Movimentos precisam aprender a reconhecer seus limites

“Certamente, estes movimentos precisavam ser ordenados e levados ao interior do todo; precisavam aprender a reconhecer seus limites e fazer parte da realidade comunitária da Igreja em sua própria constituição junto ao Papa e aos bispos. (…) Precisavam de guia e purificação para serem capazes de alcançar a forma da sua verdadeira maturidade (…). No entanto, são presentes pelos quais precisamos agradecer. (…) Não seria possível pensar na vida da Igreja da nossa época sem incluir nela estes presentes de Deus.”

(Papa Bento XVI, Os movimentos são presentes para a Igreja, diz Papa via Zenit, 23 de dezembro de 2009)

As palavras do Papa são importantes para estabelecer alguns critérios no que concerne ao nosso modo de participar e avaliar os movimentos contidos no seio da Igreja. Sim, o Papa elogiou os movimentos católicos. Disse, entre outras coisas, que elas são “presentes pelos quais precisamos agradecer” e que elas são fundamentais na vida da Igreja da nossa época. São observações positivas realmente bastante significativas. Mas as palavras do Papa não são somente de exaltação a esses movimentos que – reconhece ele – ainda precisam “aprender a reconhecer seus limites”, além de necessitar de “guia e purificação”.

E é impossível falar de movimento católico e não se lembrar da Renovação Carismática, movimento que é constantemente prestigiado pelos católicos do Brasil. Se por um lado é bem verdade que o movimento muitas pessoas tem trazido à Igreja, por outro, no entanto, observamos uma certa protestantização, em muitas comunidades, seja da liturgia, seja das próprias orações que são realizadas. Muitos participam dos grupos de oração carismáticos em busca de curas e milagres. Lembram-se somente do sentimentalismo e cultivam uma fé fraca, quase sempre guiada pelo relativismo. A interpretação particular da Bíblia é constantemente realizada por figuras importantes da RCC, levando e encorajando coordenadores a defenderem heresias e desvirtuarem o povo. Enfim, são muitos limites que precisam ser reconhecidos.

O que precisa ser sempre ressaltado quando falamos de movimentos católicos é que eles, como pertencendo ao corpo da Igreja, devem obedecer à Igreja, e a ninguém mais. Não devem eles, querendo aumentar o número de pessoas presentes nos grupos de oração, adicionar coisas novas à doutrina da Igreja como se ela pudesse ser facilmente manipulada e mutilada por qualquer um; não devem eles, querendo comover as pessoas, cantar músicas de fé diferente da católica; não devem eles mudar os ensinamentos de Cristo, mas serem fiéis ao Seu Evangelho, porque esse é o verdadeiro sinal de santidade.

No entanto, muitos estão se esquecendo de tudo isso. Se nos descuidarmos de pregar a fé católica às pessoas, a unidade será ameaçada; corremos o risco de relativizar a nossa fé às custas da hipocrisia proselitista. Sim, os movimentos são presentes de Deus, mas ainda precisam “aprender a reconhecer seus limites”. Confiemos em Deus e na Santíssima Virgem Maria. Só eles podem santificar esses movimentos presentes no seio da Igreja Católica.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

* * *

Leia mais: Papa elogia RCC e outros movimentos eclesiais, do blog OBLATVS.

Ruídos – Dom Eugenio Sales

[Segue abaixo um texto do Cardeal Eugenio Sales, Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio, falando sobre o silêncio sagrado. Ele cita, entre outros documentos, Santo Ambrósio: O diabo busca o barulho, Cristo, o silêncio. As nossas celebrações eucarísticas precisam cultivar esse silêncio. Triste é ver que em muitos lugares a missa se tornou um show; se vai não mais para se rezar e se ter um encontro íntimo com Deus mas para fazer festa e muito barulho diante do altar. Até parece que a Santa Missa não é o Sacrifício de Cristo. As reflexões desse cardeal da Igreja são importantíssimas. Ouçamos atentamente as suas palavras.]

Ruídos

Dom Eugenio Sales

Fonte: Site da Arquidiocese do Rio

Prezados ouvintes,

http://4.bp.blogspot.com/_3EIhGcgbfBI/Sh10SgLa5HI/AAAAAAAAAE4/CJArxuK9uWM/s320/DomVivemos em uma civilização profundamente marcada pelo ruído. Há um vozerio por toda parte. A técnica moderna, com extraordinária rapidez, cria instrumentos que enchem os ouvidos e também os olhos com tudo o que ocorre aqui e no mais distante recôndito do mundo. Cada vez mais se torna difícil o silêncio interior e exterior. No entanto, ele é importante para nossa saúde física, mental e, especialmente, espiritual.

Muitos sentem a necessidade de superar essa escravizante estrutura de nossa sociedade moderna. Buscam um ambiente de calma para unir-se a Deus ou mesmo para refletir sobre sua vida e os problemas cotidianos. Na parte religiosa, a Igreja deve preservar nos templos, de modo permanente, um clima de tranquilidade. São oásis mais valiosos hoje, quando a movimentação nas ruas e até nos lares é massificante. Durante o culto, os cânticos, leituras e aclamações, indispensáveis para fortificar uma convivência realmente comunitária, não excluem os momentos de meditação. Em um e outro caso, a Casa de Deus deve oferecer ao coração agitado a oportunidade de usufruir um intenso contato com o divino. Sem recolhimentos, frequentes e profundos, é impensável a sobrevivência e o progresso de uma vida cristã coerente e dinâmica, num mundo que frequentemente repele a mensagem decorrente do Evangelho.

