Dedicação da Basílica de Latrão


a) Todos os anos, no dia 9 de Novembro, fazemos memória da Dedicação da Basílica de Latrão. Trata-se da primeira igreja construída no mundo. Terminadas as perseguições romanas contra os cristãos com o Edito de Milão (313), por ordem do Imperador Constantino, foi construída uma igreja no palácio dos Laterani e dedicada ao Santíssimo Salvador pelo Papa Silvestre no ano 324. Mais tarde, devido, talvez, ao impressionante baptistério nela construído, foi-lhe dada o título de S. João, passando a denominar-se Basílica de São João de Latrão. Antes da sua existência, os cristãos reuniam-se em casas particulares, conhecidas como “domus ecclesiae”, conscientes de que não precisavam de um templo material, mas de um feito de pedras vivas, “talhadas” pelo Espírito Santo (cf. 1Pe 2,5). A dedicação de uma igreja tem como finalidade expressar o uso exclusivo para o culto divino de uma determinada construção. Esta é dedicada ao Senhor com um rito solene, seguindo a tradição judaica (cf. 2 Re 8, 1-66; Esd 6, 15-18). A Basílica de S. João de Latrão é a sede oficial do Bispo de Roma. Nela se encontra a Cátedra do Sucessor de Pedro. Pelo facto de ser a Catedral do Papa, recebeu o título de “mãe e cabeça de todas as igrejas da cidade e do mundo”, como se lê no seu frontispício (“omnium Urbis et Orbis ecclesiarum mater et caput”). Celebrar esta festa tem uma dupla finalidade: em primeiro lugar, reflectir sobre qual é o verdadeiro templo de Deus; em segundo lugar, expressar a nossa comunhão com o Papa. Na celebração eucarística deste dia, em vez do acto penitencial, poder-se-á fazer o rito de aspersão de água benta sobre o povo, recordando o baptismo (tema da primeira leitura); sugerimos também fazer a proclamação do Credo, utilizando as perguntas da Vigília Pascal, porque este é o símbolo da nossa fé que nos une às comunidades cristãs espalhadas por todo o mundo, tendo Roma como centro.

b) Nós somos o Templo de Deus. As leituras desta festa são próprias e prevalecem sobre as leituras de domingo, quando este dia coincide com o Dia do Senhor. Elas recordam-nos que cada cristão é morada de Deus. Com Jesus Cristo, foi ultrapassada a materialidade do templo: “Destruí este templo e em três dias o levantarei… Jesus, porém, falava do templo do seu Corpo” (evangelho). Os cristãos não estão reduzidos a um lugar físico como os judeus, porque sabemos que Deus não habita somente num sítio mas no interior de cada pessoa. São Paulo recorda-nos na segunda leitura: “Não sabeis que sois templo de Deus?”. E porque somos templo de Deus, o Espírito Santo habita em nós (2ª leitura), desde o dia do nosso Baptismo. Graças a este sacramento, passamos a ser as pedras vivas do verdadeiro templo de Deus que é a Igreja, ou seja, a comunidade dos crentes em Cristo. Na primeira leitura, Ezequiel contemplava profeticamente a realidade do baptismo: saía do templo uma água que gerava vida (“aonde esta água chegar, tornar-se-ão sãs as outras águas e haverá vida por toda a parte aonde chegar esta torrente”). O Baptismo dá-nos a vida nova de filhos de Deus.

c) Celebrar a festa da dedicação da Catedral do Papa recorda-nos que cada Igreja local deve estar em comunhão com a Igreja de Roma, que é a cabeça da Igreja Universal. Todos os cristãos estão unidos numa só fé e guiados por um único pastor. Todas as vezes que celebramos a eucaristia manifestamos a nossa comunhão com o sucessor de Pedro. Na Oração Eucarística, depois da consagração, é dito que estamos em comunhão com o nosso Bispo, garante da unidade na sua diocese, e com o Papa, garante da unidade da Igreja. Assim se expressa que vivemos dentro da Igreja que Jesus Cristo fundou, unidos ao Papa, sucessor de Pedro, e aos Bispos, sucessores dos Apóstolos. Esta é a festa da unidade da Igreja. Neste dia, rezemos de uma forma especial, pelo Papa e pelo nosso Bispo, sinais de comunhão.

Um pensamento sobre “Dedicação da Basílica de Latrão

  1. PARECE, PELAS FORMAS DA FACHADA , QUE ESTA IGREJA FOI CONSTRUÍDA PELA MAÇONARIA , ASSIM COMO QUASE TODAS IGREJAS PROTESTANTES.
    ISTO NÃO É BOM.FIRMA-SE UMA CERTA CONFUSÃO E MISTURA NÃO SALUTAR.
    FICA NA PAZ, PADRE.
    JOSÉ MARQUES.

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