A Sabedoria redime o mundo com Seu Sangue

Não sei se todos já tiveram a oportunidade de ler aquele trecho do livro dos Provérbios, no qual a Sabedoria fala de si mesma como aquela que estava junto de Javé “como o mestre-de-obras” (cf. Pv 8, 30). “Iahweh me criou, primícias de sua obra, de seus feitos mais antigos. Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes da origem da terra” (Pv 8, 22-23). O trecho faz claríssima alusão à segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Filho. É óbvio que o judeu que lia este trecho, antes da vinda de Cristo, não pensava em falar coisas como “o Filho é consubstancial ao Pai” ou “o Verbo é gerado, não sendo criatura”. No entanto, como já recomenda-nos a Igreja, se é preciso ler o Antigo Testamento à luz da Nova Aliança, é sem dúvida deveras importante fazer esta ligação.

É que, embora saibamos que ao conhecimento de Deus podemos chegar pela razão natural, conforme indica-nos o Concílio Vaticano I, Ele não abandona os homens à sua própria sorte. Toda a história do povo de Israel é um constante chamado do Altíssimo à fidelidade, ao cumprimento da aliança de amor firmada entre o Senhor e seus servos. As palavras dos profetas, verdadeiramente inspiradas por Ele, não são apenas fragmentos de escritos esparsos, mas sim o apelo amoroso de um Pai que quer ver a conversão de seus filhos. http://i1.trekearth.com/photos/35261/dsc03049.jpgNa boca de Ezequiel Javé coloca a bela exortação que segue:

“Assim, pois, casa de Israel, é segundo o vosso próprio proceder que julgarei cada um de vós – oráculo do Senhor Javé. Convertei-vos! Renunciai a todas as vossas faltas! Que não haja mais em vós o mal que vos faça cair. Repeli para longe de vós todas as vossas culpas, para criardes em vós um coração novo e um novo espírito. Por que haveríeis de morrer, israelitas? Não sinto prazer com a morte de quem quer que seja – oráculo do Senhor Javé! Convertei-vos, e vivereis!

- Ezequiel, 18, 30-32

O Deus amoroso de Israel, no entanto, quer estender seu plano de salvação a todos os homens. Faz isto por meio da Sabedoria eterna, o Verbo divino. “Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas” – começa assim a carta aos hebreus. Esta revelação do Pai aos profetas é conhecida como revelação pré-cristã. Ela aponta necessariamente para um novo horizonte, não está totalmente completa. “Ultimamente [Deus] nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas”. Aqui podemos contemplar toda a plenitude da Revelação divina. E – atentemo-nos – não haverá outra revelação. O que precisava ser dito foi espelhado em Jesus; o que urgia ser ensinado foi explicado definitivamente pelo Mestre. Se no livro dos Provérbios, a Sabedoria se contentava em contar como colaborou na Criação do Universo, os Evangelhos vêm nos falar da ação redentora do Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. A Sabedoria se fez carne, diz-nos São João. Habitou em nosso meio. Reconciliou-nos, mesmo, com Deus.

E foi suficientíssimo o sacrifício oferecido por Cristo. Diferentemente das celebrações do Velho Testamento, onde eram imolados animais, simples criaturas, a doação que se realiza na Cruz é uma oferenda feita pelo próprio Criador. A oferta verdadeiramente digna de Deus, enfim… De que mais precisamos? Por acaso deveríamos esperar – como desejam os seguidores de Allan Kardec, p. ex. – por uma “terceira” revelação?

Não mesmo. Ora, o que mais querem os homens? O próprio Senhor se fez carne para nos salvar, resgatou-nos com o preço de seu preciosíssimo Sangue. Será isto ainda insuficiente?

É certo que não, mas sabe-se que o desejo de pregar uma “nova” revelação está intimamente ligado à descrença no poder redentor do Sangue de Jesus. Diz um autor kardecista, chamado León Denis, que “a missão do Cristo não era resgatar com o seu sangue os crimes da Humanidade”. Ele chega a dizer que “[o] sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém”. [Ver mais comentários a tamanha estupidez neste antigo post de nosso blog.]

