mitos pregados pelo proselitismo ateu

Fonte: Neo-Ateísmo, Um Delírio

Por Luciano Henrique

Mito 1 – O ceticismo é propriedade do ateísmo

Esse mito é tão difundido que até o desafio do Bule, de Bertrand Russell, começa afirmando que os teístas deviam respostas aos “céticos” (quando na verdade se referia aos “ateus”). Nada mais falso. O ceticismo não é propriedade de nenhuma ideologia, nem a ateísta. Decerto que o ateu é cético em relação à existência de Deus, mas isso não implica que ele seja alguém basicamente cético. Há muitos ateus que acreditam em memes, Freud, genes egoístas, extraterrestres e muitas outras coisas. Ademais, o fato de alguém acreditar em Deus, não implica que este não seja cético em relação a outros assuntos. Particularmente, para mim a questão é simples: se eu acredito em Deus, para que eu preciso crer piamente em qualquer outra coisa? Tecnicamente, por ser religioso, minha obrigação é ser mais cético do que um ateu. Em vários exemplos que poderão ser vistos nesse blog, os ateus militantes portam-se com credulidade absurda, em vários casos beirando a fé cega. Por exemplo: muitas vezes eles lêem uma alegação no livro de Dawkins, ou Dennett, ou qualquer outra fonte do tipo, geralmente uma acusação anti-religião, e saem pregando a tal afirmação mesmo sem INVESTIGAR as fontes. Obviamente, um altíssimo grau de credulidade e fé cega é detectado neste tipo de ateu. E, ironicamente, esse tipo de ateu tende a agir de maneira extremamente desconfortável quando é submetido a uma bateria de questionamento cético. A grande prova de que o “ceticismo como propriedade do ateísmo” não passa de um mito é justamente o mecanismo que tem sido o impulsionador deste blog: o ceticismo. É exatamente isso: a principal forma de combate ao ateísmo militante é o ceticismo. E funciona com extrema eficiência, diga-se.

Mito 2 – A natureza do fundamentalismo e extremismo é religiosa

Outra crendice popular que já foi demolida principalmente após o advento da campanha atual do neo-ateísmo. Antes, era fácil associar a idéia de que uma pessoa “fanática” automaticamente era uma pessoa “religiosa”. Extremismo? Provavelmente vinha da religião. Entretanto, o recente comportamento obsessivo e extremamente dedicado à anti-religiosidade visto nos seguidores de Dawkins e patota raramente possui precedentes até no comportamento religioso. Basicamente, o novo ateísmo traz tantas características de fundamentalismo e extremismo vistas basicamente somente em grupos como as Testemunhas de Jeová, da religião. Ademais, a forma de agir desses “novos ateus” não é uma exceção, sendo tal obsessão vista tanto em ateus militantes dos Estados Unidos, como também na Suécia, no Brasil, em Portugal, etc. Leitores de Richard Dawkins comportam-se como vítimas de lavagem cerebral, e a partir disso, atacam e difamam todos aqueles que não agem de maneira radical como eles. Não sobra nem para agnósticos e panteístas. É evidente que a natureza do fundamentalismo e extremismo é uma característica humana. Nos ateus, é facilmente visível nos neo-ateus (e na religião ateísta “brights”). Nos religiosos, é facilmente percebida nas Testemunhas de Jeová.

Mito 3 – Os (neo) ateus são os representantes da ciência

Na tentativa de “inflar” o número de ateus na ciência, os neo-ateus tentam usar estratagemas como afirmar que os cientistas não “acreditam em um Deus pessoal”, o que segundo eles seria o mesmo que “não acreditar em Deus”. Obviamente, uma distorção. Tentam, também, incluir todos os agnósticos, religiosos liberais, deístas e panteístas no grupo de ateus. Além disso, muitos dos ateus militantes fingem que divulgam ciência, e escrevem muito a respeito, mas basicamente para apresentar a falsa dicotomia entre ciência e religião. Ao tentar falar com maior insistência em nome do ateísmo (lembrem-se do mito 2), acabam afirmando que estão atuando em nome da ciência em sua pregação. Obviamente que pessoas facilmente impressionáveis podem acreditar neste mito, que é facilmente desmascarável através do ceticismo. Veja o exemplo dos quatro principais autores do neo-ateísmo: Richard Dawkins é um cientista de segunda categoria (cujas teses científicas são quase místicas, como gene egoísta), Daniel Dennett é um filósofo que se meteu no âmbito da psicologia cognitiva, Sam Harris é também um filósofo que só recentemente adquiriu um (muito suspeito) doutorado em neurociência, enquanto que Christopher Hitchens é um jornalista. Se esses são os representantes “da ciência”, estamos indo bem mal… Mas, na verdade, os ateus nem de longe representam a ciência. Além do mais, a ciência é laica, portanto sequer necessita de representação com viés ideológico religioso ou anti-religioso.

