“Não crê verdadeiramente no Espírito Santo quem não ama a Igreja.”

“Estamos convencidos (…) de que possuímos o Espírito Santo na medida em que amamos a Igreja de Cristo.”
- Santo Agostinho

Non est abbreviata manus Domini, não se tornou mais curta a mão de Deus: Deus não é hoje menos poderoso do que em outras épocas, nem é menos verdadeiro seu amor pelos homens. A nossa fé ensina que a criação inteira, o movimento da terra e dos astros, as ações retas das criaturas e tudo quanto há de positivo no curso da história, tudo, numa palavra, veio de Deus e para Deus se ordena.”

“A ação do Espírito Santo pode passar-nos despercebida, porque Deus não nos dá a conhecer seus planos e porque o pecado do homem turva e obscurece os dons divinos. Mas a fé recorda-nos que o Senhor atua constantemente: foi Ele que nos criou e nos conserva o ser; é Ele quem, com a sua graça, conduz a criação inteira para a liberdade da glória dos filhos de Deus.”

“Por isso, a tradição cristã resumiu num só conceito a atitude que devemos adotar perante o Espírito Santo: docilidade. Temos que ser sensíveis àquilo que o Espírito divino promove à nossa volta e em nós mesmos: aos carismas que distribui, aos movimentos e instituições que suscita, aos efeitos e decisões que nos faz nascer no coração. O Espírito Santo realiza no mundo as obras de Deus: como diz o hino litúrgico, Ele é dador de graças, luz dos corações, hóspede da alma, descanso no trabalho, consolo no pranto. Sem a sua ajuda, nada há no homem que seja inocente e valioso, pois é Ele quem lava o que está manchado, cura o que está enfermo, aquece o que está frio, reconduz o extraviado e encaminha os homens até o porto da salvação e da felicidade eterna.”

“Mas nossa fé no Espírito Santo deve ser plena e completa: não é uma crença vaga na sua presença no mundo; é uma aceitação agradecida dos sinais e realidades a que Ele quis vincular especialmente a sua força. Quando vier o Espírito de Verdade – anunciou Jesus -, Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. O Espírito Santo é o Espírito enviado por Cristo para realizar em nós a santificação que Ele nos mereceu na terra.”

“É por isso que não pode haver fé no Espírito Santo se não houver fé em Cristo, na doutrina de Cristo, nos sacramentos de Cristo, na Igreja de Cristo. Não é coerente com a fé cristã, não crê verdadeiramente no Espírito Santo quem não ama a Igreja, quem não tem confiança nEla, quem só se compraz em apontar as deficiências e as limitações dos que a representam, quem a julga de fora e é incapaz de se sentir seu filho. E sou levado a considerar também como é extraordinariamente importante e abundantíssima a ação do Divino Paráclito durante a celebração da Santa Missa nos nossos altares, enquanto o sacerdote renova o sacrifício do Calvário.”

- São Josemaría Escrivá em O Grande Desconhecido,
extraído do livro “É Cristo que passa”, cap. 13

Portae inferi non praevalebunt

http://www.fundadores.org.br/Secoes/artigos/img/basilicasaopedro.jpg“Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra;
eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te, diz o Senhor.”

(Livro do profeta Jeremias, 1, 18-19)

Non praevalebunt, diz o Senhor a Jeremias. Bellabunt adversum te, diz o texto da Nova Vulgata, mas, no fim, não prevalecerão. Deus transformou Jerusalém numa cidade fortificada. Diante da fraqueza e da pequenez dos fracos profetas, diz o Altíssimo: “Eis que coloco minha palavra nos teus lábios” (Jr 1, 9). Sim, diz o mesmo Senhor a São Paulo, “basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força” (2 Cor 12, 9).