Santo Ambrósio, ao tratar desse assunto, em sua época (século IV) que poderíamos chamá-la de absolutamente silenciosa em comparação com os nossos dias, chega a afirmar: “O diabo busca o barulho, Cristo, o silêncio”. Assim, que dizer hoje do ruído nas cerimônias litúrgicas? Certamente, os elevados decibéis são um aferidor dos obstáculos do encontro do homem consigo mesmo e Deus. Recordo os falsos profetas que gritavam sem serem ouvidos e que Elias ironicamente estimulava: “Gritai com mais força (…) ele é deus, (…) mas certamente estará dormindo (…)” (1 Rs 18, 27).

Do extremo de um imobilismo, fruto do individualismo passa-se para o outro igualmente condenável. Neste, a estridência dos sons de instrumentos que enervam não eleva a Deus o coração do fiel. E os promotores muitas vezes não são advertidos, pois se apresentam com o falso salvo-conduto de observantes das orientações conciliares. Não me refiro à missa para jovens, mas simplesmente ao bom-senso. Evidentemente, um auditório composto de pessoas em idade juvenil terá um comportamento diverso do de outras faixas etárias. No entanto, mesmo assim, há limites.

Em nossos dias, urge relembrar a importância de um ambiente que favoreça o contato com o divino nas cerimônias religiosas e lugares sagrados, não como fim, mas como meio válido de fecundo encontro com Deus ou manifestação de respeito à casa do Senhor.

O Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia (nº 30), ao tratar das normas que derivam da natureza hierárquica e comunitária da liturgia, conclui: “A seu tempo, seja guardado o sagrado silêncio”.

A justa ênfase na prática da renovação conciliar facilmente levou a exageros na comunicação entre os fiéis, quer nos atos oficiais, quer em outros momentos na igreja. E isso, às custas do ambiente convidativo à prece, inclusive pessoal, que deve reinar nos lugares santos, mesmo quando não há celebrações. Nos documentos posteriores ao Concílio, verificamos uma revalorização do silêncio, ao menos em certas circunstâncias, como indica a Instrução Geral do Missal Romano (3 de abril de 1969): “Oportunamente, como parte da celebração deve-se observar o silêncio sagrado” (nº 45).

A Escritura nos proporciona poderosa argumentação em favor de um grande esforço para restabelecer, em nossas igrejas, um clima de paz, em suma, de oração. Podemos constatar o significativo encontro de Elias com o Senhor, no Monte Horeb: “este não se encontrava no vento, nem no terremoto, nem no fogo e sim no ‘murmúrio de uma brisa’” (1 Rs 19, 9-15). E também quando o profeta Sofonias conclamava o povo: “Silêncio diante do Senhor!” (Sf 1, 7).

Na bela obra de Romano Guardini sobre a Missa, o capítulo I tem por título: “O silêncio”. Explica a razão de iniciar o livro com esse assunto: “Este livro trata da liturgia. Ora, se me perguntassem onde começa a vida litúrgica, eu responderia: com o aprendizado do silêncio. Sem ele, nada se obtém de válido (…). É a primeira condição para uma ação sagrada” (“La messe”, cap. I, pág. 20).

O recolhimento nas igrejas, dentro e fora do culto, só poderá existir se for fielmente observado por todos. Facilmente se deduz como é nocivo ter em torno de si pessoas que falam ou se movimentam ruidosamente. O templo é de todos e ninguém possui o direito de prejudicar o próximo.

Na observância do que é permitido e até normal, pode estar inserido algo que sirva de obstáculo à prece e união com o divino. Cito como exemplo a maior ou menor intensidade dos tons de certos instrumentos e a preservação do momento da saudação da paz, antes da Comunhão. Às vezes, ao desejá-la, nós o fazemos como se estivéssemos na via pública.

Temos necessidade de maior contato com o Altíssimo. Decorre daí a utilidade do exercício do silêncio, de modo particular em nossas igrejas. Nessa oportunidade nós homenageamos o Senhor, afastando interior e exteriormente a agitação do mundo. E as manifestações da comunidade devem ser fecundadas por uma atitude que favoreça o íntimo contato com Deus.

Dom Eugenio de Araújo Sales

Ruídos”, 23-10-09

Normas disciplinares para a correta realização das orações para alcançar de Deus a cura

[São visíveis no Brasil e no mundo inteiro os casos de abusos litúrgicos, que ferem a doutrina católica sobre a Santa Missa e destroem os valores sagrados da Igreja. Nesse sentido, publico abaixo as Disposições Disciplinares do documento “Instrução sobre as orações para alcançar de Deus a cura”, da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, de 2000. O documento, assinado pelo Cardeal Ratzinger – hoje Bento XVI – e aprovado pelo Santo Papa João Paulo II, exorta principalmente os bispos a zelarem da liturgia, no contexto de algumas missas especiais celebradas no Brasil, cuidando para que ela não se torne banal. Trata de modo particular das missas de cura que são realizadas muitas vezes em nosso país e promovidas pela RCC. Que Deus dê discernimento aos nossos bispos para que possam compreender qual é a vontade do Senhor e da Sua Santa Igreja: que se cumprar as normas prescritas pela Santa Sé. Boa leitura!]

Fonte: Vaticano


II. DISPOSIÇÕES DISCIPLINARES


Art. 1 - Todo o fiel pode elevar preces a Deus para alcançar a cura. Quando estas se fazem numa igreja ou noutro lugar sagrado, convém que seja um ministro ordenado a presidi-las.

Art. 2 - As orações de cura têm a qualificação de litúrgicas, quando inseridas nos livros litúrgicos aprovados pela autoridade competente da Igreja; caso contrário, são orações não litúrgicas.

Art. 3 - § 1. As orações de cura litúrgicas celebram-se segundo o rito prescrito e com as vestes sagradas indicadas no Ordo benedictionis infirmorum do Rituale Romanum.

§ 2. As Conferências Episcopais, em conformidade com quanto estabelecido nos Praenotanda, V, De aptationibus quae Conferentiae Episcoporum competunt do mesmo Rituale Romanum, podem fazer as adaptações ao rito das bênçãos dos enfermos, que considerarem pastoralmente oportunas ou eventualmente necessárias, com prévia revisão da Sé Apostólica.

