Papa Francisco: O “trono real” de Jesus “é o madeiro da Cruz”.

Papa Francisco, Domingo de Ramos“E aqui temos a primeira palavra que vos queria dizer: alegria! Nunca sejais homens e mulheres tristes: um cristão não o pode ser jamais! Nunca vos deixeis invadir pelo desânimo! A nossa alegria não nasce do fato de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa: Jesus, que está no meio de nós; nasce do fato de sabermos que, com Ele, nunca estamos sozinhos, mesmo nos momentos difíceis, mesmo quando o caminho da vida é confrontado com problemas e obstáculos que parecem insuperáveis… e há tantos! E nestes momentos vem o inimigo, vem o diabo, muitas vezes disfarçado de anjo, e insidiosamente nos diz a sua palavra. Não o escuteis! Sigamos Jesus! Nós acompanhamos, seguimos Jesus, mas sobretudo sabemos que Ele nos acompanha e nos carrega aos seus ombros: aqui está a nossa alegria, a esperança que devemos levar a este nosso mundo. E, por favor, não deixeis que vos roubem a esperança! Não deixeis roubar a esperança… aquela que nos dá Jesus!”

“Segunda palavra (…): Cruz. Jesus entra em Jerusalém para morrer na Cruz. E é precisamente aqui que refulge o seu ser Rei segundo Deus: o seu trono real é o madeiro da Cruz! Vem-me à mente aquilo que Bento XVI dizia aos Cardeais: Vós sois príncipes, mas de um Rei crucificado. Tal é o trono de Jesus. Jesus toma-o sobre Si… Porquê a Cruz? Porque Jesus toma sobre Si o mal, a sujeira, o pecado do mundo, incluindo o nosso pecado, o pecado de todos nós, e lava-o; lava-o com o seu sangue, com a misericórdia, com o amor de Deus. Olhemos ao nosso redor… Tantas feridas infligidas pelo mal à humanidade: guerras, violências, conflitos económicos que atingem quem é mais fraco, sede de dinheiro, que depois ninguém pode levar consigo, terá de o deixar. A minha avó dizia-nos (éramos nós meninos): a mortalha não tem bolsos. Amor ao dinheiro, poder, corrupção, divisões, crimes contra a vida humana e contra a criação! E também – como bem o sabe e conhece cada um de nós – os nossos pecados pessoais: as faltas de amor e respeito para com Deus, com o próximo e com a criação inteira. E na cruz, Jesus sente todo o peso do mal e, com a força do amor de Deus, vence-o, derrota-o na sua ressurreição. Este é o bem que Jesus realiza por todos nós sobre o trono da Cruz. Abraçada com amor, a cruz de Cristo nunca leva à tristeza, mas à alegria, à alegria de sermos salvos e de realizarmos um bocadinho daquilo que Ele fez no dia da sua morte.”

“Hoje, nesta Praça, há tantos jovens. (…) E aqui aparece a terceira palavra: jovens! Queridos jovens, vi-vos quando entráveis em procissão; imagino-vos fazendo festa ao redor de Jesus, agitando os ramos de oliveira; imagino-vos gritando o seu nome e expressando a vossa alegria por estardes com Ele! Vós tendes um parte importante na festa da fé! Vós trazeis-nos a alegria da fé e dizeis-nos que devemos viver a fé com um coração jovem, sempre: um coração jovem, mesmo aos setenta, oitenta anos! Coração jovem! Com Cristo, o coração nunca envelhece. Entretanto todos sabemos – e bem o sabeis vós – que o Rei que seguimos e nos acompanha, é muito especial: é um Rei que ama até à cruz e nos ensina a servir, a amar. E vós não tendes vergonha da sua Cruz; antes, abraçai-la, porque compreendestes que é no dom de si, no dom de si, no sair de si mesmo, que se alcança a verdadeira alegria e que com o amor de Deus Ele venceu o mal.

Da homilia do Santo Padre, o Papa Francisco, na Missa de Domingo de Ramos, 24 de março de 2013 (grifos meus)

Papa, sobre a reforma litúrgica conciliar: “Houve muitos equívocos e irregularidades.”

Ano da Fé chegando, celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II também… Procurando refletir um pouco sobre a sagrada Liturgia, o Santo Padre se pronuncia:

“Com base numa apreciação cada vez mais profunda das fontes da Liturgia, o Concílio promoveu a participação plena e ativa dos fiéis no Sacrifício Eucarístico. Hoje, olhando os desejos então expressos pelos Padres Conciliares sobre a renovação litúrgica à luz da experiência da Igreja universal no período transcorrido, é claro que uma grande parte foi alcançada; mas vê-se igualmente que houve muitos equívocos e irregularidades. A renovação das formas externas, desejada pelos Padres Conciliares, visava tornar mais fácil a penetração na profundidade íntima do mistério; o seu verdadeiro objetivo era levar as pessoas a um encontro pessoal com o Senhor presente na Eucaristia, e portanto com o Deus vivo, de modo que, através deste contato com o amor de Cristo, o amor mútuo dos seus irmãos e irmãs também pudesse crescer. Todavia, não raro, a revisão das formas litúrgicas manteve-se a um nível exterior e a ‘participação ativa’ foi confundida com o agitar-se externamente. Por isso, ainda há muito a fazer na senda duma real renovação litúrgica. Num mundo em mudança, obcecado cada vez mais com as coisas materiais, precisamos de aprender a reconhecer de novo a presença misteriosa do Senhor Ressuscitado, o único que pode dar respiração e profundidade à nossa vida.”

“A Eucaristia é o culto da Igreja inteira, mas requer também pleno empenho de cada cristão na missão da Igreja; encerra um apelo a sermos o povo santo de Deus, mas chama também cada um à santidade individual; deve ser celebrada com grande alegria e simplicidade, mas também de forma quanto possível digna e reverente; convida-nos a arrepender dos nossos pecados, mas também a perdoar aos nossos irmãos e irmãs; une-nos a todos no Espírito, mas também nos ordena, no mesmo Espírito, de levar a boa nova da salvação aos outros.”

