“Existe também hoje o perigo de reduzir o realismo eucarístico, isto é, de considerar a Eucaristia quase como apenas um rito de comunhão, de socialização, esquecendo com muita facilidade que na Eucaristia está realmente presente Cristo ressuscitado – com o seu corpo ressuscitado – o qual se entrega às nossas mãos para nos tirar de nós mesmos, incorporando-nos no seu corpo imortal e para nos guiar assim para a vida nova. Este grande mistério que o Senhor está presente em toda a sua realidade nas Espécies eucarísticas é um mistério que se deve adorar e amar sempre de novo! Gostaria de citar aqui as palavras do Catecismo da Igreja Católica que têm em si o fruto da meditação da fé e da reflexão teológica de dois mil anos: ‘O modo da presença de Cristo sob as Espécies eucarísticas é único… No santíssimo sacramento da Eucaristia estão contidos verdadeira, real e substancialmente, o Corpo e o Sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo total: Deus e homem’ (n. 1374).”
(Papa Bento XVI, Audiência Geral, 9 de dezembro de 2009)
Há exatamente uma semana atrás o Papa ressaltava, na Audiência Geral, a importância de se reafirmar o sacramento da Eucaristia como o magnânimo sinal da presença de Cristo na Igreja. N’Ela, diz o Sumo Pontífice, “está realmente presente Cristo ressuscitado”. A doutrina católica sempre afirmou essa realidade, contida na própria Escritura.
Esse Santíssimo Sacramento foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, na Última Ceia, quando Ele disse: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19). Com efeito, nessa frase estão contidos três preceitos de fé que a Igreja ensina aos cristãos: que a Eucaristia é presença real, sacrifício de Cristo e Memorial da Paixão. Presença, porque Jesus diz que É o seu Corpo; sacrifício, porque Jesus diz que “é dado por” eles; memorial, porque ele pede que os discípulos celebrem novamente esse ato sublime, para lembrar sua memória. Vamos nos ater a esse três pontos fundamentais da nossa fé no sacramento da Eucaristia.
Quando falamos da presença real de Nosso Senhor na Eucaristia, estamos falando realmente que, quando o padre pronuncia as palavras de consagração, todo a substância do pão se transforma em Corpo de Cristo e toda a substância do vinho se torna Sangue de Jesus. É o que a Igreja chama de transubstanciação, a total conversão das substâncias do pão e do vinho. Se é um mistério belíssimo aproximar-se desse magnífico Sacramento, também é, justamente por esse motivo, uma responsabilidade terrível participar do Banquete Eucarístico. Aquilo que nos afasta da graça de Deus – o pecado – e nos impede de participar do Reino de Deus infelizmente também nos afasta de comungarmos do Corpo de Nosso Senhor. O Magistério da Igreja Católica é bem claro quanto a esse importante ensinamento:
“Quem comungasse em pecado mortal, receberia a Jesus Cristo, mas não a sua graça; pelo contrário, cometeria sacrilégio e incorreria na sentença de condenação” (Catecismo de São Pio X, n. 630).
Ao falarmos do Sacrifício de Cristo estamos falando também da maneira como devemos nos comportar dentro de uma celebração eucarística e das graças que chegam até nós através da Missa. Se de fato na transubstanciação renova-se o sacrifício de Nosso Senhor no Calvário é bem verdade que devemos ir à igreja como se fôssemos ao Calvário. Padre Pio de Pietrelcina, quando questionado da maneira como devemos assistir à Missa, respondeu: “[Devemos assistir à Santa Missa] como assistiram a Santíssima Virgem e as piedosas mulheres. Como assistiu S. João Evangelista ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício cruento da Cruz.”
Isso implica uma responsabilidade muito grande também em nosso vestuário. É preciso exercitar, no nosso modo de vestir, a modéstia da qual o Catecismo da Igreja tanto fala. Também é preciso, dentro da celebração, esforçar-se o máximo para não se distrair e pensar que se estaria perdendo um momento de graça inestimável ao deixarmos de prestar atenção nas palavras do sacerdote. Com efeito, a Santa Missa oferece a Deus um sacrifício grandioso, incomparável. Oferece-se a Deus o Santo Sacrifício da Missa para honrá-Lo como convém, para lhe dar graças pelos seus benefícios, para aplacá-Lo, dar-Lhe a devida satisfação pelos nossos pecados, para sufragar as almas do Purgatório e para alcançar todas as graças que nos são necessárias (cf. Catecismo de São Pio X, n. 657).
Falar do Memorial de Nosso Senhor significa falar da constante fidelidade que encontramos do Magistério da Igreja às palavras de Cristo e, assim, uma confirmação da autenticidade religiosa da Santa Sé. Com efeito, a Igreja Católica é a única entre todas as comunidades cristãs a obedecerem à ordem de Jesus: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19). Algumas religiões podem até tentar imitar o ato sublime da Santa Missa. Mas para eles não há Eucaristia (presença real), senão um mero simbolismo. Assim, por meio da Eucaristia, é possível afirmar com toda a Igreja que Ela de fato é una, santa e apostólica.
Por trás do Mistério Eucarístico está presente um inestimável tesouro de riquezas espirituais para todos nós, cristãos. Ele é o Sacramento mais importante da Igreja, “fonte e ápice da vida cristã”. Que a Santíssima Virgem Maria, Mãe da Eucaristia, nos ajude sempre a compreendermos as delícias que estão escondidas por trás das espécies do pão e do vinho. Participemos dessa venerável Banquete, Banquete esse que nos conduz à vida eterna (cf. Jo 6, 53).
Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!
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