OS DOGMAS DA VIRGEM MARIA

Quero iniciar aqui no blog uma série de estudos sobre os dogmas da Virgem Maria.

Primeiramente devemos entender o que vem a ser Dogma.

Dogma é uma declaração feita oficialmente pela Igreja, após muitos estudos e aprofundamentos. O Catecismo nos diz que eles são “luzes no caminho da fé”. Verdadeiramente por meio deles somos chamados a viver mais intensamente nossa fé cristã. “O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propões verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária” (CIC, 88).

Portanto, o Dogma e uma doutrina proposta após uma madura reflexão, com os Bispos e cientistas, e demais representantes de outras religiões, e que é obrigada a ser seguida por todos os católicos sob pena de excomunhão se não se aceitar. Quando se define um Dogma o Papa fala Ex Cathedra, ou seja, fala infalivelmente, como se define o Dogma da Infalibilidade Papal.

Passemos agora a falar dos Dogmas da Virgem Maria.

A Igreja, desde outrora, ama e venera com grande devoção a Virgem Maria. Sendo Ela grande colaboradora no projeto salvífico de Cristo em favor do mundo. Sendo Ela figura materna na história da humanidade, a Igreja reconhece nEla a mulher mais Santa, digna de ser a mais intima com o Senhor, pois O gerou no seu ventre.

Muitos Santos foram grandes devotos da Virgem Maria. Ela é parte integral no mistério da salvação. São Luís Maria de Montfort, grande missionário francês do século XVII e doutor marial, escreve: “O que Lúcifer perdeu por orgulho, Maria ganhou por humildade. O que Eva condenou e perdeu pela desobediência, salvou-o Maria pela obediência” (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria). E mais a frente: “Por meio de Maria começou a salvação do mundo, e é por Maria que deve ser consumada” (Ibid.). Frases como estas realçam o fundamento da nossa devoção a Virgem Santíssima, e o grande valor que a Igreja se lhe confia.

“Deus escolheu-a desde a eternidade para vir a ser Mãe do Verbo, que se encarna; e, por este motivo, entre todas as criaturas mais belas na ordem da natureza, da graça e da glória. Ele a distinguiu com privilégios tais, que a Igreja com razão aplica a ela aquelas palavras: ‘Sai da boca do Altíssimo, primogênita antes de toda criatura’ (Ecle 24,5)” (Papa Leão XIII, Cart. Enc. Augustissimae Virginis Maria, 12/09/1897, 1).

Diante de tão grande amor, a Igreja, ao longo de XXI séculos, proclamou quatro dogmas em honra da grande Mãe de Deus. Procuraremos aprofundar e conhecer cada um mais de perto. Escreverei um artigo para cada dogma.

Dogma da Maternidade Divina: Proclamado pelo Concílio de Éfeso em 431, como sendo a “Mãe de Deus” (em grego: Theotokos);

• Virgindade perpétua (Aéiparthenos): Virgem antes e depois do parto, não foi corrompida;

• Imaculada Conceição: Concebida sem a mancha do pecado original;

• Assunção ao Céu: Refere-se à elevação de Maria em corpo e alma à glória celeste.

A nossa Santa Mãe Maria não é qualquer mulher, como muitos afirmam. Isto é um absurdo! Ela é aquela que trouxe a salvação ao mundo, por meio do Salvador.

Ian Farias

A riqueza na pobreza

Nos últimos dias acompanhamos as leituras que chamam a atenção para o uso idolátrico e errôneo do dinheiro e o esquecimento de Deus. Pudemos acompanhar e fazer uma analogia com mundo de hoje. Infelizmente essa ideologia de capitalismo exacerbado já é parte da nossa sociedade. O uso abusivo do dinheiro tem levado pessoas a perderem a fé, ou “depositarem” sua fé no prazer material. 

No Evangelho de São Marcos (10,17-27), Jesus é interrogado por um jovem rico. Uma pergunta a que imaginamos uma simples resposta, mas na verdade vai além disso. “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar vida eterna?”. De inicio diríamos: “Siga os mandamentos”. Jesus no-lo disse. Mas Ele foi além. O jovem disse: “Mestre, tudo isso tenho feito desde a minha juventude”. Jesus, então, lhe acrescenta um ponto crucial: “Vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me”. Esta resposta dilacerou o coração daquele jovem. A radicalidade de Jesus ultrapassou as fronteiras humanas. Porém esta é a verdade. Seguir Jesus exige renúncia, exige esforço. Muitas vezes não estamos habituados a isso, e fazemos como o jovem: vamos embora tristes, e desistimos do seguimento.