- Papa Bento XVI, na conclusão do 50º Congresso
Eucarístico Internacional em Dublin

17 de junho de 2012

O Papa traça – como de costume – uma linha entre o que desejavam os padres conciliares e o que aconteceu efetivamente após a sua realização. Com a explosão da contracultura e da revolução sexual dos anos 70 moldou-se um certo “espírito do Concílio” – o aggiornamento proposto por João XXIII passaria de “transmissão da fé cristã ao mundo moderno” para uma completa “secularização do Evangelho”. Aquilo que pretendiam os bispos, em comunhão com o Santo Padre, foi totalmente deturpado. Os modernistas surgiram para fazer da mensagem de Cristo aquilo que bem entendiam, esquecendo-se da fidelidade à Tradição de dois mil anos da Igreja. O resultado foi devastador… Os frutos amargos de toda esta distorção do Vaticano II quem colhe somos nós.

Especificamente no que se refere à Liturgia, são visíveis os estragos feitos nesta realidade que deveria ser tratada com todo respeito e diligência. Os sacrários foram para o canto das igrejas: Jesus era tirado do centro; em seu lugar, deixava-se um solene vazio. A cruz foi tirada do altar: a Missa “deixava de ser” sacrifício, para representar uma mera celebração festiva, um banquete. O canto gregoriano foi substituído por algumas músicas animadas, de louvor – e a ideia de sacrifício caia definitivamente em ostracismo.

Como recuperar o verdadeiro espírito da Liturgia – ou seja, o espírito de sacrifício, de solenidade? O caminho é simples: passa pela senda da obediência. Ao falarmos de Liturgia, devemos recorrer à figura da sarça ardente. “Moisés notou que a sarça estava em chamas, mas não se consumia. (…) Vendo o Senhor que Moisés se aproximava para observar, Deus o chamou do meio da sarça: ‘Moisés, Moisés! (…) Não te aproximes daqui! Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é chão sagrado’.” (Ex 3, 2.4-5). Sacerdote, vais celebrar o Santo Sacrifício? Então, “tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é chão sagrado”. Vais rezar a Oração Eucarística? “Tira as sandálias dos pés”, não tenhas a pretensão de alterar uma vírgula do que lês, afinal “o lugar onde estás é chão sagrado”. Vais receber o Corpo e Sangue do Santíssimo Redentor, “tira as sandálias dos pés”… E esta atitude pode ser indicada não só aos sacerdotes, como também aos religiosos, aos leigos e a todos que, na Igreja, são chamados a assistir à Santa Missa. A Liturgia católica é um “chão sagrado” e qualquer um que pretenda, como Moisés, aproximar-se, deve imediatamente “tirar as sandálias”, reconhecer a sublimidade do mistério que vai contemplar: se Moisés ficara intrigado com uma sarça, quanto não deveríamos ficar extasiados com o milagre da transubstanciação, do pão e do vinho que se transformam na carne e no sangue do próprio Deus!

Que possamos participar sempre com mais devoção e fervor da Santa Missa, tendo em mente que foi por meio desta celebração que, ao longo dos séculos, inúmeros servos da Igreja se santificaram; que foi recebendo o Corpo e Sangue do Cordeiro que se sustentaram as almas dos bem-aventurados; que foi celebrando este Sacrifício que uma incontável legião de sacerdotes salvaram a si mesmos e aos seus.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

A Sabedoria redime o mundo com Seu Sangue

Não sei se todos já tiveram a oportunidade de ler aquele trecho do livro dos Provérbios, no qual a Sabedoria fala de si mesma como aquela que estava junto de Javé “como o mestre-de-obras” (cf. Pv 8, 30). “Iahweh me criou, primícias de sua obra, de seus feitos mais antigos. Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes da origem da terra” (Pv 8, 22-23). O trecho faz claríssima alusão à segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Filho. É óbvio que o judeu que lia este trecho, antes da vinda de Cristo, não pensava em falar coisas como “o Filho é consubstancial ao Pai” ou “o Verbo é gerado, não sendo criatura”. No entanto, como já recomenda-nos a Igreja, se é preciso ler o Antigo Testamento à luz da Nova Aliança, é sem dúvida deveras importante fazer esta ligação.

É que, embora saibamos que ao conhecimento de Deus podemos chegar pela razão natural, conforme indica-nos o Concílio Vaticano I, Ele não abandona os homens à sua própria sorte. Toda a história do povo de Israel é um constante chamado do Altíssimo à fidelidade, ao cumprimento da aliança de amor firmada entre o Senhor e seus servos. As palavras dos profetas, verdadeiramente inspiradas por Ele, não são apenas fragmentos de escritos esparsos, mas sim o apelo amoroso de um Pai que quer ver a conversão de seus filhos. http://i1.trekearth.com/photos/35261/dsc03049.jpgNa boca de Ezequiel Javé coloca a bela exortação que segue:

“Assim, pois, casa de Israel, é segundo o vosso próprio proceder que julgarei cada um de vós – oráculo do Senhor Javé. Convertei-vos! Renunciai a todas as vossas faltas! Que não haja mais em vós o mal que vos faça cair. Repeli para longe de vós todas as vossas culpas, para criardes em vós um coração novo e um novo espírito. Por que haveríeis de morrer, israelitas? Não sinto prazer com a morte de quem quer que seja – oráculo do Senhor Javé! Convertei-vos, e vivereis!

- Ezequiel, 18, 30-32

O Deus amoroso de Israel, no entanto, quer estender seu plano de salvação a todos os homens. Faz isto por meio da Sabedoria eterna, o Verbo divino. “Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas” – começa assim a carta aos hebreus. Esta revelação do Pai aos profetas é conhecida como revelação pré-cristã. Ela aponta necessariamente para um novo horizonte, não está totalmente completa. “Ultimamente [Deus] nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas”. Aqui podemos contemplar toda a plenitude da Revelação divina. E – atentemo-nos – não haverá outra revelação. O que precisava ser dito foi espelhado em Jesus; o que urgia ser ensinado foi explicado definitivamente pelo Mestre. Se no livro dos Provérbios, a Sabedoria se contentava em contar como colaborou na Criação do Universo, os Evangelhos vêm nos falar da ação redentora do Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. A Sabedoria se fez carne, diz-nos São João. Habitou em nosso meio. Reconciliou-nos, mesmo, com Deus.