Triste ver o homem desprezando a Sabedoria, Aquela que é gerada pelo Pai desde toda a eternidade; triste constatar a indiferença de muitos em relação à pessoa de Cristo, Verbo encarnado. Falar desta indiferença hoje é comentar o erro da heresia ariana. O Filho não é criatura do Pai; é, pelo contrário, o próprio Deus. São três pessoas realmente distintas; uma só natureza divina; um só Senhor. Jesus não é, portanto, apenas um homem; não é apenas uma figura marcante ou, como querem muitos, um simples reformador social. Jesus é Deus que se entregou para nos salvar. O centro de toda a história humana está no máximo ato de amor divino. “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Pelo precioso Sangue de Cristo fomos resgatados

No calendário antigo, o dia 1º de julho é dedicado ao Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo (o Salvem a Liturgia! publicou uma série de textos interessantes sobre a festa). É recomendável a leitura da carta apostólica de João XXIII, Inde a primis, justamente sobre o assunto.

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http://1.bp.blogspot.com/_TvBjidkm-TM/SYeWGuEpn0I/AAAAAAAAAHk/nWTojZ2LnnA/s400/joao23bis.jpg“Porquanto, se infinito é o valor do Sangue do Homem-Deus, e se infinita foi a caridade que o impeliu a derramá-lo desde o oitavo dia do seu nascimento, e depois, com superabundância, na agonia do horto (cf. Lc 22, 43), na flagelação e na coroação de espinhos, na subida ao Calvário e na crucifixão, e, enfim, da ampla ferida do seu lado, como símbolo desse mesmo Sangue divino que corre em todos os sacramentos da Igreja, não só é conveniente, mas é também sumamente justo que a ele sejam tributadas homenagens de adoração e de amorosa gratidão por parte de todos os que foram regenerados nas suas ondas salutares.”

- João XXIII, Inde a primis, n. 10
30 de junho de 1960

A fé da Igreja na Redenção por Jesus é a base do culto de adoração ao Seu Preciosíssimo Sangue. “Vós sabeis que não é por bens perecíveis (…) que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver (…), mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum” (1 Pd 1, 18-19). Foi pelo precioso Sangue de Cristo que fomos resgatados. Por Seu Sangue podemos experimentar a graça de ser herdeiros da glória celeste.

É essa a fé da Igreja. Não é, no entanto, a mesma proposição da doutrina do espiritismo kardecista. Segundo Allan Kardec, o homem deve passar por um processo de “autorredenção” através de sucessivas reencarnações. E o Sangue de Cristo? “O sangue, mesmo de um Deus – diz Leão Dénis -, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo, resgatar-se da ignorância e do mal. Nada de exterior a nós poderia fazê-lo.”

A frase do escritor espírita Leão Dénis é extremamente perversa, mas é apenas uma amostra da crença do espiritismo na autossuficiência do homem, uma crença que está em choque com a doutrina do pecado original. Se o homem pode resgatar-se a si mesmo, sem nenhuma ajuda sobrenatural, toda a narração bíblica da queda do homem, toda a fé dos cristãos de que, assim como por um homem – Jesus Cristo – a graça veio ao mundo, assim, também, por um homem – Adão -, entrou no mundo o pecado, é desprezada. A doação de Cristo na Cruz, para o espiritismo, não vale absolutamente nada. E é de se lamentar que muitos católicos – que se dizem “ecumênicos”, como se isso significasse traição ao Evangelho de Cristo – ainda queiram dizer que “entre espiritismo e catolicismo há pouquíssimas diferenças”. A Redenção de nossos pecados pelo Sangue de Nosso Senhor é, por acaso, um fator irrelevante?

Nessa festa na qual celebramos o Preciosíssimo Sangue de Cristo, possamos recordar com alegria o mistério da nossa Redenção. Com alegria e, ao mesmo tempo, com temor. Diz São Boaventura: “Quanto mais (…) reconheço os benefícios da redenção, tanto mais graves são os pecados da minha ingratidão!” Possamos, pela graça de Deus, vencer as tentações que se apresentam a nós e agradecer a Deus o Seu admirável auxílio, prestando ao Sangue de Nosso Senhor “homenagens de adoração e de amorosa gratidão”.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Cristianismo e espiritismo são incompatíveis

