PAPA DIZ QUE SÍNODO DA ÁFRICA 'FEZ UM BOM TRABALHO'


CIDADE DO VATICANO, 24 OUT (ANSA) — O papa Bento XVI se disse satisfeito com o êxito da Segunda Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, que teria se mostrado um “caminho” equilibrado cujo texto final — que fala de imigração e aborto, entre outros tópicos — foi uma “boa síntese”.
O Pontífice participou de um almoço de encerramento com os bispos participantes do encontro e fez um breve discurso ao final da refeição.
De acordo com a sala de imprensa da Santa Sé, Bento XVI afirmou que “o Sínodo fez um bom trabalho” ao vencer dois desafios difíceis: nem politizar demais o tema da reconciliação, nem deixá-lo no plano puramente espiritual.
O documento final da reunião foi aprovado ontem pelo Papa e pede, entre outras medidas, que os governos ajam sem discriminação em relação aos imigrantes.
“As políticas e leis migratórias contra os africanos” violam “o princípio da destinação universal dos bens da Criação e os ensinamentos da Igreja sobre direitos humanos”, afirma a mensagem.
Os bispos pedem que os governos apliquem “as leis internacionais de imigração de maneira justa e conveniente, sem discriminar os africanos”.
O texto também reafirma a condenação da Santa Sé contra o aborto terapêutico, declarando-o “inaceitável” mesmo em casos de violência sexual, estupro, incesto ou quando a gravidez oferece risco à saúde da mãe ou do feto.
A posição dos bispos se refere ao artigo 14 do Protocolo de Maputo, adotado pela União Africana em 2003 e que estabelece os direitos das mulheres de controlar a própria fertilidade, escolher meios contraceptivos e se defender contra doenças sexualmente transmissíveis. O tratado foi assinado por 42 dos países pertencentes à organização, mas ratificado por somente 20.
A questão do aborto terapêutico já havia sido levantada pelo papa Bento XVI em sua recente viagem à África, realizada em março.
“Segundo o ensinamento da Igreja, o aborto é contrário à vontade de Deus. Além disso, este artigo [do Protocolo de Maputo] está em contradição com os direitos humanos e o direito à vida. Banaliza a seriedade do crime e desvaloriza o papel da maternidade”, continua a mensagem do Sínodo.
O texto convida a Igreja africana a “usar os meios e estruturas necessárias para acompanhar mulheres e casais tentados a abortar” e louva “a coragem dos governos que combatem o aborto em suas legislações”.
A luta contra o tráfico de armas, a abolição da pena de morte e o fim da prática de bruxaria em países da África também estiveram entre os temas comentados no documento final.
O Sínodo da África, iniciado no dia 4, reuniu bispos africanos para discutir os problemas do continente e o papel da Santa Sé nesse contexto. O tema do encontro foi “A Igreja na África a serviço da reconciliação, da justiça e da paz. Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo”. (ANSA)