O Supremo e o aborto – algumas notas breves

Semana passada a Suprema Corte de nosso país assumiu o poder de legislar e descriminalizou o aborto de fetos anencéfalos. A repercussão do fato foi tamanha que o famoso jurista brasileiro, Ives Gandra Martins, escreveu um excelente artigo, questionando justamente esta confusão de funções que vem sendo observada na relação entre os três poderes – e, de modo especial, o Legislativo e o Judiciário – em nosso país. “Ora, se a Constituição Federal fala em independência e harmonia entre os poderes da República (…) – observa o jurista –, não poderia autorizar a Suprema Corte a revestir-se de funções legislativas para produzir normas (…) autorizando o aborto por anencefalia dos nascituros. Apesar de faltar competência normativa à Suprema Corte para a criação de uma terceira hipótese de aborto, data maxima venia, foi por ele criada, com ressalva aos brilhantes votos dos ministros Ricardo Lewandowski e Cezar Peluso.”

A conclusão do artigo se reveste de um verdadeiro apelo ao povo brasileiro: “O Congresso Nacional tem o poder de anular esta invasão de sua competência em legislar, por força do inciso XI do artigo 49, segundo o qual ‘é da competência exclusiva do Congresso Nacional (…) zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes’ (…), algo que poderá ainda fazer, dependendo da vontade política dos congressistas ou da pressão popular sobre o Parlamento”. Algumas pessoas, pouco interessadas com a votação da ADPF 54, perguntaram por que se preocupar tanto com o assunto, posto que “não poderíamos sequer exercer alguma influência na decisão final”. Aqui está: podemos, sim, exercer uma grande influência no fim de todo este debate político. E – é Ives Gandra quem diz – a tomada de consciência do Parlamento depende sobretudo de nós, da “pressão popular”. Urge resistirmos.

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Ainda com relação à ADPF 54, um estagiário foi colocado para gerenciar a conta do Supremo no Facebook e infelizmente a coisa não funcionou muito bem. Isto porque o garoto ficou revoltado com a resposta negativa dos cristãos pró-vida em uma página do perfil do STF e decidiu “dar uma resposta” aos católicos (a postagem já foi apagada, mas a galera do Apostolado Tradição em Foco foi mais esperta e tirou um print screen). Clique na imagem para ampliar.

A resposta foi dada pelo perfil oficial do Supremo (!) – uma verdadeira afronta à fé da maioria da população brasileira. O desinformado responde à indignação dos pró-vida com uma argumentação ad hominem, típica de quem não é capaz de refutar os argumentos de outrem. Primeiro que esta certa instituição à qual se refere o senhor revoltadinho é a mesma que inventou a noção de caridade tal qual a conhecemos no Ocidente; é a mesma que trouxe das cinzas, em meio a um Império Romano barbarizado por práticas como aborto e infanticídio, a noção de dignidade da vida humana; é a mesma que deu à nossa civilização uma contribuição incomparável nas mais diversas áreas – economia, ciências, direito etc. -, estando inúmeras destas conquistas reunidas e comentadas no ótimo livro “Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental”, do historiador Thomas Woods Jr., Ph.D. pela Universidade de Columbia.

Quanto à tortura e execução de inocentes “em nome de seu Deus”, a história fala por si. Postei ainda hoje trecho do livro de um historiador, justamente sobre a ação da Inquisição na Idade Moderna. Na Inquisição espanhola, considerada por todos os estudiosos a mais violenta, a tortura – escreve Henry Kamen -, “era empregada só como último recurso e aplicada em muito poucos casos”. “O número proporcionalmente pequeno de execuções – afirma ainda o autor – constitui um argumento eficaz contra a lenda de um tribunal sedento de sangue.”

Pior do que a ação supostamente cruel e sanguinária dos inquisidores católicos medievais foi o resultado do materialismo político militante no século XX. O resultado devastador – várias cifras falam de mais de 10 milhões de mortes – é consequência de um projeto de humanidade do qual não fazia parte a figura de um Criador, ou de um Redentor, como Jesus Cristo. Era o resultado da ação de um Estado que, excluindo do cenário o papel de Deus, outorgava a si mesmo o poder de dar a vida e tirá-la – e aqui temos o exemplo virulento da eugenia nazista, dos gulags soviéticos e outras tantas aberrações inventadas pelos governos ateístas na 2ª Grande Guerra.

Para responder a este estagiário estúpido, bastam as palavras do ministro Gilmar Mendes, que ele proferiu em seu voto durante o julgamento da ADPF 54: “É preciso ter muito cuidado com esse tipo de delírio, de faniquitos anticlericais”.

