A Santíssima Trindade e alguns pontos de fé

“Ao pensarmos na Trindade Santíssima, temos que estar em guarda contra um erro: não podemos pensar em Deus Pai como aquele que ‘vem primeiro’, em Deus Filho como aquele que vem depois, e em Deus Espírito Santo como aquele que vem ainda um pouco mais tarde. Os três são igualmente eternos porque possuem a mesma natureza divina; o Verbo de Deus e o Amor de Deus são tão sem tempo como a Natureza de Deus. E Deus Filho e Deus Espírito Santo não estão subordinados ao Pai de modo algum; nenhuma das Pessoas é mais poderosa, mais sábia, maior que as demais. As três têm igual perfeição infinita, igualmente baseada na única natureza divina que as três possuem.”

“Não obstante, atribuímos a cada Pessoa divina certas obras, certas atividades que parecem mais apropriadas à particular relação desta ou daquela Pessoa divina. Por exemplo, atribuímos a Deus Pai a obra da criação, já que pensamos nEle como o ‘gerador’, o instigador, o motor de todas as coisas, a sede do infinito poder que Deus possui.”

“Do mesmo modo, como Deus Filho é o Conhecimento ou a Sabedoria do Pai, atribuímos-lhe as obras de sabedoria; foi Ele que veio à terra para nos dar a conhecer a verdade e transpor o abismo entre Deus e o homem.”

“Finalmente, sendo o Espírito Santo o amor infinito, apropriamos-lhe as obras de amor, especialmente a santificação das almas, que resulta da habitação do Amor de Deus em nossa alma.”

“Deus Pai é o Criador, Deus Filho é o Redentor, Deus Espírito Santo é o Santificador. E, não obstante, o que Um faz, Todos os fazem; onde Um está, estão os Três.”

“Este é o mistério da Trindade Santíssima: a infinita variedade na unidade absoluta, cuja beleza nos inundará no céu.”

- Padre Leo Trese, A Fé Explicada;
edição em PDF, pg. 12

“E Ele lhes era submisso” – São Bernardo

Indicação: Erguei-vos, Senhor
Fonte: São Pio V

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http://www.radiozfm.org/portalz/images/stories/noticias/sagrada_familia.jpg“E Ele lhes era submisso”. Quem era submisso a quem? Deus ao homem! Deus, repito-o, a Quem os Anjos são submissos, Que os Principados e Potestades obedecem, era submisso a Maria, e não somente a Maria, mas a José também, por causa de Maria. Maravilhemo-nos, pois, com os dois, e escolhamos o que maravilha mais: se é a benigníssima condescendência do Filho, ou a excelentíssima dignidade da Sua Mãe. Ambas nos estupefazem, e ambas são milagres. Que Deus obedeça uma mulher, é humildade ímpar; que uma mulher reja Deus, uma elevação incomparável. Em louvor às virgens, canta-se, particularmente, que seguem o Cordeiro por onde quer que Ele vá. De que louvor, portanto, é digna Aquela que até vai diante d’Ele?

Aprende, ó homem, a obedeceres! Aprende, ó terra, a te submeteres! Aprende, ó pó, a seres submisso! O Evangelista, falando de teu Criador, disse: “E Ele lhes era submisso”. E não há dúvida de que isso nos evidencia que Deus era submisso a Maria e José. Que vergonha para ti, ó ser de pó e cinzas! Deus Se abaixou, e tu, ó criatura tirada da terra, te exaltas? Deus Se submeteu ao homem, e tu, sempre tão ávido por te fazer senhor dos homens, ousas desmandar teu próprio Criador? Porque todas as vezes que Eu desejo preeminência sobre os homem, me esforço para superar Deus. Porque d’Ele foi dito: “Ele lhes era submisso”. Se tu desdenhas, ó homem, seguir o exemplo do homem, pelo menos poder seguir o exemplo do teu Criador sem desonra. Se, por acaso, não podes segui-l’O onde quer que Ele vá, digna-te, ao menos, segui-l’O nesse ponto no qual Ele Se rebaixou, desprezando a própria reputação pelo bem daqueles como tu.

Se não podes entrar para os caminhos sublimes da virgindade, ao menos segue Deus pela estrada seguríssima da humildade. Quem se desvia desse caminho reto, mesmo que seja virgem, a verdade seja dita, não segue o Cordeiro por onde quer que Ele vá. O homem humilde, mesmo que manchado de pecado, segue o Cordeiro; a virgem, se é orgulhosa, também segue; mas nenhum dos dois O segue por onde quer que Ele vá. O primeiro não pode atingir a pureza do Cordeiro, porque Ele é sem mancha; a última não se digna descer à Sua mansidão, que cala não diante do tosquiador, mas fica mudo diante do próprio assassino. Ainda assim, o pecador que segue em humildade escolheu um caminho mais salvífico do que o homem orgulhoso que segue em virgindade; porque o humilde presta satisfação, e é limpo de sua impureza, mas a castidade do orgulhoso é manchada pela sua soberba.

