Papa Francisco: “A incoerência dos fiéis e dos Pastores (…) mina a credibilidade da Igreja.”

Missa em São Paulo Extramuros

Papa Francisco celebrou a Missa do III Domingo da Páscoa na Basílica de São Paulo Extramuros.

“Mas isto vale para todos: tem-se de anunciar e testemunhar o Evangelho. Cada um deveria interrogar-se: Como testemunho Cristo com a minha fé? Tenho a coragem de Pedro e dos outros Apóstolos para pensar, decidir e viver como cristão, obedecendo a Deus? É certo que o testemunho da fé se reveste de muitas formas, como sucede num grande afresco que apresenta uma grande variedade de cores e tonalidades; todas, porém, são importantes, mesmo aquelas que não sobressaem. No grande desígnio de Deus, cada detalhe é importante, incluindo o teu, o meu pequeno e humilde testemunho, mesmo o testemunho oculto de quem vive a sua fé, com simplicidade, nas suas relações diárias de família, de trabalho, de amizade. Existem os santos de todos os dias, os santos ‘escondidos’, uma espécie de ‘classe média da santidade’, da qual todos podemos fazer parte. Mas há também, em diversas partes do mundo, quem sofra – como Pedro e os Apóstolos – por causa do Evangelho; há quem dê a própria vida para permanecer fiel a Cristo, com um testemunho que lhe custa o preço do sangue. Recordemo-lo bem todos nós: não se pode anunciar o Evangelho de Jesus sem o testemunho concreto da vida. Quem nos ouve e vê, deve poder ler nas nossas ações aquilo que ouve da nossa boca, e dar glória a Deus! A incoerência dos fiéis e dos Pastores entre aquilo que dizem e o que fazem, entre a palavra e a maneira de viver mina a credibilidade da Igreja.

(…)

“A passagem que ouvimos do Apocalipse, fala-nos da adoração: as miríades de anjos, todas as criaturas, os seres vivos, os anciãos prostram-se em adoração diante do trono de Deus e do Cordeiro imolado, que é Cristo e para quem é dirigido o louvor, a honra e a glória (cf. Ap 5, 11-14). Gostaria que todos se interrogassem: Tu, eu, adoramos o Senhor? Vamos ter com Deus só para pedir, para agradecer, ou vamos até Ele também para O adorar? Mas então que significa adorar a Deus? Significa aprender a estar com Ele, demorar-se em diálogo com Ele, sentindo a sua presença como a mais verdadeira, a melhor, a mais importante de todas. Cada um de nós possui na própria vida, de forma mais ou menos consciente, uma ordem bem definida das coisas que são consideradas mais ou menos importantes. Adorar o Senhor quer dizer dar-Lhe o lugar que Ele deve ter; adorar o Senhor significa afirmar, crer – e não apenas por palavras – que só Ele guia verdadeiramente a nossa vida; adorar o Senhor quer dizer que estamos diante d’Ele convencidos de que é o único Deus, o Deus da nossa vida, da nossa história.”

“Daqui deriva uma consequência para a nossa vida: despojar-nos dos numerosos ídolos, pequenos ou grandes, que temos e nos quais nos refugiamos, nos quais buscamos e muitas vezes depomos a nossa segurança. São ídolos que frequentemente conservamos bem escondidos; podem ser a ambição, o gosto do sucesso, o sobressair, a tendência a prevalecer sobre os outros, a pretensão de ser os únicos senhores da nossa vida, qualquer pecado ao qual estamos presos, e muitos outros. Há uma pergunta que eu queria que ressoasse, esta tarde, no coração de cada um de nós e que lhe respondêssemos com sinceridade: Já pensei qual possa ser o ídolo escondido na minha vida que me impede de adorar o Senhor? Adorar é despojarmo-nos dos nossos ídolos, mesmo os mais escondidos, e escolher o Senhor como centro, como via mestra da nossa vida.”

Da Homilia do Santo Padre, o Papa Francisco, em celebração na Basílica de S. Paulo Extramuros, 14 de abril de 2013

Processo de beatificação da princesa Isabel em xeque

Dona Isabel do BrasilAparentemente, a possibilidade de abertura do processo de beatificação da princesa Isabel não foi bem acolhida por alguns. É o que indica uma reportagem publicada na IstoÉ desta semana. São “historiadores e parte do movimento negro, que questionam o papel de protagonista de d. Isabel na abolição dos escravos e não querem vê-la num altar de jeito nenhum”. O argumento usado pelos inimigos da causa é que a libertação dos escravos “foi resultado da luta desesperada dos cativos, de suas rebeliões e do ódio aos seus senhores” e, nas palavras da historiadora Wlamyra Albuquerque, “[c]anonizar d. Isabel a partir do episódio da assinatura da lei de 13 de maio é uma tentativa de reiterar uma memória que silencia sobre o papel do negro na sua própria história”.

O primeiro questionamento que surge é: por que a opinião desse pessoal que, pelo visto, entende paçocas do que seja uma beatificação, está ganhando tanto crédito assim? É óbvio que a princesa Isabel não está para ser elevada aos altares por causa da Lei Áurea, assim como está bastante claro, pela vida de inúmeros homens já beatificados e canonizados pela Igreja Católica, que um único ato heroico não torna uma pessoa santa. Se a filha de Pedro II tem ganhado a admiração de vários fiéis, a ponto de um grupo manifestar o desejo de que sua vida seja coroada pela Igreja, é porque a princesa, uma mulher de inegáveis virtudes, buscava ser fiel à doutrina católica e imitadora de nosso Senhor Jesus Cristo. Isto vai muito além de uma lei, por mais importante que seja.