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Por fim, a reação negativa dos bispos à palavra última do Supremo: Bispos criticam STF em assembleia da CNBB. Dom João Carlos Petrini, de Camaçari, Bahia, disse que “quem incomoda pode ser eliminado”. Dom Joaquim Mol Guimarães, de Belo Horizonte, Minas Gerais, afirmou que “o STF tomou para si a tarefa de legislar”. Antes mesmo da decisão da Suprema Corte, várias personagens eclesiásticas manifestaram seu descontentamento com o projeto da liberação do assassinato de anencéfalos. Apesar de uma ou outra autoridade episcopal tristemente se esquivar do dever de bradar contra a impiedade do aborto de anencéfalos, a maioria esmagadora mostrou coragem. E por isto agradecemos ao bom Deus.

Que nossos Pastores continuem firmes na defesa da vida humana, e que toda a Igreja permaneça em oração, a fim de que prevaleça, sobre o drama da morte, a vitória da vida.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

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Leia também: STF: escárnio da Pátria, vergonha do Brasil, no blog Deus lo Vult!.

Romaria dos Mártires, em Mato Grosso

Caminhada dos Mártires, na prelazia de São Félix do Araguaia (MT). Na foto, de pé, com estola vermelha, Dom Leonardo Ulrich Steiner, o mesmo que acolheu sorridente a Associação Patriótica Católica Chinesa; sentado, Dom Pedro Casaldáliga, o mesmo que pediu, em entrevista, há alguns dias, “uma revisão [da visão da Igreja a respeito] (…) da homossexualidade”.

Na notícia publicada no site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o relato de um martírio: “No decorrer da caminhada, muitos testemunhos foram partilhados, entre eles, a palavra carregada de significado, seivada pelo sangue do martírio do cacique Chicão Xukuru, e profetizada por aquela que foi sua companheira em vida, Zenilda Xukuru, que dizia: ‘o povo que nasceu pra lutar não vai morrer de braços cruzados’. Chicão foi assassinado em 20 de maio de 1998, na cidade de Pesqueira-PE, por lutar em defesa do território Xukuru. Seu sangue derramado não foi em vão, a luta continua, hoje, na pessoa de filho, o cacique Marcos Xucuru, afilhado de Casaldáliga.”

Uganda tem muito a ensinar aos católicos do Brasil

As imagens que seguem abaixo são resultado de uma associação lamentável. É aquela terrível teimosia, aquela triste insistência em achar possível unir as coisas de Deus com as coisas do mundo. É a desobediência ao conselho do apóstolo Tiago: “Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4, 4). É a corrupção infiltrando dentro de nossas próprias igrejas. É o escândalo que ofende a Cruz de Cristo e confunde as ovelhas.

http://beinbetter.files.wordpress.com/2010/12/camisinhas051.jpg?w=210&h=279

Camisinhas integram kit distribuído para os fiéis da Diocese de Goiás.

A notícia vem do estado de Goiás. É que, por ocasião do Dia Mundial de Combate à Síndrome da Imunodeficiência Humana (AIDS), a Diocese de Goiás decidiu distribuir kits com camisinhas (!) para os fiéis. Lê-se numa faixa na entrada da Catedral de Sant’Ana: “A AIDS está distante de mim, não faz parte do meu mundo e não me interessa. Será que isso é verdade? Será que isso não diz respeito a mim?” A foto que você pode acessar abaixo foi publicada no blog Exército Católico e editada, a fim de evidenciar o que estava escrito em um dos cartazes colocados no mural da igreja.

 

O ensino moral da Igreja em relação à contracepção é claro. Segundo João Paulo II, “[a contracepção] contradiz a verdade integral do ato sexual enquanto expressão própria do amor conjugal (…) [e] opõe-se à virtude da castidade matrimonial” (Evangelium Vitae, 13). Ora, a camisinha é um método anticonceptivo, e, portanto, está incluída nesta condenação moral do Magistério pontifício de João Paulo II. Logo, não há argumento que justifique a distribuição de preservativos e o incentivo do uso deste material por pessoas da própria Igreja Católica. A situação é escandalosa e a atitude irresponsável dos organizadores deste infame projeto é digna de severa repreensão.

Quanto à maneira pela qual os católicos devem combater a AIDS, o remédio proposto pela Igreja é justamente a castidade. E a experiência mostra que esta alternativa tem dado certo. Uganda, país localizado no continente africano, optou por uma campanha que incentivava a abstinência e a fidelidade matrimonial como métodos de combate ao vírus HIV. O resultado foi convencedor. Há 15 anos, cerca de 30% da população tinham o vírus; hoje, são 6,5%. É recomendada a leitura deste artigo de Fábio Zanini, da Folha de S. Paulo, no qual ele reconhece a eficácia da política adotada em Uganda para a prevenção do vírus da imunodeficiência humana.

Uganda tem muito a ensinar aos católicos do Brasil, especialmente a esses que, ignorando que a Igreja deve sobretudo salvar almas, distribuem material contraceptivo nas igrejas, ensinando os nossos jovens a banalizar a sexualidade, doação íntima vivida pelos esposos no sacramento do Matrimônio.

