25 de Outubro – São Frei Galvão

Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, OFM, mais conhecido como Frei Galvão (Guaratinguetá, 1739 — São Paulo, 23 de dezembro de 1822) foi um frade católico e primeiro santo nascido no Brasil. Foi canonizado pelo papa Bento XVI durante sua visita ao Brasil (São Paulo) em 11 de maio de 2007.

Biografia

O pai, Antônio Galvão de França, nascido em Portugal, era o capitão-mor da vila. Sua mãe, Isabel Leite de Barros, era filha de fazendeiros, neta de Luzia Leme, irmã de Pedro Dias Paes Leme e tia de Fernão Dias Pais, o Caçador de Esmeraldas.

Antônio viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, pois seus pais gozavam de prestígio social e influência política. O pai, querendo dar uma formação humana e cultural segundo suas possibilidades econômicas, mandou o filho com a idade de treze anos para o Colégio de Belém, dos padres jesuítas, na Bahia, onde já se encontrava seu irmão José.

Lá fez grandes progressos nos estudos e na prática cristã, de 1752 a 1756. Queria tornar-se jesuíta, mas por causa da perseguição movida contra a Ordem pelo Marquês de Pombal, seu pai o aconselhou a entrar para os franciscanos, que tinham um convento em Taubaté, não muito longe de Guaratinguetá. Assim, renunciou a um futuro promissor e influente na sociedade de então, e aos 16 anos, entrou para o noviciado na Vila de Macacu, no Rio de Janeiro.
Estátua do frade em sua cidade natal, Guaratinguetá

A 16 de abril de 1761 fez seus votos solenes. Um ano após foi admitido à ordenação sacerdotal, pois julgaram seus estudos suficientes.

Ordenação

Ordenado padre na Igreja de Santo Antônio do Largo da Carioca (Rio de Janeiro), no dia 11 de julho de 1762. Morou pouco tempo no Largo da Carioca, foi completar os estudos em São Paulo, onde viveu praticamente a vida inteira. Esteve no Rio de Janeiro por mais 3 vezes para participar de Capítulos da Ordem. O caminho de ida e volta era feito a pé. Costumava também percorrer os caminhos do Vale do Paraíba, Vale do Tietê, e vilas litorâneas também a pé.[1]

Foi então mandado para o Convento de São Francisco em São Paulo a fim de aperfeiçoar os seus estudos de filosofia e teologia, e exercitar-se no apostolado. Data dessa época a sua “entrega a Maria”, como seu “filho e escravo perpétuo”, consagração mariana assinada com seu próprio sangue a 9 de março de 1766.

Terminados os estudos foi nomeado Pregador, Confessor dos Leigos e Porteiro do Convento, cargo este considerado de muita importância, pela comunicação com as pessoas e o grande apostolado resultante. Em 1769-70 foi designado confessor de um recolhimento de piedosas mulheres, as “Recolhidas de Santa Teresa”, em São Paulo.

Fundação de Novo Recolhimento

Neste recolhimento encontrou Irmã Helena Maria do Espírito Santo, religiosa que afirmava ter visões pelas quais Jesus lhe pedia para fundar um novo recolhimento. Frei Galvão, ouvindo também o parecer de outras pessoas, considerou válidas essas visões. No dia 2 de fevereiro de 1774 foi oficialmente fundado o novo recolhimento e Frei Galvão era o seu fundador.

Em 23 de fevereiro de 1775, um ano após a fundação, Madre Helena morreu repentinamente. Frei Galvão tornou-se o único sustentáculo das Recolhidas. Enquanto isso, o novo capitão-general da capitania de São Paulo retirou a permissão e ordenou o fechamento do Recolhimento. Fazia isso para opor-se ao seu predecessor, que havia promovido a fundação. Frei Galvão foi obrigado a aceitar e também as recolhidas obedeceram, mas não deixaram a casa e resistiram. Depois de um mês, graças a pressão do povo e do Bispo, o recolhimento foi aberto.

Devido ao grande número de vocações, viu-se obrigado a aumentar o recolhimento. Durante catorze anos cuidou dessa nova construção (1774-1788) e outros catorze para a construção da igreja (1788-1802), inaugurada aos 15 de agosto de 1802. Frei Galvão foi arquiteto, mestre de obras e até mesmo pedreiro. A obra, hoje o Mosteiro da Luz, foi declarada “Patrimônio Cultural da Humanidade” pela UNESCO.