http://www.ade-rj.org.br/__imagelib/cd702f41756970e302033fab3714d5e1.jpg“Da mesma maneira que disse o Cristo: Eu não venho destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento, também diz o Espiritismo: “Eu não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe cumprimento”. Ele nada ensina contrário ao ensinamento do Cristo, mas o desenvolve, completa e explica, em termos claros para todos, o que foi dito sob forma alegórica. Ele vem cumprir, na época predita, o que o Cristo anunciou, e preparar o cumprimento das coisas futuras. Ele é, portanto, obra do Cristo, que o preside, assim como preside ao que igualmente anunciou: a regeneração que se opera e que prepara o Reino de Deus sobre a Terra.”

(Allan Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 1, § 7)

O Espiritismo se autointitula “obra de Cristo”. Diz que “nada ensina contrário ao ensinamento do Cristo”. A verdade, no entanto, é que todo esse discurso de Allan Kardec não passa de mentira. É verdade que toda a obra espírita já foi desmascarada por vários apologetas católicos. Poderia citar aqui o excelente livro do Frei Boaventura Kloppenburg, Espiritismo – Orientação para católicos, que é um ótimo guia para católicos que queiram defender a fé diante dos enganos espíritas. No entanto, faz-se necessário combater sempre as ideias expostas nessas obras uma vez que nem todos têm acesso a esses livros e o espiritismo é uma religião que faz parte do cotidiano do povo brasileiro, que ama misturar elementos de religiões anticristãs com a religião que aprendeu na infância. O sincretismo religioso tem suas raízes nessa tola compreensão de que “não existe religião certa, o que importa é o coração”. Guiadas por essa frase, muitas almas se perdem, sendo facilmente enganadas.

Allan Kardec diz que o espiritismo não veio destruir a lei cristã, mas cumpri-la. Porém, será que isso é verdade? Será que a religião espírita “nada ensina contrário ao ensinamento do Cristo”? Para desmascarar essa afirmação escandalosa, basta examinar um pouco as Escrituras e os livros espíritas. Há uma visível contradição entre as duas doutrinas e os pontos mais óbvios dessa contradição estão estampados nas Sagradas Escrituras, que são a base do ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vamos aos fatos. É verdade que o espiritismo acredita na reencarnação, isto é, a nossa alma, após a morte, não receberá pena eterna no Inferno ou recompensa eterna no Céu. A perfeição se alcança através de sucessivas reencarnações, pelas quais um espírito é capaz de progredir. Essa doutrina perniciosa está em clara contradição com as palavras do Evangelho. Jesus se refere ao Céu muitas vezes como a “vida eterna” – só nos Evangelhos Nosso Senhor utiliza esse termo mais de 25 vezes! – e se refere ao Inferno como o “fogo inextinguível” (Mc 9, 43) e como o “castigo eterno” (Mt 25, 46), dando a entender claramente que as penas e recompensas pós-morte são para sempre. E quando Nosso Senhor conta a parábola do rico e Lázaro, deixa bem claro que entre Céu e Inferno há “um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá” (Lc 16, 26).

Tudo isso mutila totalmente o modelo escatológico proposto pelo espiritismo, não só porque reafirma aquilo que é dito na carta aos hebreus: “Está determinado aos homens que morram uma só vez e logo em seguida vem o juízo” (Hb 9, 27), mas principalmente porque mostra que há penas e recompensas eternas, algo que, segundo o próprio Allan Kardec, “opõe uma barreira insuperável” à ideia “[d]o progresso das almas”.

No entanto, não é só isso. O espiritismo nega a nossa redenção por Jesus Cristo, realidade que é por diversas vezes afirmada na Bíblia Sagrada. Diz São João que “Ele mesmo é a propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 2, 2); São Paulo afirma que “[f]omos reconciliados com Deus pela morte de seu filho” (Rm 5, 10); São João Batista se refere ao Cristo como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29). É tudo muito claro. Fomos remidos por Jesus Cristo! No entanto, o que dizem os espíritas? León Denis, famoso autor espírita, que decidiu propagar o espiritismo após a morte de Allan Kardec, escrevia:

http://1.bp.blogspot.com/_47pawseSoeA/SeFyw6oWMMI/AAAAAAAAB4E/SsgzKtwJsgs/s400/leon+denis.jpg“Não, a missão do Cristo não era resgatar com o seu sangue os crimes da Humanidade. O sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo, resgatar-se da ignorância e do mal. Nada de exterior a nós poderia fazê-lo. É o que os Espíritos, aos milhares, afirmam em todos os pontos do mundo. Das esferas de luz, onde tudo é serenidade e paz, desceu o Cristo às nossas obscuras e tormentosas regiões, para mostrar-nos o caminho que conduz a Deus: tal o seu sacrifício. A efusão de amor em que envolve os homens, sua identificação com eles, nas alegrias como nos sofrimentos, constituem a redenção que nos oferece e que somos livres de aceitar.”

(León Denis, Cristianismo e Espiritismo, capítulo 7, Os Dogmas – os Sacramentos, o Culto)

Ora, São Pedro é claro quando diz: “Vós sabeis que não é por bens perecíveis (…) que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver (…), mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum” (1 Pd 1, 18-19). Foi pelo precioso sangue de Cristo! Mas o Espiritismo diz que a missão de Cristo não era essa. E ainda tem a coragem de afirmar que “nada ensina contrário ao ensinamento do Cristo”. Está mais que comprovado que toda essa conversa de Allan Kardec está baseada numa grande e tenebrosa mentira.

É mentira. Quando os tolos abrirão os olhos e verão a situação de incompatibilidade existente entre a doutrina espírita e a Verdade, entre as obras do Espiritismo e as palavras da Igreja e de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

16º domingo do Tempo Comum

Vivemos o 16º Domingo do Tempo Comum. A liturgia de hoje – eu diria – é um convite ao regresso. Àquelas ovelhas perdidas, que se dispersaram para outros caminhos, para outros lugares, Deus faz a exortação: “Voltai, Israel, para o Senhor teu Deus” (Os 14,2). É momento, sobretudo, de repensar os conceitos de ecumenismo que estamos cultivando na Igreja cristã. A Santa Sé, por meio do Concílio Vaticano II, oficializou sua proposta em reunir os cristãos novamente, em trazê-los de volta ao rebanho original, para que possam ser guiados ao caminho certo, de Jesus Cristo. Sabemos que se na Igreja Católica encontramos a verdade, então o que se encontra nas outras religiões não passa de mentira. Logo, a nossa missão hoje, que é principalmente inspirada pelo profeta Jeremias na primeira leitura, é de converter os povos que ainda não conhecem a verdade de Jesus Cristo.

Quanta enganação e perversão dos mandamentos de Deus vemos hoje nesse mundo onde predomina acima de Deus, acima da religião, a “ditadura do relativismo”! Não é possível que todos se salvem se todos não chegarem ao pleno conhecimento da verdade. Não é possível… Assim é necessário que haja uma volta, um regresso, ou melhor, um ÊXODO; um êxodo de tudo aquilo que não condiz na verdade em Jesus, uma fuga de todo abismo de pecado em que vivemos, para que, felizes, possamos dizer: “Graças a Jesus Cristo, vós que antes estáveis longe, vos tornastes presentes, pelo sangue de Cristo” (Ef 2,13). É esse o desejo de Deus: que todos sejam um! Que belo é para um pai ver irmãos reconciliados. Imaginem irmãos, que alegria Deus sente quando vê dois irmãos se unindo pela causa de Cristo. Ele que com amor modelou todos os seres da terra e deu uma especial atenção ao ser humano, quer, mais do que nunca nos tempos de hoje, que toda a humanidade se una pela justiça, pelo amor, pela verdade, por Deus.

E, meus irmãos, só o Preciosíssimo Sangue de Jesus pode vencer ‘o muro de inimizade’ (cf. Ef 2,14) que separa os cristãos. Pode subir ao céu o clamor da Igreja, dos protestantes e dos ortodoxos; se não houver uma busca profunda pela misericórdia através do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, não haverá união, não haverá autêntico ecumenismo, não haverá nada. Afinal, “vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados pela vossa vã maneira de viver (…) mas pelo precioso sangue de Cristo” (1 Pd 1,18). O Papa Bento XVI já alertou que não pode existir um verdadeiro ecumenismo enquanto não nos convertermos. E isso tanto do lado católico quanto do outro lado. É preciso que aqueles que conhecem a fé verdadeira a pratiquem para que, assim, possam realizar firmemente seu ministério. Só desse modo poderemos irradiar a luz de Cristo aos que ainda não a conhecem. E para isso o clamor pelo sangue de Jesus é fundamental. Porque – diz São Pedro – é Ele que nos resgata da iniqüidade.