O novo Prefeito da Congregação para o Clero responde

Oferecemos abaixo nossa tradução do trecho de uma entrevista concedida pelo novo Prefeito da Congregação para o Clero, Dom Mauro Piacenza, ao jornal Avvenire, disponibilizada em italiano no link que segue. O cardeal responde quais serão os seus desafios à frente da Congregação e faz alguns apontamentos importantes com relação à crise de vocações sacerdotais e ao escândalo dos abusos sexuais cometidos por membros do clero.  O texto da entrevista foi traduzido para a língua espanhola pelo blog La Buhardilla de San Jerónimo.

http://www.arautos.org/resource/view?id=27851&size=2Com que o espírito o senhor guiará a Congregação para o Clero?

Espero que com o Espírito Santo! E tem-se a segurança de atuar no Espírito Santo se se está na comunhão verdadeira, leal e afetiva com o Papa. O serviço aos sacerdotes sempre animou, de modo particular, o meu ministério: desde jovem sentia como uma exigência de mim mesmo ser sacerdote. Estou muito contente, hoje, de poder oferecer a minha humilde colaboração ao Santo Padre no cuidado daqueles que são pupila oculi do Papa, indispensáveis colaboradores da Ordem episcopal para a missão da Igreja.

Quais são as principais linhas de ação que seguirá nesta tarefa?

A formação do clero, nas atuais circunstâncias, representa certamente uma prioridade à qual eu gostaria de colocar a justa atenção, tendo presente que a reforma da Igreja nasce quando dobramos os joelhos, nasce daquele espírito de oração que reconhece o primado absoluto de Deus na própria existência e na história. Disto brotam as conseqüências operativas.

O senhor seguiu bem de perto a concepção e a realização do Ano Sacerdotal. Que herança deixa este período vivido com base no exemplo da memória de São João Maria Vianney?

Certamente uma recentralização naquilo que, na vida do sacerdote, é essencial, superando os diversos “reducionismos secularizantes” que tem ocorrido nas últimas décadas. Olhar para São João Maria Vianney significa redescobrir o primado da Eucaristia, cotidianamente celebrada e adorada, da Confissão sacramental, recebida e oferecida, e da paciente escuta dos irmãos naquele importantíssimo serviço de guia das consciências na direção espiritual. Olhar para o Cura de Ars significa olhar para um sacerdote autêntico, que vive o Amor do Coração de Jesus, significa compreender o que se deve fazer para formar os sacerdotes para a eficácia do ministério pastoral.

Nos últimos anos, tem se dado uma grande ênfase no triste fenômeno dos abusos sexuais. De que maneira a Igreja pode viver e superar esta crise?

Com o esclarecimento da responsabilidade dos indivíduos, seguindo o exemplo do Papa Bento XVI; com o atento e devido cuidado pastoral com as vítimas; redescobrindo o grande valor da penitência e da reparação e, certamente, vivendo aquela fidelidade radical a Cristo, à Igreja e ao próprio estado de vida, que é capaz por si só de voltar a apresentar ao mundo a verdadeira figura do sacerdote.

De que modo se pode responder à crise de vocações que ameaça nossas comunidades?

Através da oração ao Senhor da messe, através do claro e humilde reconhecimento dos erros cometidos, através da fidelidade ao que somos e ao que devemos ser. As vocações – é um fato – florescem ali onde há radicalidade na fé, caridade evangélica, claridade de identidade e alegre entusiasmo. Os movimentos e as novas comunidades são exemplos neste sentido. O fato de ter se diluído, quase perdido, a identidade sacerdotal, que surge da configuração ontológica a Cristo Sacerdote, influenciou os jovens e fez com que eles perdessem toda forma de interesse pela especificidade da vocação sacerdotal. Não nos fazemos sacerdotes para ser “super-animadores” da comunidade, mas sim para ser no mundo a representação sacramental, portanto, real, de Jesus Cristo.

(…)

Contracepção – moralmente inaceitável

Mais uma vez, a mídia distorceu o que o Papa falou. As manchetes insistem na ideia de que Bento XVI teria feito uma defesa do uso dos preservativos. Na Folha está estampado: Papa Bento 16 defende uso da camisinha em casos de prostituição. No Estadão está escrito praticamente o mesmo. A notícia ainda foi veiculada em muitos outros sites de informações na internet, nos telejornais e nos informativos impressos. As recentes palavras do Papa sobre o assunto foram lançadas em um livro no qual ele é entrevistado pelo jornalista Peter Seewald. O título da obra é “Luz do Mundo – O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos”.