Frei Galvão, além da construção e dos encargos especiais dentro e fora da Ordem Franciscana, deu toda a atenção e o melhor de suas forças à formação das Recolhidas. Era para elas verdadeiro pai e mestre. Para elas escreveu um estatuto, excelente guia de disciplina religiosa. Esse é o principal escrito de Frei Galvão, e que melhor manifesta a sua personalidade.

Em várias ocasiões as exigências da sua Ordem Religiosa pediam que se mudasse para outro lugar para realizar outras funções, mas tanto o povo e as Recolhidas, como o bispo, e mesmo a Câmara Municipal de São Paulo intervieram para que ele não saísse da cidade. Diz uma carta do “Senado da Câmara de São Paulo” ao Provincial (superior) de Frei Galvão: “Este homem tão necessário às religiosas da Luz, é preciosíssimo a toda esta Cidade e Vilas da Capitania de São Paulo, é homem religiosíssimo e de prudente conselho; todos acorrem a pedir-lho; é homem da paz e da caridade”.

Frei Galvão viajava constantemente pela capitania de São Paulo, pregando e atendendo as pessoas. Fazia todos esses trajetos sempre a pé, não usava cavalos nem a liteira levada por escravos. Vilas distantes sessenta quilômetros ou mais, municípios do litoral, ou mesmo viajando para o Rio de Janeiro, enfim, não havia obstáculos para o seu zelo apostólico. Por onde passava as multidões acorriam. Ele era alto e forte, de trato muito amável, recebendo a todos com grande caridade.

Fenômenos místicos e canonização

Frei Galvão era homem de muita e intensa oração, e dele se atestam certos fenômenos místicos, como os êxtases e a levitação. São famosos em sua vida os casos de bilocação: estando em determinado lugar, aparecia de repente em outro, para atender a um doente ou moribundo que precisava da sua atenção.

Era também procurado para a cura, em tempos em que não havia recursos e ciência médica como hoje. Numa dessas ocasiões, escreveu num pedaço de papel uma frase em latim do Ofício de Nossa Senhora: Post partum Virgo Inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis, que poderia ser traduzida assim: “Depois do parto, Ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós!”. Enrolou o papel em forma de pílula e deu a um jovem que estava quase morrendo por fortes cólicas renais. Imediatamente cessaram as dores e ele expeliu um grande cálculo. Logo veio um senhor pedindo orações e um ‘remédio’ para a mulher que estava sofrendo em trabalho de parto. Frei Galvão fez novamente uma pilulazinha, e a criança nasceu rapidamente. A partir daí teve que ensinar as irmãs do recolhimento a confeccionar as pílulas e dar às pessoas necessitadas, o que elas fazem até hoje.

Em 1811, a pedido do bispo de São Paulo, Dom Mateus de Abreu Pereira, Frei Galvão fundou o Recolhimento de Santa Clara em Sorocaba, onde permaneceu por onze meses para encaminhar a nova fundação e comunidade. Posteriormente, após a sua morte, outros mosteiros foram fundados por essas duas comunidades, seguindo assim, a orientação deixada pelo beato.

Faleceu em 23 de dezembro de 1822 e a pedido do povo e das irmãs foi sepultado na Igreja do Recolhimento da Luz, que ele mesmo construíra. Seu túmulo sempre foi lugar de contínuas peregrinações.

Em 25 de outubro de 1998, foi beatificado pelo papa João Paulo II, tornando-se o primeiro beato brasileiro.

O papa Bento XVI reconheceu em 16 de dezembro de 2006 o segundo milagre do frade franciscano Ant
ônio de Sant’Ana Galvão (1739-1822). Com isso, ele é o primeiro brasileiro nato a ser declarado santo pelo Vaticano. A canonização aconteceu em 11 de maio de 2007 durante missa campal que o papa Bento XVI celebrou em São Paulo em 11 de maio durante sua visita ao Brasil.

A missa foi realizada no Campo de Marte, com a presença de milhares de fiéis vindos de todas as parte do mundo e com transmissão ao vivo para todo o país.

