Bispos da África pedem fim das guerras e tratamento às pessoas com aids


Cidade do Vaticano, 24 out (EFE).- Por vontade do papa Bento XVI, o Vaticano publicou hoje as 57 propostas aprovadas no 2º Sínodo para a África, que terminou hoje, nas quais há uma chamada para o fim das guerras e para que os pacientes com aids africanos recebam o mesmo tratamento que na Europa.

Bento XVI, pela terceira vez, permitiu a divulgação das propostas da conclusão destas assembléias e que são enviadas ao papa para que, com elas, se prepare a Exortação Apostólica, o documento com o qual oficialmente um Sínodo é fechado.

Nas propostas aprovadas pelos 244 bispos que assistiram ao sínodo, os prelados fizeram uma chamada a todos os envolvidos nas guerras “que fazem seus povos sofrer” e pediram para “acabar com as hostilidades”.

Pediram que a comunidade internacional “lute” contra as tentativas de desestabilização do continente. Além disso, exigiram a abolição no mundo todo da pena de morte.

As propostas foram apresentadas pelo cardeal Peter Turkson, de Gana, que foi o relator e a quem o papa nomeou hoje presidente do influente Conselho Pontifício Justiça e Paz.

Os prelados analisaram o problema da emigração, destacaram que há 15 milhões de pessoas na África que buscam “uma pátria e um lugar de paz”, e expressaram sua “preocupação” com as leis de imigração de países estrangeiros “que discriminam os africanos”.

Além da imigração, a África sofre com uma pandemia de aids que afeta 27 milhões de pessoas. Hoje, os bispos disseram que esta doença, junto com a malária e a tuberculose, está dizimando a população e prejudicando a vida econômica e social do continente.

Se na mensagem final – divulgada ontem – eles defenderam a castidade e a fidelidade para combater a aids e rejeitaram o uso do preservativo, nas propostas afirmaram que os doentes africanos são vítimas da injustiça, “porque não recebem a mesma qualidade de tratamento de outros países”.

Por isso, pediram que “lhes seja assegurado o mesmo tratamento praticado na Europa”, e defenderam ajudar os casais de infectados “para que tomem as medidas justas, com plena responsabilidade para o bem-estar recíproco, a união e a família”.

Nessa frase, observadores vaticanos viram uma “pequena abertura” da Igreja africana ao uso do preservativo nos casamentos onde um deles está infectado.

O Sínodo será encerrado amanhã por Bento XVI. EFE