O Absurdo de Limeira


Igreja Una

Mais (péssimas) novidades sobre LimeiraGate

Recentemente foi publicado num jornal de circulação local em Americana, pertencente ao território canônico de Limeira, algumas considerações sobre a polêmica em torno da missa antiga em Limeira. Quem nos transmitiu a matéria foi o blog Fratres In Unum .

O jornal é “O Liberal”. Não é um nome muito “agradável” para uma matéria dessas, mas o texto até que manteve certa imparcialidade.
Coloquei-me, ao ler a curta matéria pela primeira vez, como um leitor comum, desses que freqüenta a missa uma vez por semana e nada mais. O que conclui? Que os integrantes do grupo que peticiona a missa antiga querem que a missa “em latim” seja o padrão, ou seja, que toda a “Arqui”Diocese volte a celebrar em latim. Isso, obviamente, não é a verdade, mas “O Liberal” não fez muita questão de esclarecer este ponto.

O que o Grupo de Estudos Santo Antonio deseja é ver a missa tridentina (tradicional-gregoriana-de-sempre…) celebrada, só isso. Não deseja, creio eu, que ela substitua o Novus Ordo. Mas é muito mais fácil e conveniente deixar a massa alienada desse detalhe.
Dom Vilson, nosso querido “arce”bispo, relata o seguinte, que acho ser o mais emblemático de tudo.

“Um grupo desses jovens foi até um padre aqui de Limeira que falava latim para pedir sua adesão ao movimento e ele perguntou qual o objetivo, mas em latim. Eles ficaram sem entender nada. Acho que esse episódio prova o absurdo que estão pedindo”.

Bom…não prova. Quem sabe se esse mesmo grupo fizesse o pedido num dialeto africano, que é o preferido do bispo local, eles obteriam um sucesso maior.

A questão lingüística é colocada como o obstáculo magno da questão, quando não deveria nem ser cogitada. Se por mais de 500 anos a língua latina foi o idioma litúrgico dos alemães, ingleses, italianos, franceses, espanhóis e brasileiros, por que agora, quando atingimos um nível de alfabetização mais elevado, virou um problema aquilo que Trento considerou uma solução?

A liturgia que Dom Vilson defende é a liturgia de Descartes – compreensível nos menores detalhes. Nada mais anti-liturgico que isso.

A liturgia é também mistério sublime, é o momento quando nosso coração se eleva ao alto, às coisas do alto. “Corações ao alto!” diz o missal em português, mas quem realmente sabe o que isso quer dizer, quem realmente entende o significado oculto nas palavras? Somente aqueles suficientemente catequizados, é claro.

A liturgia de hoje é pobre de espiritualidade, eu não tenho medo de dizê-lo. Participo da missa nova (porque é a única alternativa que tenho), mas o faço imbuído de um espírito tridentino (o que me ajuda a suportar o arcabouço Descarto-Bugniniano). Vejo como as tentativas de descortinar a liturgia acabam transformando o rito em mero espetáculo ou numa mera reunião.

Infelizmente é justamente esse tipo de liturgia racionalista, aparentemente aberta e comunicativa, que Dom Vilson defende, contrapondo-a ao “absurdo” da liturgia antiga.

Não me espante que Dom Vilson tenha colocado essa palavra (absurdo) na roda. É a mais pura verdade! A liturgia antiga é centrada verdadeiramente no mistério da cruz e da redenção e nós sabemos que “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (cf. I Cor. 2, 14).

A liturgia antiga, para ser realmente vivida e amada, deve estar num contexto de estudo, mas principalmente de oração. É uma liturgia adulta e espiritual, diferente da liturgia infantil e humanista que estamos infelizmente tão acostumados.

Sou levado a crer que Dom Vilson é um bispo ecumênico (exceto com os tradicionalistas, é claro). Sendo ecumênico, teria ele coragem de afirmar as mesmas teses a um bispo ortodoxo ou mesmo católico oriental que celebra sua liturgia num idioma diferente do português? Uma declaração dessas não seria falta de, como dizem os entusiastas do ecumenismo dialogante, “sensibilidade ecumênica” ou de fraternidade cristã?

A questão toda não é saber ou não latim, mas querer um rito digno e que satisfaça plenamente a fé. O grupo em questão tem uma fé mais profunda, que requer uma liturgia capaz de comunicá-la adequadamente. Não vou entrar no mérito teológico da estrutura tridentina versus paulina, que já é conhecida, mas é preciso que o bispo, como justo pastor, saiba ser generoso ao satisfazer essas necessidades.

A resposta é simples. Deixar a missa ser celebrada livremente, sem “neuras”. Todo mundo ficaria satisfeito – o grupo, por ter a missa, e o bispo por deixar de ver seu nome nos jornais (uma hora isso chegará, não tenho dúvida, aos ouvidos de um certo cardeal espanhol e ai a coisa com certeza vai mudar de figura).

Mas infelizmente o bispo tem se mostrado bem diferente do vulto “paternal” que alguns limeirenses tentam vender a todo custo, especialmente aqueles ligados às formas mais bizarras de liturgia.

O jornal “O Liberal” também coloca o Grupo como um opositor dos “avanços” promovidos pelas reformas recentes. Ora, deveria ter enfatizado que os atuais colaboradores do Sumo Pontífice, incluindo o próprio pontífice, são grandes revisionistas do Concílio. Dom Ranjith (de venerável memória), Cardeal Canizares, Dom Bux, Fr. Lang, Dom Burke, Mons. Guido e alguns bispos além-Cúria como Dom Scheneider, Cardeal Zen, Cardeal Cipriani Thorne, Cardeal George, Cardeal Pell, etc.

Realmente essas barreiras que alguns bispos estão colocando são verdadeiramente insustentáveis. Estão criando eles mesmos a guerra interna, quando deveriam apascentar e, principalmente, apaziguar o povo de Deus.

Uma diocese que tem uma vida litúrgica profundamente enraizada na Tradição da Igreja não pode alcançar outra coisa que não o sucesso. Infelizmente alguns bispos estão presos numa estrutura minimalista, reducionista, que conduz tudo a um plano demasiado pragmático – as pessoas não vão entender o latim, logo vão deixar de ir à missa… Isso é falso!

Seria interessante que o bispo fizesse uma experiência empírica que eu mesmo, em partes, fiz. Após duas missas, uma nova e uma tridentina, perguntar ao primeiro leigo que deixar o recinto sobre o que aconteceu, o que é a missa e o que significa a Eucaristia. Certamente a resposta mais católica será daqueles que acabaram de assistir ao rito antigo. Eu já perguntei a pessoas de várias idades, aqui na minha paróquia, sobre a missa; tive a oportunidade de ouvi-las, em diversos momentos, comentando sobre a missa e devo dizer – PÉSSIMO. Nenhuma, absolutamente nenhuma, chegou perto do verdadeiro significado do “Mistério da Fé”. Todas citaram a partilha, o encontro “com os irmãos” e coisas do tipo. E todas assistiram ao rito em bom e velho português, com uma homilia “inclusiva” e moderna.

Fica a minha sugestão ao “arce”Bispo de Limeira.

Autor Danilo Augusto