Sexólogos holandeses querem legalização da pornografia infantil

pedofiliaEsta é da série “Absurdos da modernidade”: sexólogos holandeses pedem ao governo a legalização da pornografia infantil (!). A ideia aberrativa apresentada por Erik van Beek e Rik van Lunsen, do Hospital Universitário de Amsterdã, pretende “oferecer aos pederastas uma forma de regular suas tensões sexuais”. E, embora a opinião pública tenha reagido negativamente aos tarados sexuais – ainda há bom senso entre os holandeses -, especialistas em psicologia já estudam colocar a pedofilia na categoria de orientação sexual, ao lado da homossexualidade ou heterossexualidade.

As pessoas ficam escandalizadas quando notícias como essas são veiculadas. E devem ficar mesmo, afinal, o fato de haver verdadeiro ódio pelo pecado, verdadeiro horror ao mal, é sinal de que o povo ainda traz consigo valores morais, e os levam bem a sério. Mas, estas informações não são novas, e a ideia de tratar a pedofilia com leniência ou mesmo bons olhos já é considerada por um ou outro antropólogo e filósofo aqui no Brasil mesmo. E seus artigos fazendo apologia escancarada da pederastia circulam livremente na Internet, sem nenhum impedimento ou sequer preocupação da Justiça… Os autores dos textos são os mesmos histéricos que, do alto escalão do movimento LGBT, pedem a “criminalização da homofobia”, mostrando que há, sim, relação íntima entre a homossexualidade e a pedofilia.

O Papa Bento XVI já falou sobre este insidioso ataque à dignidade e à liberdade da criança e do adolescente, em um discurso à Cúria Romana, por ocasião das felicitações de Natal:

Existe um mercado da pornografia que envolve as crianças, e que de algum modo parece ser considerado cada vez mais pela sociedade como algo normal. A devastação psicológica de crianças, na qual pessoas humanas são reduzidas a um artigo de mercado, é um terrível sinal dos tempos. (…) Para nos opormos a estas forças, devemos lançar um olhar sobre os seus alicerces ideológicos. Nos anos Setenta, teorizou-se sobre a pedofilia como sendo algo totalmente consentâneo ao homem e também à criança. Mas isto fazia parte duma perversão fundamental do conceito de vida moral. Defendia-se – mesmo no âmbito da teologia católica – que o mal em si e o bem em si não existiriam. Haveria apenas um ‘melhor que’ e um ‘pior que’. Nada seria em si mesmo bem ou mal; tudo dependeria das circunstâncias e do fim pretendido. Segundo os fins e as circunstâncias, tudo poderia ser bem ou então mal. A moral é substituída por um cálculo das consequências, e assim deixa de existir. Os efeitos de tais teorias são, hoje, evidentes.”

“A moral é substituída por um cálculo de consequências”. É este o alicerce ideológico sobre o qual estão construídas as mais asquerosas perversidades pretendidas pela modernidade. Abolem-se o bem e o mal, e o homem se faz “a medida de todas as coisas”, tendo inclusive poder de decisão sobre a vida de outrem. Aqui cabe o exemplo da “legalização da pedofilia”, que fere de maneira especial o santuário da sexualidade humana. Mas, cabe, de modo especial, o do aborto e do infanticídio.

Imagem do Daily Mail Online.

Imagem do Daily Mail Online.

Nos EUA, por exemplo, crianças doentes, já nascidas, estão sendo cruelmente “descartadas” – por seus próprios pais -, como uma forma de eutanásia. Desumanidades como estas, pouco denunciadas e insuficientemente deploradas, nos atonizam. Qual é o valor da vida humana, afinal? Será que o homem perdeu a noção de humanidade e de justiça? O que mais falta para chegarmos ao fundo do poço?

Pior do que existir o crime é haver quem o relativize, ou mesmo defenda. Mais triste ainda é constatar quão poucas – e débeis – são as vozes que se levantam contra tanta desgraça e podridão. Só mesmo a intervenção de Deus para resgatar o homem de tanta sujeira.

Papa aos jovens do Líbano: “Sede mensageiros do Evangelho da vida”.

