Sínodo para a África apresenta mensagem final

A Mensagem final da II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos foi apresentada nesta sexta-feira, 23, no Vaticano, na presença do Papa Bento XVI.

O documento pede que a comunidade internacional trate o continente africano com “respeito” e altere as regras do jogo econômico, com referência especial para a dívida externa.

A exploração das multinacionais e interesses por trás das ajudas às populações carentes também estão na mira dos padres sinodais.

A Mensagem destaca que, em relação à pandemia da AIDS, a Igreja não fica atrás de ninguém na luta contra a difusão do HIV e no cuidado dos doentes. À imagem do que já foi afirmado pelo Papa, sublinha-se que esta questão não se resolve com a distribuição de preservativos.

Uma palavra especial é dedicada às relações com o Islã, assegurando que o diálogo é possível, mas que é importante dizer “não” ao fanatismo.

“África, levanta-te e anda!” é o forte apelo deixado pelos Bispos, que repetem o pedido aos sacerdotes, para que respeitem o celibato, às famílias, os jovens e às crianças. Em comum, o pedido de que todos se empenhem em favor da reconciliação e que exista discernimento no confronto com o mundo ocidental.

O esboço deste texto havia sido apresentado à assembleia no dia 17, em diversas línguas, e hoje foi a votação para aprovação definitiva. A Mensagem será apresentada, ainda hoje, em uma Coletiva de Imprensa, no Vaticano.

Resumo do Sínodo

Desde o dia 4 de outubro, várias questões foram abordadas no Sínodo para a África, que teve como tema “A Igreja na África ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz”.

Nas intervenções dos participantes, o tema “paz” foi o mais abordado, 402 vezes, no total. O termo “justiça” contou com 345 menções.

O tema “Guerra” foi mencionado 158 vezes, recebeu mais citações que o “amor”, nomeado 122 vezes. O termo “violência” perdeu para a “esperança” por 57 contra 40 citações.

A importância do “diálogo” foi sublinhada 85 vezes, assim como da “educação”, 76 vezes, que nem sempre estava acompanhada do tema “escola”, mencionado 30 vezes, mas quase sempre de “crianças”, mencionadas 60 vezes, 4 das quais em forma de “crianças-soldado”.

O tema das “mulheres” foi considerado em 20 momentos, enquanto o da “economia” apareceu 14 vezes. O Islã foi mencionado 33 vezes.

Entre os temas que preocupam a realidade africana, destacaram-se a “Aids”, num total de 27 vezes, o “exorcismo” que foi mencionado 12 vezes, o “zelo sacerdotal”, destacado 7 vezes. A “prostituição”, as “religiões tradicionais” tiveram igual menção, 6 vezes cada uma. Já o termo “prisão” foi mencionado 3 vezes.

D. Dimas diz que Jesus não fez aliança com fariseus

Por Clarissa Vasconcelos – 22 de outubro de 2009

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Dimas Lara Barbosa, afirmou nesta quinta-feira que “Judas era, de fato, discípulo de Jesus, mas que ele não fez aliança com fariseus”. Em entrevista publicada no jornal Folha de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva construiu a metáfora de que Jesus, se quisesse fazer política no Brasil, teria de formar aliança com Judas.

O representante da CNBB preferiu não entrar em detalhes sobre quem seriam os “fariseus” aos quais estaria se referindo, mas os descreveu como pessoas que “parecem uma coisa por fora, mas que por dentro são outra”. A fala de Lula fazia menção indireta à coalização do PT com o PMDB de José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado acusado de uma série de irregularidades no comando da Casa.

D. Dimas aproveitou para lembrar a defesa, por parte da CNBB, por uma legislação que impeça a eleição de candidatos com contas pendentes na Justiça. Tramita no Congresso um projeto para barrar a entrada de políticos com “ficha suja”