Destarte, a opinião da professora da Universidade Federal da Bahia, de que a canonização da princesa Isabel seria “uma tentativa de reiterar uma memória que silencia sobre o papel do negro na sua própria história”, é uma interpretação bastante forçada dos reais desejos dos católicos do Brasil. Esta opinião coletivista parece mais ódio de republicano ressentido. Qual o problema em se reconhecer os méritos da princesa Isabel no processo de libertação dos negros, quando os homens de sua época mesmo não hesitaram em prestar-lhe “homenagens (…) como redentora dos negros”?

Não, não se trata de “silenciar o papel do negro” na abolição… Pombas! Como exaltar a figura de quem tanto desejou a libertação dos escravos pode ser uma ofensa a estes mesmos escravos, ou à atual comunidade negra?

Li o comentário de um amigo no Facebook que achei bastante oportuno. Afinal, a partir de quando a Igreja se tornou uma democracia? Desde quando as causas de santos são levadas adiante ou abandonadas a partir da avaliação – notavelmente tendenciosa, diga-se de passagem – de movimentos sociais, ou mesmo de alguns grupos religiosos? Se há Alguém que deve decidir se a causa da princesa Isabel – ou de Pio XII, cujas virtudes heroicas já foram reconhecidas – vai seguir adiante, este Alguém está na Igreja desde sua fundação… É o Espírito Santo.

Que Ele esteja com Dom Orani Tempesta, para prosseguir com fortaleza e coragem nesta primeira etapa do que parece ser um longo e minucioso processo de canonização.

A decadência dos valores em nossos dias

Estando em férias tomei conhecimento da absurdidade cometida por grupos homossexuais, do LGBT, na Parada Gay, na semana passada em São Paulo. Tudo isso para mim não passa de um reflexo que a muito já era premeditado na sociedade, uma realidade que logo apareceria com mais veemência e ganharia mais força. E sabemos que ela ganhou muita força, sobretudo em meio a muitos políticos que, na teoria, defendem os direitos dos cidadãos, mas na prática não passam de interesseiros e ávidos para defenderem seus próprios interesses e lucrarem o suficiente para morrerem “montados na grana”.

Mas realmente chocou-me a cena apresentada pelo Fantástico. Um verdadeiro absurdo! Chega a ser indescritível a falta de respeito com que os homossexuais, que tanto lutam por respeito e dignidade, atacaram a Igreja e os santos. Não deveriam eles reconhecer que a Igreja é a instituição que mais os ama? A Igreja não os vê como outros grupos os veem. Os outros só os veem como animais que devem agir por instinto, desejosos por terem relações sexuais. A Igreja, porém, os vê como filhos de Deus, não como objetos ou seres irracionais, que se atiram em um precipício vitimados pela incoerência e pelo desejo. E sabemos que onde os desejos falam mais alto a racionalidade cai ao extremo.

O tema escolhido para nortear este ato de extrema intolerância é o mesmo tema que o Senhor usa para falar do amor sincero e gratuito que devemos ter pelo próximo. Um amor que vai além de uma aparência corporal que logo cairá em putrefação. “Amai-vos uns aos outros” (Jo 15,12). Frase esta que Jesus dissera na ultima Ceia. Mas a frase não termina aí: “Como eu vos amei” (Idem). Esta é a segunda parte que eles ocultaram para deturpar a frase do Senhor e para justificar estas atitudes inexplicáveis. Ora, o amor de Cristo não é intolerante e não desrespeita, não ofende, não é mentiroso e é doado ao extremo. A Igreja sabe disso e transmite ao mundo este amor, mas, assim como outrora fora Jesus, também ela é crucificada por isso.

A perda de valores, como bem sugeriu o título, está causando um desgaste na sociedade. Ser homossexual virou “moda” e isso é totalmente inaceitável. O corpo não é uma roupa que se troca todos os dias, e também não é moda que progride com o tempo (se bem que hoje, falando-se de moda, não há progressão alguma, parece-me que cada dia mais está a deteriorar-se), São Paulo disse: “O corpo não é para a imoralidade” (I Cor 6,13).

Sabemos que há pessoas que nascem com esta tendência, e a Igreja, sabendo disso, os convida a viverem a castidade como via para chegarem à meta de todos os cristãos: contemplar a face de Deus. Mas infelizmente muitos não vivem esta proposta e procuram esconder-se, até mesmo na Igreja. Quantos padres homossexuais não estão a sujar o nome da Igreja, a desfigura-la e a ferir muitas famílias com essas atitudes incabíveis a um sacerdote e a qualquer outro cidadão de bem?

Sacerdócio e homossexualismo não podem caminhar juntos, não podem dar-se as mãos. Não se deve usar das Sagradas Ordens para esconder a sexualidade que é subjetiva. Antes se aceitavam pessoas com tendência homossexual, mas que não viviam o homossexualismo, hoje o nosso Santo Padre Bento XVI, de feliz reinado, sapientemente decidiu que nem mesmo as pessoas com tendência deveriam ser aceitas, uma vez que, no futuro, poderão vir a causar um eventual desgosto a Igreja, como, por exemplo, um problema de pedofilia. E sei que em muitos lugares esta lei não é cumprida. Romperam o vínculo com o Pastor instituído por Cristo. Alguns Bispos no Brasil, e talvez do mundo, têm “fome” para ordenar sacerdotes e ordenam a qualquer um que vier. Muitas vezes é alguém que tem um distúrbio sexual, ou quer servir a Igreja apenas para ter uma vida estável economicamente. Celebrar Missa e administrar os sacramentos é missão que deve ser assumida com amor, hoje vejo que estamos tendendo a fazer de algo tão importante uma atividade profissional, por falta, sobretudo, de um demasiado cuidado que os Bispos deveriam ter na formação dos futuros sacerdotes.