As frustrações presentes não devem levar-vos a buscar refúgio em mundos paralelos, como por exemplo o mundo das drogas de todo o tipo ou o mundo triste da pornografia. Quanto às redes sociais, são interessantes mas podem, com facilidade, levar-vos à dependência e à confusão entre o real e o virtual. Procurai e vivei relações ricas de amizade verdadeira e nobre. Cultivai iniciativas que deem sentido e raízes à vossa existência, lutando contra a superficialidade e o consumismo fácil. Estais de igual modo sujeitos a outra tentação: a do dinheiro – este ídolo tirânico que cega até ao ponto de sufocar a pessoa e o seu coração. Infelizmente os exemplos que vedes em redor não são sempre dos melhores. Muitos esquecem-se da afirmação de Cristo: não se pode servir a Deus e ao dinheiro (cf. Lc 16, 13). Procurai bons mestres, guias espirituais que saibam indicar-vos o caminho para a maturidade, pondo de lado o que é ilusório, aparência e mentira.”

(…)

Sede os mensageiros do Evangelho da vida e dos valores da vida; resisti corajosamente a tudo o que a nega: o aborto, a violência, a rejeição e o desprezo do outro, a injustiça, a guerra. Deste modo, propagareis a paz ao vosso redor. No fim de contas, não são os ‘obreiros da paz’ aqueles que mais admiramos? E não é a paz o bem precioso que toda a humanidade procura? Porventura não é um mundo de paz aquilo que mais profundamente desejamos para nós e para os outros? ‘Dou-vos a minha paz’: disse Jesus. Ele venceu o mal não com outro mal, mas tomando-o sobre Si e aniquilando-o na cruz com o amor vivido até ao fim. Descobrir verdadeiramente o perdão e a misericórdia de Deus permite sempre recomeçar uma nova vida. Não é fácil perdoar; mas o perdão de Deus dá a força da conversão, e a alegria de, por nossa vez, perdoar. O perdão e a reconciliação são caminhos de paz, e abrem um futuro.”

- Papa Bento XVI, Encontro com os jovens do Líbano
15 de setembro de 2012

Pornografia: o problema é sério, mas tem conserto

Eu quero aproveitar que o blog O Catequista está abordando o assunto para oferecer também uma humilde contribuição sobre este tema delicado que é a pornografia. É triste observar que os meios de comunicação social – em especial, a Internet – têm facilitado muito, e de maneira assustadora, o acesso dos indivíduos ao material pornográfico, disponível seja por meio de imagens, textos ou mesmo vídeos. O resultado desta verdadeira “pornografização” de nossa cultura é trágico. Isto porque, como lembrou a Viviane, “pessoas que consomem pornografia correm o sério risco de desenvolverem uma sexualidade pervertida”. E por sexualidade pervertida, leia-se zoofilia, pedofilia, sadomasoquismo, homossexualidade et caterva.

Já há muito tempo O Ancião recomendou, neste espaço, um livro de psicanálise que tratava justamente o efeito da pornografia no cérebro masculino. Neste ínterim, aceitei a sugestão dele e acabei adquirindo a obra. Infelizmente, o ótimo Wired for Intimacy: How Pornography Hijacks the Male Brain [“Ligado para a intimidade: como a pornografia sequestra o cérebro masculino”], de William Struthers, ainda não tem tradução para o português, mas, para aqueles que leem em inglês, vale muito a aquisição.

Neste livro, o autor, Ph.D. pela Universidade de Illinois, explica que o uso repetido da pornografia pode configurar um verdadeiro vício, comparável até à dependência de drogas ou a transtornos obsessivos-compulsivos. “O usuário é incapaz de parar de usar, apesar de tentativas sucessivas de limitar ou reduzir seu consumo de pornografia. Isso pode progredir para comportamentos de alto risco (vendo o material em público), e a quantidade de tempo e energias devotada à pornografia aumenta, mesmo que se sinta apenas um curto pedaço de tempo passando” (p. 81, The Consequences of Porn).

Como podemos ver, a situação pode ficar realmente desastrosa. Mas tudo isto nada mais é que consequência do pecado. São Paulo já dizia que a ofensa a Deus acarreta a morte (cf. Rm 6, 23); primeiro, a morte espiritual, a perda da graça. Quando deliberadamente decidimos abrir, na Internet, um site pornográfico, ou quando vamos a uma banca e compramos uma revista do mesmo teor, estamos decidindo por destronar do nosso espírito o Senhor Jesus Cristo, para dar lugar ao seu mais infame inimigo, o demônio. Depois disso, há também a morte física, e aqui cabem as consequências devastadoras do consumo da pornografia. Ele vai lentamente tornando-se um mau hábito, até que encontremo-nos em um verdadeiro poço sem fundo, escravizados pelo pecado da impureza, incapazes de submetermos as nossas paixões ao sadio uso da razão.