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Mito 4 – Há conflitos entre ciência e religião

Mito geralmente difundido em conjunção com o item 3. Na tentativa de criar a já citada falsa dicotomia entre ciência e religião, os neo ateus “inflam” a definição de ciência e tratam quase todas as situações humanas como se fossem um conflito entre ciência X religião, o que, naturalmente, é ilógico. Nessa discussão, geralmente eles se esquecem de que as áreas de conhecimento humanas envolvem domínios como Filosofia, Engenharia, Negócios, Política, Tecnologia, Matemática, Linguística e outros. Tecnicamente, a implementação de falsa dicotomia é utilizada para se “demonizar um oponente”, e é uma das táticas preferidas de lavagem cerebral. Não surpreende, portanto, que os neo-ateus (que são os defensores principais da idéia de que ciência e religião estão em conflito) são as Testemunhas de Jeová do ateísmo. Obviamente, esse mito engloba várias sub-crenças, que eles não largam por nada deste mundo. A principal dessas crenças é a de que a ciência afirma que Deus não existe.

Mito 5 – Os ateus são mais racionais que os religiosos

É parte do discurso de pregação neo-ateísta que os religiosos representam a fé, e o ateísmo representa a razão. Só que esse mito é desmascarado quando observamos a maioria das publicações dos autores neo-ateus, recheadas de falácias, estratagemas erísticos, sofística, raciocínio de auto-ajuda, técnicas de lavagem cerebral e afins. O próprio componente de auto-ajuda é um sintoma da falta de racionalidade de uma parte considerável dos ateus (os neo-ateus). Os livros de auto-ajuda são similares aos cultos da carga, e raramente produzem efeitos reais nas vidas de seus usuários. Dá para notar, por exemplo, no discurso de Richard Dawkins quando este diz que o ateísmo trará uma “sensação de liberdade”. Obviamente, uma declaração nem um pouco embasada por racionalidade.

Mito 6 – A consultoria ateísta sobre a religião é válida

Grande parte da pregação neo-ateísta se baseia em criticar a religião e sugerir caminhos alternativos, ou até mesmo como a religião deveria ser utilizada pelos religiosos. Obviamente, isso é uma consultoria, justamente vinda de adversários. O que é de início extremamente suspeito: ou alguém aceitaria consultoria sobre formação do Estado de Israel feita por Palestinos? Ou uma consultoria sobre a família heterossexual brasileira feita por homossexuais heterofóbicos? Claro que não, pois existiria viés. Muitos ateus interpretam a Bíblia, por exemplo, como uma criança religiosa de 10 anos faria. E dizem que esta interpretação é a correta. Em suma, eles querem meter o bedelho em tudo. Outro exemplo são pessoas como Hector Ávalos e Bart Erhman, anti-religiosos (um deles se afirma como agnóstico, mas ambos são pregadores do neo-ateísmo), que se envolvem em estudos da religião. Claro que isso não passaria por qualquer investigação cética. Em todos os casos, quando investigados, o que se descobrem são interpretações pueris da religião e atitudes de difamação. Ou seja, a consultoria deles não vale absolutamente nada. Quer dizer, até vale. Mas só se for para seguirmos os conselhos ao avesso.

Mito 7 – Os argumentos contra Deus são melhores que os argumentos a favor de Deus

Os ateus proselitistas clamam aos quatro ventos que há uma série de argumentos contra Deus, mas geralmente tais argumentos não passam de interpretações distorcidas de argumentos teístas e extrapolações indevidas do darwinismo. A maioria dos argumentos neo-ateus a esse respeito não passam por qualquer exame lógico, e as “refutações” que eles fazem dos argumentos teístas geralmente são feitas em cima de versões deturpadas destes argumentos. Um dos exemplos mais notórios é a tentativa de Bertrand Russell refutar as cinco vias de Tomás de Aquino. Russell cometeu a fraude de substituir a expressão “a que chamamos de Deus” por “é Deus”, para então, com erística, simular uma refutação. Que jamais ocorreu, diga-se de passagem. Para piorar, mesmo alegando motivações racionais, os ateus militantes partem da conclusão apriorística da inexistência de Deus, e a consequente tentativa de atribuir causas para QUALQUER OUTRA COISA a não ser Deus torna os argumentos quase infantis. Decerto que nem todos os argumentos a favor da existência de Deus são válidos ou são comprovação da existência de Deus (na verdade, basicamente mostram que acreditar em Deus é mais racional do que não acreditar), mas dificilmente seriam piores que os argumentos ateus para a inexistência de Deus.

