Papa incentiva cristãos a ajudar quem sofre com crise e desemprego

Cidade do Vaticano, 31 dez (EFE).- O papa Bento XVI incentivou hoje todos os cristãos a prosseguir o alívio das dificuldades enfrentadas pelas famílias que sofrem com a crise econômica e o desemprego, durante a celebração do Te Deum de agradecimento pelo ano que termina.
Nas Vésperas celebradas na Basílica de São Pedro, Bento XVI afirmou que “a comunidade cristã soube responder com generosidade aos que bateram a sua porta” e incentivou que continue nesta tarefa.

Durante a cerimônia, não foi adotada nenhuma medida de segurança particular, após o incidente na noite de 24 de dezembro, quando o papa foi derrubado por uma mulher com transtornos mentais.

Os homens da Gendarmaria vaticana e da Guarda Suíça ficaram ao lado do pontífice, como estava previsto pelo protocolo.

O nascimento do Senhor, que nos lembra a gratidão com a qual Deus veio nos salvar, assumindo nossa humanidade e nos doando sua vida divina, pode ajudar a cada homem de boa vontade a compreender que, só se abrindo ao amor de Deus, a atitude humana muda e se transforma em um futuro melhor para todos“, ressaltou.

O papa lembrou que só contemplando o mistério do verbo encarnado, o homem pode encontrar “a resposta às grandes dúvidas da existência humana e descobrir, assim, a verdade de sua própria identidade“.

Por isso, “a Igreja, no mundo todo e aqui, trabalha para promover o desenvolvimento integral da pessoa humana”, disse.

“O tempo esteve, por assim dizer, tocado por Cristo, o filho de Deus e de Maria, e dele recebeu significado novo e surpreendente: se transformou em tempo de salvação e graça”, acrescentou o pontífice.

“Nesta perspectiva, devemos considerar o tempo do ano que termina e do que começa para pôr os diferentes eventos de nossa vida: grandes ou pequenos, simples ou indecifráveis, alegres ou tristes, sob o sinal da salvação e acolher a chamada de Deus que nos dirige para nos conduzir para uma meta que é outro tempo em si mesmo: a eternidade”, afirmou.

Após o Te Deum, o papa visitará o presépio colocado na Praça de São Pedro.

Maria: Mãe de Deus e nossa

Por ocasião do dia mundial da paz e deste novo ano que se iniciará, desejo a todos vós, bem como a vossos familiares, um feliz ano novo com o coração voltado para o mistério da salvação que realiza-se em Cristo. Em verdade sobrepõe-se hoje a ideologia de que o ano novo deve ser voltado para festas e não para o Cristo. Infelizmente estes, que de tal forma pensam, não conhecem ou não se aprofundaram no mistério da encarnação

Existem nexos entre a celebração da Solenidade de Maria, Santa Mãe de Deus e o dia mundial da paz, que foi oportunamente estabelecido à esta data. Verdadeiramente Maria é aquela que doa a Paz ao mundo e nela os homens encontram o caminho para a plena paz, a salvação de todos os homens. O mistério da maternidade divina de Maria deixa a razão humana perplexa. Talvez por se crer que Deus é um ser incriável, a quem todos e tudo fez e que não foi feito. Ora, realmente Deus é um ser incriável. Mas o fato de ter se tornado homem, como um de nós, de ter querido encarnar-se no seio da Virgem Maria e de salvar o gênero humano sendo homem, põe ante os nossos olhos o fato de que a Virgem, predestinada para esse objetivo, serva do Senhor, aceitou na sua humildade aquilo que Deus queria e O fez.

“A expressão Theotokos, que literalmente significa “aquela que gerou Deus”, à primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com efeito, a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus. A resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só a geração humana do Filho de Deus e não, ao contrário, à sua geração divina. O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e é-Lhe consubstancial. Nesta geração eterna Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi então concebido e dado à luz Maria.