Mas é bom que os Bispos e os Padres não se esqueçam de que a missão deles é colaborar com o Santo Padre e não criarem “modismos” e “leis” que venham a ser contrárias ao que uma vez foi dito pelo Soberano Pontífice. A Igreja não é lugar para fazermos o que queremos, senão para agirmos na unidade. Quem não quer viver na unidade não é obrigado a permanecer na Igreja.

Sei que em minhas condições de um simples seminarista vocês podem perguntar-se: Como ele pode dizer isso? Será que não tem medo de ser expulso do Seminário? Com ordem de quem ele fala assim?  Tenham certeza de que pensei muitas e muitas vezes antes de afirmar tais coisas, mas não posso calar-me diante do que vejo, pois “não se opor a algum erro, é o mesmo que aprová-lo. Não defender a verdade é o mesmo que suprimi-la” (São Félix III, Papa). Enquanto há louváveis sacerdotes e bispos que prezam pela liturgia, pela unidade com o Papa, por zelarem por suas ovelhas; há outros que por nada prezam, muito menos pela unidade e pelo zelo litúrgico. Tem medo de falar a verdade para não ferir alguém, mas preferem conviver com a mentira que pode fazer perder uma alma.

Quando algum sacerdote manifesta-se em favor do Papa, de seus pensamentos, de sua belíssima ação, é chamado de retrógrado, ultrapassado, que não preza pela unidade porque apoia um Papa que só causa desunião. Vejo que estes que assim atacam os verdadeiros defensores da Igreja são pessoas sem nenhum exemplo de vida, que, por verem-se ameaçadas em seu comodismo preferem atacar aos fieis. Ora, se não estão contentes com as ações do Papa e com o seu modo de pensar, se for para atacar a Igreja, então é melhor que saiam dela, pois pior que um lobo em pele de cordeiro que vem atacar a Igreja, é um lobo em pele de pastor que vem arruiná-la por dentro.

Não dá para calar-me diante do erro! E se o que aqui disse incomoda então tenho certeza de que digo a coisa certa, pois a palavra de Deus é para incomodar-nos e não para acomodar-nos.

Mas a perda de valores vai além e é estimulada sobretudo pelos meios de comunicação. Vemos emissoras que em suas novelas exibem beijos homossexuais, como se já não bastasse em todas as novelas terem um casal gay, relações incestuosas, promiscuidade na juventude, incentivo ao aborto e tantas outras imoralidades. Por que não colocam os jovens que vivem a santidade, que lutam contra o pecado, que acorrem a Igreja, nas tribulações e encontram consolo, cristãos que lutam para seguirem o exemplo de Cristo e dos santos? Tudo isso para terem audiência, sem saber que a primeira audiência que ganham é a do demônio, que age por trás de todas essas coisas.

Estou cansado e desgostoso de ver essas perdas de valores nos vários âmbitos da sociedade. Não podemos desistir de lutar. Conclamemos a todos os cristãos para que levem ao mundo a verdade, sem temerem as perseguições e adversidades; que estejam em união com a Igreja e seus pastores, primeiramente com o Papa e o Colégio Apostólico e que confiem unicamente naquele que pode nos sustentar: Jesus Cristo. Que Maria santíssima, nosso pai são Bento, São Miguel Arcanjo e todos os santos venham em nosso auxílio e intercedam por nós.

Os gayzistas também sabem blasfemar

Parada GayAssistindo ao Fantástico hoje, tomei notícia das mais novas manifestações de “tolerância” promovidas pelos participantes da Parada do Orgulho Gay. Sim, eles se reuniram – como costumam fazer todos os anos – na Avenida Paulista e integraram – novamente – uma festa pecaminosa e imoral.

Quando falamos aqui que os interesses do movimento homossexual brasileiro estão muito além de um simples “pedido de tolerância” – como quer pintar a mídia brasileira -, as pessoas pensam que somos exagerados, que estamos sendo fundamentalistas, que devemos ser mais amorosos, e toda aquela conversinha furada que já conhecemos. Estamos sendo recriminados por falar demais. Só que o que falamos é a mais pura verdade. O Gayzismo se configura como uma verdadeira doutrina. A laicidade do Estado está sendo lentamente substituída pela confissão de uma religião que se esconde sob os mais belos adjetivos que podem ser atribuídos a uma religião moderna (de “humanitária” e “tolerante” a “amorosa” e “acolhedora”). Tudo não passa de uma farsa, porquanto é através do constrangimento às outras religiões, é através da tentativa sórdida de calar os cristãos de nosso país, que a doutrina gayzista pretende subsistir.

Provas concretas? Há muitas. E bastaria usar aqui os textos de integrantes do movimento gay pedindo que a educação brasileira incentive a “desconstrução da heteronormatividade” ou mesmo a liberalização da pedofilia. Só que, na última manifestação do Orgulho Gay realizada em São Paulo, os gayzistas decidiram ir um pouco mais longe. Confeccionaram imagens de santos católicos com perfil homossexual. O G1 coloca a arte blasfema num grupo que ela denomina da seguinte forma: “Balões, cartazes e fantasias chamaram a atenção para os direitos dos homossexuais”.