Mito 8 – A religião é a raiz do mal, o ateísmo é a raiz do bem

Para o ateísmo militante, quase toda a violência do mundo tem uma causa só: a religião. Segundo eles, quase todas as guerras surgem por motivações religiosas. E os homens bomba? Para eles, são simplesmente causados pela motivação de encontrar 72 virgens no paraíso. Tal discurso é propalado ad nauseam por todos os principais autores neo-ateus. Sob investigação, no entanto, na quase totalidade dos casos a alegação neo-ateísta é completamente refutada. Por exemplo: no caso dos homens bomba, eles não explicam por que existem tão poucos atentados com homens bomba no mundo, mesmo que o número de islâmicos chegue quase a um bilhão e meio. Ué, será que as 72 virgens motivam tão poucas pessoas a se explodirem? Mas e os Tamil Tigers, do Sri Lanka, que inventaram os atentados com homens bomba e eram marxistas/leninistas? E por que eles “inflam” os crimes da Inquisição? Da mesma forma, eles escondem os crimes cometidos pelos governos da Rússia e da China. Geralmente a desculpa é “se ateus mataram, é por outro motivo, mas não o ateísmo – se religiosos mataram, é por causa da religião”. O fato é que sob investigação esse é mais um mito demolido. A propagação deste mito por neo-ateus é basicamente uma estratégia de chantagem emocional, aliás.

Mito 9 – Nos duelos, os religiosos devem ser mansos (virarem a outra face)

Esse é um dos mitos que alguns ateus parecem acreditar, e vários blogs (incluindo este) e autores recentes tratam de refutar. Entre esses autores, encontram-se William Lane Craig, Dinesh D’Souza e Alister McGrath – embora eu ache que todos os 3 são educadinhos demais, eu acho que o dobro ou o triplo de energia é o mínimo aceitável para adentrar duelos com ateus. Mesmo que o movimento de retaliação teísta contra as extensivas ofensas proferidas pelos ateus seja recente, já é um fato de que a idéia de que cristãos deveriam “virar a outra face” não passa de uma interpretação errada da Bíblia. O “virar a outra face” jamais significou que um religioso deveria suportar difamações calado. Da mesma forma, tal metáfora bíblica jamais significou que respostas enérgicas não pudessem ser fornecidas. A função central deste blog é esmagar, diariamente, todos os mitos citados. Mas o mito mais demolido aqui é realmente o mito 9. Os religiosos não só podem, como DEVEM, argumentar com energia, vigor, ceticismo, lógica, raciocínio de auditor e perspectiva de investigação de fraudes. É justamente aí que o castelo de cartas neo ateísta começa a desabar.

Padre fala de colonialismo cultural

[A Agência Zenit publicou uma ótima entrevista ontem com o Padre Pedro María Reyes, editor de um site promotor da liberdade religiosa. Ele afirma que infelizmente o cristianismo vem sendo massacrado seja pelo secularismo exacerbado que é visto em todos os lugares do mundo, seja pela repressão religiosa escancarada, que persegue e mata pessoas com mentalidade diferente. Chega a falar até mesmo de um “colonialismo cultural” que vem sendo pouco a pouco implantado na sociedade moderna. Abaixo alguns excertos da entrevista. Boa leitura!]

 

“Liberdade religiosa retrocede no Ocidente (II)”

Padre Pedro Reyes

Fonte: Agência Zenit

Em um primeiro momento, devem ser citados os atentados violentos à liberdade religiosa. Nos países de tradição muçulmana, a liberdade religiosa está ausente em muitos âmbitos. A Arábia Saudita é o exemplo mais lacerante, porque está proibindo o culto não-muçulmano, inclusive em privado e na intimidade do lar. Quem tiver uma cruz em sua casa, arrisca-se a graves penas. Não é um problema pequeno: algumas fontes calculam que há cerca de 1 milhão de cristãos residentes naquele país, sobretudo filipinos e outros imigrantes asiáticos e da Europa Oriental.