Mais importante que deplorar os funestos frutos da pornografia, porém, é alertar para como se livrar deste problema. Porque, sim, existem muitas pessoas, bons católicos até, que travam um combate difícil para vencer sua carne e deixar a pornografia. Uma vez neste mundo – e uma vez exposto a altas doses de vídeos adultos -, torna-se difícil eliminar instantaneamente a dependência deste material. Para isto, aconselhamos a leitura do Tratado da Castidade, de Santo Afonso de Ligório, doutor da Igreja. Ali, este grande santo católico mostra alguns passos para fugir do espírito da impureza. Segundo ele, são seis:

O primeiro é humilhar-se continuamente diante de Deus. O Senhor castiga muitas vezes os espíritos soberbos, permitindo que caiam em qualquer pecado impuro. Sê, pois, humilde, e não confies em tuas próprias forças. (…)

O segundo meio é recorrer imediatamente a Deus, sem entrar em diálogo com a tentação. Logo que se apresentar ao nosso espírito um pensamento impuro, devemos elevar a Deus imediatamente o nosso pensamento ou dirigi-lo a qualquer objeto indiferente. A coisa melhor será invocar imediatamente os Santíssimos Nomes de Jesus e Maria, e não cessar de repeti-los até desaparecer a tentação. (…)

O terceiro meio é a recepção assídua dos Santos Sacramentos da Confissão e da Comunhão. É de suma importância revelar quanto antes ao confessor as tentações impuras. (…)

O quarto meio é a devoção à Imaculada Mãe de Deus, que é chamada a Virgem das Virgens. Quantos jovens não se conservaram puros e castos como Anjos, devido à devoção à Santíssima Virgem!

O quinto meio é a fuga da ociosidade. (…) “Quem trabalha é tentado por um demônio só; quem vive ocioso, é atacado por uma multidão deles”, diz São Boaventura.

O sexto meio consiste no emprego de todas as precauções exigidas pela prudência, tais como a modéstia dos olhos, a vigilância sobre as inclinações do coração, a fugida das ocasiões perigosas, etc.

Então, é possível, sim, viver a castidade, muito embora o mundo lute, com todas as forças, para que vivamos a impureza e a devassidão. É importante lembrar, porém, que todo esforço humano, sem a graça de Deus, resulta em fracasso. Urge apegarmo-nos constantemente aos meios sobrenaturais, a fim de que sejamos vitoriosos nesta batalha pela pureza. E não temamos; o Senhor está conosco!

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

O vício de Gerson e a necessidade da cura interior

Quem convive comigo conhece a minha opinião acerca daqueles programas de televisão chamados “novelas”. São principalmente os valores inculcados às famílias por estas obras que me preocupam. Crianças assistindo e aprendendo desde cedo a banalizar o compromisso firmado por homem e mulher no Sacramento do Matrimônio, aprendendo a ver a relação sexual não mais como uma doação de amor, mas como uma forma de buscar apenas prazer e satisfação carnal, aprendendo a mentir e a escapar das consequências dos erros cometidos etc. Alguns ensinamentos podem até ser dignos de estima, mas boa parte dos valores por estes programas propagados é radicalmente contrária aos preceitos da lei de Deus.

Tomei conhecimento hoje do que estão chamando na internet de “O Segredo de Gerson”. A personagem Gerson é interpretada pelo ator global Marcelo Anthony e ele teria – pelo menos é o que os episódios da novela Passione demonstram – algum problema relacionado ao uso da internet. Recentemente, o suposto “segredo” da personagem foi revelado. E é o vício na pornografia.

O vício em material pornográfico é infelizmente um problema comum em nossa sociedade. O homem, desde cedo, é induzido a desobedecer ao sexto mandamento da lei de Deus, que nos pede “não pecar contra a castidade”. Os ataques da própria mídia a uma visão sadia de sexualidade já são uma verdadeira porta aberta para a infiltração de uma mentalidade hedonista, que reduz o sexo a um mero instrumento de prazer sexual. Diz o Catecismo da Igreja Católica que a pornografia “ofende a castidade, porque desnatura o ato conjugal, doação íntima dos esposos um ao outro”; explica ainda que “é um grave atentado contra a dignidade das pessoas intervenientes (atores, comerciantes, público), uma vez que cada um se torna para o outro objeto dum prazer vulgar e dum lucro ilícito”, além de fazer “mergulhar uns e outros na ilusão dum mundo fictício” (§ 2354).