Nesse sentido, importante se faz relembrar a passagem que Deus mostra a Moisés Sua Vontade. Desde o começo, Deus deixou bem claro a ele que estaria sempre presente (cf. Ex 3, 12), dando-lhe inclusive sinais da sua presença. Mas, por fim, Moisés quis fugir. Como um servo que, diante da grandeza de seu senhor, tenta fugir de sua missão, Moisés também tentou voltar atrás, também tentou dizer “não” a Deus, também se negou a atender ao chamado do Pai. Ele se via incapaz de participar da obra do Altíssimo. “Ah, Senhor! Eu não tenho – clamou o Moisés – o dom da palavra; nunca o tive, nem mesmo depois que falastes ao vosso servo; tenho a boca e a língua pesadas” (Ex 4, 10). Moisés recuou.

Mas, o Senhor não escolhe os capacitados; Ele capacita os escolhidos. E a história bíblica nos ajuda a entender isso: “Quem deu – exclamou o Senhor diante da tentativa de fuga de Moisés – uma boca ao homem? Quem o faz mudo ou surdo, o faz ver ou cego? Não sou eu o Senhor? Vai, pois, eu estarei contigo quando falares, e ensinar-te-ei o que terás de dizer” (Ex 4, 11-12). Eu estarei contigo. O mísero e o fraco nada precisam temer, porque não contaram com suas próprias forças. Deus está do seu lado. Ora, o que fez Davi com o gigante Golias? Qual não foi a admiração dos três anciãos do livro de Jó ao verem as sábias palavras do jovem Eliú? Sim, é verdade o que ele diz: “[É] o Espírito de Deus no homem, e um sopro do Todo-Poderoso que torna inteligente” (Jó 32, 8). Da mesma forma, é o Espírito de Deus no homem, é um sopro do Altíssimo que torna forte, que capacita aqueles que são fracos.

Non praevalebunt, diz o Senhor a Pedro. Já no primeiro encontro entre eles, Jesus lhe disse: “Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas” (Jo 1, 42). Há aqui um prenúncio da missão de São Pedro: ser cefas, ser pedra. Simão era pescador. E Jesus chamou-lhe: “Vinde após mim e vos farei pescadores de homens” (Mt 4, 19). Antes, Pedro pescava peixes. A partir daquele momento, havia para ele uma nova missão: pescar homens, ou, de uma maneira mais clara, exposta no Evangelho de São João, apascentar ovelhas (cf. Jo 21, 17). Ora essa, entre milhares de sábios e doutores da Lei, entre tantas mentes brilhantes do tempo de Jesus, por que escolher um pescador que mal sabia escrever para continuar sua missão? Porque, de fato, é na fraqueza que se revela totalmente a força de Deus.

Pedro. O Concílio Vaticano II o chama de “perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade quer dos Bispos quer da multidão dos fiéis” (Lumen Gentium, 23). Enfim, vem a declaração que funda a Igreja de Cristo: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). Cefas, pedra desde o começo da sua missão, é pedra sobre a qual será edificada a Igreja de Cristo. Pedra: as portas do inferno non praevalebunt contra ela: não só contra a pedra, mas também non praevalebunt sobre a Igreja. Está aqui o fundamento da Igreja indestrutível: em Pedro.

Então voltamos às palavras que Deus profere ao profeta Jeremias: “eles farão guerra contra ti”. As portas do inferno existem. As batalhas e as tribulações existem. As dificuldades e as guerras hão de chegar. Mas – é o Senhor quem diz -, no fim, non praevalebunt. Deus não promete tranqüilidade, mas Ele dá a certeza da vitória. E quantos males não se abateram sobre a Igreja? Quantas vezes as portas do inferno tentaram prevalecer? Quantas heresias tentaram destruir o “perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade”? Ora, elas tentaram. Não conseguiram. Elas lutaram. Não venceram. Porque, afinal, o Senhor é fiel à sua promessa. E se as portas do inferno não prevalecerão, de fato, elas não prevalecerão; e não há reinado, potestade, ideologia ou heresia que consiga destruir a Igreja Católica, Mãe e Mestra da nossa Civilização.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!