Celibato: instituído por Jesus ou pela Igreja?


Nos últimos tempos de fortes indagações a respeito da nossa vivência religiosa, somos interpelados sobre a necessidade do celibato. Perguntas como: “Pra que o celibato?” Ou: “O celibato tem fundamentação Bíblica?”, figuram na sociedade hodierna. Para compreendermos o celibato é necessário que partamos de uma fundamentação bíblica, daí já se compreende que ele não é uma mera “invenção” da Igreja. 

Jesus ensina aos seus discípulos que nem todos os homens têm a “vocação” ao matrimônio, mas são chamados a anunciar o Reino de Deus totalmente comprometidos com o projeto do mesmo. Para isto são chamados ao celibato: “Existem eunucos que nasceram assim do ventre materno; outros foram feitos eunucos por mão humana; outros ainda, tornaram-se eunucos por causa do Reino dos Céus. Quem puder entender, entenda” (Mt 19,12). Visto essa afirmação de Jesus, não é errado ser celibatário. O celibato é um dom, uma vocação cristã à qual os Sacerdotes, Religiosos consagrados e outros, são chamados a viver intensamente, sem jamais desanimarem. É certo que algumas vezes uns filhos deixam-se influenciar por idéias mundanas, mas sempre, em primeiro lugar, figura a opção do celibato.
Na carta Sacerdotalis Caelibatus, o Papa Paulo VI escreve: 

O celibato sacerdotal, que a Igreja guarda desde há séculos como brilhante pedra preciosa, conserva todo o seu valor mesmo nos nossos tempos, caracterizados por transformação profunda na mentalidade e nas estruturas” (nº 1).

O celibato caracteriza-se pelo seu incontestável valor, dito que o próprio Cristo foi celibatário. Sua riqueza não consiste apenas no valor teológico, mas também no espiritual e no convívio social, doando-se inteiramente a Deus.

Para compreender bem o que significa a castidade devemos partir do seu conteúdo positivo, explicando que a missão de Cristo o levava a um dedicação pura e total para com os seres humanos. Nas Sagradas Escrituras não há nenhum momento de sua existência donde em seu comportamento com as pessoas se vislumbre pegadas de interesse pessoal. (…) Os sacerdotes, religiosos e religiosas, (…) com o voto de castidade no celibato, não se consagram ao individualismo ou a uma vida isolada, mas sim prometem solenemente por totalmente e sem reservas ao serviço do Reino de Deus as relações intensas das quais são capazes. (Bento XVI, Da homilia na Basílica de Mariazell, Áustria, 8 de setembro de 2007).

Apesar de muitos arderem no desejo de querer verem o deperecimento do celibato, a Igreja reafirma-o a cada oportunidade.
Apraz-me recordar a Carta de São Paulo aos Coríntios que diz:

O homem não casado é solícito pelas coisas do Senhor e procura agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar à sua mulher. E, assim, está dividido… O que eu desejo é levar-vos ao que é melhor e à dedicação integral ao Senhor, sem preocupações” (1Cor 7,32-33.35).

Sim, o celibato é uma vocação do próprio Cristo: “O celibato, com efeito, é um dom que a Igreja recebeu e quer guardar, convencida que ele é um bem para ela e para o mundo” (Diretório para o Ministério e a Vida do Presbítero, 57). A isto seguem-se grandes renúncias. Por isso nem todos podem se dedicar a vida religiosa consagrada. Nisto bem escreve o Papa Paulo VI: “A escolha do celibato é obra de graça, quando é feita com prudência humana e cristã e com responsabilidade” (Sacedotalis Caelibatus, 51).
Nunca estará sozinho o celibatário. Mas importante que uma presença feminina é a presença do próprio Cristo: “É certo: o sacerdote pelo seu celibato, é homem solitário. Mas não é solidão vazia, porque está plena de Deus e da superabundante riqueza do seu reino” (idem, 58). E, como Cristo, poderemos repetir: “Eu não estou só, porque o Pai está comigo” (Jo 16,32).  

O celibato é, portanto, dom de si ‘em’ e ‘com’ Cristo à sua Igreja e exprime o serviço do sacerdote à Igreja ‘em’ e ‘com’
o Senhor.
Permanecer-se-ia numa imaturidade permanente, se o celibato fosse visto como ‘um tributo que se paga ao Senhor’ para ser introduzido às Ordens sagradas e não, como ‘um dom que se recebe da sua misericórdia’ (S.Congregação da Educação Católica, Directrizes educativas para a formação ao celibato sacerdotal, n. 16), como uma escolha de liberdade e acolhimento agradecido de uma vocação especial de amor a Deus e aos homens” (Diretório para o Ministério e a Vida do Presbítero, 59).

Ser celibatário, portanto, não obstante os prazeres efêmeros do mundo atual continua a ser e sempre será um dom que Deus Pai concede-nos, para fugirmos das isidiosas estradas que nos levam para a imoralidade, e conduzir-nos para junto dele.
Não quero que pensem que sou contra o casamento, ele é uma benção de Deus. Mas quero incentivar os celibatários para que vivam conforme viveu Cristo, e que doem-se a ele sem reservas ou obscuridade.

Segundo o site Wikipedia:
  1. com o celibato os sacerdotes entregam-se de modo mais excelente a Cristo, unindo-se a Ele com o coração indiviso;
  2. o conteúdo e a grandeza da sua vocação levam o sacerdote a abraçar na vida essa perfeita continência, que tem como exemplo a virgindade de Cristo;
  3. o celibato facilita ao sacerdote a participação no amor de Cristo pela humanidade uma que vez que Ele não teve outro vínculo nupcial a não ser o que contraiu com a sua Igreja;
  4. com o celibato os clérigos dedicam-se com maior disponibilidade ao serviço dos outros homens;
  5. a pessoa e a vida do sacerdote são possessão da Igreja, que faz as vezes de Cristo, seu esposo;
  6. o celibato dispõe o sacerdote pare receber e exercer com generosidade a paternidade que pertence a Cristo.

Rezemos por todos os sacerdotes neste Ano Sacerdotal, para que vivam bem seu celibato.

Paz e bem.