Oração de Frei Galvão
Bento XVI durante cerimônia de canonização do frade brasileiro Frei Galvão no Campo de Marte, em 11 de maio

Ó Deus que inspirastes ao Santo Frei Antônio de Sant’Anna Galvão extraordinária caridade com os enfermos, os aflitos e os escravos de sua época no [Brasil], dai-me o vosso espírito de amor para que eu saiba suportar com paciência meus sofrimentos. Intercedei junto a Jesus Cristo, que tanto amaste, e neste momento de dor, (faça o pedido…) não me falte a força e a coragem de suportar a doença; fortalecei meu ânimo onde, passando pelo sofrimento, purifique-me dos meus pecados e também possa ajudar meus irmãos necessitados. Amém.

Bento XVI na Missa de encerramento do Sínodo dos Bispos para a África: Igreja conjuga sempre evangelização e promoção humana, seguindo assim Jesus Cristo

O Papa Bento XVI presidiu na manhã deste Domingo, na Basílica de São Pedro a Missa de encerramento da II Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a África que de 4 a 25 de Outubro debateu no Vaticano o tema a igreja ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz, vos sois o sal da terra vos sois a luz do mundo.

Fiel ao projecto de Deus, a Igreja conjuga sempre evangelização e promoção humana, adoptando assim aquela “forma sacerdotal” que é a de Cristo, no caminho do amor. É partilhando até ao fim a condição dos homens e mulheres do seu tempo que a Igreja testemunha a todos o amor de Deus, semeando a esperança. – Palavras de Bento XVI, na homilia da Missa, partindo dos textos deste domingo, a começar pela primeira Leitura, do Profeta Jeremias.

“O projecto de Deus não muda. Através dos séculos e das convulsões da história, Ele visa sempre a mesma meta: o Reino da liberdade e da paz para todos. E isso implica a sua predilecção pelos que se encontram privados de liberdade e de paz, por aqueles que foram violados na sua dignidade de pessoas humanas. Pensamos especialmente nos irmãos e irmãs que na África sofrem pobreza, doenças, injustiças, guerras e violências, migrações forçadas”.

Recordando depois o episódio evangélica da cura do cego Bartimeu, Bento XVI fez notar que o episódio evangélica se situa no caminho que conduz Jesus e os seus discípulos a Jerusalém, onde se consumará a Páscoa, a sua Páscoa sacrificial, que o Messias vive, a nosso favor.

“Caros Irmãos, demos graças porque o misterioso encontro entre a nossa pobreza e a grandeza de Deus se realizou também na Assembleia para a África, que hoje se conclui. Deus renovou a sua chamada: Coragem, levanta-te… E também a Igreja que está em África, através dos seus Pastores, vindos de todos os países do Continente, de Madagáscar e das outras ilhas, acolheu a mensagem de esperança e a luz para caminhar pela estrada que conduz ao Reino de Deus. Vai, a tua fé te salvou”.

Sim, insistiu o Papa, é a fé em Jesus Cristo – bem entendida e praticada – que guia os homens e os povos à liberdade na verdade – à reconciliação, à justiça e à paz.

“Assim é a Igreja no mundo: comunidade de pessoas reconciliadas, promotoras de justiça e de paz; sal e luz no meio da sociedade dos homens e das nações. Foi por isso que o Sínodo reafirmou com vigor – e manifestou – que a Igreja é Família de Deus, na qual não podem subsistir divisões com base étnica, linguística ou cultural”.

Referindo-se ainda à segunda Leitura da Missa, da Carta aos Hebreus, o Papa fez notar “uma outra perspectiva” que esta oferece. Isto é, que “a Igreja, comunidade que segue Cristo no caminho do amor, tem uma forma sacerdotal”.

“O sacerdócio de Jesus Cristo não é primariamente ritual, mas sim existencial” – reflectiu Bento XVI. Embora não seja abolida a dimensão do rito, este – como se vê claramente na instituição da Eucaristia – assume significado a partir do Mistério pascal. Este supera, cumprindo-os, os antigos sacrifícios. Nascem assim um novo sacrifício, um novo sacerdócio e também um novo templo, todos eles coincidindo com o mistério de Jesus Cristo.

“Também a Comunidade eclesial, na esteira do seu Mestre e Senhor, está chamada a percorrer decididamente a sua estrada de serviço, a partilhar profundamente a condição dos homens e mulheres do seu tempo, para testemunhar a todos o amor de Deus, semeando assim a esperança”.