São Bernardo, abade
Homilia 1 supra Missus est, n. 7-8

Eucaristia: presença de Cristo, sacrifício da Cruz e memorial da Paixão

http://www.diocese-porto.pt/imagens/eucaristia_.jpg“Existe também hoje o perigo de reduzir o realismo eucarístico, isto é, de considerar a Eucaristia quase como apenas um rito de comunhão, de socialização, esquecendo com muita facilidade que na Eucaristia está realmente presente Cristo ressuscitado – com o seu corpo ressuscitado – o qual se entrega às nossas mãos para nos tirar de nós mesmos, incorporando-nos no seu corpo imortal e para nos guiar assim para a vida nova. Este grande mistério que o Senhor está presente em toda a sua realidade nas Espécies eucarísticas é um mistério que se deve adorar e amar sempre de novo! Gostaria de citar aqui as palavras do Catecismo da Igreja Católica que têm em si o fruto da meditação da fé e da reflexão teológica de dois mil anos: ‘O modo da presença de Cristo sob as Espécies eucarísticas é único… No santíssimo sacramento da Eucaristia estão contidos verdadeira, real e substancialmente, o Corpo e o Sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo total: Deus e homem’ (n. 1374).”

(Papa Bento XVI, Audiência Geral, 9 de dezembro de 2009)

Há exatamente uma semana atrás o Papa ressaltava, na Audiência Geral, a importância de se reafirmar o sacramento da Eucaristia como o magnânimo sinal da presença de Cristo na Igreja. N’Ela, diz o Sumo Pontífice, “está realmente presente Cristo ressuscitado”. A doutrina católica sempre afirmou essa realidade, contida na própria Escritura.

Esse Santíssimo Sacramento foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, na Última Ceia, quando Ele disse: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19). Com efeito, nessa frase estão contidos três preceitos de fé que a Igreja ensina aos cristãos: que a Eucaristia é presença real, sacrifício de Cristo e Memorial da Paixão. Presença, porque Jesus diz que É o seu Corpo; sacrifício, porque Jesus diz que “é dado por” eles; memorial, porque ele pede que os discípulos celebrem novamente esse ato sublime, para lembrar sua memória. Vamos nos ater a esse três pontos fundamentais da nossa fé no sacramento da Eucaristia.

Quando falamos da presença real de Nosso Senhor na Eucaristia, estamos falando realmente que, quando o padre pronuncia as palavras de consagração, todo a substância do pão se transforma em Corpo de Cristo e toda a substância do vinho se torna Sangue de Jesus. É o que a Igreja chama de transubstanciação, a total conversão das substâncias do pão e do vinho. Se é um mistério belíssimo aproximar-se desse magnífico Sacramento, também é, justamente por esse motivo, uma responsabilidade terrível participar do Banquete Eucarístico. Aquilo que nos afasta da graça de Deus – o pecado – e nos impede de participar do Reino de Deus infelizmente também nos afasta de comungarmos do Corpo de Nosso Senhor. O Magistério da Igreja Católica é bem claro quanto a esse importante ensinamento:

“Quem comungasse em pecado mortal, receberia a Jesus Cristo, mas não a sua graça; pelo contrário, cometeria sacrilégio e incorreria na sentença de condenação” (Catecismo de São Pio X, n. 630).

Ao falarmos do Sacrifício de Cristo estamos falando também da maneira como devemos nos comportar dentro de uma celebração eucarística e das graças que chegam até nós através da Missa. Se de fato na transubstanciação renova-se o sacrifício de Nosso Senhor no Calvário é bem verdade que devemos ir à igreja como se fôssemos ao Calvário. Padre Pio de Pietrelcina, quando questionado da maneira como devemos assistir à Missa, respondeu: “[Devemos assistir à Santa Missa] como assistiram a Santíssima Virgem e as piedosas mulheres. Como assistiu S. João Evangelista ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício cruento da Cruz.”

Isso implica uma responsabilidade muito grande também em nosso vestuário. É preciso exercitar, no nosso modo de vestir, a modéstia da qual o Catecismo da Igreja tanto fala. Também é preciso, dentro da celebração, esforçar-se o máximo para não se distrair e pensar que se estaria perdendo um momento de graça inestimável ao deixarmos de prestar atenção nas palavras do sacerdote. Com efeito, a Santa Missa oferece a Deus um sacrifício grandioso, incomparável. Oferece-se a Deus o Santo Sacrifício da Missa para honrá-Lo como convém, para lhe dar graças pelos seus benefícios, para aplacá-Lo, dar-Lhe a devida satisfação pelos nossos pecados, para sufragar as almas do Purgatório e para alcançar todas as graças que nos são necessárias (cf. Catecismo de São Pio X, n. 657).

Falar do Memorial de Nosso Senhor significa falar da constante fidelidade que encontramos do Magistério da Igreja às palavras de Cristo e, assim, uma confirmação da autenticidade religiosa da Santa Sé. Com efeito, a Igreja Católica é a única entre todas as comunidades cristãs a obedecerem à ordem de Jesus: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19). Algumas religiões podem até tentar imitar o ato sublime da Santa Missa. Mas para eles não há Eucaristia (presença real), senão um mero simbolismo. Assim, por meio da Eucaristia, é possível afirmar com toda a Igreja que Ela de fato é una, santa e apostólica.

Por trás do Mistério Eucarístico está presente um inestimável tesouro de riquezas espirituais para todos nós, cristãos. Ele é o Sacramento mais importante da Igreja, “fonte e ápice da vida cristã”. Que a Santíssima Virgem Maria, Mãe da Eucaristia, nos ajude sempre a compreendermos as delícias que estão escondidas por trás das espécies do pão e do vinho. Participemos dessa venerável Banquete, Banquete esse que nos conduz à vida eterna (cf. Jo 6, 53).

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!