“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça”


No dia 16 de outubro celebra-se o dia mundial da alimentação. Este ano o tema proposto é: “Conseguir a Segurança Alimentar em época de crise”.

Sabemos que a humanidade vive uma crise econômica que se abateu atrozmente na sociedade. Uma recessão forte veio sobre o mercado. Os impostos aumentaram e diversos outros fatores vieram devido à crise. Porém, neste dia mundial da alimentação, o tema faz voltarmos nossos olhos à urgente necessidade que muitos irmãos passam, devido à falta de alimentação.

Diversas vezes ouvimos a Igreja reclamar pela falta de justiça social a que se impõem os dias de hoje. Desigualdades prevalecendo, formando uma “crise de fraternidade”, negando o direito do homem ao saneamento básico, a alimentação, a justiça social e igualitária.

A Igreja não pode sozinha acabar com a fome. Mas pode, e deve, fazer com que os governantes, iluminados pela solidariedade, abram-se à comunhão recíproca, tendo em vista que “os direitos à alimentação e à água revestem um papel importante para a consecução de outros direitos” (Caritas in Veritate, 27).

A parábola do rico glutão e do pobre, Lázaro, tem uma analogia com o cenário mundial drasticamente representado hoje. Há muitos “Lázaros” hoje. Se se tenta aglutinar os paises ricos aos paises pobres veremos a ação solidária e o bom coração do ser humano; do contrário continuará a valer as palavras do Santo Padre, Bento XVI: “A sociedade cada vez mais globalizada torna-se vizinhos, mas não nos faz irmãos” (Ibid., 19). A fome acentua a pobreza dos povos e limita o desenvolvimento dos paises. O caminho da solidariedade, no entanto, é um meio de se solucionar a crise que afeta a todos, em particular os mais pobres.

Enquanto nós lutamos por buscar vencer a fome e a miséria, há paises que, como tenho escrito nos artigos, buscam prazeres efêmeros e soluções inexequíveis para as dificuldades que lhes atingem.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura, FAO, seria suficiente que os governos de todo o mundo destinassem 30 bilhões de dólares para a agricultura, e a fome seria erradicada do mundo. Já li artigos e ouvi comentários que 120 bilhões daria, pode parecer muito, mas não é. Isso é um valor irrisório perante os 1,340 trilhão de dólares que foram destinados a investimentos em armamento, e 2,2 trilhão foram investidos para ser injetado na crise e “salvar” banqueiros corruptos da falência. Desculpe-me, mas o mundo passa fome por causa dos governantes. Seriam as armas mais importantes que a fome dos mais de 1 bilhão de pessoas?

Parece absurdo? Sim, realmente é! Criticam a falta de solidariedade e chagam a se perguntar por que Deus faz isso, mas eles mesmos não solucionam o problema, e o podem fazer.

O que podemos fazer, enfim, é rezar. Vamos pedir a Deus pelos governantes, para que deixem a dureza de coração e a ganância, e sejam fraternos.

Que Maria, Mãe de Deus, rogue por todos nós!


Dário Meira, 16 de outubro de 2009, Dia Mundial da Alimentação

Ian Farias