Direitos dos homossexuais

Afinal – esta pergunta está certamente na boca de muitos -, que direito novo é este adquirido pelos homossexuais, para que possam se servir de cartazes ofensivos para agredir a fé cristã? Que país é esse, meu Deus, onde uma maioria católica tem que ficar calada enquanto um grupo de homossexuais intolerantes se escarnece publicamente dos Santos?

* * *

A propósito, não poderia deixar de fazer um adendo: a senadora Marta Suplicy esteve presente no evento gayzista. A mesma senadora que luta por temas considerados fascinantes pelo candidato católico Gabriel Chalita. Como não é típico dos emcimadomuristas fazer esclarecimentos, vamos ficar um bom tempo sem saber que “temas fascinantes” são estes que tanto impressionam Chalita.

Padre Paulo Ricardo fala sobre a intercessão dos santos

Segue vídeo do padre Paulo Ricardo, que, respondendo perguntas de vários internautas, explica, utilizando fortes evidências na própria Sagrada Escritura, a intercessão dos santos. Recomendo que todos assistam, porque acredito que muitos católicos que visitam este site certamente já se depararam – e certamente vão se deparar de novo – com alguma discussão sobre o assunto. Sabe-se que a comunhão dos santos é um artigo de fé do Credo Apostólico, ao qual devemos assentimento de fé, portanto. Não deixem – mesmo – de assistir, pois, embora de longa duração, o vídeo possui conteúdo riquíssimo.

Meditações sobre as Cartas Paulinas

Carta de São Paulo aos Tessalonicenses – Introdução

Hoje damos início às meditações das Cartas Paulinas. A muito tempo vinha idealizando este projeto, que só agora foi posto em prática. Verdadeiramente precisamos ter uma maior compreensão dos textos sagrados, e mais que isso: precisamos vivenciá-lo na vida cotidiana, mesmo com as grandes pressões que o mundo hoje apresenta.

Seria um meio de ajudar nas reflexões – não obstante as que já são apresentadas domingo – e estudos sobre o que pensava São Paulo, e como poderíamos fazer uma analogia de seus pensamentos. Por isso meditaremos com a maior clareza possível, para que todos os leitores possam ter compreensão do texto.

Paulo constitui um verdadeiro modelo de missionário, que se doa sem reservas a Cristo e ao seu Evangelho. Este “totalmente” veremos presente se observarmos a sua vida que é doada por Cristo; o seu sangue derramado nos diz que jamais devemos calar. Ainda que fortes sejam as adversidades, mais fortes serão as graças e a força daquele que se une a Cristo Jesus.

É importante dizer que é inútil buscarmos um aprofundamento teológico nesta carta, pois ela é efetivamente de caráter pastoral. Aqui Paulo dirige-se ao coração, falando de amor, alegria, reconhecimento, e a enunciação da vinda do Senhor, preparando a todos quais ele se dirige.

Mas então podeis perguntar-me por que inicio com a meditação da carta à comunidade de Tessalônica e não de Romanos, como está organizado na Sagrada Escritura? Bem, esta foi a primeira carta de Paulo à comunidade recentemente fundada; e por isso acho que para compreendermos melhor devemos estar de acordo a escrita das cartas. Então, antes de começar os estudos, que serão divididos por capítulos, aprofundar-nos-emos nas características de cada comunidade, começando pela já citada; e, assim, ao decorrer de cada carta farei uma breve leitura social e religiosa que caracterizavam a sociedade da época de Paulo.

Como já foi afirmado, a Tessalônica, Paulo dirige sua primeira carta. Lá Paulo fez uma evangelização durante o ciclo das suas segundas viagens, por volta do inverno dos anos 49-50.

Era, pois, uma cidade de grande porte e populosa – como também hoje temos, claro que em números maiores – com 300.000 habitantes, sendo a segunda cidade grega mais importante depois de Atenas. Sendo uma cidade portuária, possuía um dos portos mais seguro dos portos comerciais do mar Egeu.

“O período de evangelização foi curto, mas suficiente – aproximadamente de três ou quatro meses pelo menos – para deixar uma comunidade cristã elementarmente organizada, que supõe manter-se fiel ao ensinamento recebido (1Ts 1, 2-10), defendendo-se eficazmente tanto do ambiente pagão, sempre sedutor e ameaçante (1Ts 4, 1-12), como das contínuas pressões e ciladas provenientes da comunidade judaica mais ativa e beligerante na cidade de Tessalônica (1Ts 2, 13-16). Era lógico, no entanto, que não faltassem dificuldades. Prevendo-as, Paulo envia-lhes Timóteo, que regressa alguns meses mais tarde portador de boas notícias no conjunto, mas também de alguns problemas” (Comentários ao Novo Testamento III, Edit. Ave Maria, pag. 559, 2ª Edição).

Tais problemas encontrá-los-emos mais à frente nas meditações no decorrer da carta.

Mas, de imediato, dois temas figuram logo nos primeiros capítulos, e indubitavelmente notá-lo-emos durante toda a carta: a Parusia de Nosso Senhor, o seu advento definitivo – e precisamente a este tema Paulo dedica boa parte da carta, sobretudo ao preocupar-se com o destino último da comunidade – e uma descrição da Igreja. Poderemos avaliá-los, e aprofundarmo-nos, na devida ocasião que nos for permitido pela carta.