http://www.portaldosevangelicos.com.br/wp-content/uploads/2008/11/escravopecado.jpgCom a transgressão da Lei, vêm também as trágicas consequências. São Paulo diz que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6, 23). E ele está certo. O salário do pecado é a angústia, é a escravidão, é, de fato, a morte. Quantas pessoas têm se dedicado a estudar o celibato sacerdotal na Igreja! E quantos ignorantes não têm dito que esta sábia doutrina católica “reprimiria” sexualmente os clérigos e as pessoas que de livre e espontânea vontade se dedicam ao Reino vivendo na continência, quando, na verdade, o que aprisiona e escraviza o homem é a sexualidade vivida de modo distorcido, na pornografia, na masturbação, na fornicação, no adultério etc. Quando o homem moderno repele o compromisso ele de nada está se libertando. Ele pode tentar fugir da responsabilidade do Matrimônio, mas nem por isso está se libertando, porquanto uma vida impura torna o homem escravo de suas paixões. Quanto mais se exime a razão de tomar as rédeas da alma humana, esta se vê cada vez mais submetida ao império das paixões desordenadas.

Há, porém, solução para este terrível problema? É claro que sim! E é o próprio Jesus quem nos exorta: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mc 14, 38). Vigilância, porque “o demônio anda ao redor de vós como um leão que ruge, buscando a quem devorar” (1 Pd 5, 8); oração, porque tudo aquilo que de coração pedimos ao Pai Ele prometeu nos conceder. Então, peçamos a força para combatermos as tentações, e, com Ele, venceremos.

Possamos, no entanto, entregar-nos totalmente ao Senhor. Um vício não pode ser vencido sem que haja também uma cura no interior de nosso coração. Também Jesus Cristo deixa claro que “não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele” (Mt 15, 11).

O novelista Aguinaldo Silva, da Rede Globo, postou um comentário em seu Twitter que faz certa síntese do pensamento do homem moderno no que diz respeito às ofensas à castidade, pensamento que está em clara oposição com o ensinamento moral da Igreja Católica:

O verdadeiro problema de Gerson seria “falta de imaginação”; e atormentar-se por estar viciado em pornografia viria a ser atitude digna de compaixão, porquanto ver sexo na internet é algo que “todo mundo faz”. Ora, será que ignoramos as terríveis consequências que o vício de Gerson acarretou na própria novela? Especialmente em uma relação matrimonial, a presença de pornografia no ambiente familiar representa, além de uma traição àquela promessa de fidelidade firmada no dia do casamento, também o aprisionamento em uma ilusão que compromete a própria vida conjugal de marido e mulher. E mesmo que não houvesse Matrimônio nenhum, a ideia que a pornografia passa a quem assiste ou participa de alguma forma destes espetáculos demoníacos é que o homem e a mulher são simples objetos. O ser humano deixa de ser considerado em sua dignidade, deixa de ser respeitado, de ser amado como obra do Altíssimo. A prática da masturbação, da mesma maneira, faz com que o homem ignore que a relação sexual é uma verdadeira doação de amor, de compromisso. A pessoa se fecha em seu egoísmo e se corrompe a si mesmo, esquecendo que a transmissão da vida é um dos aspectos fundamentais a ser levados em conta na vida conjugal.

Aos que desejam se libertar do espírito da luxúria, novamente dirigimos um apelo de confiança: Vigiai e orai, fugi das ocasiões de pecado e confiai na poderosíssima intercessão de Maria, que é Mãe da Divina Graça. Recomendamos a leitura da obra Tratado da Castidade, de Santo Afonso de Ligório, para quem deseja obter um conhecimento mais detalhado acerca desta belíssima virtude que é a castidade.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Atualização em 3 de janeiro de 2011: Aparentemente o vício de Gerson não é em pornografia. Trata-se de um problema chamado riparofilia, que é a atração sexual por pessoas esteticamente feias ou de baixo padrão social e higiênico. As críticas ao vício da pornografia, no entanto, continuam sendo válidas, já que o fato de Gerson ser riparofílico não faz com que ele deixe de ver material obsceno na Internet.

