Papa Bento XVI chega à República Tcheca


O Papa Bento XVI chegou nesta manhã, 26, ao Aeroporto Internacional Stará Ruzyně de Praga, capital da Republica Tcheca, por volta das 11h30 locais (6h30 no Brasil).

A viagem de Bento XVI ao país coincide com dois importâncias acontecimentos para a República Tcheca: a festa de São Venceslau, padroeiro da nação tcheca, e a comemoração dos 20 anos da queda do regime comunista.

Esta é a 13ª viagem do Papa fora da Itália e a quarta visita a um país que faz fronteira com a sua Alemanha natal, depois da Polônia (2006), Áustria (2007) e da França (2008), a que se juntam outras duas viagens a solo germânico (2005 e 2006).

Serão três dias na República Tcheca, com 11 intervenções previstas, e passagem por três cidades do país: Praga, Brno e Stara Boleslav.

No discurso pronunciado em sua chegada ao Aeroporto Internacional Stará Ruzyně de Praga, na República Tcheca, nesta manhã, 26, Bento XVI recordou o clima de liberdade civil recuperado há vinte anos, com a queda do Muro de Berlim e, neste país, com a chamada “revolução de veludo”, restituindo aos países da Europa central e oriental “o justo lugar que lhes toca como atores soberanos no concerto das nações”. O Papa colocou especial ênfase nas raízes cristãs da história e da cultura da nação tcheca.

“Se toda a cultura europeia foi profundamente modelada pela herança cristã, isto é especialmente verdade nas terras tchecas, pois foi através da atividade missionária dos Santos Cirilo e Metódio que a velha língua eslava, pela primeira vez, tomou forma escrita, no século IX. Apóstolos dos povos eslavos e fundadores da sua cultura, eles são justamente venerados como Padroeiros da Europa”.

Especial lugar ocupou, ao longo da história da Europa, o território tcheco (Boémia e Morávia), como “encruzilhada de povos, tradições e culturas”:

“Através da história, este território, no coração do continente, encruzilhada entre o norte e o sul, leste e oeste, tem sido ponto de encontro para diferentes povos, tradições e culturas. Inegavelmente que isso levou por vezes a fricções, mas a longo prazo manifestou-se como um encontro frutuoso. Daqui a parte significativa desempenhada por estas terras tchecas na história religiosa, cultural e intelectual da Europa, por vezes como campo de batalha, mas na maioria dos casos como ponte”.

Bento XVI lançou um apelo a todos os tchecos e outro especialmente à comunidade cristã:

“Agora que se encontrada restabelecida a liberdade religiosa, faço apelo a todos os cidadãos desta república para que redescubram as tradições cristãs que modelaram a sua cultura e convido a comunidade cristã a continuar a fazer ouvir a sua voz no momento em que a nação enfrenta os desafios do novo milênio.”

O Papa recordou as palavras que constam na bandeira da presidência da República Tcheca – “a verdade vence” – fazendo votos de “que a luz da verdade continue a guiar esta nação, tão abençoada através da história pelo testemunho de muitos santos e mártires”.

“A verdade do Evangelho é indispensável para uma sociedade próspera, pois abre à esperança e torna-nos capazes de descobrir a nossa inalienável dignidade de filhos de Deus. O autêntico progresso da humanidade é favorecido pela convergência da sabedoria e da fé com as luzes da razão. Possa o povo tcheco se beneficiar sempre desta síntese feliz”.