Art. 4 - § 1. O Bispo diocesano tem o direito de emanar para a própria Igreja particular normas sobre as celebrações litúrgicas de cura, conforme o cân. 838, § 4.

§ 2. Os que estão encarregados de preparar ditas celebrações litúrgicas deverão ater-se a essas normas na realização das mesmas.

§ 3. A licença de realizar ditas celebrações tem de ser explícita, mesmo quando organizadas por Bispos ou Cardeais ou estes nelas participem. O Bispo diocesano tem o direito de negar tal licença a qualquer Bispo, sempre que houver uma razão justa e proporcionada.

Art. 5 - § 1. As orações de cura não litúrgicas realizam-se com modalidades diferentes das celebrações litúrgicas, tais como encontros de oração ou leitura da Palavra de Deus, salva sempre a vigilância do Ordinário do lugar, em conformidade com o cân. 839, § 2.

§ 2. Evite-se cuidadosamente confundir estas orações livres não litúrgicas com as celebrações litúrgicas propriamente ditas.

§ 3. É necessário, além disso, que na sua execução não se chegue, sobretudo por parte de quem as orienta, a formas parecidas com o histerismo, a artificialidade, a teatralidade ou o sensacionalismo.

Art. 6 - O uso de instrumentos de comunicação social, nomeadamente a televisão, durante as orações de cura, tanto litúrgicas como não litúrgicas, é submetido à vigilância do Bispo diocesano, em conformidade com o estabelecido no cân. 823 e com as normas emanadas pela Congregação para a Doutrina da Fé na Instrução de 30 de Março de 1992.

Art. 7 - § 1. Mantendo-se em vigor quanto acima disposto no art. 3 e salvas as funções para os doentes previstas nos livros litúrgicos, não devem inserir-se orações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, na celebração da Santíssima Eucaristia, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.

§ 2. Durante as celebrações, a que se refere o art. 1, é permitido inserir na oração universal ou «dos fiéis» intenções especiais de oração pela cura dos doentes, quando esta for nelas prevista.

Art. 8 - § 1. O ministério do exorcismo deve ser exercido na estreita dependência do Bispo diocesano e, em conformidade com o cân. 1172, com a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé de 29 de Setembro de 1985 e com o Rituale Romanum.

§ 2. As orações de exorcismo, contidas no Rituale Romanum, devem manter-se distintas das celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas.

§ 3. É absolutamente proibido inserir tais orações na celebração da Santa Missa, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.

Art. 9 - Os que presidem às celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, esforcem-se por manter na assembléia um clima de serena devoção, e atuem com a devida prudência, quando se verificarem curas entre os presentes. Terminada a celebração, poderão recolher, com simplicidade e precisão, os eventuais testemunhos e submeterão o fato à autoridade eclesiástica competente.

Art. 10 - A intervenção da autoridade do Bispo diocesano é obrigatória e necessária, quando se verificarem abusos nas celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, em caso de evidente escândalo para a comunidade dos fiéis ou quando houver grave inobservância das normas litúrgicas e disciplinares.

O Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida ao abaixo assinado Prefeito, aprovou a presente Instrução, decidida na reunião ordinária desta Congregação, e mandou que fosse publicada.

Roma, Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 14 de Setembro de 2000, Festa da exaltação da Santa Cruz.

+ Joseph Card. RATZINGER,
Prefeito

+ Tarcisio BERTONE, S.D.B.,
Arc. Emérito de Vercelli,
Secretário

Os milagres espirituais

[O sermão abaixo é de autoria do Santo Papa Gregório Magno, onde ele fala sobre os verdadeiros milagres dos cristãos. O Evangelho analisado em questão é o de São Marcos 16,16. É um apelo do Santo Papa que, com grande atualidade, expressa quais são os milagres que o Senhor de fato quer. Boa leitura!]

Fonte: Montfort

São Gregório Magno

“Eis os sinais que acompanharão aqueles que terão acreditado: em meu nome, eles expulsarão os demônios, eles falarão em línguas novas, eles pegarão em serpentes, e se tiverem bebido algum veneno mortal, ele não lhes fará nenhum mal. Eles imporão suas mãos aos doentes e estes serão curados” (São Marcos 16,16).

Será que, meus caros irmãos, pelo fato de que vós não fazeis nenhum destes milagres, é sinal de que vós não tendes nenhuma fé?

Estes sinais foram necessários no começo da Igreja. Para que a Fé crescesse, era preciso nutri-la com milagres. Também nós, quando nós plantamos árvores, nós as regamos até que as vemos bem implantadas na terra. Uma vez que elas se enraizaram, cessamos de regá-las.

Eis porque São Paulo dizia: “O dom das línguas é um milagre não para os fiéis, mas para os infiéis” (1Cor 14,22).

Sobre esses sinais e esses poderes, temos nós que fazer observações mais precisas?

A Santa Igreja faz todo dia, espiritualmente, o que ela realizava então nos corpos, por meio dos Apóstolos. Porque, quando os seus padres, pela graça do exorcismo, impõem as mãos sobre os que crêem, e proíbem aos espíritos malignos de habitar sua alma, faz outra coisa que expulsar os demônios?

Todos esses fiéis que abandonam o linguajar mundano de sua vida passada, cantam os santos mistérios, proclamam com todas as suas forças os louvores e o poder de seu Criador, fazem eles outra coisa que falar em línguas novas?

Aqueles que, por sua exortação ao bem, extraem do coração dos outros a maldade, agarram serpentes.

Os que ouvem maus conselhos sem, de modo algum, se deixar arrastar por eles a agir mal, bebem uma bebida mortal, sem que ela lhes faça mal algum.

