Mais de um milhão de pessoas vão às ruas em Madri contra o aborto

MADRI, Espanha — Mais de um milhão de pessoas se manifestaram neste sábado, em Madri, contra o projeto de liberalização do aborto do governo socialista aos gritos de “aborto não! sim à vida”, segundo diversas fontes.

Os organizadores anunciaram várias estimativas de participação até ser fixada, definitivamente, em dois milhões de pessoas, enquanto que a região de Madri, governada pelos conservadores, divulgou a cifra de 1,2 milhão de participantes.

A manifestação começou às 17h00 locais (12h00 de Brasília), tendo sido concluída no centro da capital espanhola duas horas depois.

Jornalistas da AFP no local estimaram em várias centenas de milhares o número de pessoas que participaram da grande marcha.

O projeto de lei socialista, que reforma uma lei de 1985, prevê, principalmente, liberdade total para abortar em um prazo de 14 semanas de gravidez.

Atualmente, o aborto é autorizado apenas em caso de estupro (até 12 semanas de gravidez), má-formação do feto (22 semanas) ou “perigo para a saúde física ou mental da mãe” (sem limitação de tempo).

Uma verdadeira maré humana invadiu o centro da capital espanhola: pessoas idosas, pais e mães levando crianças em carrinhos, grupos de adolescentes com camisetas pintadas e faixas vermelhas com os dizeres “Direito à vida”, além de religiosas e sacerdotes.

O projeto de lei aprovado no dia 26 de setembro pelo governo e que será debatido a partir de novembro no Parlamento, se inspira na legislação em vigor na maior parte dos países da União Europeia.

Um grande cartaz abria a manifestação proclamando: “Cada vida conta”.

A ministra socialista da Igualdade, Bibiana Aido, uma das incentivadores do polêmio projeto de lei, exprimiu “respeito total” à passeata, afirmando, no entanto, que “ninguém tem o monopólio da moral”. “Nenhuma mulher pode ser penalizada por tomar uma decisão tão difícil como é a de fazer um aborto”, declarou.

A manifestação foi convocada pelo Fórum da Família, uma plataforma de organizações católicas conservadoras, que já havia levado centenas de milhares de manifestantes às ruas em 2005 contra a lei autorizando o casamento homossexual.

O projeto contém dispositivo muito polêmico, mesmo entre o eleitorado de esquerda: menores de 16 e 17 anos poderão abortar livremente sem o consentimento nem informação prévia dos pais.

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