É “conjugando sempre a evangelização e a promoção humana” que a Igreja transmite a mensagem de salvação – sublinhou o Papa, evocando a Encíclica “Populorum progressio” de Paulo VI: é isso o que os missionários têm feito e continuam a fazer no campo, “promovendo um desenvolvimento respeitoso das culturas locais e do ambiente segundo uma lógica que, passados mais de 40 anos, aparece como a única capaz de fazer sair os povos africanos da escravidão da fome e das doenças”.

“Isto quer dizer transmitir o anúncio da esperança seguindo uma forma sacerdotal, ou seja, vivendo em primeira pessoa o Evangelho, procurando traduzi-lo em projectos e realizações coerentes com o princípio dinâmico fundamental – o amor”.

Nestas três semanas – observou o Papa – a II Assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a África confirmou o que já João Paulo II fizera notar e tinha sido recentemente recordado na Encíclica “Caritas in veritate”, isto é, que – em tempos de “globalização” – “se impõe renovar o modelo de desenvolvimento global”, para que nenhum povo dele fique excluído.
“A globalização (advertiu Bento XVI) é uma realidade humana e como tal modificável segundo um ou outro posicionamento cultural. A Igreja actua com a sua concepção personalista e comunitária para orientar o processo em termos de relacionalidade, fraternidade e partilha”.

“A urgente acção evangelizadora, de que muito se falou nestes dias, comporta também um premente apelo à reconciliação, condição indispensável para instaurar na África relações de justiça entre os homens e para construir uma paz equitativa e duradoura, no respeito de cada indivíduo e povo; uma paz que tem necessidade e se abre ao contributo de todas as pessoas de boa vontade, para lá das respectivas pertenças religiosas, étnicas, linguísticas, culturais e sociais”.

“Coragem, levanta-te, Continente africano!” – encorajou Bento XVI, a concluir.

“Acolhe com renovado entusiasmo o anúncio do Evangelho para que o rosto de Cristo possa iluminar com o seu esplendor a multiplicidade das culturas e linguagens das tuas populações.
Ao mes
mo tempo que oferece o pão da Palavra e da Eucaristia, a Igreja empenha-se também a agir, com todos os meios disponíveis, para que a nenhum africano falte o pão de cada dia. Para tal, juntamente com a obra de primária urgência que é a evangelização, os cristãos são activos nas intervenções de promoção humana”.

A continuación les ofrecemos el texto íntegro de la homilía:

¡Venerados Hermanos!

¡Queridos hermanos y hermanas!

He aquí un mensaje de esperanza para África: lo hemos escuchado ahora de la Palabra de Dios. Es el mensaje que el Señor de la historia no se cansa de renovar para la humanidad oprimida y atropellada de toda época y de toda tierra, desde cuando reveló a Moisés su voluntad sobre los israelíes esclavos en Egipto: “He visto la aflicción de mi pueblo… he oído su grito… conozco sus sufrimientos. He bajado para liberarlos… y para subirlo de esta tierra a una tierra buena y espaciosa, a una tierra que mana leche y miel” (Ex 3, 7 – 8). ¿Cuál es esta tierra? ¿No es tal vez el Reino de la reconciliación, de la justicia y de la paz, a la que está llamada toda la humanidad? El designio de Dios no cambia. Es el mismo que fue profetizado por Jeremías, en los magníficos oráculos denominados “Libro de la consolación”, del que hoy se ha extraído la primera lectura. Es un anuncio de esperanza para el pueblo de Israel, postrado por la invasión del ejército de Nabucodonosor, de la devastación de Jerusalén y del Templo, y de la deportación a Babilonia. Un mensaje de alegría para el “resto” de los hijos de Jacob, que anuncia un futuro para ellos, porque el Señor los conducirá a su tierra, a través de un camino directo. Las personas necesitadas de sostén, como el ciego y el cojo, la mujer embarazada y la parturienta, experimentan la fuerza y la ternura del Señor: Él es un padre para Israel, dispuesto a atenderlo como se hace con el hijo primogénito (cf. Jer 31, 7 – 9).