E foi suficientíssimo o sacrifício oferecido por Cristo. Diferentemente das celebrações do Velho Testamento, onde eram imolados animais, simples criaturas, a doação que se realiza na Cruz é uma oferenda feita pelo próprio Criador. A oferta verdadeiramente digna de Deus, enfim… De que mais precisamos? Por acaso deveríamos esperar – como desejam os seguidores de Allan Kardec, p. ex. – por uma “terceira” revelação?

Não mesmo. Ora, o que mais querem os homens? O próprio Senhor se fez carne para nos salvar, resgatou-nos com o preço de seu preciosíssimo Sangue. Será isto ainda insuficiente?

É certo que não, mas sabe-se que o desejo de pregar uma “nova” revelação está intimamente ligado à descrença no poder redentor do Sangue de Jesus. Diz um autor kardecista, chamado León Denis, que “a missão do Cristo não era resgatar com o seu sangue os crimes da Humanidade”. Ele chega a dizer que “[o] sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém”. [Ver mais comentários a tamanha estupidez neste antigo post de nosso blog.]

Triste ver o homem desprezando a Sabedoria, Aquela que é gerada pelo Pai desde toda a eternidade; triste constatar a indiferença de muitos em relação à pessoa de Cristo, Verbo encarnado. Falar desta indiferença hoje é comentar o erro da heresia ariana. O Filho não é criatura do Pai; é, pelo contrário, o próprio Deus. São três pessoas realmente distintas; uma só natureza divina; um só Senhor. Jesus não é, portanto, apenas um homem; não é apenas uma figura marcante ou, como querem muitos, um simples reformador social. Jesus é Deus que se entregou para nos salvar. O centro de toda a história humana está no máximo ato de amor divino. “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

A graça de receber o pão da vida, com as devidas disposições

http://www.marypages.com/Siena2.jpgConsidera como é grande a pessoa que recebeu o pão da vida, o alimento dos anjos, com as devidas disposições. Ela permanece em mim e eu nela, como o peixe está no mar e o mar no peixe.”
- Deus a Santa Catarina de Sena

Celebramos no dia de hoje a memória de Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja. Esta grande mística é muito conhecida por denunciar as imoralidades às quais aderiam os sacerdotes de sua época, chamando-os a abrir os olhos à necessidade de salvar as almas e glorificar o Altíssimo. Mas, muitos outros temas procurou abordar Catarina, seja no livro conhecido como O Diálogo, no qual ela mantém uma conversa profunda com Deus, seja em suas Cartas, muitas piedosamente redigidas, sendo que numerosas foram endereçadas a membros do clero, convidando-os ao zelo pelas almas e pelas coisas do alto.

Gostaríamos de fazer alguns comentários a um trecho d’O Diálogo, publicado no blog Tesouros da Igreja Católica, no qual Santa Catarina fala da maneira como deveríamos receber a Sagrada Eucaristia. Recordemos, a priori, aquilo que nos fala o Catecismo de São Pio X quanto às disposições para receber dignamente o excelso Sacramento: “Para fazer uma comunhão bem feita, são necessárias três coisas: primeira, estar em estado de graça; segunda, estar em jejum desde uma hora antes da comunhão; e terceira, saber o que se vai receber e aproximar-se da sagrada Comunhão com devoção” (n. 626). Aquilo que dizem os preceitos da Igreja não pode ser simplesmente ignorado e banalizado; o que sabemos, porém, é que muitas pessoas, em nossas igrejas, estão comungando em estado de inimizade com Deus. E o mesmo Catecismo de São Pio X é enfático ao falar de tal atitude: “Quem comungasse em pecado mortal, receberia a Jesus Cristo, mas não a sua graça; pelo contrário, cometeria sacrilégio e incorreria na sentença de condenação” (n. 630). A expressão usada explicita a gravidade do pecado de quem se aproxima indignamente de Jesus Eucarístico. Sublinhamos a palavra “indignamente” porque sabemos que nenhum de nós somos dignos nem mesmo de nos aproximarmos d’Aquele que é. Deus quis, entretanto, dar-se a nós, neste Sacramento; pede-nos, outrossim, pelo menos que estejamos em estado de amizade para com Ele. E a certeza de que comungar em pecado mortal é “sentença de condenação” remonta aos tempos apostólicos, como nos garante São Paulo: “Aquele que o come [o pão] e o bebe [o vinho] sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação” (1 Cor 11, 29).

A Palavra de Deus ecoa pelos séculos. E Santa Catarina é responsável por transmitir esta sempre nova mensagem aos cristãos de seu tempo; é Deus Quem lhe fala: “Sabes a que se assemelha a pessoa que comunga indignamente? Se assemelha a uma vela molhada na água que apenas faz barulho ao ser encostada ao fogo; e, se por acaso acende, logo se apaga, fazendo fumaça.” Não há como acender o pavio da “vela” da alma de uma pessoa que está em pecado mortal. Explica o Senhor a Catarina: “No dia do Batismo, recebeis uma vela; se depois pecais, derramais ‘água’ em vosso íntimo, umedecendo o ‘pavio’ de vossa graça batismal; então, sem procurar ‘secá-lo’ por meio da penitência, ides à mesa da comunhão receber a luz do sacramento eucarístico: recebê-la-eis materialmente, não segundo o espírito.” O exemplo dado é muito bom, pois ilustra com precisão o drama daquele que, recebendo o perdão dos pecados no dia do seu Batismo, acaba perdendo a graça de Deus aderindo ao Seu inimigo, que é o demônio. A nossa alma se encontra literalmente morta e não é a Eucaristia que irá restaurá-la a vida.