Aqueles que todas a vezes que vêem seu próximo enfraquecer, para fazer o bem, e o ajudam com tudo o que podem, fortificam, pelo exemplo de suas ações, aqueles cuja vida vacila, que fazem eles senão impor suas mãos aos doentes, a fim de que recobrem a saúde?

Estes milagres são tanto maiores pelo fato de serem espirituais, são tanto maiores porque repõem de pé, não os corpos, mas as almas.

Também vós, irmãos caríssimos, realizais, com a ajuda de Deus, tais milagres, vós os realizais, se quiserdes.

Pelos milagres exteriores não se pode obter a vida. Esses milagres corporais, por vezes, manifestam a santidade. Eles não criam a santidade.

Os milagres espirituais agem na alma. Eles não manifestam uma vida virtuosa. Eles fazem vida virtuosa.

Também os maus podem realizar aqueles milagres materiais. Mas os milagres espirituais só os bons podem fazê-los.

É por isso que a Verdade diz, de certas pessoas:

“Muitos me dirão, naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não foi em teu nome que nós profetizamos, que nós expulsamos os demônios e que realizamos muitos prodígios?’ E Eu lhes direi: “Eu não vos conheço. Afastai-vos de Mim, vós que fazeis o mal” (São Mateus 7,22-23).

Não desejeis, ó irmãos caríssimos, fazer os milagres que podem ser comuns também aos réprobos, mas desejai esses milagres da caridade e do amor fraterno dos quais acabamos de falar: eles são tanto mais seguros pelo fato de que são escondidos, e porque acharão, junto a Deus, uma recompensa tanto mais bela quanto eles dão menor glória diante dos homens.

São Gregório Magno, Papa, Sermões sobre o Evangelho, Livro II, Les éditions du Cerf, Paris, 2008, volume II, pp. 205 a 209.

O que falar da RCC?

Fui introduzido no meio católico desde pequeno, mas minha verdadeira experiência com Deus começou em março do ano passado, quando comecei a perseverar no grupo de oração da Renovação Carismática em minha cidade. Ou seja, o momento em que comecei a tornar-me de fato “católico” marcou o início desse BLOG. Faz muito tempo e já ocorreram vários progressos espirituais e ortográficos, perceptíveis em meus artigos e também em minha vida.

Não houve um marco específico que eu possa dizer: “Foi nesse momento que comecei a minha relação com Deus…” O que me fez experimentar Deus mesmo foi a minha constância no grupo de oração e na Santa Missa. Confesso que, antes de participar da RCC, não sabia o significado da Missa. Foi através das meditações da palavra que fui criando gosto pelo catolicismo e pela tradição. Primeiramente começou com a Palavra de Deus. E foi nesse período, mais ou menos um ano atrás que descobri o valor da Missa. Desde aí foram raras as vezes que faltei a ela. Depois, aprendi a amar o Magistério da Igreja e sua Tradição. Foram coisas sucessivas.

Bom, o que posso dizer da Renovação Carismática, se foi ela que me introduziu de fato na Igreja, como uma pessoa praticante e amante da Palavra? Ela é um ótimo movimento, que leva as pessoas para Deus. Isso é muito bom. A Igreja Católica precisa mesmo desses artifícios de evangelização. Não interpretamos isso como se a Igreja sem a RCC tivesse métodos ineficientes, mas digo isso no sentido de que “quanto mais formas de evangelizar o povo e trazê-lo para a fé católica tivermos melhor”. Eu, assim como tantas outras pessoas, fui ‘vítima’ do Espírito Santo através desse movimento. Tenho muito que agradecer a ele.

Com plena certeza, posso afirmar que a RCC é mais uma prova da ação viva do Espírito Santo na Igreja. Se pelos seus Sacramentos e ensinamentos, já vemos o Espírito Santo, pela RCC então essa ‘visão’ evidencia-se. Existem, contudo, coisas que devem ser mudadas nos grupos de oração para que possam ser totalmente fidedignos à Igreja. O que considero mais incômodo nos grupos de oração é o excesso de sentimentalismo que existe. Além disso, usa-se de forma abusiva algumas práticas como o batismo no Espírito Santo, a oração em línguas, entre outros “dons” do Espírito Santo que exigem um grande APROFUNDAMENTO para serem devidamente praticados.

Consideremos, no entanto, que tudo isso é uma questão de fé. Não devemos abusar dessas práticas, mas não podemos também nos esquecer que a Renovação veio trazer esse avivamento espiritual aos católicos, como forma de realização de curas, milagres, sinais e prodígios. A RCC não é perfeita, mas é um movimento – repito – muito bom, pois traz ao seio da Igreja muitas ovelhas que estavam perdidas nas falsas doutrinas. E Deus quer justamente isso: que todos sejamos um! Na busca da unidade, a Igreja vai à frente e leva, junto com ela, uma prova de que o ecumenismo está sendo verdadeiramente promovido no Brasil e no mundo todo: a Renovação Carismática Católica.

Graça e paz.

RCC missionária

A RCC, hoje, é João Batista em sua missão!

Fonte: Canção Nova

http://zonal5.zip.net/images/RCC2.jpgReinflama o carisma, pois o “dia do Senhor” está próximo! É a hora do Espírito! É a hora da Igreja! O Espírito e a Esposa [Igreja] dizem: Vem, Senhor Jesus!

Hoje o Senhor está investindo tudo. Ele está investindo Seu Espírito Santo para trazer de volta os Seus filhos. O que estamos presenciando é o que nos diz a profecia de Joel: “Publicai o jejum, convocai a assembleia, reuni os anciãos e toda a população no templo do Senhor, vosso Deus, e clamai ao Senhor: ‘Ai, que dia!’ O dia do Senhor está próximo. Tocai a trombeta em Sião, daí alarme no meu monte santo! Estremeceram todos os habitantes da terra, eis que se aproxima o dia do Senhor. Por isso, agora ainda – oráculo do Senhor –, voltai a mim de todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos de luto” (Joel 1,14-15a; 2-1.12).