Podcast: As ofensas à castidade

A castidade é uma graça que deve ser constantemente preservada por todos os fiéis da Igreja de Cristo. “Todo batizado, diz o Catecismo da Santa Igreja, é chamado à castidade” (§ 2348). Nessa mensagem, faço uma exposição sucinta sobre o que é a castidade, explicando, doravante e mais detalhadamente, as ofensas que são constantemente praticadas por nós contra essa virtude. São elas a luxúria, a masturbação, a fornicação, a pornografia, a prostituição, o estupro. Mais ao fim da mensagem falo da relação existente entre a homossexualidade e a castidade e que devemos confiar sobretudo em Deus para guardamos esse valoroso dom. Os ensinamentos contidos nesse áudio não são meus, mas da Igreja. Todas as exortações foram retiradas do Catecismo da Igreja Católica, do parágrafo 2348 ao 2359. Ouça a mensagem abaixo.

[Faça o download do áudio ou ouça logo abaixo a mensagem]


“… infelizmente hoje na Igreja nós temos muitas pessoas que têm uma visão errada de castidade. Ah, a castidade é só pro padre; só pro religioso, pra religiosa… Não, a castidade é um valor que deve ser preservado e conservado na vida de todo cristão batizado. (…) E o batismo é justamente isso. A entrada para a vida cristã exige a castidade.”

Sê jovem, não um moribundo

http://3.bp.blogspot.com/_yjzP29m-AaQ/SfUg2K_DwuI/AAAAAAAACYw/AyYngQZ2uxY/S1600-R/C%C3%B3pia+de+32300X.JPGEscreve São João Bosco sobre a particular predileção de Deus pela juventude:

“[E]mbora Ele [Deus] ame a todos os homens, como obra de suas mãos, consagra todavia um afeto todo particular aos meninos e acha as suas delícias em permanecer no meio deles: Deliciae meac esse cum filiis hóminum. Deus vos ama, porque de vós espera muitas boas obras; ama-vos porque estais numa idade simples, humilde, inocente e, por via de regra, não vos tornaste ainda vítima do inimigo infernal” (O jovem instruído na prática de seus deveres religiosos, p. 1, art. II).

Quem dera suas palavras fossem no dia de hoje uma realidade viva! Quem dera fossem realmente cumpridos por nós, adolescentes, os preceitos divinos! Oxalá fôssemos realmente “simples, humildes e inocentes”! No mundo em que vivemos a triste verdade da nossa juventude se torna motivo de desespero para as famílias, para a sociedade, para Deus. Está perdido o conceito de pureza em nossa sociedade. Não só o conceito. A própria pureza se esvaneceu. Ninguém mais a acha valiosa. Todos a desprezaram. Qual Cristo pregado e humilhado na Cruz, a pureza é abandonada e violada pela corrupção do mundo. Os jovens, que deveriam ser retratos bondosos do Criador, se tornaram “vítimas do inimigo infernal” e vivem sem nenhum sentido para viver.

Nossos jovens, ao invés de contemplarem os mistérios do Santo Rosário, contemplam a prostituição, a pornografia, a masturbação. Ao invés de aprenderem a servir no altar de Nosso Senhor, vão aprender como utilizar o preservativo. Ao invés de olharem para Jesus e a Ele dedicarem todo seu afeto e sua vida, olham para o homem corrompido pelas concupiscências enganadoras. Ao invés de valorizar unicamente a Deus, que é quem dá força ao jovem e o sustenta verdadeiramente, valorizam o pecado, cedem à tentação, têm parte com o demônio.

O Senhor não quer ver jovens caídos, acabados pelo pecado, mortos pelas paixões. Deus quer jovens fortes, que sejam capazes de defender a sã doutrina da Igreja; que sejam capazes de valorizar, antes de tudo, a misericórdia e o amor de Deus; que sejam capazes de renunciar a si mesmos e tomar a cruz rumo ao caminho da salvação. Enfim, o Altíssimo quer jovens santos, porque sabe que sem santidade não há salvação. O Altíssimo quer jovens castos, porque sabe que sem castidade não há resistência. O Altíssimo quer jovens amorosos, porque sabe que sem amor o ser humano nada é. O Altíssimo quer jovens corajosos, porque sabe que sem coragem não será possível permanecer de pé ante as investidas de Satanás.

Mas infelizmente existem nesse complicado submundo da marginalidade juvenil um paralelo que precisa ser traçado: temos o ideal, que é aquilo que Deus propõe à juventude, por meio da educação cristã; e temos o real, que é aquilo que verdadeiramente vemos em nossa sociedade. Ao analisarmos o ideal – a castidade – e observarmos o real, percebemos que os dois paralelos estão bem distantes um do outro. Algo precisa ser feito. E se o problema não está no ideal – uma vez que a verdade moral é imutável – então precisamos agir no real, que está nas nossas capacidades. Como mudar a realidade?, pergunta-se.

