São Cornélio, Papa e São Cipriano – 16 de setembro


São Cornélio foi eleito Papa no mês de junho de 251, aproximadamente. Eis em que termos escreveu mais tarde São Cipriano a um bispo da África:
O que muito eleva nosso mui querido irmão Cornélio diante de Deus, diante de Jesus Cristo, diante da sua Igreja, e diante de nossos colegas, é não ter ele ascendido ao episcopado de uma só vez: pois só chegou a esse supremo grau do sacerdócio galgando todos os degraus requeridos pela disciplina, depois de ter exercido todos os ministérios eclesiásticos e de ter muitas vezes atraído as graças de Deus sobre a sua pessoa pelos serviços prestados nesses postos divinos. Ademias, não solicitou tal dignidade, nem a ambicionava. Não se emprenhou para obtê-la, como fazem aqueles possuídos pelo orgulho e pela ambição. Só encontraram nele um espírito calmo e modesto, como devem possuir aqueles designados por Deus para serem eleitos bispos; o pudor tão natural à consciência pura das virgens; a humildade de um coração que ama singelamente a castidade e que sempre a guardou com desvelo.

Assim, não lutou para tornar-se bispo, como tantos outros; mas violentou-se para consentir em sê-lo. Foi eleito bispo por vários colegas que então se encontravam em Roma, e que nos escreveram as mais dignificantes cartas sobre a sua ordenação. Sim, Cornélio foi feito bispo pelo julgamento de Deus e de Cristo, pelo testemunho presente, e pelos mais antigos e santos ministros do altar, quando ninguém ainda o fora antes, e o posto de Fabiano, isto é, o posto de Pedro, o Trono Pontifício, estava vazio.

Tendo este cargo sido preenchido pela vontade de Deus, e a eleição confirmada pelo consentimento de todos nós, quem quiser aclamar-se bispo seja quem for, será necessariamente excluído e não receberá a ordenação da Igreja, em cuja unidade não mais se inclui. Seja quem for, gabe-se do que quiser, será um profano, um estranho, estará excluído. E como depois do primeiro não pode existir um segundo, quem tiver sido feito depois do primeiro, que deve ser o único, não é o segundo, é nada. Além disso, depois de ter sido assim elevado ao episcopado, sem intriga, sem violência, só pela vontade de Deus, a quem cabe escolher os seus pastores, de quanta virtude, decisão e fé não deu provas ao sentar-se intrepidamente na cadeira pontifícia, num tempo em que um tirano inimigo dos pontífices de Deus lançara contra eles fogo e chamas e, mais com mais tolerância aceitava um competidor no império do que um pontífice de Deus em Roma.

Um sacerdote ambicioso, chamado Novaciano, ofendido por não haver sido eleito Papa, transformou-se no primeiro antipapa, e no chefe do primeiro cisma na Igreja Romana. Ao cisma, juntava a heresia, sustentando que a Igreja não podia conceder absolvição aqueles culpados de perseguição, fossem quais fossem as penitências por eles feitas; e que não lhe era permitido comunicar-se com tais pessoas. O Papa São Cornélio, secundado por São Cipriano e por São Dionísio, de Alexandria, teve a felicidade de deter o cisma e de reconduzir à unidade a maioria dos cismáticos. Finalmente, coube-lhe a glória do martírio.

Uma perseguição irrompeu subitamente em Roma sob o Imperador Gallus. O Papa São Cornélio foi o primeiro a confessar o nome de Jesus Cristo. Seu exemplo de tal modo animou os fiéis que, ao terem notícia do seu interrogatório, acorreram às pressas para confessar com ele; e, informados, todos os outros também teriam acorrido. Grande número dos que tinham caído, levantaram-se nessa ocasião. Enfim, tal era a coesão, que se diria ter a Igreja Romana inteira confessado. Quando a notícia chegou a Cartago, São Cipriano e sua Igreja experimentaram uma alegria inexprimível. Imediatamente, este último escreveu a São Cornélio, felicitando-o. E também à Igreja Romana, a que denomina povo confessor. Assim encerra a sua carta: Já que a Providência divina nos adverte que o dia da nossa luta se aproxima, dediquemo-nos sem interrupção juntamente com todo o povo, aos jejuns, às vigílias e às orações. Como só possuímos um coração e uma alma, lembremo-nos de um e de outra, e que seja dentre nós que saia o primeiro pela misericórdia divina; que a nossa caridade mútua se mantenha ao seu lado e que nossas orações por nossos irmãos e irmãs nunca sejam interrompidas. Desejo-vos meu mui querido irmão, que continueis a passar bem.

Foi a última carta de São Cipriano a São Cornélio, que foi exilado e consumou o martírio no dia 14 de setembro de 252, depois de ter ocupado a Santa Sé durante um ano e cinco meses aproximadamente.
(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 218 à 222)

São Cipriano passou para a história não apenas como santo, mas também como excelente orador.

Converteu-se ao cristianismo quando contava trinta e cinco anos de idade. No ano 249 foi escolhido para bispo de sua cidade e empenhou-se na organização da Igreja da África. Revelou-se extraordinário mestre de moral cristã. Deixou diversos escritos, sobretudo cartas, que constituem preciosa coleção documental sobre fé e culto. Contribuiu para a criação do latim cristão.

Uma das grandes figuras do século III, Cipriano, de família rica de Cartago, capital romana na Africa do Norte. Quando pagão era um ótimo advogado e mestre de retórica, até que provocado pela constância e serenidade dos mártires cristãos.

Por causa de sua radical conversão muitos ficaram espantados já que era bem popular. Com pouco tempo foi ordenado sacerdote e depois sagrado bispo num período difícil da Igreja africana. Duas perseguições contra os cristãos ocorrerem: a de Décio e Valeriano, marcaram seu começo e seu fim e uma terrível peste andou pelo norte da África, semeando mortes. Problemas doutrinários, por outro lado, agitavam a Igreja daquela região.

Diante da perseguição do imperador Décio em 249, Cipriano escolheu esconder-se para continuar prestando serviços à Igreja. No ano 258, o santo bispo foi denunciado, preso e processado. Existem as atas do seu processo de martírio que relatam suas últimas palavras do saber da sua sentença à morte.