Essa profecia é um grande apelo à conversão! O Senhor sabe que somos assim: ouvimos, nos emocionamos, ficamos até abalados, e depois tudo passa. Mas agora o apelo é urgente! O Senhor quer salvar os Seus filhos, quer trazê-los de volta! “Pois o dia dos Senhor está próximo!” Antes que Ele venha, antes que Ele seja obrigado a separar as águas, antes que venha para separar o joio do trigo, Ele quer trazer os Seus filhos de volta. Por essa razão Ele está derramando Seu Espírito Santo, Ele está fazendo com que os dons do Paráclito se realizem de maneira concreta! Palpável! Visível! Ele nos está levando à coragem apostólica. À ousadia na evangelização, conduzindo-nos ao dom da “profecia”.

João veio e pregou a conversão: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus” (Mateus 3, 2). Essa foi a profecia de João Batista, que preparou o povo para a primeira vinda de Jesus Cristo. A Renovação Carismática Católica, hoje, é João Batista em sua missão, preparando novamente o povo, trazendo-o de volta para Deus por causa da segunda vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo! Repito: Porque o Senhor está próximo, muito próximo!

Eis o que diz a profecia de Joel: “Vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões” (Joel 3, 1-2ss).

Tudo isso está acontecendo! É um derramamento do Espírito Santo com prodígios, sinais e milagres! É um derramamento com abundância de prodígios: “Vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões”.

Vem, Senhor Jesus!

Seu irmão,

Monsenhor Jonas Abib

Solenidade da Ascensão do Senhor

Celebramos o Domingo da Ascensão de Jesus Cristo aos céus. O termo ascensão, cuja definição está relacionada primordialmente à subida de alguém, gira em torno desse conceito: “subir pelos seus próprios meios”. Ao contrário de Maria, que foi assunta ao céu, ou seja, elevada, Jesus elevou-se. “Ser elevado” traz um conceito de passividade enquanto “elevar-se” mostra uma atividade própria. Jesus, de fato, voltava para o Pai. Durante essa 6ª semana da Páscoa, Ele nos alertava frequentemente sobre esse acontecimento próximo: “Eu me vou para junto do Meu Pai” (Jo 16,10). Bom, de fato, aconteceu. Ele foi para junto do Pai.

http://www.redejovem.net/blog/joseverissimo/media/ascensao.jpg

E nesse contexto de “abandonamento” – superficialmente falando – a Liturgia vem nos mostrar justamente esse fato segundo a visão dos apóstolos, primeiramente assustada e, posteriormente, saciada com a vinda do Paráclito. Jesus ficou, como mostra Lucas na narração da primeira leitura dos Atos dos Apóstolos, 40 dias depois de sua morte e Ressurreição com os apóstolos, anunciando a eles o Reino de Deus e preparando-lhes para a vinda do Espírito Santo. Ele fala do “batismo com Espírito Santo” (cf. At 1,5).

Mudemos nossa mentalidade acerca disso. Primeiramente consideremos que esse batismo no Espírito Santo não é algo qualquer, realizado por alguns ditos “profetas” em qualquer salão que aparece no meio da avenida. Batizar-se com o Espírito é, antes de tudo, professar a fé que Jesus nos manda proclamar. Diz Ele, ainda no Evangelho: “Quem crer e for batizado será salvo” (Mc 16,16). Jesus usa então o termo da – crer – primeiro, antes desse batismo. E Ele faz isso na intenção de anunciar a nós que para que ocorra uma verdadeira e vivificadora transformação do Espírito Santo em nossas vidas é preciso haver primeiramente . Não liguemos isso com RCC, movimentos pentecostais, igrejas protestantes ou outras “correntes” que, geralmente, ensinam muitos a ter uma visão completamente diferente desse verdadeiro “advento do Espírito”. Deixar que esse Espírito de fato venha significa cumprir a vontade do Pai, que se manifesta especialmente por meio de Sua Igreja.

E por que é importante esclarecer isso? Porque a fé e o cumprimento da Palavra são requisitos básicos para que possamos obter a salvação. O Espírito Santo, como fogo renovador, quer justamente entrar em nossos corações com força missionária, trazendo-nos à realidade da conversão, sem se esquecer, claro, do que manda Jesus, por meio do seu Corpo, que é a Igreja (cf. Ef 1,22). Essa necessidade é maior ainda quando vemos que não determinamos em nosso poder o tempo que o Pai designou para o fim dos tempos: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade” (At 1,7). Como não sabemos que hora o Senhor virá, faz-se preciso estabelecer um momento para a nossa mudança de vida: hoje mesmo. Se soubéssemos que hora o Senhor viria, ora, converter-nos-íamos a hora que bem entendêssemos. No entanto, esse fato – o de não sabermos os momentos que o Pai designou para o fim – nos obriga a fazermos rapidamente um reavivamento de valores, uma renovação de fé.

Assim, depois que Jesus confirma a seus apóstolos a necessidade da fé, do batismo e da conversão, sobe aos céus: “Homens da Galiléia,”, interrogam-nos os anjos, “por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu” (At 1,11). Essa mensagem dada a eles é hoje para nós sinal de duas coisas: vigilância e esperança. A vigilância nos encoraja a não mais ficarmos parados e pormos em prática o que nos pede Jesus por meio das suas sublimes palavras no Evangelho; no mesmo sentido, nos motiva a manter essa atitude sempre constante, de modo a, quando Jesus em sua glória vier, estarmos prontos para com ele subirmos. A esperança, por sua vez, é o que nos motiva a perseguir essa caminhada. Por que qual seria o motivo pelo qual praticaríamos a Palavra no mundo de hoje? É justamente essa esperança da qual tanto nos fala o Evangelho que nos enche de vontade de cumprir o mandato de Deus a todos nós. É preciso, portanto, vigiar, esperar, agir, obedecer.

