Orar a todo o momento – 1º Domingo do Advento


Neste primeiro domingo do Advento, neste novo ano C, as leituras – como sempre ocorre – relatam a vinda definitiva do Senhor, que em grego é “parusia” e em latim, “adventus” (1 Ts 5, 23). O significado da parusia não se restringe apenas ao advento definitivo do Messias, mas já o-é prefigurado nos dias hodiernos.

O tempo do Advento é muito propício para a Igreja meditar sobre o caminho escatológico da humanidade e o sentido final de tudo, encerrado no juízo. 

“Ad te levávi animam meam; Deus meus em te confido – A Vós elevo a minha alma; ó meu Deus, em Vós confio” (Sl 24).

Estas palavras do salmista pões-nos diante do cenário do tempo vivido neste período. Palavras de esperança, de conforto, de expectativa pelo auxílio que virá do Céu. Isto se dá sobretudo porque “o Advento é por excelência a temporada da esperança, e nele a Igreja inteira é chamada a tornar-se esperança, para si mesma e para o mundo. Todo o organismo espiritual do Corpo místico adquire, por assim dizer, a ‘cor’ da esperança. Todo o povo de Deus volta a colocar-se a caminho, atraído por este mistério:  que o nosso deus é ‘o Deus que há-de vir’ e que nos chama a ir ao seu encontro” (Bento XVI, Homilia na Celebração das Primeiras Vésperas do Advento, 9 de Novembro de 2008). Com o Advento renovamos a nossa jubilosa esperança da Vinda do Filho de Deus que manifestar-se-á no Natal.

Mas, mais uma vez, prevalece um pedido de Jesus que não cessa de ressoar em nossos ouvidos desde aquele dia há dois mil anos: “Ficai atentos e orai a todo o momento” (Lc 21,36). Orar é uma atitude de entrega e confiança a Deus e isto corrobora o clamor feito no salmo, e nos dias hodiernos feito por nós. Nesta incessante prece sobe a nossa oração ao coração do Pai. 

Notemos que já na Primeira leitura podemos constatar o caráter da justiça que faz-se presente na pessoa de Cristo: “O Senhor é a nossa justiça” (Jr 33,16). Mas a justiça do Senhor – assim como o seu Reino – é um paradoxo se confrontado com as ideologias humanas e suas perspectivas. A centralidade da justiça do Senhor consiste precisamente na sua misericórdia. Mas como? Tentarei exemplificar. No ritmo da vida cotidiana alguns dizem não terem tempo para Deus, estão todos frenéticos com suas preocupações.  Mas a Igreja anuncia a todos a “boa notícia”: Deus não se esquece de nós. Ele nunca nos abandona, Ele tem todo o tempo para nós. Sim amados irmãos! Mesmo na vicissitude dos tempos, mesmo nos esquecendo de Deus, Deus sempre tem uma carinho paternal, inigualável, por nós. Este mistério renova-se a cada Advento e a cada Natal celebrado. 

Nas segunda leitura Paulo retoma mais uma vez a Parusia do Senhor. Exortando a comunidade de Tessalônica ele pede que todos deixem-se imergir no Espírito de Santidade para sermos confirmados por Cristo “no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos” (1Ts 3,13).

Neste mundo onde predominam a ditadura do relativismo, a imoralidade, os prazeres efêmeros e carnais, as culturas consumistas, é difícil seguir o conselho de São Paulo. Assim como ele diz: “Examinai tudo e guardai o que for bom” (Idem., 3,21). Porém para aqueles que estão com Cristo nada temem e sempre estão dispostos a lutar: “A noite está passando, o dia vem chagando: abandonemos as obras das trevas e vistamos as armas da luz” (Rm 13,15), Assim como foi para Santo Agostinho, esta passagem, o núcleo da sua conversão, torna-se também incisiva para nós.

No Evangelho centraliza-se toda a Liturgia da Palavra. Jesus profetiza a sua vinda, e, por meio dela, a salvação. A vinda salvífica do Senhor constitui a centralidade da esperança cristã. A hora exata e o momento exato não só será sabido pelo Pai, como recorda o próprio Cristo. Nem o Filho do Homem o sabe. Muitos, baseados em teorias ignominiosas já tentaram “profetizar” o momento exato. 1950, 1975, 1990, 2000 e agora 2012. Talvez se estes se preocupassem com a situação do planeta hoje e com a sua ação neste mundo, não haveriam tantos palpites e tantas idéias que querem conclamar a sociedade para se oporem ao desejo do Mestre.


Aguardemos confiantes no Senhor e na Virgem Maria. O Senhor que falar conosco hoje! Abramo-nos à sua chamada. Rezemos pela salvação das almas e pela sociedade. Encerro com as palavras do apóstolo: “Exercei paciência e firmai vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5,8).