PENSAMENTOS DE JACQUES BOSSUET

[Do blog Adversus Haereses]

“Para ajuntar de todos os rincões da terra, e de todas as nações, que a compõem, todas as partes desse bem-aventurado todo, estabeleceu Jesus Cristo Sua Igreja, como única Arca, donde devem entrar, e refugiar-se quantos querem salvar-se do dilúvio universal. Igreja cristã, e Católica, fundada sobre a Rocha, descida do céu, donde Deus habita; unida interiormente pelo Espírito Santo, e exteriormente por um governo, que representa a autoridade de Jesus Cristo; e cuja fé é imutável, é invariável, em virtude das divinas promessas, sua permanência, e duração imortal.” (Meditaciones sobre el Evangelio, Jacques Bénigne Bossuet, Editora en la Oficina de Miguèl Escribano, 1770, Original de Universidade Complutense de Madri, p. 38-39)

“Teremos que deplorar as misérias do espírito humano, e conheceremos que o único remédio de tão grandes males é saber desprender-se da opinião própria, porque isto é o que constitui a diferença entre o Católico e o herege. É próprio do herege, isto é, aquele que tem uma opinião particular, aderir-se às suas próprias idéias; e é próprio do Católico, isto é, do universal, preferir aos seus sentimentos, os sentimentos comum de toda a Igreja.” (Historia de las variaciones de las iglesias protestantes, Jacques Bénigne Bossuet, Editora Librería Religiosa, 1852, Original de la Biblioteca de Catalunya, p. 33)

“A Sinagoga cujas promessas eram terrenas começa com a força corporal, e com as armas, mas a Igreja começa com a Cruz, e com os Mártires. Sendo filha do céu, é preciso que, não fique nenhuma dúvida de que …não deve sua origem senão ao Pai celestial.” (Bossuet apud Reflexiones imparciales de un brasilero sobre el mensage del Trono: y de las respuestas de las cámaras legislativas del año 1836 en la parte relativa al obispo electo para la diócesis del Rio de Janeyro, y a la Santa Sede apostólica Editora Impr. de la Libertad, 1837, Original de Universidade da Califórnia, p. p. 79)

“A verdade católica, como vem de Deus, é perfeita desde o início: a heresia, débil produção do espírito humano, é uma obra que não pode fazer-se senão por peças mal ajuntadas” (Historia de las variaciones de las iglesias protestantes, Volume 1, Jacques Bénigne Bossuet, Librería Religiosa (Barcelona), Editora Librería Religiosa, 1852, Original de Universidade Complutense de Madri, p. 20)

