Preconceito ou liberdade de expressão?

A Igreja Católica sempre instruiu os cristãos a terem uma posição contra o homossexualismo e outras aberrações contra a natureza que são constantemente “moralizadas” – como se fosse possível legitimar um ato condenado por Deus – pela sociedade secular. Nunca instruiu – e isso precisa ser deixado bem claro – os católicos a manterem preconceito com os que mantêm essas práticas. É contrário ao Evangelho ter discriminação para com as pessoas, pratiquem elas ou não pecados graves: “[Os homossexuais] devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta” (Catecismo da Igreja, § 2358). É aquela máxima importante, adotada pelos cristãos para diferenciar pessoas, que são “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1, 26), de pecados, que nada mais são do que reflexo da privação do bem: devemos odiar e condenar o pecado, mas amar o pecador.

É claro que é possível ser contra o homossexualismo e considerá-lo uma imoralidade sexual sem desprezar as pessoas homossexuais. Todos os cidadãos desse país têm a liberdade de decidirem o que pensam. Aqueles, pois, que consideram algo ruim não estão de modo algum discriminando ninguém. Isso é óbvio. Mas o governo está querendo aprovar uma lei – da qual já falei aqui no Ecclesia Una – que considera a posição contrária ao homossexualismo como homofobia. Ou seja, aquele que se manifestar contra a união de homem e homem, mulher e mulher corre o risco de ser preso. Esse projeto de lei, o PLC 122/06, que foi aprovado no Senado semana passada, é uma clara ameaça à liberdade de expressão garantida na Constituição! Não podemos aceitar, de modo algum, que ele seja aprovado.

Diferenciar homossexualismo de homossexual não é difícil. Silas Malafaia e Olavo de Carvalho fizeram essa distinção. Assista os vídeos abaixo:

Mas não foram somente eles que “rasgaram o verbo” contra essa lei porca que ameaça a liberdade de todo indivíduo em se posicionar em relação ao homossexualismo. Também o ex-deputado federal Clodovil Hernandes, homossexual, em um certo discurso, mostrou que a liberdade que os militantes gayzistas exigem muitas vezes se transformou em libertinagem. Ele foi mal-interpretado por um grupo de transexuais, que o chamaram de preconceituoso. O Luciano Henrique, do blog Neo-Ateísmo, Um Delírio questionou: “Surreal, não?”

É essa mesma pergunta que ecoa em nossas mentes. Amar os homossexuais é justo; odiá-los, preconceituoso; defender suas práticas, imoral; proibir as pessoas de as condenarem, irracional.

Graça e paz.

PS.: Os vídeos acima foram todos encontrados no blog Neo-Ateísmo, Um Delírio.

Fugi da idolatria

http://www.teenwitch.com/DATE/YR/1999/08/BAAL.JPG“A primeira Carta de São Paulo dirigida aos Coríntios faz-nos descobrir, neste ano paulino que foi inaugurado no dia 28 do passado mês de Junho, como os conselhos dados pelo Apóstolo continuam atuais. «Fugi do culto dos ídolos» (1 Cor 10, 14), escreve ele a uma comunidade muito marcada pelo paganismo e dividida entre a adesão à novidade do Evangelho e a observância de antigas práticas herdadas dos seus antepassados. Então, fugir dos ídolos significava deixar de honrar as divindades do Olimpo, deixar de lhes oferecer sacrifícios sangrentos. Fugir dos ídolos era seguir a escola dos profetas do Antigo Testamento, que denunciavam a tendência do espírito humano a forjar para si mesmo falsas representações de Deus. Como diz o Salmo 113, a propósito das estátuas dos ídolos, estas são apenas «prata e ouro, obra das mãos humanas. Têm boca e não falam; têm olhos e não vêem; têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram» (vv. 4-5). À exceção do povo de Israel, que tinha recebido a revelação do Deus único, o mundo antigo estava submetido ao culto dos ídolos. Muito presentes em Corinto, os erros do paganismo tinham que ser denunciados, porque constituíam uma forte alienação e desviavam o homem do seu verdadeiro destino. Impediam-lhe de reconhecer que Cristo é o único e o verdadeiro Salvador, o único que indica ao homem o caminho para Deus.

Este convite a fugir dos ídolos permanece válido também nos dias de hoje. O mundo contemporâneo não criou, porventura, os seus próprios ídolos? Acaso não imitou – talvez sem dar por isso – os pagãos da Antiguidade, desviando o homem do seu fim verdadeiro, da felicidade de viver eternamente com Deus? Trata-se de uma questão que todo o homem honesto consigo mesmo não pode deixar de se colocar. O que é importante na minha vida? O que é que ponho em primeiro lugar? A palavra «ídolo» deriva do grego e significa «imagem», «figura», «representação», mas também «espectro», «fantasma», «vã aparência». O ídolo é um engano, porque desvia da realidade quem o serve para o encerrar no reino da aparência. Pois bem, não será esta uma tentação própria da nossa época, a única na qual podemos agir eficazmente? Tentação de idolatrar um passado que já não existe, esquecendo as suas carências; tentação de idolatrar um futuro que ainda não existe, julgando que o homem possa, simplesmente com as suas forças, realizar a felicidade eterna na terra! São Paulo explica aos Colossenses que a cobiça insaciável é uma idolatria (cf. 3, 5) e recorda ao seu discípulo Timóteo que a avidez pelo dinheiro é a raiz de todos os males. Por se terem apegado a isto, esclarece ele, «alguns desviaram-se da fé e enredaram-se em muitas aflições» (1 Tm 6, 10). Porventura o dinheiro, a sede do ter, do poder e mesmo do saber não desviaram o homem do seu Fim verdadeiro, da sua própria verdade?

Amados irmãos e irmãs, a pergunta que nos é colocada pela liturgia deste dia encontra a resposta nesta mesma liturgia, que herdamos dos nossos Pais na fé, especialmente do próprio São Paulo (cf. 1 Cor 11, 23). No seu comentário a este texto, São João Crisóstomo observa que São Paulo condena severamente a idolatria como uma «falta grave», um «escândalo», uma verdadeira «peste» (Homilia 24 sobre a Primeira Carta aos Coríntios, 1). Imediatamente, acrescenta que esta condenação radical da idolatria não é, em caso algum, uma condenação da pessoa idólatra. Nos nossos juízos, nunca devemos confundir o pecado que é inaceitável, com o pecador, cujo estado de consciência não podemos julgar e que, em todo o caso, é sempre susceptível de conversão e de perdão. Nisto, São Paulo faz apelo à razão dos seus leitores: «Falo-vos como a pessoas sensatas; julgai vós mesmos o que estou a dizer-vos» (1 Cor 10, 15). Deus jamais pede ao homem que faça o sacrifício da própria razão. A razão nunca entra em contradição real com a fé. O único Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – criou a nossa razão e dá-nos a fé, propondo à nossa liberdade que a receba como um dom precioso. É o culto dos ídolos que desvia o homem desta perspectiva, e a própria razão pode forjar ídolos para si mesma. Por conseguinte peçamos a Deus, que nos vê e ouve, que nos ajude a purificar-nos de todos os ídolos, para chegarmos à verdade do nosso ser, para chegarmos à verdade do seu Ser infinito.”

(Papa Bento XVI, Celebração Eucarística na Esplanada Des Invalides, Paris, 13 de setembro de 2008)