Bendita és tu entre as mulheres


Nos domingos precedentes ouvimos e conhecemos mais sobre a pessoa de João Batista. Neste ultimo domingo do Advento temos como personagem central no Evangelho, a pessoa de Maria. A Virgem mãe que foi concebida na finalidade de ser a mãe do Salvador.

Outrora vimos abundar o pecado, hoje – como recorda São Paulo – podemos ver superabundar a graça, que faz-se presente em Jesus (cf. Rm 5,20). Com efeito, hoje essa manifestação torna-se presente e renovada no Natal. Na fragilidade do bebê indefeso de Belém vemos manifestar a glória e todo o poder de Deus.
Centrado nossa atenção na primeira leitura é-nos dada a profecia de Miquéias que profetiza o advento do Filho de Deus. Escreve o profeta: “Mas tu, Belém de éfrata, pequenina entre as aldeias de Judá, de ti é que sairá para mim aquele que há de ser o governante de Israel” (Mq 5,1). Jesus virá na sua humildade, na simplicidade, na fragilidade, assim como veio a dois mil anos atrás. Mas por que? Como o Filho de Deus escolhe vir de tal forma?
Sobre estas indagações apraz-me recordar um texto de São Paulo: “Certamente conheceis a generosidade de Jesus Cristo: de rico que era, tornou-se pobre por causa de vós, para que vos torneis ricos por sua pobreza” (2Cor 8,9). Este meio idôneo de Jesus vir trazer a salvação, traz em si um pouco do caráter da centralidade da nossa fé. “Revestido de nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação” (Prefácio do Advento I).
Jesus se encarna para que, por meio d’Ele, realize-se a salvação. Não é uma teofania passageira como as do Antigo Testamento, quando Deus assumia uma forma humana para falar aos homens. Não é uma simples aparição de Deus. É o mistério da encanação. Em 431, o Concílio de Calcedônia proclamou a unidade das duas naturezas de Cristo, acentuando nitidamente a verdadeira humanidade de Jesus. Enquanto homem ele não deixou de ser Deus, e sacrificou-se pela nossa salvação. E isto o autor sagrado evidencia na segunda leitura: “Eu vim para fazer a tua vontade… É graças a esta vontade que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada de uma vez por todas” (Hb 10,9.10).
A vontade de Jesus resumia-se no projeto de santificação e salvação de todos os homens e mulheres. Por isso Ele ofereceu-se sacrificalmente na cruz.
Maria tem grande contribuição, queiramos ou não, neste projeto salvífico de salvação e redenção. Todos os homens são chamados a manifestar sua conjução com o Pai, e que Maria é parte indelével deste projeto devemos reconhecer. “Do antigo adversário nos veio a desgraça, mas do seio virginal da filha de Sião germinou aquele que nos alimenta com o pão do céu e garante para todo o gênero humano a salvação e a paz. Em Maria, é-nos dada de novo a graça que por Eva tinhamos perdido. Em Maria, mãe de todos os seres humanos, a maternidade, livre do pecado e da morte, se abre para uma nova vida. Se grande era nossa culpa, bem maior se apresenta a divina misericórdia em Jesus Cristo, nosso Salvador” (Prefácio do Advento II A, Maria, a nova Eva).
Santo Atanásio, em uma de suas homilias nos escreve: “Eis porque Maria está verdadeiramente presente neste mistério; foi dela que o Verbo assumiu, como próprio, aquele corpo que havia de oferecer por nós” (Alemnto Sólido, Edit. Canção Nova, pag 158).
Maria com um simples e importante papel é elevada por Deus acima de todas as criaturas da terra. Ela é a predestinada; ela teve a graça de ser escolhida. E nós tomamo-la como mãe.
No Evangelho Maria parte alegre ao encontro de Isabel, sua prima, que também pode contemplar em si a obra de Deus. E ao chegar, Isabel, de forma surpresa, exclama: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre” (Lc 1, 42-43).
Maria já era reconhecida como bendita por Isabel. E por nós? Será que a reconhecemos verdadeiramente? Infelizmente muitos não a aceitam. Todos precisaremos dela. Quem não precisa de uma mãe?
Confiantes no Senhor, caminhemos rumo as festas que se aproximam, para que deixemos Jesus nascer em nossos corações.
Que este Natal não seja mais um simples feriado, mas que seja a festa do Menino de Belém, que vem trazer-nos a paz que temos ânsia em encontrar.
Encerro com as palavras de Santo Ambrósio que diz: “Esteja em cada um de vós a alma de Maria para engrandecer o Senhor; em cada um esteja o espírito de Maria para exultar em Deus”.
Paz e bem!
Salve Maria Santíssima!