O que o Papa disse que deixou a mídia secular tão agitada? Abaixo transcrevemos o trecho da entrevista em que Ratzinger fala sobre a sexualidade e o uso de preservativos no combate ao vírus HIV.

http://www.paolorodari.com/wp-content/uploads/2010/11/seeward4.jpg“Efetivamente, acontece que, onde quer que alguém queira obter preservativos, eles existem. Só que isso, por si só, não resolve o assunto. Tem de se fazer mais. Desenvolveu-se entretanto, precisamente no domínio secular, a chamada teoria ABC, que defende “Abstinence – Be faithful – Condom” (“Abstinência – Fidelidade – Preservativo”), sendo que o preservativo só deve ser entendido como uma alternativa quando os outros dois não resultam. Ou seja, a mera fixação no preservativo significa uma banalização da sexualidade, e é precisamente esse o motivo perigoso pelo qual tantas pessoas já não encontram na sexualidade a expressão do seu amor, mas antes e apenas uma espécie de droga que administram a si próprias. É por isso que o combate contra a banalização da sexualidade também faz parte da luta para que ela seja valorizada positivamente e o seu efeito positivo se possa desenvolver no todo do ser pessoa.”

“Pode haver casos pontuais, justificados, como por exemplo a utilização do preservativo por um prostituto, em que a utilização do preservativo possa ser um primeiro passo para a moralização, uma primeira parcela de responsabilidade para voltar a desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. Não é, contudo, a forma apropriada para controlar o mal causado pela infecção por VIH/HIV. Essa tem, realmente, de residir na humanização da sexualidade.”

(…)

“É evidente que ela não a considera uma solução verdadeira e moral. Num ou noutro caso, embora seja utilizado para diminuir o risco de contágio, o preservativo pode ser um primeiro passo na direção de uma sexualidade vivida de outro modo, mais humana.”

- Bento XVI, Luz do Mundo – O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos
via Fratres in Unum

O que foi veiculado pela imprensa está em desacordo com a verdade dos fatos, já que o Papa não defende o uso de preservativos em casos de prostituição. Ele apenas afirma que quando um prostituto reconhece a necessidade de se prevenir o vírus da AIDS, quando ele percebe a existência de limites numa relação sexual, esta percepção, este reconhecimento, pode vir a apontar, adiante, para uma maior conscientização acerca do real valor da sexualidade. Por outro lado, o Papa continua considerando o uso do preservativo uma forma inapropriada para se combater o HIV. E por quê? Porque a ideia da abstinência e da fidelidade, da qual Bento XVI fala, se apresentou – e continua sendo – muito mais eficiente para o combate da doença, além de que a camisinha desvirtua o ato sexual, fechando-o à transmissão da vida.

Então, o ensino da Igreja acerca da contracepção não mudou. Até porque o bispo de Roma não se pronuncia “no desempenho do ministério de pastor e doutor de todos os cristãos” em livros de entrevistas. A Peter Seewald falou o teólogo Ratzinger, e não o Papa Bento XVI exercendo sua “suprema autoridade apostólica”. E mesmo que admitíssemos coisa do tipo, ali o Santo Padre não defendeu que fosse moralmente aceitável o uso de contraceptivos, mesmo que fosse para combater a AIDS.

A doutrina moral da Igreja insiste: “É moralmente inaceitável que, para regular a natalidade, se encoraje ou até imponha o uso de meios como a contracepção, a esterilização e o aborto” (Evangelium Vitae, n. 91), porquanto “a Igreja ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida” (Humanae Vitae, 11).

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Um cristão que não luta é um mau cristão ou Coragem e credibilidade de mãos dadas

http://www.cancaonova.com/portal/arquivos/fotos/2009/janeiro/18_eventos_006.jpg“A palavra ‘mundo’ às vezes é usada de forma positiva, às vezes é usada de forma negativa. Então, qual é o relacionamento do cristão com o mundo? Para nós entendermos isto, é importante darmos um passo atrás na sinceridade e entendermos uma coisa: mundo, seja ele positivo, seja ele negativo; seja o conceito positivo de mundo criado por Deus, seja o conceito negativo de mundo, aquele que o homem criou e que rejeita Deus, o mundo, antes de estar lá fora, está dentro de nós. Isso quer dizer o seguinte: se nós queremos nos relacionar com o mundo, com as pessoas que estão fora, se nós queremos evangelizar esta sociedade, se nós queremos fazer diferença, se nós queremos ser sal da terra, luz do mundo, nós precisamos entender que existe mundo dentro de nós. (…) Quando nós falamos de cristãos e de mundo, não estamos falando de dois grupos de pessoas, onde a gente põe de um lado os bonzinhos, os cristãos santinhos, e do outro lado os mauzinhos, os malvados, o pessoal das trevas. Nós estamos falando de uma divisão que está dentro de nós. Nós não somos gente. Nós somos um campo de batalha.

“Dentro de mim existe o que há de mais santo porque nós somos batizados. (…) Isso quer dizer que o Santíssimo Deus está em nosso coração; nós somos templo do Espírito Santo. Nós somos lugar da morada do Altíssimo. Dentro de nós existe o mais santo, o mais sublime. Só que dentro de nós também tem muita cafajestagem, muita sem-vergonhice. (…) Se você não é a Virgem Maria e se você não é nosso Senhor Jesus Cristo, então você não é imaculado. Imaculados são eles dois. Nós não somos imaculados. Nós temos o pecado original, portanto, temos miséria dentro de nós. Isto significa que existe batalha dentro de nós.”