El designio de Dios no cambia. A través de los siglos y los giros de la historia, Él apunta siempre hacia la misma meta: el Reino de la libertad y de la paz para todos. Y ello implica su predilección por quienes están privados de la libertad y la paz, por quienes son violados en su propia dignidad de personas humanas. Pensemos en particular en los hermanos y hermanas que en África sufren la pobreza, enfermedades, injusticias, guerras y violencias, migraciones forzadas. Estos hijos predilectos del Padre celestial son como el ciego del Evangelio, Bartimeo, que “estaba sentado al borde del camino para pedir limosna” (Mc 10, 46), a las puertas de Jericó. Precisamente por ese camino pasa Jesús Nazareno. Es el camino que conduce a Jerusalén, donde se consumará la Pascua, su Pascua sacrificial, a la que el Mesías va por nosotros. Es el camino de su éxodo que es también el nuestro: la única vía que conduce a la tierra de la reconciliación, de la justicia y de la paz. En este camino el Señor encuentra a Bartimeo, que ha perdido la vista. Sus caminos se cruzan, se convierten en un único camino. “¡Hijo de David, Jesús, ten piedad de mí!”, grita el ciego con confianza. Jesús replica: “¡Llámenlo!”, y añade: “¿Qué quieres que haga por ti?”. Dios es la luz, y el creador de la luz. El hombre es hijo de la luz, hecho para ver la luz, pero ha perdido la vista, y se encuentra obligado a mendigar. A su lado pasa el Señor, que se ha hecho mendigo por nosotros: sediento de nuestra fe y de nuestro amor. “¿Qué quieres que haga por ti?”. Dios sabe, pero pregunta; quiere que sea el hombre quien hable. Quiere que el hombre se levante, que encuentre el valor para pedir lo que necesita para su dignidad. El Padre quiere escuchar de la viva voz del hijo la libre voluntad de ver de nuevo la luz, aquella luz por la cual lo ha creado. “¡Rabbuní, maestro, que vea de nuevo!”. Y Jesús le dice: “Anda, tu fe te ha salvado. Y al momento recobró la vista y lo seguía por el camino” (Mc 10, 51 – 52).

Queridos hermanos, demos gracias porque este “misterioso encuentro entre nuestra pobreza y la grandeza” de Dios se ha realizado en la Asamblea sinodal para África que se concluye hoy. Dios ha renovado su llamada: “¡Ánimo! Levántate…” (Mc 10, 49). Y también la Iglesia que está en África, a través de sus Pastores, venidos de todos los países del continente, desde Madagascar y de las otras islas, ha acogido el mensaje de esperanza y la luz para caminar por la vía que conduce al Reino de Dios. “Anda, tu fe te ha salvado” (Mc 10, 52). Sí, la fe en Jesucristo – cuando es bien entendida y practicada – guía a los hombres y pueblos a la libertad en la verdad, o para usar las tres palabras del tema sinodal, a la reconciliación, a la justicia y a la paz. Bartimeo que, curado, sigue a Jesús por el camino, es imagen de la humanidad que, iluminada por la fe, se pone en camino hacia la tierra prometida. Bartimeo se convierte a su vez en testigo de la luz, contando y demostrando en primera persona que fue curado, renovado, regenerado. Esto es la Iglesia en el mundo: comunidad de personas reconciliadas, agentes de justicia y de paz; “sal y luz” en medio de la sociedad de los hombres y de las naciones. Por ello el Sínodo ha afirmado con fuerza – y lo ha manifestado – que la Iglesia es Familia de Dios, en la cual no pueden subsistir divisiones basadas en las diferencias étnicas, lingüísticas o culturales. Testimonios conmovedores nos han mostrado que, también en los momentos más oscuros de la historia human, el Espíritu Santo obra y transforma los corazones de las víctimas y de los perseguidores para que se reconozcan como hermanos. La Iglesia reconciliada es una potente levadura de reconciliación en cada país y en todo el continente africano.