Mas, se buscarmos aprofundar mais os valores evangélicos, veremos, indubitavelmente, que um dos fatores primordiais para o segmento é o abandono dos prazeres efêmeros que o mundo hodierno oferece. Depois da resposta ao jovem, Jesus não tenta “aliviar” a situação; pelo contrário: Ele deixou que o jovem partisse. E depois afirmou: “É mais fácil um camelo (maior animal da Palestina, na época) passar pelo orifício de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”. Esta resposta, se não analisada cautelosamente, pode ser mal interpretada e até mesmo desvirtuada do seu sentido original. 


O que Jesus quer nos falar hoje? O que o evangelista quis dizer com esta história? Em primeiro lugar ela deve ser bem assimilada. O dinheiro não traz a salvação, menos ainda a felicidade. Não! Se o homem busca um prazer finito, este de nada lhe valerá; do contrário, se ele busca o infinito, busca Deus, aí sim ele encontra a plena felicidade. De que vale ao homem acumular tesouros na terra, viver uma vida de rei, e morrer e ir para o inferno, padecendo todos os sofrimentos? Ai nós recordamos da parábola do rico e do pobre Lázaro. Enquanto um esbanjava seu poder material, esnobando o pobre, o outro vivia a mendigar pelas ruas, até os cachorros vinham lamber suas feridas. Mas, após a morte, a salvação veio para Lázaro, enquanto o rico foi para o tormento. 

O que eu quero ressaltar aqui é que não é errado possuir riquezas, mas há erros no meio de utilizá-lo: não ajudar o necessitado, buscando prejudicar o próximo, achar que o dinheiro trará a salvação, o consolo, o perdão, a alegria. Isso é necessário destacar, porque muitos vivem desta forma, como recordei: fazem do dinheiro o seu “deus”.  


O dinheiro não traz a salvação. Jesus recorda muito bem: “Ninguém pode servir a dois senhores: ou odiará a um e amará a outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (São Mateus 6,24). Esta realidade contundente, se põe ante os nossos olhos, e nós somos chamados a observá-la. Não podemos amar a tudo o que o mundo oferece. Apraz-me recordadar o grande Santo Agostinho:


“Realmente, cada um é aquilo que ama.
Ama a terra? Serás terra.
Amas a Deus? Que posso dezer-te? Serás Deus?
Eu não me atrevo a dizlo por minha conta.
Escutemos então as Escrituras:
Eu disse: vós sois deuses, e filhos todos do Altíssimo.
Se, portanto, quereis ser deuses e filhos do Altíssimo,
Não ameis o mundo, nem as coisas que estão no mundo”.
(Agostinho de Hipona em “Carta de João aos Partos”)


E São Tiago escreve: “Vós, ricos, chorai e gemei por causa das desgraças que sobre vós virão. Vossas riquezas apodreceram e vossas roupas foram comidas pela traça. Vosso ouro e vossa prata enferrujaram-se e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e devorará vossas carnes como fogo. Entesourastes nos últimos dias! Eis que o salário, que defraudastes aos trabalhadores que ceifavam os vossos campos, clama, e seus gritos de ceifadores chegaram aos ouvidos do Senhor dos exércitos” (Tg 5,1-4).

Por isso preocuremos viver na honestidade, na humildade. Não deixemo-nos dominar pelos prazeres materiais, supérfluos. Vamos nos deixar dominar por Cristo, Ele sim é a nossa riqueza. A verdadeira riqueza se encontra na po
breza
. Este é o sentido da riqueza, e esta é a função da pobreza.

Se queres ser verdadeiramente rico, deixe-se alcançar por Cristo. E a partir daí seremos, não só ricos, como também felizes. Pois a maior riqueza da humanidade é a doação que Deus fez de Seu Filho, Jesus, por todos nós, e continua a fazê-lo em cada Eucaristia celebrada. 

Pax Christi sit semper vobiscum 

Ian Farias de Carvalho

CARTA AO DR. SARAMAGO

[Publico aqui uma carta do prof. Felipe Aquino, escrita ao dr. Saramago, que ontem ousou chamar o Papa de “cínico”. Em resposta a ele esta carta  veio em momento certo].

Dr. Saramago,



Sei que o Dr. José Saramago, Prêmio Nobel de literatura (1998), não lerá essa Carta, mas ao menos ela será um desagravo às palavras ofensivas com que se dirigiu ao Papa Bento XVI e à Igreja, derramando em suas palavras amargas toda a sua bílis raivosa contra Deus e sua Santa Igreja, mais uma vez.