Ora, mas não é o padre mesmo que pede, antes de comungar, que a Eucaristia que ele irá receber seja “sustento e remédio para minha vida”? Ora, sim, mas as enfermidades mais graves – como é o caso do pecado grave -, devem ser curadas com outro Sacramento: o da Penitência. A Eucaristia apaga os pecados veniais, não os mortais. É por isso, sacramento de vivos, ao passo que a Confissão é sacramento de mortos – ou seja, daqueles que estão com alma em estado de desgraça. Sim, pode interrogar um cristão, mas e se eu sentir em meu coração o impulso a comungar, mesmo que eu esteja em pecado grave? Bom, se esta inspiração lhe incita a desobedecer um preceito da Igreja, certamente não é uma inspiração divina, definitivamente. Não podemos, como já foi dito, imaginar as palavras da Igreja como meros detalhes, coisas insignificantes que podemos burlar caso “sentirmos em nosso coração” um desejo contrário ao que por ela é exortado. O que diz a Igreja é o que quer dizer-nos o Senhor. Por isso entregou este a Pedro as chaves do Reino dos céus: para que tudo que fosse ligado na terra fosse também ligado nos céus (cf. Mt 16, 19).

Também pede-nos o Catecismo, para que bem comunguemos, “saber o que se vai receber e aproximar-se da sagrada Comunhão com devoção”. É o que Santa Catarina continua a nos falar:

http://beinbetter.files.wordpress.com/2011/04/asagradacomunhc383o.jpg?w=226&h=143“Todo homem deveria sentir o coração inflamado de caridade ao considerar, entre os outros favores meus, o benefício deste sacramento! Com que olhos, filha querida, tu e os demais deveríeis ver e tocar este mistério! Quero dizer: ‘ver’ e ‘tocar’ não apenas materialmente. Aqui, pouco valem os sentidos externos. O olho vê unicamente um pãozinho branco; a mão, ao tocar, nada percebe de mais profundo; o paladar sente só o gosto do pão. Enganam-se os pobres sentidos! Não se enganem, porém, os sentimentos do coração. Que o homem não queira enganar-se; que ele não recuse a luz da fé através do pecado da infidelidade. É pelo sentimento interior que o homem saboreia este sacramento; ele somente é visto pela inteligência iluminada com a fé. Somente esta enxerga na hóstia branca o todo-Deus e o todo-Homem, a natureza divina unida à humana, o corpo, alma, sangue de Cristo; sua alma unida ao corpo, o corpo e a alma unidos à divindade!”

Praestet fides suplementum sensuum defectui, diz o hino composto há oito séculos por São Tomás de Aquino. Aos nossos sentidos escapa o milagre da transubstanciação; à nossa “inteligência iluminada com a fé”, porém, não passa despercebida a notável verdade do Deus que se faz alimento para a nossa salvação. E é tendo sempre em mente esta certeza que devemos nos aproximar da Sagrada Eucaristia. Aquilo que nos oferece o sacerdote não é um simples pedaço de pão, não é um simples alimento, um rito do qual participamos como se participássemos de qualquer banquete; quando nos ajoelhamos diante da hóstia, ajoelhamo-nos diante do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. O sacerdote diz-nos: “O Corpo de Cristo!” E é verdade: ali está verdadeiramente nosso Senhor! Que temor, pois, deve assaltar o nosso coração só de pensarmos em contristar Aquele que derramou o Seu Sangue para a nossa salvação! Este temor deve converter-se em ação concreta. Se estamos conscientes de tê-Lo ofendido gravemente, não entramos na fila da Comunhão. E não importa se a sua melhor amiga ali entrou, se aquela pessoa que tem uma conduta pouco exemplar ali está… Ali, na igreja, estão você e os homens. No dia do Juízo, estarão cara a cara você e Deus. A quem queremos, afinal, agradar?

Demos, enfim, graças a Deus por que Ele quis se fazer presente em nosso meio através do diviníssimo Sacramento da Eucaristia. E esforcemo-nos para comungar com frequência, buscando, ao mesmo tempo, manter em nossa alma seco o pavio, para que Ele, encontrando-nos, possa acender em nós o fogo da sua graça. E que Santa Catarina de Sena rogue ao Altíssimo por Seus sacerdotes, para que celebrem com piedade e profundo respeito o Sacrifício que Ele quis instituir para a remissão de nossas faltas.

Santa Catarina de Sena,
rogai por nós!

Graças e louvores sejam dados a todo o momento
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Quanta coisa nossa época precisa aprender dos Santos!

Recentemente a blogosfera católica se inquietou com mais uma ocorrência lastimável de abuso litúrgico. A paróquia da vez é brasileira e está situada na cidade de Maringá, no sul do país. O vídeo abaixo, que faz um resumo da situação, alude a uma missa pré-balada, celebrada de maneira dita “jovem”.

Poucos comentários precisariam ser feitos. O Jorge Ferraz já trouxe considerações oportunas sobre o que aconteceu e transcreveu inclusive um trecho importantíssimo da instrução Redemptionis Sacramentum: “O Mistério da Eucaristia é demasiado grande para que alguém possa permitir tratá-lo ao seu arbítrio pessoal, pois não respeitaria nem seu caráter sagrado, nem sua dimensão universal” (n. 11). O documento é de 2004 mas sua exortação é, de fato, muito atual. Assaz adequada para a ocasião é também a observação de São Leonardo de Porto-Maurício: “Lemos no Antigo Testamento que, quando os israelitas ofereciam seus sacrifícios, nos que somente se imolavam touros, cordeiros e outros animais, admirava ver a atenção, o silêncio e veneração com que assistiam àquelas solenidades. Mesmo que o número de assistentes fosse imenso e os ministros e sacrificadores chegassem a setecentos, parecia, no entanto, que o templo estava vazio, tanto era o cuidado com que cada um procurava não fazer o menor ruído. Pois bem; se tanta era a veneração com que se celebravam esses sacrifícios que, no fim, não eram mais que uma sombra, uma simples imagem do nosso, com que respeito, com que devoção e silêncio não devemos assistir à celebração da Santa Missa, onde o Cordeiro sem mancha, o Verbo Divino se imola por todos nós?