Temos que começar pela educação dos nossos jovens. E a educação começa na família, começa em casa. Se o pai e a mãe não dão ao filho uma fé sólida, que seja capaz de resistir aos ventos corruptos do mundo, então os nossos jovens não poderão progredir, não poderão ter um verdadeiro compromisso com Deus. Na escola eles aprenderão valores totalmente contrários aos da boa e correta doutrina cristã. Aprenderão, entre outras coisas, que a camisinha é boa, que transar fora do casamento não é pecado e quem faz o contrário disso é atrasado e desatualizado, que a Igreja Católica manipulou a humanidade e tudo o que ela diz é mentira etc.

Se em casa os pais não ensinarem aos filhos que a castidade é boa, conduz à salvação e que não é possível ser feliz fora da consagração a Deus então os filhos crescerão sem aprender a verdade do Reino de Deus. E não importa se os jovens um dia se desviarem da reta virtude. Se realmente tiveram uma boa educação cristã na infância voltarão ao Pai. Na sua juventude, Santo Anselmo “atravessou um período de dissipação moral: descuidou dos estudos e, abrumado pelas paixões terrenas, fez-se surdo ao chamado de Deus” (Papa Bento XVI, Audiência, 23-09-09). Mas depois se tornou um grande servo de Deus!

Os nossos jovens precisam de uma verdadeira experiência com Nosso Senhor Jesus Cristo. Canta a música “Jovem, te olho”, da Adriana: “Jovem, deixa o mundo; sê jovem, e não um moribundo. Aceita a Jesus: Ele vai mudar o seu viver. Com Jesus tu vais vencer.” O que é ser jovem? É aproveitar a vida? É ser feliz? Sim! Mas não é viver como um moribundo, a mercê das coisas terrenas. Isso não nos traz felicidade. A verdadeira felicidade está em cumprir a Palavra de Deus. “[O] homem não poderá – exorta Paulo VI – encontrar a verdadeira felicidade, à qual aspira com todo o seu ser, senão no respeito pelas leis inscritas por Deus na sua natureza e que ele deve observar com inteligência e com amor” (Humanae Vitae, 31).

Enfim, possamos, ao ouvir a música abaixo (Jovem, te olho, da Adriana), buscar verdadeiramente a Deus. Não nos contentemos com uma relação superficial com Jesus Cristo. Busquemos nos aprofundar na Sua Palavra e nos seus ensinamentos. Busquemos, acima de tudo, cumpri-los pois é só vivendo o que Deus nos pede que verdadeiramente poderemos construir uma juventude santa. Que nós, jovens, nos apeguemos intimamente à Virgem Maria. Por meio do Santo Rosário supliquemos à Mãe da Castidade que nos conceda a graça de não ofender a Deus.


“Visto que o Senhor vos ama tanto, deve ser vosso firme propósito corresponder-Lhe, fazendo tudo o que lhe agrada e evitando tudo o que o poderia desgostar” (São João Bosco, O jovem instruído na prát., p. 1, art. II).

Graça e paz.

Como fugir da impureza – Sto. Afonso de Ligório

[Retirado de "Tratado da Castidade", de Santo Afonso de Ligório, o excerto abaixo é uma exortação às almas que querem fugir do pecado da impureza. São recomendadíssimas as palavras desse doutor da Igreja, especialmente para aqueles que estão afogados na lama do pecado da masturbação, da pornografia, da fornicação, do adultério. "Bem aventurados os puros", diz Jesus. Sejamos puros. Só assim poderemos alcançar a glória do Reino de Deus. Boa reflexão!]

Como fugir da impureza

Santo Afonso de Ligório

http://portalcot.com/reporter/wp-content/uploads/2008/08/s_afonso_de_ligorio.jpgSe fores, pois, molestada por tais tentações, alma cristã, não deves perder a coragem, antes, animosamente combater, empregando os meios que te vou indicar, e não sucumbirás:

a) O primeiro é humilhar-se continuamente diante de Deus. O Senhor castiga muitas vezes os espíritos soberbos, permitindo que caiam em qualquer pecado impuro. Sê, pois, humilde, e não confies em tuas próprias forças. Davi confessa que caiu no pecado por não ter se humilhado e ter confiado demais em si mesmo: “Antes de me haver humilhado, eu pequei” (Sl 118, 67). Devemos temer sempre a nossa própria fraqueza e colocar em Deus toda a nossa confiança, esperando firmemente que nos preserve desse vício.

