SANTO TOMÁS BECKET


Cidade do Vaticano, 29 dez (RV) – Tomás Becket nasceu em Londres em 1117. Recebeu de Deus dons excepcionais a tal ponto que foi feito chanceler do reino. Estava à vontade: possuía ambição, audácia, beleza e gosto. Sabia defender os direitos do príncipe, seu íntimo amigo e companheiro nos momentos de diversão e lazer.

Sete anos após subir ao trono, o rei Henrique II, que já o tinha como seu conselheiro, o escolheu como primaz de Cantuária. Antevendo situações futuras, Tomás disse ao rei: “Senhor, se Deus permitir que eu me torne arcebispo de Cantuária, perderei a amizade de Vossa Majestade.”

Foi ordenado sacerdote em 3 de junho de 1161 e bispo no dia seguinte.

As divergências surgiram imediatamente, pois o arcebispo não aceitava as ingerências do poder civil na Igreja. Tomás teve de fugir para a França e lá viveu seis anos exilado na abadia de Pontigny, um mosteiro cisterciense.

Através dos conselhos do Papa Alexandre III, Tomás estabeleceu uma paz formal com o rei.
Ao ser acolhido triunfalmente pelos fiéis, disse: “ Voltei para morrer no meio de vocês”.
Imediatamente repudiou os bispos que haviam pactuado com o rei, aceitando seu poder abusivo.
O rei reagiu dizendo: “ Quem me livrará deste padre briguento?”

Quatro cavaleiros armados foram para Cantuária. O arcebispo avisado, não fugiu, mas se dirigiu para a Catedral, se paramentou, disse: “ O MEDO DA MORTE NÃO DEVE FAZER-NOS PERDER DE VISTA A JUSTIÇA” e esperou os assassinos. Deixou-se apunhalar sem opor resistência, murmurando: “Aceito a morte pelo nome de Jesus e da Igreja.”

Como conseqüência o rei foi obrigado a limitar suas pretensões sobre a Igreja da Inglaterra e a pedir perdão ao papa.

O famoso poeta e dramaturgo anglo-americano T. S. Eliot escreveu, em 1935, sobre esse fato em “Assassinato na Catedral”.

Nessa interpretação literária T. S. Eliot destacou a escolha do martírio como a vitoriosa superação de quatro tentações de Santo Tomás: a atração pelo prazer, fortíssima em sua juventude; o desejo de poder; as considerações oportunistas; o orgulho da santidade.