Respeito, devoção, silêncio… Quanta coisa nossa época precisa aprender dos Santos! Os tempos mudaram, mas os remédios para os velhos males que buscam afetar nossa alma são os mesmos. E trazer a agitação deste mundo tão conturbado para dentro de nossas igrejas certamente não é a melhor forma de demonstrar a riqueza de nossa fé ou o respeito às prescrições litúrgicas. Seria realmente interessante se os jovens ouvissem o apelo do Papa, dos santos, do próprio Cristo, portanto. Que o Sacrifício no qual o Verbo é imolado por todos nós seja celebrado com piedade, com respeito. E que o conselho de São Pio de Pietrelcina – que assistamos à Santa Missa como assistiram Maria Santíssima e São João às dores de Cristo no Calvário – seja atendido pela juventude de nosso tempo.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Não às palmas durante a celebração da Santa Missa

Abaixo artigo de Dom Roberto, bispo auxiliar de Niterói, sobre o “bater palmas” na santa celebração da Missa. Nossa Senhora e São João ao pé da cruz no Calvário certamente não estavam batendo palmas. Não deixem de ler. ;)

Fonte: site da Arquidiocese de Niterói

Dom Roberto Francisco Ferrería Paz

http://www.arquidioceseniteroi.org.br/spic/bco_arq/foto%20dom%20roberto.jpgPrimeiramente porque não existe o gesto litúrgico de bater palmas, a única referência que a CNBB autoriza como facultativo é no rito de ordenação depois de ser aceito o candidato, que como podemos apreciar não é um contexto celebrativo.

Porque não se adequa à teologia da Missa que, conforme a Carta Apostólica Dominicae Cenae de João Paulo II do 24/02/1980, exige respeito a sacralidade e sacrificialidade do mistério eucarístico: “O mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental deixa simplesmente de ser tal”. Superando as visões secularistas que reduzem a eucaristia a uma ceia fraterna ou uma festa profana. Nossa Senhora e São João ao pé da cruz no Calvário, certamente não estavam batendo palmas.

Porque bater palmas é um gesto que dispersa e distrai das finalidades da missa gerando um clima emocional que faz passar a assembleia de povo sacerdotal orante a massa de torcedores, inviabilizando o recolhimento interior.

Porque o gesto de bater palmas olvida e esquece duas importantes observações do então Cardeal Joseph Ratzinger sobre os desvios da Liturgia: “A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado. Muitos pensaram e disseram que a Liturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém, terminou por dispersar o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer. Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo à Igreja inteira pode atribuir-se: o que nela se manifesta é o absolutamente Outro que, através da comunidade, chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável: discursos, palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão… Mas ficou no esquecimento que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio, em certos ritos, não sobrou nenhum vestígio”.

Finalmente porque sendo a Liturgia um Bem de todos, temos o direito a encontrarmos a Deus nela, o direito a uma celebração harmoniosa, equilibrada e sóbria que nos revele a beleza eterna do Deus Santo, superando tentativas de reduzi-la à banalidade e a mediocridade de eventos de auditório.

Jesus, o pão vivo que desceu do céu

http://www.arquidiocesedebrasilia.org.br/imagens/vidaeterna.jpgQuem participou da Santa Missa essa semana presenciou um amável debate travado entre Nosso Senhor Jesus Cristo e alguns de seus discípulos. O discurso de Jesus é memorável: fala sobre o Pão da vida. Na ocasião as palavras de Cristo foram motivo de escândalo e, a partir daquele momento, “muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele” (Jo 6, 66).

Mas, o que disse Jesus de tão importante nesse momento, que fez com que tantos discípulos seus se afastassem? “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo” (Jo 6, 51). Jesus estava fazendo alusão ao sacrifício que ia padecer: o Sacrifício da Cruz. Naquele momento, Ele estava próximo de beber do cálice que o Pai havia lhe preparado. Pela sua paixão e morte, escrevem os apóstolos de Nosso Senhor, fomos redimidos, fomos salvos.

Esse sacrifício que há quase dois mil anos atrás se deu no Calvário se realiza todos os dias em nossas igrejas. Às vezes buscamos felicidade em lugares tão distantes, tão afastados e, às vezes, tão imundos… Buscamos nas coisas do mundo aquilo que só Deus pode nos dar. Ele fala! Muitos católicos vão pouquíssimas vezes à igreja no ano; outros vão todos os domingos… Nas festas, a presença é mais constante do que na igreja. A impressão é de que a festa traga mais felicidade. E é verdade? De fato, pura ilusão, pois, por mais opções que o mundo possa lhe oferecer, todas elas são passageiras. Só aquilo que está solidificado em Deus permanece. E, afinal, do que vale uma felicidade que não permanece? Do que vale um coração instável, que facilmente se alegra com os prazeres da carne mas facilmente se entristece quando lhe falta esse prazer?

Nas nossas igrejas o sacrifício da Cruz acontece. É certo que em alguns lugares, por problemas de falta de sacerdotes, o povo dificilmente tem acesso à Eucaristia; a busca pela felicidade em outras fontes é cada vez mais constante. Mas, quando esse encontro acontece, infelizmente há uma indiferença desanimadora.

E por que essa indiferença? Será por que Nosso Senhor está escondido sob o véu do pão e do vinho? Não exatamente, não exatamente. O que acontece é que muito se preocupa com os elementos de música, de decoração, de animação… O mais importante fica muitas vezes esquecido. Nós não estamos querendo dizer que não devemos preparar a igreja para Jesus. Ah, quão zelosa é a atitude daqueles que, compenetrados pelo amor de Cristo, enfeitam Sua casa! O problema está no desvio da atenção. São Pio de Pietrelcina, perguntado sobre como deveríamos assistir ao piedoso sacrifício da Missa, respondia: “Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício sangrento da cruz”. São Leonardo de Porto-Maurício, em outras palavras: “Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos.”

E por que tanta indiferença? Deve ser porque meninos que vão às aulas de Catecismo, ao invés de aprenderem realidades fundamentais da nossa fé, já se cansaram de tanto desenhar e colorir desenhos… Deve ser porque, ao invés de falar de Eucaristia, de Sacramentos, de testemunho cristão, muitos catequistas andam ensinando nossos meninos a lutarem contra a propriedade privada ou contra o opressor sistema capitalista… É verdade: a culpa nem sempre é deles, mas, sendo ou não culpados, estão ajudando a perpetuar uma cultura de secularismo, que acaba por desvalorizar a fé e agir com indiferença e tibieza diante do Santíssimo Sacramento.