La segunda lectura nos ofrece una ulterior perspectiva: la Iglesia, comunidad que sigue a Cristo por el camino del amor, tiene una forma sacerdotal. La categoría del sacerdocio, como clave interpretativa del misterio de Cristo y, en consecuencia, de la Iglesia, fue introducida en el Nuevo Testamento por el Autor de la Carta a los Hebreos. Su intuición toma su origen en el Salmo 110, citado en el día de hoy, allá donde el Señor Dios, con solemne juramento, asegura al Mesías: “Tu eres sacerdote eterno, según el rito de Melquisedec” (v. 4). Referencia que remite a otra, extraída del Salmo 2, en la que el Mesías anuncia el decreto del Señor que dice de él: “Tu eres mi hijo, yo te he engendrado hoy” (v. 7). De estos textos se deriva la atribución a Jescristo del carácter sacerdotal, no en sentido genérico, sino “según el rito de Melquisedec”, es decir, el sacerdocio sumo y eterno, de origen no humano sino divino. Si todo sumo sacerdote “es elegido de entre los hombres y para los hombres es constituido tal en las cosas que tienen que ver con Dios” (Hb 5, 1), solo Él, Cristo, el Hijo de Dios, posee un sacerdocio que se identifica con su misma Persona, un sacerdocio singular y trascendente, del que depende la salvación universal. Este sacerdocio suyo, Cristo lo ha transmitido a la Iglesia mediante el Espíritu Santo; por tanto la Iglesia tiene en sí misma, en cada uno de sus miembros, en virtud del Bautismo, un carácter sacerdotal. Pero – y este es el aspecto decisivo – el sacerdocio de Jesucristo no es más primariamente ritual, sino existencial. La dimensión del rito no es abolida, sino, como aparece claramente en la institución de la Eucaristía, toma significado del Misterio Pascual, que lleva a cumplimiento los sacrificios antiguos y los supera. Nacen así contemporáneamente un nuevo sacrificio, un nuevo sacerdocio y también un nuevo templo, los tres coinciden con el Misterio de Jesucristo. Unida a Él mediante los Sacramentos, la Iglesia prolonga su acción salvífica, permitiendo a los hombres ser sanados mediante la fe, como el ciego Bartimeo. Así la Comunidad eclesial, siguiendo las huellas de su Maestro y Señor, está llamada a recorrer decididamente el camino del servicio, y a com
partir hasta el final la condición de los hombres y mujeres de su tiempo, para testimoniar a todos el amor de Dios y así sembrar esperanza.

Queridos amigos, este mensaje de salvación la Iglesia lo transmite conjugando siempre la evangelización y la promoción humana. Tomemos como ejemplo la histórica Encíclica Populorum progressio: lo que el Siervo de Dios Pablo VI elaboró en términos de reflexión, los misioneros lo han realizado y siguen realizándolo en el terreno, promoviendo un desarrollo respetuoso de las culturas locales y del ambiente, según una lógica que ahora, después de 40 años, aparece como la única en grado de hacer salir a los pueblos africanos de la esclavitud del hambre y las enfermedades. Esto significa transmitir el anuncio de esperanza según una “forma sacerdotal”, es decir, viviendo en primera persona el Evangelio, buscando traducirlo en proyectos y realizaciones coherentes con el principio dinámico fundamental, que es el amor. En estas tres semanas, la Segunda Asamblea Especial para África del Sínodo de los Obispos ha confirmado aquello que mi venerado predecesor, Juan Pablo II, había puesto ya de relieve, y que he querido también yo profundizarlo en la reciente Encíclica Caritas in veritate: que es necesario renovar el modelo de desarrollo global, de modo que sea capaz de “incluir a todos los pueblos y no solamente a aquellos particularmente dotados” (n.39). Todo lo que la Doctrina Social de la Iglesia siempre ha sostenido a partir de su visión del hombre y de la sociedad, hoy es requerido también de la globalización (cf. ibid.). Ésta – es necesario recordar – no va entendida fatalísticamente como si sus dinámicas fueran producto de anónimas fuerzas impersonales e independientes de la voluntad humana. La globalización es una realidad humana y como tal es modificable según uno u otro planteamiento cultural. La Iglesia trabaja con su concepción personalista y comunitaria para orientar el proceso en términos de relacionalidad, de fraternidad y compartir (cf. ibid., nº 42).

“¡Ánimo, levántate!..”. Así hoy el Señor de la vida y de la esperanza se dirige a la Iglesia y a las poblaciones africanas, al terminar estas sesiones de reflexión sinodal. Levántate, Iglesia de África, Familia de Dios, porque te llama el Padre celestial, que tus antepasados invocaron como Creador, antes de conocer su la cercanía misericordiosa, revelada en su Hijo unigénito, Jesucristo,. Emprende el camino de una nueva evangelización con al coraje que proviene del Espíritu Santo. La urgente acción evangelizadora, de la que mucho se ha hablado estos días, comporta también un llamado urgente a la reconciliación, condición indispensable para instaurar en África relaciones de justicia entre los hombres, y para construir una paz equitativa y duradera en el respeto de cada individuo y de cada pueblo; una paz que tiene necesidad y se abre a la aportación de todas las personas de buena voluntad, más allá de las respectivas dependencias religiosas, étnicas, lingúísticas, culturales y sociales. En tal comprometida misión tu, Iglesia peregrina en el África del tercer milenio, no estás sola. Está cercana a ti con la oración y la solidaridad toda la Iglesia católica, y desde el Cielo te acompañan los santos y santas africanos, que, con la vida tal vez entregada en el martirio, han dado testimonio pleno de fidelidad a Cristo.