A oração a Maria

JOÃO PAULO II
AUDIÊNCIA
Quarta-feira 5 de Novembro de 1997

1. No decorrer dos séculos o culto mariano conheceu um desenvolvimento ininterrupto. Ele viu florescer, ao lado das tradicionais festas litúrgicas dedicadas à Mãe do Senhor, inúmeras expressões de piedade, frequentemente aprovadas e encorajadas pelo Magistério da Igreja.
Muitas devoções e preces marianas constituem um prolongamento da própria liturgia e, às vezes, contribuíram para enriquecer a estrutura, como no caso do Ofício em honra da Bem-aventurada Virgem e de outras pias composições que começaram a fazer parte do Breviário.
A primeira invocação mariana conhecida remonta ao século III e inicia com as palavras: «Sob a tua protecção (Sub tuum praesidium) procuramos refúgio, Santa Mãe de Deus…». Contudo, desde o século XIV, a «Ave-Maria» é a oração à Virgem mais comum entre os cristãos.
Ao retomar as primeiras palavras dirigidas pelo Anjo a Maria, introduz os fiéis na contemplação do mistério da Encarnação. A palavra latina «Ave» traduz o vocábulo grego «xaire»: constitui um convite à alegria e poderia ser traduzido com o «Alegra-te». O hino oriental «Akathistos» reafirma com insistência este «alegra-te». Na Ave-Maria a Virgem é chamada «cheia de graça» e assim reconhecida na perfeição e na beleza da sua alma.
A expressão «o Senhor é convosco» revela a especial relação pessoal entre Deus e Maria, que se situa no grande desígnio da aliança de Deus com a humanidade inteira. Depois, a locução «Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus » afirma a actuação do desígnio divino no corpo virginal da Filha de Sião.
Ao invocarem «Santa Maria, Mãe de Deus», os cristãos pedem Àquela que por privilégio singular é a imaculada Mãe do Senhor: «Rogai por nós pecadores » e confiam-se a Ela no momento presente e na suprema hora da morte.
2. Também a tradicional oração do «Angelus» convida a meditar o mistério da Encarnação, exortando o cristão a tomar Maria como ponto de referência nos diversos momentos da própria jornada, para a imitar na sua disponibilidade a realizar o plano divino da salvação. Esta oração faz-nos como que reviver o grande evento da história da humanidade, a Encarnação, à qual cada «Ave-Maria » faz referência. Aqui estão o valor e o fascínio do «Angelus», tantas vezes expresso não só por teólogos e pastores, mas também por poetas e pintores.
Na devoção mariana o Rosário assumiu um lugar de relevo que, através da repetição das «Ave-Marias», leva a contemplar os mistérios da fé. Também esta oração simples, alimentando o amor do povo cristão para com a Mãe de Deus, orienta de maneira mais clara a prece mariana para a sua finalidade: a glorificação de Cristo.
O Papa Paulo VI, bem como os seus Predecessores, especialmente Leão XIII, Pio XII e João XXIII, teve em grande consideração a prática do Rosário e desejou a sua difusão nas famílias. Além disso, na Exortação Apostólica Marialis cultus, ilustrou-lhe a doutrina, recordando que se trata de «oração evangélica, centrada no mistério da Encarnação redentora», e reafirmando a sua «orientação profundamente cristológica» (n. 46).
A piedade popular acrescenta ao Rosário com frequência as ladainhas, entre as quais as mais conhecidas são habituais no Santuário de Loreto e, por isso, chamam-se «lauretanas».
Com invocações muito simples, elas ajudam a concentrar-se na pessoa de Maria, para colher a riqueza espiritual derramada n’Ela pelo amor do Pai.
3. Como demonstram a liturgia e a piedade cristãs, a Igreja sempre teve em grande estima o culto para com Maria, considerando-o indissoluvelmente ligado à fé em Cristo. Com efeito, ele encontra o seu fundamento no desígnio do Pai, na vontade do Salvador e na acção inspiradora do Paráclito.
Tendo recebido de Cristo a salvação e a graça, a Virgem é chamada a desempenhar um papel relevante na redenção da humanidade. Com a devoção mariana os cristãos reconhecem o valor da presença de Maria no caminho rumo à salvação, recorrendo a Ela para obter todo o género de graças. Eles sabem sobretudo que podem contar com a sua intercessão materna, para receber do Senhor quanto é necessário ao desenvolvimento da vida divina e à obtenção da salvação eterna.
Como atestam os numerosos títulos atribuídos à Virgem e as peregrinações ininterruptas aos santuários marianos, a confiança dos fiéis na Mãe de Jesus impele- os a invocá-la nas necessidades quotidianas.
Eles estão certos de que o seu coração materno não pode permanecer insensível às misérias materiais e espirituais dos seus filhos.
Deste modo a devoção à Mãe de Deus, estimulando à confiança e à espontaneidade, contribui para aplacar o clima da vida espiritual e faz com que os fiéis progridam na via exigente das bem-aventuranças.
4. Queremos, por fim, recordar que a devoção a Maria, dando relevo à dimensão humana da Encarnação, faz descobrir melhor o rosto de um Deus que compartilha as alegrias e os sofrimentos da humanidade, o «Deus connosco», que Ela concebeu como homem no seu seio puríssimo, gerado, assistido e seguido com amor inefável desde os dias de Nazaré e de Belém até àqueles da Cruz e da Ressurreição.