Sim, meus irmãos: éramos todos pecadores. Mas pelo sangue de Cristo somos chamados a uma vida nova, graças à remissão dos pecados que recebemos no sacrifício da cruz.

“Onde abundou o pecado superabundou a graça” (Rm 5,20). Observamos aqui uma multiplicação. O pecado foi eliminado, mas ao mesmo tempo sua quantidade foi multiplicada, foi superada pela graça. E isso só pode acontecer graças a Jesus Cristo, que “compadeceu-se” (Mc 6,34) da multidão, que “era como ovelhas sem pastor”. Quantos cristãos, iludidos pelo pensamento de que a conversão não exige nenhum esforço próprio, ainda não têm em seus corações a luz de Cristo, que é o nosso pastor? Quantos cristãos ainda vivem como ovelhas sem pastor e ainda não assumiram um compromisso verdadeiro com a Palavra de Deus? É nossa, pois, a missão de evangelizar! Busquemos fazer isso com atitudes; já estamos cheios de palavras.

Graça e paz.

Rápidas

http://www.cancaonova.com/portal/arquivos/fotos/2009/junho/02_eventos_003.jpg- Padre Paulo Ricardo fez uma bela pregação na Canção Nova, durante a Quinta-Feira de Adoração, intitulada “Sangue da nova e Eterna Aliança”, falando sobre a necessidade de sermos fiéis a Deus para que possamos produzir em nós a verdadeira felicidade. “Se você for fiel apenas 10%, será feliz apenas 10%. Mas, se der toda a sua vida ao Pai, você será totalmente realizado. A sua felicidade depende do seu grau de intimidade com o Senhor. Jesus perdoa a sua infidelidade e mostra a fidelidade d’Ele, esse é o poder do Sangue de Jesus”.

http://www.cancaonova.pt/wp-content/uploads/2009/03/bento_xvi_inicio.jpg- Audiência do Santo Papa Bento XVI, no dia de ontem, disponibilizada pela Agência Zenit: “Durante este Ano Sacerdotal, que se estenderá até a próxima solenidade do Sagrado Coração de Jesus, oremos por todos os sacerdotes. Que se multipliquem nas dioceses, nas paróquias, nas comunidades religiosas (especialmente nas monásticas), nas associações e nos movimentos, nas diversas agregações pastorais presentes no mundo inteiro, as iniciativas de oração, em particular de adoração eucarística, pela santificação do clero e pelas vocações sacerdotais, respondendo ao convite de Jesus a pedir “ao dono da messe que envie operários à sua messe” (Mt 9, 38)”.

- Fifa repreende comemoração religiosa do Brasil na África. A notícia que, diga-se de passagem, é lamentável, vem do Blog do Torcedor. E eu estava achando tão bonito os jogadores se reunirem na oração do Pai Nosso… É, alguém tinha mesmo que se manifestar. O mundo laicista não suporta a religião, tem aversão a Deus. Segundo o presidente da Federação Dinamarquesa, “a religião não tem lugar no futebol”. Não tem lugar em nada, pelo que parece. Oremos.

- Da Época: “Pais não revelam sexo de sua criança de dois anos e meio”. A mãe diz que quer “que Pop cresça com maior liberdade e que não seja forçado a um gênero que o/a moldará”. Ora essa, mas todos nós nascemos com um só gênero! Não existe essa conversa de gênero que o moldará. Infelizmente, é assim mesmo que o mundo segue: ao abismo, seja na moral, seja na ética.

- Não sei se já falei aqui do nosso Twitter. Com tantas inovações no mundo das comunicações, não podemos ficar fora dessa novidade. Criamos um para o blog, com frases para reflexão. Aguardamos a sua visita.