b) O segundo meio é recorrer imediatamente a Deus, sem entrar em diálogo com a tentação. Logo que se apresentar ao nosso espírito um pensamento impuro, devemos elevar a Deus imediatamente o nosso pensamento ou dirigi-lo a qualquer objeto indiferente. A coisa melhor será invocar imediatamente os Santíssimos Nomes de Jesus e Maria, e não cessar de repeti-los até desaparecer a tentação. Se ela for muito forte, será bom repetir muitas vezes o seguinte propósito: Ó meu Deus, prefiro morrer a Vos ofender. Peça-se socorro, dizendo: Ó meu Jesus, socorrei-me. Maria, assisti-me. Os Nomes de Jesus, Maria e José possuem uma força especial para afugentar as tentações do demônio.

c) O terceiro meio é a recepção assídua dos Santos Sacramentos da Confissão e da Comunhão. É de suma importância revelar quanto antes ao confessor as tentações impuras. “Uma tentação revelada já está meio vencida”, diz São Filipe Néri. E se alguém teve a infelicidade de consentir em uma tentação, não se demore nenhum instante em se confessar disso. São Filipe Néri livrou um rapaz desse vício, induzindo-o a confessar-se logo depois de cada queda.

A Santa Comunhão, está fora de dúvida, confere uma grande força na resistência às tentações desonestas. O Sangue de Jesus Cristo, que recebemos na Sagrada Comunhão, é chamado pelos Santos de ‘Vinho gerador de Virgens’ (Zac 9, 17). O vinho natural é um perigo para a castidade; este Vinho Celestial é o seu conservador.

d) O quarto meio é a devoção à Imaculada Mãe de Deus, que é chamada a Virgem das Virgens. Quantos jovens não se conservaram puros e castos como Anjos, devido à devoção à Santíssima Virgem!

e) O quinto meio é a fuga da ociosidade. O Espírito Santo diz (Ecli 33, 21): “A ociosidade ensina muita coisa má”, isto é, ensina a cometer muitos pecados. E o profeta Ezequiel (Ez 16, 49), assevera que foi a ociosidade a causa das abominações e ruína final dos habitantes de Sodoma. Conforme São Bernardo, a ociosidade motivou a queda de Salomão. Por isso São Jerônimo exorta a Rústico (Ep. ad Rust., 2) que esteja sempre ocupado, para que o demônio não o preocupe com suas tentações. “Quem trabalha é tentado por um demônio só; quem vive ocioso, é atacado por uma multidão deles”, diz São Boaventura.

f) O sexto meio consiste no emprego de todas as precauções exigidas pela prudência, tais como a modéstia dos olhos, a vigilância sobre as inclinações do coração, a fugida das ocasiões perigosas, etc.

“Segundo a Igreja, é errado ver filme pornô em casa?”

Por Daniel Pinheiro (disponível em ‘Vida e Castidade’)

A Igreja segue as palavras de Jesus Cristo. Quando Jesus disse “Aquele que olhar para outra mulher e desejá-la, já cometeu adultério em seu coração” (Mt 5, 27-28), ele estava dizendo uma palavra dura, difícil, mas verdadeira. A Igreja é chamada de autoritária, mas não é. Ela não quer ter autoridade nenhuma para mudar as palavras de Jesus. Ela mantém as palavras de Jesus como são.

Seguindo essa passagem bíblica, podemos ver que, moralmente falando, é errado ver qualquer tipo de pornografia, seja fora ou dentro do casamento, mesmo com o consentimento de ambas as partes, no caso do casamento. A pornografia não tem nada a ver com amor, e sim com “usar” outra pessoa para o prazer pessoal e egoísta. Um casal que venha a assistir filmes pornográficos junto estará aprendendo apenas a usar um ao outro, e não a se amar.

Inicialmente, é provável que haja um aumento na quantidade e na excitação das relações sexuais, porém isso só reforçará a atitude de usar o corpo da outra pessoa para o próprio prazer, e não ver a outra pessoa como uma pessoa, completa, corpo, alma e espírito. Com o passar do tempo, será necessário uma quantidade maior, e um nível mais “pesado” de pornografia para se atingir o mesmo efeito. O nosso cérebro vai se acostumando e se condicionando com esse tipo de prazer. De repente, o casal se verá tendo necessidade de ver pornografia para poder estar juntos, o outro não mais chamará a atenção, e aí está tudo terminado. Eles não estarão mais fazendo uma relação de amor onde um é dom total para o outro, onde um quer fazer o outro feliz, mas apenas uma espécie de sessão masturbatória em conjunto, com o corpo do outro como instrumento. A relação de amor no casamento aí já terá, no fundo, acabado. Daí para a separação, o isolamento, a traição e o divórcio custará apenas mais um pequeno passo.