“Acontece, no entanto, o seguinte: o Inimigo – estamos falando de Satanás e dos seus anjos, dos demônios – e os inimigos – agora falamos da cultura, das instituições e das pessoas que trabalham contra o Cristianismo – conseguiram, nas ultimas quatro décadas, colocar no coração dos cristãos uma ideia miserável chamada ‘pacifismo’, que é a paz custe o que custar; não seria atitude cristã lutar, fazer guerra, reagir. O cristão teria que ser pacífico. Ou seja, eles conseguiram colocar no nosso coração que nós temos que ser otários; que nós temos que apanhar e ficar quietos. Mas, não, meus queridos! Ser cristão é ser soldado, é ser guerreiro, é lutar. E se você não luta, se você não é guerreiro, se você não é soldado, você não é um bom cristão, você não é nada.”

- Padre Paulo Ricardo
Trecho do podcast Parresía, 17 de novembro de 2010

Disse Jesus que veio ao mundo trazer não a paz, mas a espada (cf. Mt 10, 34). Esta nossa vida que desfrutamos como simples peregrinos deve ser para nós como uma grande batalha. E são as próprias Escrituras que nos exortam a sermos soldados. “Revesti-vos da armadura de Deus” (Ef 6, 11), diz São Paulo aos cristãos em Éfeso. “Não são carnais as armas com que lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações” (2 Cor 10, 4), alude o mesmo apóstolo aos corintos, deixando clara a existência de uma guerra travada entre o cristão e o mundo. E, aos romanos, Paulo especifica ainda mais onde se dá esta luta: “Assim, pois, de um lado, pelo meu espírito, sou submisso à lei de Deus; de outro lado, por minha carne, sou escravo da lei do pecado” (Rm 7, 26).

A vida do cristão deve ser, então, uma tomada de decisão, um compromisso. A partir do seu Batismo, é preciso que ele ame a Deus com todas as suas forças e acima de todas as coisas. Da mesma forma, é necessário que Ele rejeite, de todo o seu coração, aquilo que contraria a vontade de Deus e os seus mandamentos. Não há verdadeiro amor pelo Bem sem real ódio pelo mal, sem real inconformidade com o pecado. Reafirmar todas estas verdades é dar um golpe fatal na falsa ideia de que os cristãos deveriam ser pacifistas, idealizadores de uma paz absoluta e total. De maneira alguma podemos aceitar tal absurdo, porquanto Cristo, consumido pelo zelo pela casa de Seu Pai, não permitiu que ela fosse transformada em casa de comércio. De modo algum nos calaremos e seremos pacíficos enquanto crianças continuarem sendo deliberadamente mortas no ventre de suas próprias mães, enquanto injustiças forem defendidas por instituições, organizações e pessoas como direitos humanos.

A Igreja colhe os frutos de seu trabalho

Com efeito, o maior país católico do Brasil brinda os bons bispos de nosso país com uma demonstração de solidariedade para com a luta da Igreja contra a implantação da cultura de morte em nossa nação. Conforme reportou Wagner Moura, o Índice de Confiança na Justiça revelou um aumento de confiança da população na Igreja Católica. Segundo a coordenadora da pesquisa, Luciana Gross Cunha, “é evidente que é o ataque ao aborto [durante as eleições] o motivo principal do aumento significativo da confiança na Igreja”. De 7ª instituição mais confiável no segundo trimestre deste ano, a Igreja passou para a segunda posição nos últimos meses, ficando atrás apenas das Forças Armadas.

Resta-nos parabenizar os bispos brasileiros que, de alguma forma, contribuíram para mostrar o Amor de Deus, indignado com a injustiça e com a opressão que representa a prática do aborto. Não, o povo brasileiro não quer uma fé politicamente correta. O que os cristãos desta Terra de Santa Cruz desejam é ver a fortaleza brilhar nos pronunciamentos de seus pastores, é ver resplandecer a aberta denúncia às obras das trevas nas homilias dos sacerdotes do Altíssimo! Enquanto tantos pedem paz sem muitas vezes conhecer o seu verdadeiro significado, os cristãos fazem guerra… ao mal, à injustiça, à morte, à falta de fé.

Que Nossa Senhora da Conceição Aparecida nos fortaleça no combate. E que nossa nação não pereça perante o flagelo do comunismo e a maldição do aborto.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Quanta coisa nossa época precisa aprender dos Santos!

Recentemente a blogosfera católica se inquietou com mais uma ocorrência lastimável de abuso litúrgico. A paróquia da vez é brasileira e está situada na cidade de Maringá, no sul do país. O vídeo abaixo, que faz um resumo da situação, alude a uma missa pré-balada, celebrada de maneira dita “jovem”.