¡Ánimo! Levántate, Continente africano, tierra que ha acogido al Salvador del mundo cuando de niño tuvo que refugiarse con José y María en Egipto para salvar su vida de la persecusión del rey Herodes. Acoge con renovado entusiasmo el anuncio del Evangelio para que el rostro de Cristo pueda iluminar con su esplendor la multiplicidad de las culturas y lenguajes de todas las poblaciones. Mientras ofrece el pan de la Palabra y de la Eucaristía, la Iglesia se compromete tambien a obrar, con todos los medios disponibles, para que a ningún africano le falte el pan de cada día. Por esto, junto a la obra de la primaria urgencia de la evangelización, los cristianos están activos en la intervención de promoción humana.

Queridos Padres Sinodales, al terminar mis reflexiones, deseo dirigirles mi saludo más cordial, agradeciéndoles por su edificante participación. Regresando a casa, ustedes, Pastores de la Iglesia en África, lleven mi bendición a sus Comunidades. Transmitan a todos el llamado que ha resonado en este Sínodo para la reconciliación, la justicia y la paz. Miestras se cierra la Asamablea sinodal no puedo dejar de renovar mi vivo reconocimiento al secretario general del Sínodo de los Obispos y a todos sus colaboradores. Un agradecido pensamiento expreso a los coros de la comunidad nigeriana de Roma y del Colegio Etíope, que contribuyen con la animación de esta liturgia. En fin, quiero agradecer a cuantos han acompañado los trabajos sinodales con su oración. Que la Virgen María les recompense, y obtenga a la Iglesia en África el crecer en cada parte de aquel gran Continente, difundiendo por todas partes la “sal” y la “luz” del Evangelio.

Bento XVI viajará ao Chipre no próximo ano

O papa Bento XVI anunciou hoje que viajará ao Chipre no próximo ano para entregar aos bispos do Oriente Médio o documento de preparação do Sínodo especial que convocou para essa região. O anúncio foi feito durante a reza do Ângelus, na praça de São Pedro do Vaticano, após oficiar na basílica a missa solene com a qual encerrou o 2º Sínodo de Bispos para a África.

“Desejo lembrar que, para o próximo ano, está prevista uma assembleia especial para o Oriente Médio do Sínodo de Bispos.

Durante minha visita ao Chipre, terei o prazer de entregar o “Instrumentum laboris” (documento de preparação)”, afirmou, diante de milhares de fiéis reunidos na praça vaticana.

O papa foi convidado a visitar o país pelo presidente cipriota, Demetris Christofias, e pela Igreja local, durante uma visita ao Vaticano do político cipriota, em março.

No entanto, não se sabe a data exata da viagem. Segundo a “Rádio Vaticano”, a visita pode acontecer no início de junho de 2010.

Ruídos

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Vivemos em uma civilização profundamente marcada pelo ruído. Há um vozerio por toda parte. A técnica moderna, com extraordinária rapidez, cria instrumentos que enchem os ouvidos e também os olhos com tudo o que ocorre aqui e no mais distante recôndito do mundo. Cada vez mais se torna difícil o silêncio interior e exterior. No entanto, ele é importante para nossa saúde física, mental e, especialmente, espiritual.