E para que isso em nossa vida se faça presente, São Paulo, na segunda leitura, faz-nos uma bela exortação, acompanhada de uma oração a Deus pedindo que mande sobre nós sabedoria (cf. Ef 1,17) para que possamos compreender a sua existência e a sua vontade. Pede a Deus, ao mesmo tempo, que nos ilumine com sua luz, a fim de que percebamos três coisas muito importantes, as quais merecem peculiar destaque: (1) “para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá” (Ef 1,18); (2) “qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos” (Ef 1,18); (3) “que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos” (Ef 1,19).

(1) Essa esperança que seu chamamento nos dá trata justamente do que falávamos anteriormente quando citávamos a mensagem dos ‘homens de branco’ aos apóstolos. A esperança que o chamamento de Deus nos dá é especialmente a de saber que, através do cumprimento fiel da Sua Palavra, podemos confiar que haverá para nós algo maior. Esperançar-se nesse amor de Deus é, ao mesmo tempo, não deixar-se desesperar quando o mal vem e tenta nos tirar do seu caminho. Para tudo isso, a necessidade da luz de Deus é também empenho para a obediência dos seus mandamentos.

(2) A herança que temos com os santos é missão que conquistamos a cada dia. A riqueza da glória que nos fala São Paulo é dever nosso adquirir. Por meio da bondade de Deus, a nossa conduta desempenha um papel fundamental na nossa entrada jubilosa na vida eterna. Desfrutar da herança dos santos é, ao mesmo tempo, ser santo! Esse compromisso de santidade mostra que somos capazes das virtudes, mas ao mesmo tempo demonstra a nossa limitação quanto aos nossos aspectos humanos. Se precisamos ser santos, é porque ainda não o somos. Nesse sentido, mais uma missão é-nos apresentada.

(3) Aqueles que temem o Senhor recebem d’Ele total apoio. Deus, por eles, intercede sempre porque agradam a Deus. Quando Paulo fala então desse “poder que ele exerce” em favor dos que crêem, encerra uma triologia de coisas fundamentais que devemos saber a respeito das conseqüências da fé: primeiramente, a esperança, depois, a santidade; e, enfim, a intercessão divina.

Na mesma linha – a de apresentar preceitos fundamentais – o apóstolo trata de anunciar a verdade do Corpo de Cristo: “Ele pôs tudo sob seus pés e fez dele [Jesus], que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja, que é o seu corpo” (Ef 1,23). Jesus então é a cabeça da Igreja, que é seu Corpo. Então Jesus é cabeça e ao mesmo tempo, o Corpo. Assim, identifica-se uma impossibilidade de separação entre Cristo e Sua Igreja. Não há como separá-los porque são o mesmo Corpo, a mesma carne. Ensinam, portanto, a mesma coisa e são fiéis à Palavra do Pai. Jesus Cristo, por meio da Igreja, se faz presente hoje. Ele não deixa de advertir os homens sobre os perigos da sociedade moderna e das vãs filosofias. Prometeu que não nos abandonaria e, pela Igreja, manifesta sua eterna presença.

Essa eterna presença é acompanhada do caráter missionário da Igreja, cumprindo o que nos manda Jesus no Evangelho de hoje: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!” (Mc 16,15). A Igreja, como Corpo, conta com seus membros para que, junto com sacerdotes, bispos e diáconos, possam promover essa cultura de evangelização no mundo hoje. É preciso, assim como São Paulo, ter sempre um desejo sempre maior pelo anúncio de Jesus: “Ai de mim se não anunciar o Evangelho!” (1 Cor 9,16) Isso é não só falar, mas sim pôr em prática. Porque o mais rico testemunho é o daquele que cumpre a Palavra de Deus agindo concretamente segundo a sua vontade. E o pior testemunho é o daquele que fica apontando o dedo para os outros, mas não muda sua conduta.

Jesus quer que sejamos esses evangelizadores em meio ao mundo. Peçamos a Ele que mande sobre nós a nossa luz. Que nossas palavras sejam não nossas, mas, que, por meio da nossa boca, Ele possa revelar os seus mandamentos. Queremos, Senhor, ouvir o que tu tens a nos falar. Como Maria, digamos: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a vossa Palavra” (Lc 1,38). Ela nos ajudará nesse caminhar tão difícil rumo ao Pai.

Graça e paz.

Transe não é ação do Espírito Santo

Retirado do blog Fé, Ciência e Etc…

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Palavras do Pe. Léo:

“Estamos envenenando o Espírito Santo com o espírito mundano. A Nova Era envenena o Espírito Santo que está dentro das pessoas, pois traz o maligno revestido de coisas boas. E, tristeza das tristezas, trata-se de um veneno que intoxica muitos padres, muitos coordenadores de grupos de oração e muita gente da Renovação Carismática Católica. Certos grupos de oração confundem cura interior com transe espírita! É um psicologismo barato, não tem nada de cura interior! É uma pena ver a Nova Era ganhar espaço em muitos grupos de orações e missas que se dizem carismáticas, e estes perderem o essencial.

Conheço lugares que têm grupos de orações, onde a missa começa às sete horas e o grupo às sete e meia. Às sete horas, na missa, tem poucas pessoas, às sete e meia lota a Igreja. Eles ficam lá fora esperando acabar a missa para entrar no grupo. Isso é grupo de oração da Nova Era, não é católico não! Se fosse católico chegava lá às seis e meia para rezar o terço e se preparar para a missa. ‘Ah, mas o padre não é carismático’. O padre não é carismático, azar o dele, interessa que Jesus é carismático, e você vai a missa por causa de Jesus.”

“Renovados pelo Espírito Santo”, Pe. Léo, SCJ. Editora Canção Nova.

