Que devemos fazer?

Neste domingo o Evangelho e as leituras chamam a nossa atenção para a vinda iminente do Senhor. Este III Domingo do Advento tem um tom de alegria: é conhecido como Domingo Gaudete (“Alegrai-vos”), porque no Missal, a Antífona de Entrada diz: “Gaudete in Domino semper: iterum dico: gaudete! Dominus enim prope est” Isto é: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” – é o mesmo convite que a segunda leitura nos faz (cf. Fl 4,4s). Ele se aproxima cada dia mais, mesmo que muitos ainda não o conheçam. Ele vem trazer a libertação. Não uma libertação à qual os “teólogos da libertação” ensinam abusivamente. Não é uma mera libertação sócio-econômica. É sim a libertação da alma, do espírito, da humanidade que deixava-se dominar pelo caos do pecado. 

Aprofundemos as leituras que nos situam no núcleo do mistério celebrado.

A primeira leitura já nos dá sinal desta alegria que este domingo representa quando se escreve: “Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém!” (Sf 3,14). A alegria pressupõe também um sinal da vinda de Cristo. Somos encorajados a irmos alegres ao seu encontro. Ele vem! Esta boa notícia todos os anos repete-se de forma eficaz na Igreja. Todos os anos revivemos o grande acontecimento que mudou a sorte da humanidade. Jesus vem restaurá-la, modificá-la. E esta mudança tem início a partir do interior de cada ser humano ao qual Ele quis vir falar. 

Na segunda leitura Paulo pede que nos alegremos. Verdadeiramente não podemos esperar o Cristo com os rostos tristes. Este é um grande motivo de alegria. E são Paulo nos diz porque este motivo: “O Senhor está perto!”. Mas perguntar-vos-ei – e isto é mais que normal – com que alegria devemos nos alegrar na espera do Senhor? E respondo que esta não pode ser uma alegria das drogas, da bebedeira, dos vícios, da desunião. Não. Esta alegria está na paz, na fraternidade, na caridade, na justiça, no amor. Todas estão unidas intrinsecamente. Mas, quando alegrar-se? Em que momentos? O Apóstolo responde: “Sempre!”: “Alegrai-vos sempre!”. Seja no momento de luz, seja naquele de treva; seja naquele de coração exultante e transbordante de paz, seja naquele de profunda angústia! “Alegrai-vos sempre no Senhor!”.

Paulo, ao expor a alegria como um dos fatores para a vinda do Senhor, nos comunica e exorta que devemos deixarmo-nos impelir pelo espírito da alegria, para que por meio dele possamos trabalhar melhor na vinda do Senhor. 

No Evangelho mais uma vez encontramos a austera figura de João Batista. No artigo do domingo passado eu perguntava: o que João quer dizer ao mundo de hoje? E agora encontramos esta resposta significativa no trecho evangélico deste domingo. 

Sobre este Evangelho, apraz-me recordar um texto de São Máximo de Turim:

João não falava apenas do seu tempo quando anunciou o Senhor aos fariseus, dizendo: «Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as Suas veredas» (Mt 3, 3). João brada hoje em nós, e o trovão da sua voz abala o deserto dos nossos pecados. Mesmo abafada pelo sono do martírio, a sua voz ressoa ainda, e continua a dizer-nos: «Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as Suas veredas». […]

João Batista ordenou, pois, que preparássemos os caminhos do Senhor. Vejamos que caminho preparou ele para o Salvador. Desde o princípio, traçou e ordenou na perfeição o caminho para a chegada de Cristo, pois foi em todas as coisas sóbrio, humilde, contido e virgem. É ao descrever todas estas virtudes que o evangelista afirma: «João trazia um trajo de pêlos de camelo e um cinto de couro à volta da cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre» (Mt 3, 4). Que sinal maior de humildade pode haver num profeta do que o desprezo pelas vestes elegantes, em troca de pêlos rugosos? Que mais profundo sinal de fé pode haver do que estar sempre pronto, de rins cingidos, para desempenhar todas as tarefas servis? Que marca de abstinência mais notável pode haver, do que a renúncia às delícias desta vida, para se alimentar de gafanhotos e mel silvestre?

Todos estes comportamentos do profeta eram, a meu ver, proféticos em si mesmos. Que o mensageiro de Cristo se vestisse de pêlos de camelo significava, muito simplesmente, que Cristo, ao vir a este mundo, Se revestiria do nosso corpo humano, deste tecido grosso, enrugado pelos nossos pecados. […] O cinto de couro significa que a nossa frágil carne, orientada para o vício antes da vinda de Cristo, seria por Ele conduzida à virtude.