Foi o Concílio de Trento quem determinou: “[N]este divino sacrifício, que se realiza na Missa, se encerra e é sacrificado incruentamente aquele mesmo Cristo que uma só vez cruentamente no altar da cruz se ofereceu a si mesmo”. É verdade. Roma locuta, causa finita est. O Sacrifício da Missa é o Sacrifício da Cruz. A indiferença diante do mistério da Santa Missa é a indiferença diante do sacrifício da Cruz, diante do sacrifício de um justo que padecia por milhares de pecadores.

A indiferença… Nem mesmo os discípulos de Jesus naquele tempo podiam ser indiferentes à dura realidade da presença real de Nosso Senhor na Eucaristia. Por isso aqueles que não acreditaram deixaram de segui-lo. Hoje, no entanto, muitos não acreditam, mas disfarçadamente O seguem. Seguem a Cristo até certo limite. A partir de determinado ponto, não mais crêem. São católicos até um certo limite: “Tem coisas na Igreja com as quais eu não concordo”. Está edificado o castelo de hipocrisia sobre a areia. Com a provação, vem a fuga.

Engana-se, no entanto, quem pensa que a indiferença se manifesta escancaradamente. Por nossos pecados graves, com nossas impiedades, crucificamos novamente o Filho de Deus; desprezamos o valor da Redenção; pisamos no Sangue da Nova Aliança. De nobres filhos de Deus passamos a miseráveis merecedores do inferno. Pela Penitência, que o Senhor instituiu para mostrar-nos a sua face misericordiosa, recobramos a graça de Deus. Arrependidos, voltamo-nos ao Pai. Mas, ao mesmo tempo, perguntamo-nos a nós mesmos: Como deixar acesa a graça de Deus em nossa alma?

“Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos” (Jo 6, 53). A Eucaristia sustenta. Assim como o pão é alimento para o nosso corpo, o Corpo de Cristo é alimento para a nossa alma. Se não comerdes a carne do Filho do Homem, morrereis. Pior que a morte do corpo, inevitável destino de todo ser humano, é a morte da alma. Busquemos nossas forças nesse pão que nutre e revigora todos os cristãos. E que a Santíssima Virgem, Mãe da Eucaristia, nos ajude a trilhar o caminho que conduz à vida eterna.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Sete excelências da batina

Indicação: Erguei-vos, Senhor
Fonte: Duc in Altum

Esta breve coleção de textos nos recorda a importância do uniforme sacerdotal, a batina ou hábito talar. Valha outro tanto para o hábito religioso próprio das ordens e congregações. Em um mundo secularizado, da parte dos consagrados não há melhor testemunho cristão que a vestimenta sagrada nos sacerdotes e religiosos.

SETE EXCELÊNCIAS DA BATINA

http://2.bp.blogspot.com/_xEgO_6tzzYo/SnOxnXojyXI/AAAAAAAAAp8/Xw_PhPmRnSY/s400/padre+com+batina.jpgAtente-se como o impacto da batina é grande ante a sociedade, que muitos regimes anticristãos a têm proibido expressamente. Isto nos deve dizer algo. Como é possível que agora, homens que se dizem de Igreja desprezem seu significado e se neguem a usá-la?

Hoje em dia são poucas as ocasiões em que podemos admirar um sacerdote vestindo sua batina. O uso da batina, uma tradição que remonta a tempos antiqüíssimos, tem sido esquecido e às vezes até desprezado na Igreja pós-conciliar. Porém isto não quer dizer que a batina perdeu sua utilidade, se não que a indisciplina e o relaxamento dos costumes entre o clero em geral é uma triste realidade.

A batina foi instituída pela Igreja pelo fim do século V com o propósito de dar aos seus sacerdotes um modo de vestir sério, simples e austero. Recolhendo, guardando esta tradição, o Código de Direito Canônico impõe o hábito eclesiástico a todos os sacerdotes.

Contra o ensinamento perene da Igreja está a opinião de círculos inimigos da Tradição que tratam de nos fazer acreditar que o hábito não faz o monge, que o sacerdócio se leva dentro, que o vestir é o de menos e que o sacerdote é o mesmo de batina ou à paisana.

Sem dúvida a experiência mostra o contrário, porque quando há mais de 1500 anos a Igreja decidiu legislar sobre este assunto foi porque era e continua sendo importante, já que ela não se preocupa com ninharias.

Em seguida expomos sete excelências da batina condensadas de um escrito do ilustre Padre Jaime Tovar Patrón.

1ª RECORDAÇÃO CONSTANTE DO SACERDOTE

Certamente que, uma vez recebida a ordem sacerdotal, não se esquece facilmente. Porém um lembrete nunca faz mal: algo visível, um símbolo constante, um despertador sem ruído, um sinal ou bandeira. O que vai à paisana é um entre muitos, o que vai de batina, não. É um sacerdote e ele é o primeiro persuadido. Não pode permanecer neutro, o traje o denuncia. Ou se faz um mártir ou um traidor, se chega a tal ocasião. O que não pode é ficar no anonimato, como um qualquer. E logo quando tanto se fala de compromisso! Não há compromisso quando exteriormente nada diz do que se é. Quando se despreza o uniforme, se despreza a categoria ou classe que este representa.

2ª PRESENÇA DO SOBRENATURAL NO MUNDO

Não resta dúvida de que os símbolos nos rodeiam por todas as partes: sinais, bandeiras, insígnias, uniformes… Um dos que mais influencia é o uniforme. Um policial, um guardião, é necessário que atue, detenha, dê multas, etc. Sua simples presença influi nos demais: conforta, dá segurança, irrita ou deixa nervoso, segundo sejam as intenções e conduta dos cidadãos.

Uma batina sempre suscita algo nos que nos rodeiam. Desperta o sentido do sobrenatural. Não faz falta pregar, nem sequer abrir os lábios. Ao que está de bem com Deus dá ânimo, ao que tem a consciência pesada avisa, ao que vive longe de Deus produz arrependimento.

As relações da alma com Deus não são exclusivas do templo. Muita, muitíssima gente não pisa na Igreja. Para estas pessoas, que melhor maneira de lhes levar a mensagem de Cristo do que deixar-lhes ver um sacerdote consagrado vestindo sua batina? Os fiéis tem lamentado a dessacralização e seus devastadores efeitos. Os modernistas clamam contra o suposto triunfalismo, tiram os hábitos, rechaçam a coroa pontifícia, as tradições de sempre e depois se queixam de seminários vazios; de falta de vocações. Apagam o fogo e se queixam de frio. Não há dúvidas: o “desbatinamento” ou “desembatinação” leva à dessacralização.