Saramago, em Roma, fez o lançamento do seu novo livro “Caim”, no qual volta a tratar da religião. Na verdade a religião e a fé põem os supostos ateus em crise, por isso essa reação destemperada do escritor.


Os jornais e a internet noticiaram amplamente que em 14 de outubro (EFE) o escritor português José Saramago, em um colóquio com o filósofo italiano Paolo Flores D’Arcais, chamou o Papa Bento XVI de “cínico”, e disse que a “insolência reacionária” da Igreja precisa ser combatida com a “insolência da inteligência viva”.


Numa pesadíssima crítica destrutiva se referiu ao Papa como “neo-medievalista”, acusando-o de “cinismo intelectual”. Além disso, disse a Flores D’Arcais, que sempre foi um ateu “tranquilo”, mas que agora está mudando de idéia, porque, segundo ele “as insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só tem interesse no poder.” Segundo Saramago, a Igreja não se importa com o destino das almas e sempre buscou o controle de seus corpos.


Dr. Saramago, antes de tudo quero lhe dizer que não temos ódio do senhor e de suas palavras; pois, Nosso Senhor nos ensinou a “pagar o mal com o bem” (Rm 12, 14), a amar os inimigos, e a abençoar os que nos amaldiçoam. Nossos mártires morreram e morrem perdoando os seus assassinos. Na verdade temos pena do senhor, pois, se de um lado o sr. é doutor nas Letras humanas, por outro lado ainda desconhece os primeiros rudimentos das Letras divinas e eternas.


Dr. Saramago, por que investir tão raivosamente contra o nosso Pedro de hoje, e contra a Santa Igreja? Que mal eles fazem? Será que são os culpados pelas guerras do mundo; pela miséria de tantos, pelas catástrofes da natureza? Será que o sr, qual novo Nero, quer nos culpar pelo incêndio de Roma?


Fiquei pensando Dr. Saramago, onde poderia estar a causa mais profunda desse ódio que há tanto tempo o sr. destila contra a Igreja? Faz-nos lembrar do que disse o Salmista: “Por que tumultuam as nações? Por que tramam os povos vãs conspirações? Erguem-se, juntos, os reis da terra, e os príncipes se unem para conspirar contra o Senhor e contra seu Cristo”. (Sl 2, 1-2)


Será que o sr. sofreu algum trauma religioso na infância ou na juventude por parte de alguém da Igreja que lhe deu um contra testemunho? É possível. Ou será que o sr. foi educado nos bancos da escola marxista eivada de ateísmo, materialismo e um laicismo anti católico tão difundido nas universidades?


O destempero de suas palavras nos dão o direito de fazer muitas indagações desse tipo; pois não são racionais, mas passionais; não precisamos ser psicólogos para ver que são influxos da sensibilidade ferida e recalcada sobre a razão.


Dr. Saramago, por que ferir tão injustamente o nosso grande Pastor universal? O senhor sabe que ele é considerado um dos melhores teólogos atuais. Sua eleição para Papa se deu num dos Conclaves mais rápidos da história. Sua santidade é notável, sua humildade explícita, como ele disse: “um humilde servo da vinha do Senhor”. Por que atacar a ele e a Igreja com tanta fúria? Saiba que atinge a todos nós seus filhos. Mas temos consciência que quando a sensibilidade cegou a razão, e a brutalidade venceu o argumento, a razão foi sufocada.


Será que o senhor ainda não reconheceu, o que os historiadores modernos tem repetido: que foi a Igreja quem salvou e moldou a nossa rica Civilização Ocidental da qual nos orgulhamos, onde se preza a liberdade, os direitos humanos, o respeito pela mulher e por cada pessoa? Sem o trabalho lento e paciente da Igreja durante cerca de dez séculos, após a queda do Império Romano (476) e a ameaça dos bárbaros, o Ocidente não seria o mesmo.


O senhor sabe que nossa Civilização foi gerada no bojo do Cristianismo que nos deu as ciências modernas, a saudável economia de livre mercado, a segurança das leis, a caridade como uma virtude, o esplendor da Arte e da Música, uma filosofia assentada na razão, a agricultura, a arquitetura, as universidades, as catedrais e muitos outros dons. O sr. sabe que nenhuma outra Instituição fez tanto pela caridade no mundo em todos os tempos.


O senhor sabe que foi a Igreja que fundou as Universidades, inclusive a de Coimbra, a famosa de sua Portugal. Sem elas o senhor não teria chegado ao Prêmio Nobel.


O que há de “cínico” em nosso Pastor maior?