Em quase todos os demais países muçulmanos, por pressão de grupos islâmicos radicais, estão sendo aprovadas leis muito restritivas da liberdade religiosa. No Paquistão, existem leis antiblasfêmia que deixam os cristãos indefesos diante de qualquer acusação; na Argélia e no Egito, existem leis anticonversão; no Iraque, estão sendo expulsos do país; em Marrocos, expulsaram um grupo de cristãos evangélicos pelo delito de “proselitismo religioso” etc.

Na Índia, os não-hindus cada vez têm mais dificuldade de desenvolver-se. Vários Estados aprovaram leis anticonversão e – o que é mais grave –, no verão de 2008, grupos hindus radicais lançaram uma violenta perseguição contra os cristãos no Estado de Orissa, que deixou mais de 500 mortos, segundo algumas fontes. É chamativo que estes fatos quase não sejam divulgados na mídia ocidental.

Na China, existe atualmente uma Igreja das catacumbas, que é a Igreja Católica fiel a Roma, que não aceita os bispos impostos pelo regime. Além disso, é conhecido que nesse país os budistas do Tibet têm a liberdade de culto muito restrita.

Há outro âmbito em que se assistiu a um retrocesso na liberdade religiosa e é nos países ocidentais. Como já foi indicado, neles está se difundindo certa mentalidade laicista que é contrária à liberdade religiosa.

Não me refiro ao laicismo sadio que propugna a separação da Igreja e do Estado sem mútuas ingerências e com relação às suas respectivas funções na sociedade, o que me parece elogiável. Como disse Bento XVI, “é fundamental, por um lado, insistir sobre a distinção entre o âmbito político e o religioso, para tutelar quer a liberdade religiosa dos cidadãos quer a responsabilidade do Estado em relação a eles, e, por outro, conscientizar-se mais claramente da função insubstituível da religião na formação das consciências e da contribuição que a mesma pode dar, juntamente com outras instâncias, para a criação de um consenso ético fundamental na sociedade” (Bento XVI, Discurso diante das autoridades do Estado no Palácio Eliseu em Paris, 14 de setembro de 2008).

O laicismo radical, que é contrário à liberdade religiosa, pretende reduzir a fé religiosa ao âmbito privado, como se a fé não tivesse manifestações externas. Nos países ocidentais, vemos exemplos desse laicismo todos os dias; por exemplo, quando se critica os bispos porque dão orientações aos católicos sobre leis do aborto ou de casamentos homossexuais (como se houvesse leis que proibissem os bispos, e somente eles, de opinar sobre as leis), ou quando se pede aos cidadãos ou aos deputados que votem com independência de suas crenças.

Segundo o Papa, “não se pode limitar a plena garantia da liberdade religiosa ao livre exercício do culto, mas é preciso levar em consideração a dimensão pública da religião e, portanto, a possibilidade de que os crentes contribuam para a construção da ordem social” (Bento XVI, Discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, 18 de abril de 2008).

(…)

Na América Latina se desenvolvem tendências intelectuais procedentes de outros continentes, sobretudo da Europa Ocidental. Em termos gerais, o laicismo da América Latina pretende expulsar a Igreja Católica do âmbito público, como no resto do mundo. No entanto, em cada país tem seus matizes, consequência da peculiar história de cada nação. Não é o mesmo laicismo do Uruguai – que funde raízes na fundação da República – o da Costa Rica, que proclama a religião católica como oficial no artigo 75 da Constituição.

O laicismo da América Latina também tem fontes próprias derivadas do indigenismo. Cada vez se aprecia mais o legado cultural dos povos originários da América, e por isso se tende a rechaçar qualquer intervenção cultural vinda de culturas exteriores, particularmente das nações colonizadoras. Os indigenistas mais radicais incluem entre elas o legado da evangelização.

Surpreende que os mesmos grupos que rechaçam a Igreja Católica por não pertencer ao legado dos povos históricos aceitem sem nenhum espírito crítico os valores que agora se difundem desde a Europa como a anticoncepção, o aborto, etc., apesar de que com estas doutrinas está-se produzindo uma autêntica colonização cultural.

Padre Pedro Reyes

Liberdade religiosa retrocede no Ocidente (II)”, Zenit.