Moralmente falando, não há adultério somente quando um dos dois mantém relações com outra pessoa. Mesmo no próprio casamento, com o cônjuge, se a relação não for uma verdadeira entrega, se não for o sacramento da união de mentes e espíritos que deve haver, então será apenas um adultério. Neste caso, um adultério cometido não com outra pessoa, mas consigo próprio. Ao invés de ter luxúria sobre outra pessoa, tenho luxúria pela pessoa do filme pornográfico, tenho luxúria por mim mesmo – e o outro é traído porque não se trata mais de transmitir amor a essa pessoa, sou apenas eu que estou amando a mim mesmo, e usando o outro como instrumento para o próprio prazer.

João Paulo II foi muito criticado quando apresentou essa visão, nas audiências gerais do início dos anos 80 que depois resultaram na chamada “Teologia do Corpo”. Mas a compreensão do Papa foi perfeita. Adultério não é só trair o cônjuge tendo luxúria com uma pessoa de fora, seja real ou um ator/atriz pornográfico(a). Adultério também é trair o cônjuge tendo luxúria no coração, e não amor.

Por sua vez, há homens solteiros que pensam que o casamento é o cumprimento, o êxtase da pornografia. Esses homens ficam auto-justificando seu contato atual com a pornografia (sem razão), dizendo que “quando casar, não precisarei mais, porque vou fazer na vida real”. Não é assim. O casamento não tem nada a ver com pornografia. Mais do que provavelmente, um casamento assim vai acabar logo, porque o homem vai somente transferir suas fantasias para a esposa, que não é atriz pornográfica. Vai transferir suas fantasias para a relação, que não vai ser uma troca de amor, mas um “usar” o outro para o próprio prazer.

Nas palavras de Mary Beth Bonacci, uma conhecida palestrante norte-americana:

“A sexualidade humana é facilmente ‘condicionada’. Quando alguém se acostuma a se ‘excitar’ de um certo modo, com o passar do tempo eles tendem a necessitar desse estímulo particular. Em outras palavras, uma vez que um homem se torna condicionado a ficar excitado usando a sexualidade impessoal e degradante oferecida pela pornografia, ele perde a habilidade de responder à expressão sexual real, normal, amorosa, e doadora-de-si-mesmo. Ele terá se condicionado a associar o estímulo sexual com o ‘usar’ outra pessoa. E isso pode significar a destruição do casamento. As esposas se sentirão usadas – porque estarão mesmo sendo usadas. Elas muitas vezes ficam culpando a si mesmas, embora não tenham culpa de nada. Certa vez li que pedir a um homem viciado em pornografia para encontrar a satisfação sexual na relação matrimonial saudável com sua esposa é como pedir a um alcoólatra para encontrar satisfação bebendo água. Simplesmente são coisas totalmente diferentes”.

(“Porn: The Marriage Wrecker”, disponível em: http://www.4marks.com/articles/details.html?article_id=1521)

Portanto, atenção casais, a maneira mais eficiente de aniquilar seu casamento é se envolver com pornografia. Quanto aos solteiros, se você não quiser dar um tiro de misericórdia em seu futuro casamento antes mesmo dele começar, não se envolva com a pornografia, e se já se envolveu, procure ajuda para livrar-se dela.

Mas, como diz João Paulo II, não devemos ter medo das palavras de Jesus, assustados com a dificuldade em segui-las. Devemos, sim, acreditar que ele é o Cordeiro de Deus, que veio para tirar os pecados do mundo. E tirar os pecados do mundo é redimi-lo. Essas palavras de Jesus: “Aquele que olhar para outra mulher e desejá-la, já cometeu adultério em seu coração” (Mt 5, 27-28) são palavras de redenção, não de condenação. São um convite, mais do que uma repreensão. Um convite para o amor verdadeiro e puro, que sempre é total, fiel, livre e frutuoso. Um amor que é o desejo mais profundo de nosso coração.

A pornografia? Ela é simplesmente a antítese desse verdadeiro amor.