Responsabilidades dos cristãos

4.3Responsabilidades dos cristãos

Do pecado original, que contraís através do pai e da mãe na concepção, restou-vos somente uma cicatriz. Ela é apagada, embora não completamente, pelo batismo, ao qual o sangue de Cristo concedeu a virtude de infundir a vida da graça. Quando alguém é batizado, imediatamente cancela-se o pecado original e infunde-se a graça; a inclinação para o pecado, descrita antes (4.2) como uma cicatriz, fica enfraquecida e submetida ao controle da pessoa. Assim, o homem dispõe-se a receber e aumentar a graça em si mesmo. O resultado, para mais ou para menos, depende do seu esforço em servir-me com amor e anseio. Embora possuindo a graça batismal, a pessoa pode encaminhar-se livremente para o bem ou para o mal, conforme agradar ao livre arbítrio de sua vontade.

Aliás, tão grande é a liberdade humana, de tal modo ficou fortalecida pelo precioso Sangue de Cristo, que demônio ou criatura alguma pode obrigar alguém à menor culpa, contra o seu parecer. Acabou-se a escravidão; o homem ficou livre. Agora, ele pode dominar a sensualidade e chegar à meta para a qual foi criado. Ó homem infeliz, que prazerosamente te enlameias no lodo, como um animal, e não reconheces os imensos favores que te dei! Pobre criatura! Mais não poderias receber, e no entanto vives cheia de misérias!

Minha filha, procura compreender! Ao obter a graça, os homens são recriados no Sangue do meu Filho unigênito. Como disse (4.2), a graça foi restituída aos homens; mas se não a aceitam, passaram do mal para o pior. Desprezando meus benefícios, de pecado em pecado me ofendem. Além de não reconhecerem o auxílio da graça, até acham que cometo ofensas; afirmam que não desejo sua santificação! Pois bem, quero esclarecer: semelhantes pessoas merecem um castigo mais severo! Agora que tiveram a redenção mediante o Sangue de meu Filho, a punição será mais grave do que antes, quando ainda não fora cancelada a ferida causada pela culpa de Adão.

É razoável que produza mais frutos aquele que mais recebeu; é razoável que seja maior sua dívida diante daquele de quem recebeu. Muito já me devia a humanidade. Dera-lhe o ser, ao criar o homem a minha imagem e semelhança. Então ele possuía a obrigação de dar-me glória. Recusou-se a fazê-lo, glorificou a si mesmo, não aceitou a obediência por mim imposta, tornou-se meu inimigo. Então, com humilhação, destruí sua soberba. Humilhei-me (em Cristo), assumi vossa natureza, libertei-vos da escravidão do demônio, tornei-vos livres. Se prestares atenção, não somente vos fiz livres; de fato o homem tornou-se Deus e Deus se fez homem, graças à união (hipostática) da natureza divina com a humana.

O tesouro do Sangue, pelo qual a humanidade foi recriada ficou sendo uma dívida. Entendes, pois, como depois da Redenção, o homem tem maior obrigação para comigo. Devem-me glória e louvor. Uma dívida de amor para comigo e o próximo, que é paga quando as pessoas seguem as pegadas de meu Filho unigênito, Palavra encarnada, mediante a prática das virtudes interiores, das quais já falei (2.8).

Por causa desta obrigação de amar-me muito, em caso negativo, o pecado é maior. Eis a razão por que minha justiça divina pune com pena maior, com a condenação eterna. O cristão infiel padecerá mais que o homem não batizado. Embora sem destruí-lo, por justiça divina o atormenta mais o fogo. Como? Pelo tormento e aflição do remorso. Sem destruí-lo, porque os condenados (ao inferno) não são aniquilados por nenhum de seus padecimentos. Digo-te que eles bem que pedem sua destruição, mas não a alcançam, pois jamais serão reduzidos ao nada. Devido à culpa, perderam o ser da graça, não o ser da natureza.

Desse modo, após a redenção a culpa é punida com mais rigor do que antes. Os redimidos receberam mais. No entanto, parece que não se preocupam com isso, não temem os próprios pecados. Tornaram-se inimigos meus, embora resgatados pelo Sangue do meu Filho.

Santa Catarina de Sena, O DIÁLOGO
Cap. 4.
Paulus, 10ª edição, São Paulo, 2007
pp. 56-58