Poucos comentários precisariam ser feitos. O Jorge Ferraz já trouxe considerações oportunas sobre o que aconteceu e transcreveu inclusive um trecho importantíssimo da instrução Redemptionis Sacramentum: “O Mistério da Eucaristia é demasiado grande para que alguém possa permitir tratá-lo ao seu arbítrio pessoal, pois não respeitaria nem seu caráter sagrado, nem sua dimensão universal” (n. 11). O documento é de 2004 mas sua exortação é, de fato, muito atual. Assaz adequada para a ocasião é também a observação de São Leonardo de Porto-Maurício: “Lemos no Antigo Testamento que, quando os israelitas ofereciam seus sacrifícios, nos que somente se imolavam touros, cordeiros e outros animais, admirava ver a atenção, o silêncio e veneração com que assistiam àquelas solenidades. Mesmo que o número de assistentes fosse imenso e os ministros e sacrificadores chegassem a setecentos, parecia, no entanto, que o templo estava vazio, tanto era o cuidado com que cada um procurava não fazer o menor ruído. Pois bem; se tanta era a veneração com que se celebravam esses sacrifícios que, no fim, não eram mais que uma sombra, uma simples imagem do nosso, com que respeito, com que devoção e silêncio não devemos assistir à celebração da Santa Missa, onde o Cordeiro sem mancha, o Verbo Divino se imola por todos nós?

Respeito, devoção, silêncio… Quanta coisa nossa época precisa aprender dos Santos! Os tempos mudaram, mas os remédios para os velhos males que buscam afetar nossa alma são os mesmos. E trazer a agitação deste mundo tão conturbado para dentro de nossas igrejas certamente não é a melhor forma de demonstrar a riqueza de nossa fé ou o respeito às prescrições litúrgicas. Seria realmente interessante se os jovens ouvissem o apelo do Papa, dos santos, do próprio Cristo, portanto. Que o Sacrifício no qual o Verbo é imolado por todos nós seja celebrado com piedade, com respeito. E que o conselho de São Pio de Pietrelcina – que assistamos à Santa Missa como assistiram Maria Santíssima e São João às dores de Cristo no Calvário – seja atendido pela juventude de nosso tempo.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Crueldade na China

E a política chinesa de apenas um filho continua gerando revolta. O controle populacional na China é feito à custa de muito sangue, sangue de crianças inocentes, vítimas de uma medida intolerante, cruel, desumana, absurda.

Quem testemunha os horrores dessa política terrível é um pai chinês que teve o seu filho de 8 meses abortado. “Eles me disseram que a política de um filho só significava que tínhamos de abortar o bebê. Protestei. O bebê tinha oitos meses. Isso é um ser vivo. Não dá para se livrar de uma vida”. A notícia foi publicada no site Notícias Pró-Família e o vídeo do testemunho de Luo Yanqua – com legendas em inglês – pode ser visto abaixo.

O site da Arquidiocese de Campinas disponibiliza um ótimo texto sobre o aborto e as eleições presidenciais. “A concepção de que o direito de abortar decorre do direito da mulher ao próprio corpo na esfera do direito de autonomia reprodutiva está ultrapassado. Penso que o direito de escolha do casal, como expressão da sua liberdade, acontece em momento anterior, quando o casal decide conceber ou não. Uma vez gerada a vida, ela não pertence mais à mulher ou ao casal.” Não pertence mais à mulher, ao casal ou ao Estado. Assim, é claro que o planejamento familiar é importante, mas não se pode introduzir na sociedade, em nome da tentativa de controlar o crescimento de uma população, uma política assassina como é a política que aprova o aborto e outros atentados à vida humana.

“Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (Evangelium Vitae, n. 58). No Brasil, muitos políticos têm defendido a descriminalização do aborto, afirmando que são pessoalmente contra o aborto, mas têm que analisar a situação como questão de saúde pública. As mulheres que praticassem o aborto não deveriam ser punidas. O aborto não deveria ser mais um caso de polícia. O grande problema deste pensamento está na desconsideração da dignidade do ser humano presente no ventre materno. A criatura humana que mata seu semelhante está praticando um crime e deve ser punida. A mulher que mata seu filho, seja ele um embrião ou um recém-nascido, está praticando homicídio e não pode sair impune dessa situação.