3ª É DE GRANDE UTILIDADE PARA OS FIÉIS

O sacerdote o é não só quando está no templo administrando os sacramentos, mas nas vinte e quatro horas do dia. O sacerdócio não é uma profissão, com um horário marcado; é uma vida, uma entrega total e sem reservas a Deus. O povo de Deus tem direito a que o auxilie o sacerdote. Isto se facilita se podem reconhecer o sacerdote entre as demais pessoas, se este leva um sinal externo. Aquele que deseja trabalhar como sacerdote de Cristo deve poder ser identificado como tal para o benefício dos fiéis e melhor desempenho de sua missão.

4ª SERVE PARA PRESERVAR DE MUITOS PERIGOS

A quantas coisas se atreveriam os clérigos e religiosos se não fosse pelo hábito! Esta advertência, que era somente teórica quando a escrevia o exemplar religioso Pe. Eduardo F. Regatillo, S.I., é hoje uma terrível realidade.

Primeiro, foram coisas de pouca monta: entrar em bares, lugares de recreio, diversão, conviver com os seculares, porém pouco a pouco se tem ido cada vez a mais.

Os modernistas querem nos fazer crer que a batina é um obstáculo para que a mensagem de Cristo entre no mundo. Porém, suprimindo-a, desapareceram as credenciais e a mesma mensagem. De tal modo, que já muitos pensam que o primeiro que se deve salvar é o mesmo sacerdote que se despojou da batina supostamente para salvar os outros.

Deve-se reconhecer que a batina fortalece a vocação e diminui as ocasiões de pecar para aquele que a veste e para os que o rodeiam. Dos milhares que abandonaram o sacerdócio depois do Concílio Vaticano II, praticamente nenhum abandonou a batina no dia anterior ao de ir embora: tinham-no feito muito antes.

5ª AJUDA DESINTERESSADA AOS DEMAIS

O povo cristão vê no sacerdote o homem de Deus, que não busca seu bem particular se não o de seus paroquianos. O povo escancara as portas do coração para escutar o padre que é o mesmo para o pobre e para o poderoso. As portas das repartições, dos departamentos, dos escritórios, por mais altas que sejam, se abrem diante das batinas e dos hábitos religiosos. Quem nega a uma monja o pão que pede para seus pobres ou idosos? Tudo isto está tradicionalmente ligado a alguns hábitos. Este prestígio da batina se tem acumulado à base de tempo, de sacrifícios, de abnegação. E agora, se desprendem dela como se se tratasse de um estorvo?

6ª IMPÕE A MODERAÇÃO NO VESTIR

A Igreja preservou sempre seus sacerdotes do vício de aparentar mais do que se é e da ostentação dando-lhes um hábito singelo em que não cabem os luxos. A batina é de uma peça (desde o pescoço até os pés), de uma cor (preta) e de uma forma (saco). Os arminhos e ornamentos ricos se deixam para o templo, pois essas distinções não adornam a pessoa se não o ministro de Deus para que dê realce às cerimônias sagradas da Igreja.

Porém, vestindo-se à paisana, a vaidade persegue o sacerdote como a qualquer mortal: as marcas, qualidades do pano, dos tecidos, cores, etc. Já não está todo coberto e justificado pelo humilde hábito religioso. Ao se colocar no nível do mundo, este o sacudirá, à mercê de seus gostos e caprichos. Haverá de ir com a moda e sua voz já não se deixará ouvir como a do que clamava no deserto coberto pela veste do profeta vestido com pêlos de camelo.

7ª EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO E LEGISLAÇÃO

Como alguém que tem parte no Santo Sacerdócio de Cristo, o sacerdote deve ser exemplo da humildade, da obediência e da abnegação do Salvador. A batina o ajuda a praticar a pobreza, a humildade no vestiário, a obediência à disciplina da Igreja e o desprezo das coisas do mundo. Vestindo a batina, dificilmente se esquecerá o sacerdote de seu importante papel e sua missão sagrada ou confundirá seu traje e sua vida com a do mundo.

Estas sete excelências da batina poderão ser aumentadas com outras que venham à tua mente, leitor. Porém, sejam quais forem, a batina sempre será o símbolo inconfundível do sacerdócio, porque assim a Igreja, em sua imensa sabedoria, o dispôs e têm dado maravilhosos frutos através dos séculos.



Eucaristia: presença de Cristo, sacrifício da Cruz e memorial da Paixão

http://www.diocese-porto.pt/imagens/eucaristia_.jpg“Existe também hoje o perigo de reduzir o realismo eucarístico, isto é, de considerar a Eucaristia quase como apenas um rito de comunhão, de socialização, esquecendo com muita facilidade que na Eucaristia está realmente presente Cristo ressuscitado – com o seu corpo ressuscitado – o qual se entrega às nossas mãos para nos tirar de nós mesmos, incorporando-nos no seu corpo imortal e para nos guiar assim para a vida nova. Este grande mistério que o Senhor está presente em toda a sua realidade nas Espécies eucarísticas é um mistério que se deve adorar e amar sempre de novo! Gostaria de citar aqui as palavras do Catecismo da Igreja Católica que têm em si o fruto da meditação da fé e da reflexão teológica de dois mil anos: ‘O modo da presença de Cristo sob as Espécies eucarísticas é único… No santíssimo sacramento da Eucaristia estão contidos verdadeira, real e substancialmente, o Corpo e o Sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo total: Deus e homem’ (n. 1374).”

(Papa Bento XVI, Audiência Geral, 9 de dezembro de 2009)

Há exatamente uma semana atrás o Papa ressaltava, na Audiência Geral, a importância de se reafirmar o sacramento da Eucaristia como o magnânimo sinal da presença de Cristo na Igreja. N’Ela, diz o Sumo Pontífice, “está realmente presente Cristo ressuscitado”. A doutrina católica sempre afirmou essa realidade, contida na própria Escritura.