Muitos sentem a necessidade de superar essa escravizante estrutura de nossa sociedade moderna. Buscam um ambiente de calma para unir-se a Deus ou mesmo para refletir sobre sua vida e os problemas cotidianos. Na parte religiosa, a Igreja deve preservar nos templos, de modo permanente, um clima de tranquilidade. São oásis mais valiosos hoje, quando a movimentação nas ruas e até nos lares é massificante. Durante o culto, os cânticos, leituras e aclamações, indispensáveis para fortificar uma convivência realmente comunitária, não excluem os momentos de meditação. Em um e outro caso, a Casa de Deus deve oferecer ao coração agitado a oportunidade de usufruir um intenso contato com o divino. Sem recolhimentos, frequentes e profundos, é impensável a sobrevivência e o progresso de uma vida cristã coerente e dinâmica, num mundo que frequentemente repele a mensagem decorrente do Evangelho.
Santo Ambrósio, ao tratar desse assunto, em sua época (século IV) que poderíamos chamá-la de absolutamente silenciosa em comparação com os nossos dias, chega a afirmar: “O diabo busca o barulho, Cristo, o silêncio”. Assim, que dizer hoje do ruído nas cerimônias litúrgicas? Certamente, os elevados decibéis são um aferidor dos obstáculos do encontro do homem consigo mesmo e Deus. Recordo os falsos profetas que gritavam sem serem ouvidos e que Elias ironicamente estimulava: “Gritai com mais força (…) ele é deus, (…) mas certamente estará dormindo (…)” (1 Rs 18, 27).
Do extremo de um imobilismo, fruto do individualismo passa-se para o outro igualmente condenável. Neste, a estridência dos sons de instrumentos que enervam não eleva a Deus o coração do fiel. E os promotores muitas vezes não são advertidos, pois se apresentam com o falso salvo-conduto de observantes das orientações conciliares. Não me refiro à missa para jovens, mas simplesmente ao bom-senso. Evidentemente, um auditório composto de pessoas em idade juvenil terá um comportamento diverso do de outras faixas etárias. No entanto, mesmo assim, há limites.
Em nossos dias, urge relembrar a importância de um ambiente que favoreça o contato com o divino nas cerimônias religiosas e lugares sagrados, não como fim, mas como meio válido de fecundo encontro com Deus ou manifestação de respeito à casa do Senhor.
O Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia (nº 30), ao tratar das normas que derivam da natureza hierárquica e comunitária da liturgia, conclui: “A seu tempo, seja guardado o sagrado silêncio”.
A justa ênfase na prática da renovação conciliar facilmente levou a exageros na comunicação entre os fiéis, quer nos atos oficiais, quer em outros momentos na igreja. E isso, às custas do ambiente convidativo à prece, inclusive pessoal, que deve reinar nos lugares santos, mesmo quando não há celebrações. Nos documentos posteriores ao Concílio, verificamos uma revalorização do silêncio, ao menos em certas circunstâncias, como indica a Instrução Geral do Missal Romano (3 de abril de 1969): “Oportunamente, como parte da celebração deve-se observar o silêncio sagrado” (nº 45).
A Escritura nos proporciona poderosa argumentação em favor de um grande esforço para restabelecer, em nossas igrejas, um clima de paz, em suma, de oração. Podemos constatar o significativo encontro de Elias com o Senhor, no Monte Horeb: “este não se encontrava no vento, nem no terremoto, nem no fogo e sim no ‘murmúrio de uma brisa’” (1 Rs 19, 9-15). E também quando o profeta Sofonias conclamava o povo: “Silêncio diante do Senhor!” (Sf 1, 7).
Na bela obra de Romano Guardini sobre a Missa, o capítulo I tem por título: “O silêncio”. Explica a razão de iniciar o livro com esse assunto: “Este livro trata da liturgia. Ora, se me perguntassem onde começa a vida litúrgica, eu responderia: com o aprendizado do silêncio. Sem ele, nada se obtém de válido (…). É a primeira condição para uma ação sagrada” (“La messe”, cap. I, pág. 20).
O recolhimento nas igrejas, dentro e fora do culto, só poderá existir se for fielmente observado por todos. Facilmente se deduz como é nocivo ter em torno de si pessoas que falam ou se movimentam ruidosamente. O templo é de todos e ninguém possui o direito de prejudicar o próximo.
Na observância do que é permitido e até normal, pode estar inserido algo que sirva de obstáculo à prece e união com o divino. Cito como exemplo a maior ou menor intensidade dos tons de certos instrumentos e a preservação do momento da saudação da paz, antes da Comunhão. Às vezes, ao desejá-la, nós o fazemos como se estivéssemos na via pública.
Temos necessidade de maior contato com o Altíssimo. Decorre daí a utilidade do exercício do silêncio, de modo particular em nossas igrejas. Nessa oportunidade nós homenageamos o Senhor, afastando interior e exteriormente a agitação do mundo. E as manifestações da comunidade devem ser fecundadas por uma atitude que favoreça o íntimo contato com Deus.
Dom Eugenio de Araújo Sales
 23-10-09