O que acontece hoje na China é um alerta para todos os brasileiros, para que se comprometam com a defesa da vida e rejeitem a cultura de morte que está sendo lentamente implantada por veículos de comunicação e partidos políticos de nossa nação. Que Nossa Senhora da Conceição Aparecida livre o Brasil do flagelo do comunismo e da maldição do aborto.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Em defesa de Dom Luiz Bergonzini

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa(e), e o presidente da Conferência, Dom Geraldo Lyrio Rocha, concedem entrevista coletiva em Brasília para falar do Campanha da Fraternidade 2011O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Geraldo Lyrio Rocha, afirmou, hoje, em entrevista, que “acima do bispo, no governo da Igreja, só existe uma autoridade, o papa”. Ressaltou também que “a CNBB não é um organismo para interferir nas dioceses ou se for o caso repreender”. A notícia foi reportada pelo G1 e pelo Terra. “Na diocese, o bispo tem plena autonomia, ele tem o direito e até o dever de, de acordo com sua consciência, orientar seus fiéis do modo que julga mais eficaz, mais eficiente”, concluiu o presidente da CNBB. As declarações de Dom Geraldo surgem no contexto da recente apreensão de panfletos pró-vida impressos a mando do bispo da diocese de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini.

Na mesma entrevista, Dom Geraldo ainda explicou que a Igreja tem o direito de se posicionar no processo político. “Se Estado laico for entendido como um que não permite com posições diferentes, não será estado laico será ditadura laica. (…) Não se pode querer silenciar a Igreja como se não pudesse manifestar sua posição. Todos são respeitados quando falam, todas as minorias, mas a Igreja quando fala é acusada de estar se intrometendo, por isso este argumento é falso.”

Dignas de aplausos as recentes declarações do presidente da Conferência Episcopal Brasileira! Quando se estende no Brasil uma campanha se colocando contra as condenações da Igreja às propostas pró-aborto apresentadas por vários candidatos políticos nos últimos tempos, é preciso que os bispos se manifestem energicamente, mostrando que o apoio ao partido da vida exige, ao mesmo tempo, compromisso na luta contra a implantação da cultura de morte em nosso país. E quantos bispos se manifestaram de maneira clara e direta nessas eleições! Podemos fazer referência a Dom Luiz Bergonzini, mas também muitos outros foram bem claros ao declarar que o voto em um partido que mantém compromisso com a descriminalização do aborto no Brasil não pode receber adesão de cristãos católicos.

No caso específico do bispo de Guarulhos, mais de um milhão de panfletos assinados pelos bispos do Regional Sul 1 da CNBB e impressos a pedido do pastor paulista foram apreendidos pela Polícia Federal. Mas, a Mitra Diocesana de Guarulhos encaminhou ao TSE o pedido de revogação da liminar que determinou a apreensão do material. Disponibilizo abaixo trecho do texto de defesa encaminhado pela diocese paulista ao Tribunal Superior Eleitoral. Para ler mais trechos do documento, acessem o blog do Reinaldo Azevedo.

 

http://beinbetter.files.wordpress.com/2010/10/5603a3e7a341ecd300aecc06720841c5.jpg?w=215A Mitra Diocesana e o Bispo Dom Luiz Gonzaga Bergonzini não apoiaram nenhum candidato a deputado estadual ou federal, senador, governador ou presidente. Estão defendendo o Evangelho e a Doutrina Cristã e acompanhando a pregação e orientação do Papa Bento XVI, que desde o início de seu Papado, está alertando os católicos sobre o relativismo.

Relativismo é, por exemplo, votar em algum político que “rouba mas faz”. Se ele rouba, não poderia ser candidato. É mandamento cristão: “NÃO ROUBAR”. Em obediência ao mandamento, os católicos não devem votar em quem rouba. Relativismo é, por exemplo, aceitar e votar num partido ou político que está empenhado na liberação do aborto. Cristo defende a vida. A Igreja Católica defende a vida. Os católicos defendem a vida. Os cristãos defendem a vida. A vida é o bem maior de todos os seres humanos. “NÃO MATAR” é um mandamento.

O aborto, para os cristãos, consiste na retirada de um ser humano em formação – que será depois uma criança, um jovem, um adulto, um idoso, até chegar à morte -, do útero de uma mulher e jogá-lo na privada, no lixo ou no esgoto. A Igreja Católica Apostólica Romana segue o Evangelho de Jesus Cristo. Ela e seus sacerdotes – padres e bispos – fazem profissão de fé e estão obrigados a defender esses princípios, em todos os momentos de suas vidas.

(…)

Dom Luiz poderia, inclusive, indicar candidatos, se quisesse. Isso não é proibido. Mas não o fez. Está apenas defendendo princípios. Se os princípios conflitam com os princípios de outras pessoas, partidos ou candidatos, as conseqüências cada um deve assumir para si. Se alguém tem posições contrárias aos princípios cristãos, deve expor e defender essas teses, assumindo a responsabilidade decorrente.

No caso presente, os bispos das 41 dioceses do Estado de São Paulo resolveram emitir um documento que explicasse em quem não votar, tendo como base principal o aborto, ponto que Sua Santidade o Papa Bento XVI vem, exaustivamente, chamando a atenção de todo o povo do mundo.

A vida é dom de Deus, bem indisponível, em qualquer tempo, tanto que auxiliar alguém a suicidar-se é crime capitulado no art. 122, do Código Penal. Ninguém pode atentar contra nenhuma vida.