Esse Santíssimo Sacramento foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, na Última Ceia, quando Ele disse: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19). Com efeito, nessa frase estão contidos três preceitos de fé que a Igreja ensina aos cristãos: que a Eucaristia é presença real, sacrifício de Cristo e Memorial da Paixão. Presença, porque Jesus diz que É o seu Corpo; sacrifício, porque Jesus diz que “é dado por” eles; memorial, porque ele pede que os discípulos celebrem novamente esse ato sublime, para lembrar sua memória. Vamos nos ater a esse três pontos fundamentais da nossa fé no sacramento da Eucaristia.

Quando falamos da presença real de Nosso Senhor na Eucaristia, estamos falando realmente que, quando o padre pronuncia as palavras de consagração, todo a substância do pão se transforma em Corpo de Cristo e toda a substância do vinho se torna Sangue de Jesus. É o que a Igreja chama de transubstanciação, a total conversão das substâncias do pão e do vinho. Se é um mistério belíssimo aproximar-se desse magnífico Sacramento, também é, justamente por esse motivo, uma responsabilidade terrível participar do Banquete Eucarístico. Aquilo que nos afasta da graça de Deus – o pecado – e nos impede de participar do Reino de Deus infelizmente também nos afasta de comungarmos do Corpo de Nosso Senhor. O Magistério da Igreja Católica é bem claro quanto a esse importante ensinamento:

“Quem comungasse em pecado mortal, receberia a Jesus Cristo, mas não a sua graça; pelo contrário, cometeria sacrilégio e incorreria na sentença de condenação” (Catecismo de São Pio X, n. 630).

Ao falarmos do Sacrifício de Cristo estamos falando também da maneira como devemos nos comportar dentro de uma celebração eucarística e das graças que chegam até nós através da Missa. Se de fato na transubstanciação renova-se o sacrifício de Nosso Senhor no Calvário é bem verdade que devemos ir à igreja como se fôssemos ao Calvário. Padre Pio de Pietrelcina, quando questionado da maneira como devemos assistir à Missa, respondeu: “[Devemos assistir à Santa Missa] como assistiram a Santíssima Virgem e as piedosas mulheres. Como assistiu S. João Evangelista ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício cruento da Cruz.”

Isso implica uma responsabilidade muito grande também em nosso vestuário. É preciso exercitar, no nosso modo de vestir, a modéstia da qual o Catecismo da Igreja tanto fala. Também é preciso, dentro da celebração, esforçar-se o máximo para não se distrair e pensar que se estaria perdendo um momento de graça inestimável ao deixarmos de prestar atenção nas palavras do sacerdote. Com efeito, a Santa Missa oferece a Deus um sacrifício grandioso, incomparável. Oferece-se a Deus o Santo Sacrifício da Missa para honrá-Lo como convém, para lhe dar graças pelos seus benefícios, para aplacá-Lo, dar-Lhe a devida satisfação pelos nossos pecados, para sufragar as almas do Purgatório e para alcançar todas as graças que nos são necessárias (cf. Catecismo de São Pio X, n. 657).

Falar do Memorial de Nosso Senhor significa falar da constante fidelidade que encontramos do Magistério da Igreja às palavras de Cristo e, assim, uma confirmação da autenticidade religiosa da Santa Sé. Com efeito, a Igreja Católica é a única entre todas as comunidades cristãs a obedecerem à ordem de Jesus: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19). Algumas religiões podem até tentar imitar o ato sublime da Santa Missa. Mas para eles não há Eucaristia (presença real), senão um mero simbolismo. Assim, por meio da Eucaristia, é possível afirmar com toda a Igreja que Ela de fato é una, santa e apostólica.

Por trás do Mistério Eucarístico está presente um inestimável tesouro de riquezas espirituais para todos nós, cristãos. Ele é o Sacramento mais importante da Igreja, “fonte e ápice da vida cristã”. Que a Santíssima Virgem Maria, Mãe da Eucaristia, nos ajude sempre a compreendermos as delícias que estão escondidas por trás das espécies do pão e do vinho. Participemos dessa venerável Banquete, Banquete esse que nos conduz à vida eterna (cf. Jo 6, 53).

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

São Maximiliano Kolbe

http://www.radioamador.com/ilustres/images/sp3rn3.jpg

(…)

Durante a Segunda Guerra Mundial deu abrigo a muitos refugiados, incluindo cerca de 2000 judeus. Em 17 de Fevereiro de 1941 é preso pela Gestapo, já que os nazistas temiam a sua influência na Polônia. É transferido para Auschwitz em 25 de Maio como prisioneiro #16670.

Em Julho de 1941, um homem do bunker de Kolbe foge e como represália, os nazis enviam para uma cela isolada 10 outros prisioneiros para morrer de fome e sede (o prisioneiro fugitivo é mais tarde encontrado morto, afogado numa latrina). Um dos dez lamenta-se pela família que deixa, dizendo que tinha mulher e filhos, e Kolbe pede para tomar o seu lugar. O pedido é aceito. Na realidade, o Padre Kolbe aceitava o martírio para praticar heroicamente seu múnus sacerdotal, dando assistência religiosa e ajudando a morrer virtuosamente aqueles pobres condenados. Duas semanas depois, só quatro dos dez homens sobrevivem, incluindo Kolbe. Os nazis decidem então executá-los com uma injecção de ácido carbólico.

Fonte: Wikipédia

Celebramos no dia de hoje, 14 de agosto, a memória de São Maximiliano Kolbe, um mártir do século XX, devoto de Nossa Senhora, Mãe de Deus, e sacerdote do Altíssimo. Baseados nessa pequena passagem, que é prenúncio de seu martírio, queremos não só exaltar o venerável padre, mas também louvar, no contexto desse Ano Sacerdotal, a existência de tão magníficos exemplos de santidade que encontramos nos sacerdotes. Sim. Louvamos e agradecemos a Deus por nos ter mandado verdadeiros anjos para guiar e conduzir o seu rebanho a Ele.

“Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). Kolbe foi um exemplo desse amor maior. Olhemos para ele, sigamos seu exemplo, invoquemos, por fim, a sua intercessão.

São Maximiliano Kolbe,
rogai por nós!