Por acréscimo tenho a dizer que nossos estudos serão publicados às quartas-feiras. Espero que aproveitem! No próximo estudo já começaremos as meditações.

Permaneçam na Paz de Jesus e no Amor de Maria!

Chamados à santidade

A Solenidade de Todos os Santos – que ocorre a primeiro de novembro, mas a Igreja no Brasil convida-nos a celebrar no domingo mais próximo – não se-nos apresenta como uma realidade impossível, e mesmo inacessível aos olhos humanos, mas tende, pelo contrário, a aproximar-nos de Deus, fazendo com que tornemo-nos partícipes do seu banquete escatológico e da vida eterna. Não obstante as constantes distrações e facilidades que o mundo apresenta, devemos fixar-nos em Cristo, voltarmo-nos a Ele, e, abertos à Sua mensagem, instaurar um Reino de Paz e amor, de justiça e fraternidade. Não um Reino utópico, mas um reino verdadeiro, ao qual devemos viver e esperar segundo as expectativas evangélicas.

Mas aqui gostaria de formular uma pergunta que – à medida que buscarmos uma vivência segundo os mandamentos – tornar-se-á mais veemente e ajudar-nos-á a colocarmo-nos em uma vivência íntima com o Senhor: Como ser santo hoje, em uma sociedade capitalista, que deseja denegrir a imagem de Deus, confiando em suas próprias expectativas e esquecendo que realizar-se-á somente aquilo que Deus destinou-nos? E mais ainda: Quem é Jesus para nós?

Essa dúplice pergunta remete-nos de imediato às leituras do dia. Por isso analisá-las-emos, fazendo uma analogia com os dias hodiernos e com o convite a santidade, dirigido também a nós.

No livro do Apocalipse (cf. 7, 2-4. 9-14), que tomamos hoje na liturgia, há uma riqueza de simbolismos, e narra de forma clara quem são os santos e como nós também somos chamados. Fala-se que os marcados com o selo do Cordeiro eram 144 mil. Isto significa que só serão salvos tal quantidade? Não! Essa simbologia numérica sempre ocorre na Sagrada Escritura. Tal quantidade seria a multiplicação das doze tribos de Israel por doze, e em seguida por mil, que é a cifra da história da salvação.

Em seguida narra-nos o apóstolo: “Vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, gente de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam em pé diante do trono e do Cordeiro, vestiam túnicas brancas e tinham palmas nas mãos” (v. 9). Vemos aqui a figura dos santos, que põe-se em adoração diante do Senhor e nos mostram que, assim como eles chegaram, não nos-é também impossível lá chegar. Estavam de pé. Ora, no citado livro estar de pé significa já ser participante da vitória. Uma vitória que não é por mérito nosso, mas de Cristo. Esta foi-nos concedida por Cristo ao pender no lenho sagrado da Cruz, e de lá, com seu sangue, lavar nossos pecados e ensinar-nos a sermos pessoas melhores. Estavam com túnicas brancas, sinal da pureza, e assim vestiam-se com a glória de Cristo.

É manifesta também aqui a unicidade e unidade da Igreja. Uma Igreja que, mesmo sendo constituída de diversas culturas, uni-se em um só canto, rendendo graças a Deus por intercessão dos Santos. Negros, brancos, amarelos, índios, homens, mulheres, Papas, Bispos, Sacerdotes, Diáconos, coroinhas, reis e rainhas, religiosos e religiosas, gordos e magros… Na Igreja não há distinção. Todos são um perante Deus, e todos formam um só coro de agradecimento e louvores incessantes ao Altíssimo.

E aqui respondemos a primeira pergunta sobre como ser santo hoje. É necessário que morramos para este mundo, e assim poderemos viver para Deus. “Sem um ‘morrer, sem a destruição do que há de mais individual, não há comunhão com Deus nem redenção” (Papa Bento XVI, Jesus de Nazaré, pag. 74).

É, portanto, necessário que o santo esteja a disposição do próximo; que ele saiba servir; que esteja fora do seu “mundinho” e de seu individualismo; que não busque colocar as suas expectativas eternas nas limitações deste mundo. Santos que verdadeiramente amem o Senhor, vencendo a mesquinhez e doando-se sem reservas ao projeto salvífico que produzirá abundantes frutos.

Na segunda leitura São João nos mostra a graça de sermos chamados “filhos de Deus”, e se somos filhos é graça a Jesus Cristo e a nossa comunhão com Ele (cf. ibid., pag 131). “Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai” (1 Jo 3,2). Nosso Senhor precisa ser apresentado a todos, ainda que sua mensagem não agrade a muitos.

A mensagem de Cristo não garante uma vida de comodidade a nenhum de seus seguidores. A renúncia e o sacrifício constituem uma das vias para vermos resplandecer a glória de Cristo. Aqui chegamos a segunda pergunta: Quem é Jesus para nós? Um profeta que anunciou uma mensagem de amor? O Filho de Deus? Um mito? Essa resposta deve ser pessoal, pois dirige-se a cada um em particular.

Quem busca uma glória sem passar pela cruz terá uma vã glória. Será uma glória meramente passageira, e não nos colocará em estrita união com nosso Salvador. Somos frágeis, e esse é o primeiro passo que devemos dar para buscarmos a santidade: reconhecimento de nossa fraqueza. Ora, como então, pecadores, poderemos ser comparados aos Santos? Eis que nos diz o apóstolo Paulo: “Onde abunda o pecado, superabundou a graça” (Rm 5, 20). Os santos também foram pecadores, mas diferente de nossas muitas atitudes, eles souberam escutar a Deus; souberam que sua vontade não poderia prevalecer diante da vontade de Deus.