Nascer do Espírito – o papel da RCC na Igreja

Ontem, dia da Misericórdia Divina, celebrávamos a unidade da Igreja, que constituía-se um só coração e uma só alma (cf. At 4,32). Ao mesmo tempo proclamávamos Jesus Cristo, morto e ressuscitado, provando a Tomé que havia de fato voltado à vida. Refletimos a misericórdia no contexto da fé e da união. Dizia o Senhor: “Felizes aqueles que crêem sem ter visto!” (Jo 20,29). É momento de pensar: Cremos em Deus como Tomé ou como os outros apóstolos? Cremos na Eucaristia, em Jesus Cristo, naquilo que Ele vem nos pregar através do Evangelho? Ao mesmo tempo, comemoramos a vitória de Cristo sobre a morte: Laetare Jerusalém! Assim como no Domingo Laetare da Quaresma, o domingo da Alegria, hoje cantamos, junto com Jesus Misericórdia: Laetare! E acrescentamos: “Jesus, eu confio em vós!”

Cantar essa misericórdia de Deus que nos faz mais vivos é, na liturgia de hoje, mais que uma formalidade, uma obrigação. Ele nos chama à plena conversão e mostra que só podemos ir ao céu se nascermos novamente (cf. Jo 3,3). Nesse sentido, os apóstolos de Cristo vivem, após sua ressurreição, um Novo Pentecostes”. Diz a primeira leitura: “Quando terminaram a oração, tremeu o lugar onde estavam reunidos. Todos, então, ficaram cheios do Espírito Santo e anunciaram corajosamente a palavra de Deus” (At 4,31). Essa graça de fazer tremer o lugar onde estavam reunidos demonstrava o fervor da oração que faziam os apóstolos naquela ocasião porque o Senhor estava com eles. Jesus prometeu: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18,20).

Ora, então por que hoje não fazemos tremer os lugares onde oramos? Se Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre, por que não está acontecendo hoje em nossas vidas os prodígios de Pentecostes? (cf. Padre Léo, pr. Jovens Restaurados, 1999) Ora, o erro está em nós. Jesus prometeu que estaria conosco. Precisamos crer mais. Veja: eu disse “crer”. Quando vamos à missa ou ao grupo de oração, a única coisa que fazemos é pedir. Esquecemos de exaltar a Deus; buscamos somente a nossa alegria. A religião visa o teocentrismo, e não o antropocentrismo. Quem está no centro de tudo é Deus e não nós. João Batista dizia: “Importa que ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30).

A nossa oração deve ser justamente isso: prestar mais atenção em Deus; fazer com que diminuamos, pois, só assim podemos fazer os nossos problemas também diminuírem. Dessa forma, com Deus em primeiro lugar, a graça aumenta. Veja: os meus problemas devem ser pequenos diante de Deus, para que sua graça seja maior. Mas, só sabemos pensar em nós. “Tremer o chão” significa que o pedido será atendido. Se não é atendido, ou seja, se não treme o chão, é porque não oramos direito, não pedimos o auxílio do Espírito Santo. E como os apóstolos oraram?

Senhor, tu criaste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. Por meio do Espírito Santo, disseste através do teu servo Davi, nosso pai: ‘por que se enfureceram as nações, e os povos imaginaram coisas vãs? Os reis da terra se insurgem e os príncipes conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu Messias’. Foi assim que aconteceu nesta cidade: Herodes e Pôncio Pilatos uniram-se com os pagãos e os povos de Israel contra Jesus, teu santo servo, a quem ungiste, a fim de executarem tudo o que a tua mão e a tua vontade haviam predeterminado que sucedesse. Agora, Senhor, olha as ameaças que fazem e concede que os teus servos anunciem corajosamente a tua palavra. Estende a mão para que se realizem curas, sinais e prodígios por meio do teu santo servo Jesus (At 4,24-30).

Eles oraram fazendo uma exaltação a Deus. Exaltá-lo não é puxar o saco d’Ele para que Ele nos atenda; é como expliquei: Deus tem que ser maior para que sejamos atendidos. Além disso, precisamos pedir com um fim único: a edificação. São Tiago dizia o seguinte: “Pedis e não recebeis porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes as vossas paixões” (4,3). A nossa oração tem que ser em vista da edificação do Reino de Deus, e não da edificação da nossa própria vontade. A música Deus é maior, do Flavinho, lembra muito bem isso que falamos. Para Deus ser maior em nossa vida, no entanto, precisamos fazer com que o nosso problema seja menor que Ele. Oramos como se Deus não conseguisse nos ajudar.

A Renovação Carismática Católica, assim como o Concílio Vaticano II, vieram fazer na Igreja essa renovação, esse “Novo Pentecostes”. Dizia o servo João Paulo II, sobre o Vaticano II: “Na missão eclesial, aparecem hoje vários sinais de esperança, ligados intimamente com aquela abundante efusão do Espírito Santo (como se fosse um novo Pentecostes), que a Igreja experimentou na preparação, celebração e aplicação do Concílio Vaticano II” (J. Paulo II, Esperança na Igreja). Com essa grande efusão do Espírito Santo do Concílio, o que ele poderia gerar seria somente obra do Espírito Santo realmente. Nasceu a RCC, com essa missão de dar à oração esse aspecto mais teocêntrico, exaltando a Deus soberanamente e esquecendo-se de nós mesmos.

Só que vemos, até na RCC, esse “esfriamento” em sua missão. O que vemos são grupos fracos, ‘nocauteados’ pelas brigas internas, pelos rancores e ódios de alguns membros e, principalmente, pela visão egocêntrica do homem. Vemos em alguns grupos algo do tipo: Senhor, cura minhas fraquezas! Senhor, dá-me forças! E só no final do grupo ouvimos um tão esperado “Obrigado Senhor!, por tudo o que tu fazes em nossa vida”, ou uma exaltação a Deus. Isso precisa mudar. Se a RCC veio foi para trazer cada vez mais esse espírito teocêntrico às pessoas e à própria Igreja de Cristo, então, ela precisa pôr em prática hoje sua meta. Isso só será possível, lembrando o Evangelho, se nascermos de novo.