Sabemos que os sofistas, quando não conseguem derrubar os argumentos do seu opositor, procuram, então, atingir sua pessoa, sua imagem, atirando-lhe sarcasmo. Ora, será que essas seitas envenenadas contra Bento XVI não são conseqüência da falta de argumentos perante o que ele e a Igreja defendem há vinte séculos: o respeito à vida desde a geração até a morte natural, o não ao aborto, à eutanásia, à manipulação de vidas embrionárias, o não às tais “famílias alternativas”, etc.?


Ora, doutor Saramago, o senhor já é bastante vivido e conhecedor da História para saber o que afirmava Spalding, que as nações não perecem por falta de saber ou de riquezas, mas por falta de princípios morais.


O senhor acusa nosso Pai espiritual de cinismo intelectual; ora, o sr. sabe que ele é um dos maiores e melhores teólogos de nosso tempo, catedrático reconhecido no mundo todo. Portanto, atingindo a ele o sr. nos atinge a todos nós.


Onde pode haver cinismo em um líder mundial que só trabalha em favor da paz, do desarmamento dos povos, da fraternidade das nações, da defesa dos mais desvalidos.? Exatamente quando ele se reúne no Sínodo da África, debatendo as misérias desse Continente tão sofrido, e o modo de saná-las, o senhor fere o nosso Pastor tão injustamente! O que o senhor tem dito sobre os outros chefes de Estado que não fazem o mesmo pela humanidade?


O senhor acusa o Papa de “insolência reacionária”. Ora, o sr. sabe que o que ele defende não é a “sua” Verdade, mas a Daquele que mudou o mundo, e que disse a Pilatos: “eu vim para dar testemunho da verdade”; “Eu sou a Verdade”. O sr. sabe que a Verdade não pode mudar, senão não é verdade. O mesmo princípio de Arquimedes, do empuxo, descoberto dois séculos antes de Cristo, ainda hoje é ensinado nas melhores universidades do mundo, porque é verdade.


Bem disse o então cardeal Ratzinger na missa “pro elegendo pontífice”, que o mundo está dominado pelo “relativismo religioso” que quer eliminar a existência de uma verdade absoluta, querendo fazer tudo relativo, ao gosto de cada um. Por não aceitar essa “ditadura do relativismo” o sr. conjura o nosso Papa e a nossa Igreja. Eles não podem trair o Cristo, Caminho, Verdade e Vida.


O sr. diz ainda que agora vai partir para o ataque ateísta contra a Igreja. Gostaria apenas de relembrar-lhe que a Igreja não pode ser vencida por um poder meramente humano. Não perca seu tempo. Cristo lhe prometeu que as portas do inferno, que movem o coração dos que a perseguem, jamais prevalecerão contra ela.


Seria bom o sr. examinar os últimos dois mil anos da História para constatar a veracidade dessa Promessa. Onde está o Império Romano que quis destruí-la e que ceifou tantos mártires? Onde está a fúria de Napoleão que mandou prender Pio VII? Onde está a União Soviética de Stalin que perguntou “quantas legiões de soldados tem o papa?”. Onde está o nazismo, o comunismo, que tentaram eliminar a Igreja e a fé católica desde as suas raízes, e que fizeram tantos mártires?


Ora Dr. Saramago, será que o sr. ainda não entendeu que todos aqueles que se atiraram insanamente contra a Rocha de Pedro caíram para trás desolados? Será que precisamos de mais exemplos?


O sr. acusa o Papa também de querer apenas agir por “interesse e poder”. O interesse que ele procura é o bem das almas e das pessoas. Gostaria que o sr. lesse o que disse o Concilio Vaticano II:


Nenhuma ambição terrestre move a Igreja. Com efeito, guiada pelo Espírito Santo ela pretende somente uma coisa: continuar a obra do próprio Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade (Jo 18,37), para salvar e não para condenar, para servir e não para ser servido” (Mt 20,28), (GS,3).


O poder do Papa é aquele que vem de Deus, não do povo, e que está ancorado nos corações dos seus filhos que o amam como dizia Catarina de Sena, “o Doce Cristo na Terra”.


Meu irmão Saramago, não o odiamos, ao contrário, o perdoamos; queremos repetir as palavras de Santo Estevão: “Senhor, não leve em conta as suas ofensas”. E mais: “Pai, perdoai-lhe não sabe o que faz”. Pedimos ao Senhor que conceda-lhe, antes de fechar os olhos para este mundo, a graça da conversão. É tudo o que desejamos e pedimos ao Senhor da Glória.

Prof. Felipe Rinaldo Queiroz de Aquino