Eis, então, que se deveras amamos a Deus, deixemos que Ele possa agir e nos transformar. Assim, Jesus já não será mas um mito, ou um profeta, mas será aquele que nos motiva a uma mudança de vida.

Por fim chegamos ao Evangelho, ao qual poderia discorrer muito sobre tal, mas abreviar-me-ei para que o texto não seja demasiado cansativo.

Jesus sobe ao monte para ensinar e senta-se. Estar sentado significa estar em atitude de ensinar, por isso, ao proclamar um Dogma ou ao falar Ex Cathedra, os Papas devem estar sentados na Cátedra, de onde presidem a Igreja. Para os que desejam aprofundar-se no Sermão da Montanha recomendo a leitura do livro Jesus de Nazaré, do Santo padre Bento XVI. Gostaria apenas de destacar alguns pontos fundamentais.

Em primeiro lugar somos chamados a sermos discípulos de Cristo, e o Sermão da Montanha é um forte convite a esse discipulado, que, por sua vez, dirigir-nos-á à santidade.”O Sermão da Montanha dirige-se a toda a vastidão do mundo, presente e futuro, mas ele exige discipulado e só pode ser verdadeiramente entendido e vivido seguindo-se Jesus, caminhando-se com Ele” (Papa Bento XVI, Jesus de Nazaré, pag. 75).

Podemos associar as bem-aventuranças com a imagem da Igreja, perseguida, humilhada, mas que sempre consola-se de suas tribulações, pois sabe que Cristo está aos seu lado. E precisamente quando sofre, a Igreja sabe que está na direção correta. Podemos também associá-las com a realidade humana voltada à condição espiritual.

Peçamos que, pela intercessão de todos os Santos e de Maria Santíssima, também nós trilhemos nosso caminho de santidade, mesmo com nossa fraqueza humana.

Salus et Pax in corde Iesus et Maria.

Ovelhas de Jesus Cristo – Festa de São Gregório Magno

“Falando de suas ovelhas, diz Jesus: Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna (Jo 10, 27-28). É a respeito delas que fala: Quem entrar por mim, será salvo; entrará, sairá e encontrará pastagem (Jo 10, 9).”

“Suas ovelhas encontram pastagem, pois todo aquele que o segue na simplicidade de coração é nutrido por pastagens sempre verdes. Quais são afinal as pastagens destas ovelhas, senão as profundas alegrias de um paraíso sempre verdejante? Sim, o alimento dos eleitos é o rosto de Deus, sempre presente. Ao contemplá-lo sem cessar, a alma sacia-se eternamente com o alimento da vida.”

“Portanto, procuremos alcançar estas pastagens, onde nos alegraremos na companhia dos cidadãos do céu. Que a própria alegria dos bem-aventurados nos estimule. Corações ao alto, irmãos!”

“Nenhuma contrariedade nos afaste da alegria desta solenidade. Se alguém pretende chegar a um determinado lugar, não há obstáculo algum no caminho que o faça desistir. Nenhuma prosperidade sedutora nos iluda. Insensato seria o viajante que contemplando a beleza da paisagem, se esquece de continuar a viagem até o fim.”

- El Buen Pastor, Homilia 14, 3-6

Celebramos hoje a Festa de São Gregório Magno, Doutor da Igreja e um dos Papas que mais deixou escritos, escritos cheios de ricos ensinamentos. Deixou-nos, sobretudo, um modelo de vida exemplar. E ainda que no papado haja papas indignos, os pecados e infidelidades de alguns, comparados às virtudes e santidade de outros, são simplesmente insignificantes.

Gregório, grande Papa. Magno (Grande) não apenas por título, mas porque assim demonstrou em toda sua vida. Abandonou as riquezas deste mundo, sendo ele prefeito de Roma e filhos de pais ricos, e foi preencher-se de riquezas muito maiores na vida monástica, maravilhado com os ensinamentos e vida de São Bento. E os Cantos Gregorianos por ele criados? Ah! Que maravilha! Que paz espiritual suscita em nossos corações! Com eles somos melhores introduzidos no espírito da Celebração Eucarística. Não com as barulheiras estarrecedoras, pois para se louvar a Deus não se tem necessidade disso. Porém as vozes unidas elevam-nos, de forma magnânima, e nos fazem, ainda que nesta vida, contemplar o paraíso celeste.

Quis deter-me sobre um trecho do sermão de São Gregório, onde estava a meditar sobre o Bom Pastor. E que relação tem o próprio Pontífice com o Sumo e eterno Sacerdote, Bom Pastor, que é Jesus? Uma relação incomensurável, não apenas por apascentar o rebanho de Cristo, mas por que, ainda que tamanha fosse sua riqueza material, maior foi a riqueza espiritual, não medindo esforços em doar-se pela Igreja e pelo próprio Senhor, ao qual foi confiada a Nau de Pedro.

“Um Paraíso sempre verdejante”: eis o que receberão as ovelhas que se deixarem conduzir por Cristo. Na sociedade hodierna tomada por ideologias contrárias aos ensinamentos de Cristo, transmitidos pela Igreja, soam as palavras de São Gregório. E eis que ele no-lo diz: “Insensato seria o viajante que contemplando a beleza da paisagem, se esquece de continuar a viagem até o fim”. Não podemos estar parados! O cristão está em viagem contínua. Mas que isto quer dizer a nós? Significa que o combate é permanente. Se pararmos de combater contra o pecado damos abertura para que ele entre e transforme nossas vidas em ruínas.

