A voz que clama no deserto


Neste terceiro domingo do Advento contemplamos a figura penitente e austera de João Batista, o precursor do Messias. Verdadeiramente João era conhecido por pregar a Boa nova do Reino de Deus – Kerigma –, que vinha sendo trazida por Jesus. É fato que por anunciar o Evangelho da justiça e da salvação, e por condenar os erros de Herodes, João foi preso e mais tarde degolado.

João chega com um novo anúncio, desconhecido ainda para os judeus. Os poucos que aderem a ele são os primeiros discípulos de Jesus. Mas perguntavam-se os judeus, e perguntam muitos hoje: “Qual a verdadeira missão de João Batista? Só aplainar os caminhos do Senhor?” Este “só” vem carregado de desentendimento da verdadeira missão de João que é mais que aplainar, fazer com que todos creiam e sejam batizados. Mas se se diz que João veio aplainar, ele encontrou um caminho muito difícil. Os corações duros, que não acreditavam na chegada do Messias, e que eram oprimidos pelos romanos.
Algo que me chama muita atenção é a frase de João ao ser interrogado sobre quem ele era, citando Isaías ele diz: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: ’preparai os caminhos do Senhor, endireitai suas veredas’ ” (Lc 3,4). João veio para chamar todos a um batismo de conversão e arrependimento, isto é, uma profunda e sincera mudança de vida, que busque enaltecer o nome de Deus. Poderia fazer uma analogia com a primeira leitura do Profeta Baruc: “Despe, ó Jerusalém, a veste de luto e de aflição, e reveste, para sempre, os adornos da glória vinda de Deus” (5,1). Revestirmo-nos do homem novo, este é o convite de São Paulo, já prefigurado pelo profeta.
Hoje há pessoas sequiosas do Deus vivo, mas que não o buscam, e sabem onde O encontrar. Num mundo que vive uma forte “ditadura do relativismo” e uma forte cultura consumista, que tende a fazer desaparecer os valores cristãos, a Igreja, Mater et Magistra, mostra-nos o verdadeiro caminho a ser seguido. E esta missão foi-lhe incumbida pelo próprio Cristo que disse: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15). Portanto, constitui este, um chamado missionário, ao qual todos os cristãos somos chamados a seguir; pois, como costumo afirmar: ninguém é obrigado a ser cristão, mas todo cristão é obrigado a ser missionário. A missão já é algo que faz parte da natureza da Igreja, e quando somos incorporados à Igreja, passa a fazer parte da nossa natureza. Daí poderemos afirmar como São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim(Gl 2,20); ou ainda: “Anunciar o Evangelho não é titulo de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho” (1Cor 9,16).
Tomemos como nossa a missão de João Batista: sejamos arautos da Boa nova, mensageiros do Reino, precursores do Messias, que virá nos últimos dias, para julgar os bons e os maus.
Na segunda leitura, Paulo nos pede para discernimos o que é melhor. Já escrevi aqui, em outro artigo, que neste mundo cheio de escolhas fáceis, mas que corrompem o ser humano, seria difícil discernir o que é bom ou mal. Mas para aqueles que vivem sua vida conforme os desígnios de Deus e o auxílio da Sagrada Escritura, já não haveria tantas dúvidas. Dificuldades sim, dúvidas não. “Afastai o mau do meio de vós” (1Cor 5,13).”‘Tudo me é permitido’, mas nem tudo me convém” (Idem 6,12).
Encerro com as magníficas palavras de São Paulo, proclamadas na segunda leitura: “Tenho a certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra, há de levá-la à perfeição até à vinda de Cristo Jesus” (Fl 1,6).
 Que Maria “auxilium christianorum” nos ajude nesta difícil caminhada.
Salve Maria Santíssima
Pax et bonus