Sermão 88 (a partir da trad. Année en Fêtes, Migne 2000, p. 37)

A partir de tal ensinamento podemos notar que a figura de João Batista, não mais que a de Cristo, sobressai neste Evangelho que quer nos persuadir da nossa missão de profetas. Somos também nós, hoje, convocados a sermos precursores do Messias, do seu Reino no seu advento definitivo. 

Gostaria de ressaltar duas características que ficam claras no texto de São Lucas. Primeiro: O Batista ao ser interrogado sobre o que deveriam fazer responde: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo!” (Lc 3,11). Vemos aqui o gesto da partilha, que também é um convite à recepção do Cristo. Também na partilha Deus se manifesta.

Em segundo vemos a honestidade: “Não cobreis nada mais do que o estabelecido” (idem 13). A virtude da honestidade está a ser excluída de muitos lugares da sociedade. Na nossa política estamos atolados de casos de corrupção, infelizmente por parte daqueles que deveriam defender o povo.
Eis a missão de Cristo: arrancar do mundo todo o mal. “Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga” (idem 17). Portanto, tudo o que não produz bons frutos será cortado e lançado ao fogo, será extinto. Vemos isso no próprio pecado. Ele foi dirimido pela morte de Cristo, apesar de ainda termos suas marcas indeléveis em nós.
Com isto o profeta já se referia ao Advento definitivo do Senhor, no final dos tempos.
Por isso, amados irmãos, procuremos viver de forma santa e irrepreensível aos olhos do Pai. Busquemos a Verdade que é Jesus, e deixemo-nos saciar pelos seus ensinamentos.
Que Maria sempre nos acompanhe em nossa caminhada cristã.
Paz e bem!

Nossa Senhora de Guadalupe

Fonte: Canção Nova


Num sábado, no ano de 1531, a Virgem Santíssima apareceu a um indígena que, de seu lugarejo, caminhava para a cidade do México a fim de participar da catequese e da Santa Missa enquanto estava na colina de Tepeyac, perto da capital. Este índio convertido chamava-se Juan Diego (canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002).

Nossa Senhora disse então a Juan Diego para que fosse até o Bispo, pedindo que naquele lugar fosse construído um santuário para a honra e glória de Deus. O Bispo local, usando de prudência, pediu um sinal da Virgem ao indígena que, somente na terceira aparição, foi concedido. Foi quando Juan Diego estava indo buscar um sacerdote para o tio doente: “Escute, meu filho, não há nada que temer, não fique preocupado nem assustado; não tema esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a seu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa. Acaso não o escolhi para mim e o tomei aos meus cuidados? Que deseja mais do que isto? Não permita que nada o aflija e o perturbe. Quanto à doença do seu tio, ela não é mortal. Eu lhe peço, acredite agora mesmo, porque ele já está curado. Filho querido, essas rosas são o sinal que você vai levar ao Bispo. Diga-lhe em meu nome que, nessas rosas, ele verá minha vontade e a cumprirá. Você é meu embaixador e merece a minha confiança. Quando chegar diante dele, desdobre a sua “tilma” (manto) e mostre-lhe o que carrega, porém, só em sua presença. Diga-lhe tudo o que viu e ouviu, nada omita…”

O Bispo viu não somente as rosas, mas o milagre da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, pintada prodigiosamente no manto do humilde indígena. Ele levou o manto com a imagem da Virgem para a capela, e ali, em meio às lágrimas, pediu perdão a Nossa Senhora. Era o dia 12 de dezembro de 1531. Uma linda confirmação deu-se quando Juan Diego fora visitar o seu tio, que sadio narrou: “Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou a mim. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac e que sua imagem seria chamada de ‘Santa Maria de Guadalupe’, embora não tenha explicado o porquê”. Diante de tudo isso muitos se converteram e o Santuário foi construído.

O grande milagre de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já dura há mais de quatro séculos e meio. Durante 16 anos, a tela esteve totalmente desprotegida, sendo que a imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos em pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção. No ano de 1971, alguns peritos inadvertidamente deixaram cair ácido nítrico sobre toda a pintura. Pois nem a força de um ácido tão corrosivo estragou ou manchou a imagem. Com a invenção e ampliação da fotografia descobriu-se que, assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, da mesma forma a figura de Juan Diego, do Bispo e do intérprete se refletiu e ficou gravada nos olhos do quadro de Nossa Senhora. Cientistas americanos chegaram à conclusão de que estas três figuras estampadas nos olhos de Nossa Senhora não são pintura, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva.

Disse o Papa Bento XIV, em 1754: “Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros… uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja… Deus não agiu assim com nenhuma outra nação”.

Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada “Padroeira de toda a América” pelo Papa Pio XII a 12 de outubro de 1945. No dia 27 de janeiro de 1979, durante sua viagem apostólica ao México, o Papa João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e consagrou à Mãe Santíssima toda a América Latina, da qual a Virgem de Guadalupe é Padroeira.

Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!