Se a nossa sociedade não encontra repouso em Cristo tenha certeza de que não encontrará em mais nenhum lugar. Pois só nEle encontraremos a verdadeira felicidade.

São Gregório foi inspirado pelo Espírito Santo, e é também a Igreja inspirada pelo mesmo. Se não fosse o Espírito Santo e a presença indubitável de Jesus, a Igreja não resistiria a tantos ataques, ainda que saibamos que muitos deles são equívocos e má-fé de muitos. Mas esta é a prova de que o Senhor e seu Espírito não abandonam, e jamais irão abandonar a Igreja.

Ainda que tentem nunca conseguirão! E eis que Satanás, com suas artimanhas, age por meio de muitos, mas se parece ser forte o poder das trevas, mais forte ainda é o poder de Cristo que está ao lado da Igreja. Tão forte que é capaz de vencer todos os poderes infernais.

Que a intercessão de São Gregório auxilie a Santa Igreja, para que nunca se canse de dar testemunho da verdade. Recordemo-nos também do Santo Padre e peçamos para que ele seja sempre inspirado pelo Espírito Santo em sua missão.

São Gregório Magno,
rogai por nós!

O modernismo não morreu

Os piores inimigos da Igreja estão no seu interior. Essa afirmação expressa uma verdade que pode ser observada na prática em nossas comunidades. Há inclusive uma referência a essa realidade na doutrina de São Pio X: “Os fautores do erro já não devem ser procurados entre inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos” (Pascendi Dominici Gregis). O motivo pelo qual podemos afirmar convictamente que os piores inimigos são justamente os que estão na Igreja é que esses são “lobos em pele de cordeiro”, ou seja, estão disfarçados. Os inimigos declarados da obra de Cristo normalmente explicitam sua ação maligna, deixando aos cristãos a possibilidade de se prevenir. Os lobos disfarçados, com linguajar astuto e sedutor, arrastam para o Inferno as pessoas mais simples. Muitos deles receberam de Deus a missão de conduzir, de guiar a Cristo o Seu rebanho. Fazem, no entanto, exatamente o contrário: ensinam o erro, propagam a heresia, disseminam o modernismo.

O modernismo é uma heresia que surgiu no século XIX com o padre Alfred Loisy. De uma maneira bem resumida, foi um pensamento que surgiu como fruto ao ambiente cienficista e racionalista europeu. O resultado teológico foi um verdadeiro desastre: negação da transcendência, dos Santos Evangelhos, da autoridade da Igreja, da assistência do Espírito Santo aos bispos em comunhão com o Papa, da divindade de Nosso Senhor, da ressurreição de Jesus Cristo e da origem divina dos Sacramentos. O papa Pio X conduziu com coragem e obediência a Igreja frente ao terror da heresia modernista no século XX. Todos os padres deveriam professar o juramento antimodernista e se submeter aos ensinamentos infalíveis dos Concílios e dos Papas. A proposta de São Pio X – cuja memória a Liturgia celebra hoje – foi importante, mas o modernismo não morreu. Muito pelo contrário. Está forte e conquista um número grande de pessoas ao redor do mundo inteiro. E seria muitíssimo perigoso tentar ignorar esse mal que está visivelmente presente na Cristandade.

Talvez o exemplo mais óbvio do modernismo atualmente seja a heresia da Teologia da Libertação, que infectou de uma maneira especial o continente americano. Com efeito, a situação da pobreza na América Latina é triste, lamentável, e a ajuda do Cristianismo nesses países que apresentam necessidades é, sem dúvida, muito importante. O problema é se esquecer que o homem não vive só de pão. E a Teologia da Libertação, que é um modernismo disfarçado de mecanismo social de caridade, não quer simplesmente estender a mão aos mais necessitados e às pessoas carentes de recursos físicos. Ela adapta o Evangelho ao marxismo e ao socialismo. Valoriza de tal modo o materialismo, ponto essencial do pensamento comunista, que se esquece que o homem tem uma alma e que deve lutar para salvar-se, para conquistar a vida eterna (segundo eles, o Paraíso poderia ser construído aqui mesmo, nesse mundo). Destroem, com o materialismo, pontos essenciais da fé cristã. O Evangelho não faria referência mais ao Cristo-Deus, mas a um Jesus histórico (como se fosse possível separar essa duas dimensões de Nosso Senhor). A Ressurreição de Cristo não seria um fato, mas somente uma alegoria. A presença de Cristo na Eucaristia não seria real, mas apenas simbólica.

O Brasil está muito contaminado por essa mentalidade materialista e modernista! E como sofrem os fiéis com a falta de zelo de seus pastores! Quantas ovelhas se dispersam quando os pastores deixam de se preocupar com o imperecível! É preciso, hoje, mais do que nunca, combater, com todas as nossas forças, esse pensamento de cunho marxista que está se infiltrando em nossas comunidades.

Seja o zelo pastoral de São Pio X inspiração para todos os católicos. Que esses, reunidos sob a proteção da Santíssima Virgem Maria, sejam verdadeiramente obedientes ao Magistério da Igreja Católica. Estejam os nossos bispos preocupados com o necessário; e levem os fiéis a um encontro íntimo com Jesus na Eucaristia.

São Pio X,
rogai por nós!

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Leia também a Catequese do Papa Bento XVI sobre São Pio X.