A apreensão dos documentos pertencentes à Mitra Diocesana de Guarulhos, autorizado pela CNBB REGIONAL SUL-1, é uma ação discriminatória da candidata Dilma Rousseff e da Coligação para o Brasil Seguir Mudando, que está perseguindo e tentando impedir a Igreja Católica e seus membros de expressar suas convicções religiosas.

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A defesa elaborada pelos advogados da Mitra Diocesana, João Carlos Biagini e Roberto Victalino de Brito Filho, é de uma qualidade praticamente incontestável. Agora é esperar que a liminar que pedia a apreensão dos panfletos pró-vida seja revogada e que o material apreendido seja devolvido.

Continuemos orando pela salvação do Brasil. Nossa Senhora livre nossa Nação do flagelo do comunismo e da maldição do aborto.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

E os lobos revelam seus disfarces

Posicionamento. Foi isso o que um conjunto de cristãos decidiu tomar essa semana, em carta de apoio à candidata do PT à Presidência da República. “Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff”, diz a carta, publicada na íntegra pelo Fratres in Unum. Integraram-se à declaração pastores evangélicos, padres católicos e até mesmo bispos da Igreja de Deus (!), como Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales, o mesmo que, há alguns dias atrás, declarou, em entrevista, que as pessoas que lutam pela vida não são as que se posicionam contra o aborto, mas sim as que “implementam políticas sociais que acabam beneficiando e trazendo mais dignidade para a vida das pessoas”.

Há uma visível divisão no episcopado brasileiro. De um lado, temos os bispos que declaram a impossibilidade de um cristão votar em Dilma sem contradizer os ensinamentos aos quais deve obediência pelo Batismo; de outro, temos aqueles que unem suas vozes às dos militantes petistas e esperneiam insistindo que dizer que o Partido dos Trabalhadores é abortista é uma “campanha caluniosa” contra a candidatura de Dilma. Na carta assinada por vários lideres e leigos cristãos, faz-se alusão a essas supostas calúnias que estariam sendo feitas em torno da imagem de Dilma Rousseff.

Mas essa não foi a única manifestação feita por lideranças cristãs que critica a postura anti-PT tomada recentemente por vários bispos brasileiros. “Estamos apenas tentando eleger um Presidente para o Brasil. Estamos discutindo propostas e projetos para uma boa administração do Brasil. Aborto, gueisismo, pílula, camisinha não é prioridade do momento.” As afirmações estão contidas no artigo de um pároco paulista e foram divulgadas recentemente na rede. “O que vem se praticando em meios religiosos no momento, é o aborto da eleição, da democracia, da Constituição e do bom senso”, escreve o sacerdote.

A dura posição que vários bispos tomaram recentemente se manifestando contra o voto em candidatos do Partido dos Trabalhadores é realmente intolerância. Mas, quem disse que não deve haver intolerância na fé cristã? Por acaso o direito à vida é negociável? Por acaso devemos tolerar o aborto, que é um atentado à vida humana? Devemos tolerar a descriminalização desta prática, que seria a manifestação visível de uma injustiça?

É preciso diferenciar a complacência que o cristão deve ter para com o pecador e a intolerância que deve ter para com o pecado, inconformidade justa, já que não há verdadeiro amor pelo bem sem que haja, ao mesmo tempo, ódio pelo mal.

No contexto dessa sadia intolerância, que revela a face de um Deus que se indigna com a injustiça, condenar a colaboração, com o voto, em candidatos que são favoráveis à legalização do assassinato de embriões humanos não é “o aborto da eleições, da democracia, da Constituição” e muito menos do bom senso. É, pelo contrário, a preocupação de pessoas de bem com o futuro da sociedade, com a perpetuação dos valores morais e éticos mais essenciais. É, ao mesmo tempo, a discussão de um assunto que é prioridade, pois saúde, educação, alimentação e moradia só podem ser conquistados na medida em que o ser humano adquire – ou, nesse caso, mantém – o direito de nascer. Esse brado satânico – vindo de um sacerdote! – se referindo à questão do aborto como tema secundário é o grito de indiferença e menosprezo diante de uma realidade de opressão cruel e desumana que é a eliminação de crianças nos próprios ventres de suas mães.

Quanto a Dilma Rousseff não ser favorável à descriminalização do aborto – que é o que defendem Dom Demétrio Valentini, Dom Pedro Casaldáliga e outros -, basta investigar na rede as declarações da candidata sobre o assunto, inclusive as atuais. Ela sugere tratarmos o aborto não como um caso de polícia, mas como uma “questão de saúde pública”. A tradução é: o aborto não deve ser tratado como crime. Ou seja, o aborto deve ser descriminalizado!

Dilma não mudou; apenas maquiou seu discurso para tentar ganhar votos do eleitorado cristão brasileiro. O mais triste é constatar que ela está atingindo seu objetivo…