Jesus diz que, para entrarmos no seu Reino, devemos renascer da água e do Espírito. Ora que isso quer dizer? Em primeiro lugar, Jesus quer falar do Batismo – a água – e, no sentido do Espírito, Ele quer que tenhamos uma vida renovada. Diz São Paulo na carta aos efésios: “Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma” (Ef 4,23). Então, primeiro, essa entrada no Reino de Deus exige o batismo. Cristo confirmou essa necessidade várias vezes no NT. Dizia: Quem crer e for batizado, será salvo. O batismo então é esse caminho, essa porta. Depois, precisamos do Espírito, da fé, da renovação. Isso exige de nós boas atitudes, fé, omissão ao pecado, renúncia, perdão, amor e tudo aquilo que fielmente cremos necessário para que alcancemos o Reino de Deus.

É tudo simples. As coisas de Deus são muito simples. Só que, por causa do fardo do pecado, complicamos o tudo e metemos os pés pelas mãos. Esse “renascer da água e do Espírito” é maravilhoso e é aquilo que muitos movimentos hoje, como a RCC, chamam de “batismo no Espírito Santo”. É fato que a CNBB, em sua instrução aos grupos de oração, pediu que esse termo fosse omitido porque poderia causar confusão nos fiéis como um suposto “novo sacramento”. Mas, ele nada mais é do que essa efusão. Diz Jesus nessa conversa com Nicodemos: “O vento sopra onde quer; (…) não sabes donde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3,8). O que estou dizendo? Que a efusão do Espírito acontece quando estamos orando na assembléia em alta voz, orando em línguas? Não. Veja, o que dizia ainda a primeira leitura: “Quando terminaram a oração…” A ação do Espírito Santo acontece depois da oração porque enquanto estamos orando, a única coisa que podemos fazer é justamente orar. Só depois poderemos notar a diferença que aquela oração fez em nossa vida.

Nasceremos do Espírito só a partir do momento em que começarmos a entender que precisamos somente de Deus e da Igreja para que a efusão aconteça em nossa vida. Deus quer agir em nós a partir da exaltação que fazemos a Ele. A liturgia está nos apresentando Jesus, a pedra que os pedreiros rejeitaram, doravante, a pedra angular. Só poderemos entrar na vida eterna a partir do momento que adorarmos essa pedra, esse Jesus sacramentado na Eucaristia. Que Ele nos ajude, junto com Nossa Mãe Maria, a caminhar, pois só assim poderemos chegar a Deus.

Graça e paz.

Mundo precisa de renovação no Espírito Santo

Afirma Salvatore Martínez, presidente do movimento carismático na Itália

Por Carmen Elena Villa

ROMA, domingo, 29 de março de 2009 (ZENIT.org).- O mundo precisa de uma renovação no Espírito Santo, constata Salvatore Martínez, presidente na Itália do movimento da Renovação no Espírito Santo (RnS).

Martínez interveio na segunda-feira passada, durante a catequese sobre São Paulo, que se realiza a cada mês na Basílica São Paulo Fora dos Muros por ocasião do Ano Paulino.

A associação «Renovação no Espírito Santo» foi fundada na Itália em 1967 por Dino Foglio. Está formada em sua maioria por leigos. Compreende também sacerdotes e pessoas consagradas. Seus membros se reúnem em grupos locais e comunidades, tanto no âmbito diocesano como regional e nacional.

Martínez assegurou que os novos movimentos eclesiais são «um dom especial do Espírito Santo à Igreja de nosso tempo» e recordou as palavras do Papa Bento XVI durante a Jornada Mundial em Sydney, quando assegurou que «o mundo precisa de uma renovação».

«O vento sopra onde quer e não sabe de onde vem nem para onde vai», reconheceu.

São Paulo, um grande inspirador

Fazendo referência ao conteúdo das cartas paulinas, Martínez assegurou que «nossas comunidades encontram nas páginas de São Paulo o dinamismo da fé».

Assegurou que nesse novo tempo «vimos como uma geração renasceu no Espírito», o qual trouxe imensos frutos como «muitas conversões, sobretudo entre os jovens».

Disse que este é um tempo também de redescoberta para muitos sacerdotes «do sentido profundo da própria vocação».

«O Espírito está chamando a uma nova evangelização, a uma Igreja nova», afirmou, precisando que para isso todos os homens «têm necessidade de um coração novo»; e também de «um amor que deve esvaziar-se de nossa natureza e preenchê-la com a consolação do Espírito».

Assinalou desta forma  que em tempos de crise a espiritualidade é a «maior reserva de esperança. Aqueles que podem com força defender a vida».

Afirmou também a importância da oração: «só quem ora ensina aos homens. Aprende a reconhecer que o outro é um dom e nunca um problema».

E recordou algumas palavras do então cardeal Joseph Ratzinger: «só um homem tocado por Deus poderá tocar a história».

É importante, reconheceu, «ensinar o homem a viver uma vida interior em um mundo exteriorizado», porque «os homens aprendem a viver a história com os olhos da história».

O presidente nacional italiano da Renovação no Espírito Santo testemunhou que, «em nosso movimento, encontramos as pessoas que perderam o sentido da vida», e que aprenderam a «descobrir o valor da cruz. Nossa alegria carrega o doloroso trabalho da experiência humana, propõe um amor apaixonado, amor a Cristo».

Martínez concluiu sua intervenção citando uma frase da Madre Teresa: «Nunca deixes que nada te encha tanto de pena que te faça esquecer a alegria de Cristo ressuscitado».

«Nós cremos que no Espírito está o segredo da eterna juventude da Igreja. Aquele que traz beleza à Igreja é Jesus, é o Senhor, é o grito que se escuta há dois mil anos», afirmou.