O mártir da caridade

A Igreja nos convida hoje a celebrarmos a memória litúrgica de São Maximiliano Maria Kolbe, sacerdote e mártir. Como bem definiu o Papa Paulo VI, de venerável memória, este grande homem é um “mártir do amor”. Seu martírio e sua vida são provas concretas de que, mesmo no século XX (durante o regime nazista), ou até nos dias hodiernos, com uma sociedade egocêntrica, que busca dividir as pessoas e as tornarem menos fraternas, as palavras de Jesus incidem vivamente entre nós: “Não há maior amor do que dá a vida pelos próprios amigos” (Jo 15, 13). Verdadeiramente São Maximiliano viveu estas palavras na radicalidade do Evangelho. Elas não lhe serviram apenas de modelo, mas estão íntrinsecamente ligadas a sua vida, são partes de sua biografia.

Certa vez, ainda jovem, e confuso com o seu futuro, interroga aos pés de uma imagem de Nossa Senhora. Então a Virgem Maria lhe aparece trazendo nas mãos duas coroas: uma vermelha (representando o martírio) e a outra branca (representando a castidade). Pois bem, a Virgem lhe pede que escolha, e ele, com divina sabedoria, escolhe as duas. Quando é enviado para Roma, para lá concluir seus estudos (pois divina era a sua sabedoria), pediu para não ir, pois sabia como era difícil manter a castidade. Mas, devido o voto de obediência, ele foi. E lá fez sua profissão solene em 1º de novembro de 1914.

Mas o que mais o chocou em Roma é o fato de que os inimigos da Igreja atacavam-na e os católicos não tinham uma devida reação. Por isso ele fundou a Milícia da Imaculada. Aqui cabe-nos uma pequena reflexão de como muitos dos nossos católicos hoje reagem [ou não reagem!] mediante os ataques contínuos a Igreja. Bem verdade que a Igreja sempre esteve neste incessável combate, isto já não é novidade. Mas o que mas admira-me é ver que muitos católicos dão razão ao mundo, às suas perspectivas, e fecham-se a mensagem salvadora de Cristo, transmitida por meio de Sua Igreja. Os ensinamentos cristãos não são apenas “conselhos”, e muito menos é uma estória, mas são meios de fazer com que os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Bem escreveu São Maximiliano no último número de “Cavaleiro da Imaculada”: “Ninguém no mundo pode mudar a verdade. O que podemos fazer é procurá-la e servi-la quando a tenhamos encontrado. O conflito real de hoje é um conflito interno. Mais além dos exércitos de ocupação e das hecatombes dos campos de extermínio, há dois inimigos irreconciliáveis no mais profundo de cada alma: o bem e o mal, o pecado e o amor. De que nos adiantam vitórias nos campos de batalha, se somos derrotados no mais profundo de nossas almas?”

Olhemos para São Maximiliano. Será que o seu martírio [amados irmãos que se dizem “católicos”, mas na verdade não agem de tal forma] foi em vão? Será que o martírio dos vários santos venerados pela Igreja foi em vão? Que vida hipócrita tem um católico que só o-é por nome, mas não assume tal identidade.

Hoje São Maximiliano oferece, com Cristo e em Cristo, um único cálice pela salvação dos homens. Hoje a Igreja invoca-o para que os homens reconheçam que somente em Cristo o homem encontra plena felicidade, e que neste mundo, mesmo com todo o conforto e com toda a diposição de bens materiais, o verdadeiro Bem do cristão sempre será Jesus Cristo.

Há meus irmãos! Como é belo o testemunho dos santos que florecem na Igreja. Mesmo com o pecado de seus filhos, a Igreja, Mãe e Mestra, nos mostra que há pessoas que venceram as batalhas espirituais neste mundo. E se elas venceram por que eu não poderia também vencer?

Os santos não eram infalíveis. Quantos foram tentados a uma vida cômoda, abastada das suas riquezas? Quantos foram tentados para abandonarem a castidade? Se você busca uma santidade sem tentações então você não busca a santidade, mas uma vida vazia. Só entra para o Reino de Deus quem aqui na terra já o vive santamente.

Não tenham medo de amar demasiado a Imaculada; jamais poderemos igualar o amor que teve por Ela o próprio Jesus: e imitar Jesus é nossa santificação. Quanto mais pertençamos à Imaculada, tanto melhor compreenderemos e amaremos o Coração de Jesus, Deus Pai, a Santíssima Trindade”, dizia São Maximiliano.

O amor ardoroso por Maria e por Jesus ardia no coração deste santo. Maria, medianeira de todas as graças, sempre fez-se presente na sua vida. Contemplemos São Maximiliano, vejamos a sua entrega ao próximo e o seu amor por Jesus e Maria. Peçamos que, imitando Jesus, cheguemos a santificação. Pois quem não ama Maria oculta-se dos mistérios do Coração de Jesus. E enquanto a nossa sociedade, geradora de ideologias anti-evangélicas, dissimular-se de Cristo, não encontrará resposta às suas indagações.

Morrendo no lugar de um pai de família, no campo de Auschwitz, com uma injeção de ácido carbólico, ele quis mostrar-nos que para ser um servo de Deus devemos enfrentar tudo, mesmo a morte. E que não pode ser servo de Deus, quem só busca servir a este mundo. Pois quem poupa-se nesta vida não será poupado na outra. Caindo, morto, São Maximiliano ensina-nos que devem cair também os nossos pecados, para que resurja uma nova criatura.

São Maximiliano Maria Kolbe,
rogai por nós!