CONTRA A HIPOCRISIA


O GESSO DA RELIGIÃO
               No Evangelho do 22º Domingo do Tempo Comum deste ano B, Jesus toma uma posição que não agrada aos fariseus, mesmo sabendo que Ele [Jesus] estava certo, mas sempre buscavam surpreende-lo. Ora, os fariseus prendiam-se a tradições criadas por eles mesmos e esqueciam-se do mais importante: a pureza de coração, a vivência daquilo que pregavam. É necessário estár com o coração puro e servir a tradição. Não que as tradições não sejam importantes, não é isso que quero dizer; pelo contrário: as tradições não só foram como sempre serão importantes. Quero aqui contestar por que seguir a tradição e não vivenciá-la
               Os fariseus se procupavam com o exterior, e esqueciam-se do interior. Comprovamos isso não apenas no texto do 22º domingo, como também nos-é dada a possibilidade de notarmos isso em vários outros textos. Jesus chama os fariseus de hipócritas. Notemos que o termo grego hupokrités, que traduz o hebraico, haneph, não queria demonstrar apenas o homem exibicionista de piedade e fingido; mas, de amplo modo, o homem de caráter pervertido e mau, o ímpio em suma.
                Marco Aurélio disse: “Retirai-vos para vosso interior, e, praticando sempre esse recolhimento, vos renovareis”. Ora, os fariseus não se recolhiam a seu interior, por conseguinte não sabiam como eram podres por dentro. E, no entanto, sabiam apontar os defeitos dos outros, principalmente na trangressão da observância da lei. Atitudes de hipocrisia encontramo-lá hoje.
                Os fariseus reclamam com Jesus, pois os discípulos não lavaram as mão antes de comerem. Jesus lhes respondeu: “Bem profetizou Isaias a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim’…Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens” (Mc7,6.8).
                Os fariseus, presos à tradição, não viam em Jesus alguém que poderia ser maior que a lei. Os fariseus esperavam o Messias projetado por eles, jesus vem, não como Messias esperado, mas como um Messias inesperado. 
                Quando, então, a religião pode ser um gesso? E digo gesso pois imobiliza, não deixa que se mova. 
                A religião se torna gesso quando imobilizamo-la e não praticamos o nosso mandato de anunciar o Evangelho da Vida. Ficamos presos a Tradição e não buscamos vivenciá-la. Apontamos o dedo para mostrar o defeito dos outros e não enxergamos o defeito nosso que é pior. Buscamos leis sem fundamento bíblico. A Igreja não só anuncia, como também vive a Palavra de Deus, e São Tiago escreve: “Sede praticantes da Palavra” (Tg1,22). 
               Deus é um Pai bondoso, não força ninguem a nada, apenas nos aponta o melhor caminho.
               Muitas vezes o motivo de estarmos contra a Palavra de Deus é a propensão que o mundo nos oferece de escolher uma vida fácil, sem vínculos com Deus. Vivemos a ditadura do relativismo, ou seja, dizi-se que não existe verdade absoluta, busca-se devanecer a palavra de Jesus:”Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.
              Infelizmente ocorre de haver pessoas na Igreja que engessam sua religião. Cada vez mais afastando-se de Cristo e vivendo o farisaísmo hipócrita. Moralistas para os outros mas não para si. Afastam pessoas da vida eclesial mas não observam o seu interior. Vivem como viralatas revirando lixos para descobrir algo.
               Não tentemos manipular a Deus com uma falsa religião. Deus é fonte e origem de tudo. Que direi aos cientistas ateus e aos ateus que não são cientistas? Talves não deva prolongar-me em palavras para induzí-los a crença, sobre isto preparo outro texto. Apenas peço que acautelem-se de suas conclusões precipitadas.
              Aos que causam intrigas na Igreja, seja pelo que for, eu peço que unam-se ao Santo Padre, deixem de lado as rivalidades, e procurem apascentar o Rebanho confiado por Jesus a Igreja. 
             Aos demais peço que não deixem de seguir a Igreja do Senhor, com três milênios, para seguirmos igrejas cujo Deus é o dinheiro, e onde os falsos pastores deixam-se corromper por eles.
               Resta-me perguntar: E você, quer engessar sua religião também?
Ian Farias de Carvalho
Dário Meira, 1 de setembro de 2009