Proclamando Maria “Mãe de Deus”, a Igreja quer, portanto, afirmar que Ela é a “Mãe do Verbo encarnado, que é Deus”. Por isso, a sua maternidade não se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda Pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana”. (Livro A Virgem Maria, Papa João Paulo II)
Sedúlio escreve: “Salve, ó Santa Mãe de Deus, vós destes à luz o Rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos!” (Antífona de entrada). Sim meus irmãos, saudemos a Maria, nela inicia todo o projeto salvífico da humanidade, “pois ela nos trouxe o autor da vida” (Oração da coleta). Que dizer de tão grande mistério, senão expressar nossa veneração?
Nas leituras centraliza-se a pessoa de Jesus – que nos faz venerar mais ainda Maria –, afinal estamos na oitava de Natal, e antes se celebrava, neste dia, a Festa da Circuncisão do Senhor.
Na primeira leitura vemos a benção que o Senhor dá a Moisés e que perpassa nestes vários séculos depois. “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o rosto e te dê a paz!” (Nm 6, 24-26). Esta benção que ainda hoje o sacerdote repete convida-nos a abrirmo-nos à misericordia infinita de Deus, para que aceitando-a possamos receber os frutos e benção divinas.
“É assim cumprida a antiga tradição judaica da bênção (Nm 6, 22-27): os sacerdotes de Israel abençoavam o povo ‘impondo sobre ele o nome’ do Senhor. Com uma fórmula ternária presente na primeira leitura o santo Nome era invocado três vezes sobre os fiéis, como votos de graça e de paz. Esta tradição remota conduz-nos a uma realidade essencial: para poder caminhar pela vereda da paz, os homens e os povos precisam de ser iluminados pelo ‘rosto’ de Deus e ser abençoados pelo seu ‘nome’. Precisamente isto se concretizou de modo definitivo com a Encarnação: a vinda do Filho de Deus na nossa carne e na história trouxe uma bênção irrevogável, uma luz que nunca se apaga e que oferece aos crentes e aos homens de boa vontade a possibilidade de construir a civilização do amor e da paz” (Papa Bento XVI, Homilia na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, 2009).
Na segunda leitura Paulo fala da plenitude dos tempos, onde Deus envia seu Filho, “nascido de uma mulher, nascido sujeito à lei” (Gl 4,4). E o apóstolo acrescenta: “Já não és ecravo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro: tudo isso por graça do Senhor” (Gl 7). Assim conhecemos a misericórdia de Deus que se manifesta. Somos filhos, somos herdeiros, tudo isso por “graça”. Esta “graça” manifestou-se ao mundo no Natal. Ele veio para que a humanidade pudesse redescobrir os valores do amor, da fé, da esperança, da fidelidade. Jesus não vem para libertar economicamente. Seria demasiada ignorância pensarmos assim. Ele é a Graça de Deus manifestada em nosso meio; e, hoje, Ele que manifestar-se também em nós. Por isso, com a vinda do Filho de Deus, também nós tornamo-nos filhos, e por conseguinte tornamo-nos herdeiros. O seu amor O levou a tornar-se, mais que homem, tornou-se pobre. E assim podemos citar a expressão de São Paulo na segunda Carta aos Coríntios: “Com efeito – escreve ele – conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que por causa de vós se fez pobre, embora fosse rico, para vos enriquecer com a sua pobreza” (8, 9).
Gostaria de recordar o Santo Evangelho que nos afirma: “Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido” (Lc 2,20). Esta narrativa do Evangelho convida-nos, também hoje, a agradecermos a Deus por todas as maravilhas que Ele nos proporcionou, a começar do Seu Filho Jesus, nosso Salvador, passando pelas graças deste ano que se encerra. Não deixemo-nos abalar pelos ventos fortes que, indubitavelmente, é algo que ocorre na vida de todos os cristão, e que por um lado é util pois nos fortalece na oração. Assim como os pastores, glorifiquemos a Deus. Ele é aquele que nos acolhe de braços abertos, mesmo que o pecado leve-nos a cair várias vezes, Deus está ali e nos diz: “Coragem! Levanta-te!”
Por fim, faço uma alusão a mensagem do Santo Padre Papa Bento XVI para o dia mundial da paz, que tem co
mo tema: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. Todo o ser humano é chamado a defender a criação. Ela não é só um meio de crescimento e de exploração para o desenvolvimento capitalista. Ela é dom de Deus e nos põe em profundo contato com Ele.

A busca da paz por parte de todos os homens de boa vontade será, sem dúvida alguma, facilitada pelo reconhecimento comum da relação indivisível que existe entre Deus, os seres humanos e a criação inteira. Os cristãos, iluminados pela Revelação divina e seguindo a Tradição da Igreja, prestam a sua própria contribuição. Consideram o cosmos e as suas maravilhas à luz da obra criadora do Pai e redentora de Cristo, que, pela sua morte e ressurreição, reconciliou com Deus «todas as criaturas, na terra e nos céus» (Cl 1, 20). Cristo crucificado e ressuscitado concedeu à humanidade o dom do seu Espírito santificador, que guia o caminho da história à espera daquele dia em que, com o regresso glorioso do Senhor, serão inaugurados «novos céus e uma nova terra» (2 Pd 3, 13), onde habitarão a justiça e a paz para sempre. Assim, proteger o ambiente natural para construir um mundo de paz é dever de toda a pessoa. Trata-se de um desafio urgente que se há-de enfrentar com renovado e concorde empenho; é uma oportunidade providencial para entregar às novas gerações a perspectiva de um futuro melhor para todos. Disto mesmo estejam cientes os responsáveis das nações e quantos, nos diversos níveis, têm a peito a sorte da humanidade: a salvaguarda da criação e a realização da paz são realidades intimamente ligadas entre si” (Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz, 2010).

A Maria, mãe que nos acolhe no seu regaço materno, peço que ela esteja sempre nos defendendo nas insidiosas estradas que a vida oferece, para que trilhemos o único e verdadeiro caminho.
Mais uma vez um feliz ano novo a todos!
Pax Domini

«O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina»

Fonte: Evangelho Quotidiano

Sim, Tu amaste-nos primeiro, para que nós Te amássemos. Tu não necessitas do nosso amor, mas só poderemos atingir os Teus desígnios amando-Te. Por isso, «muitas vezes e de muitos modos falou Deus aos nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas. Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por meio do Seu Filho», (Heb 1, 1), o Seu Verbo. Foi por Ele que «a palavra do Senhor criou os céus, e o sopro da Sua boca, todos os astros» (Sl 32, 6). Para Ti, falar através do Teu Filho não é outra coisa que mostrares, fazeres ver com brilho quanto e como nos amas, dado que não poupaste o Teu próprio Filho, mas O entregaste por todos nós (Rom 8, 32). E também Ele nos amou e a Si mesmo se entregou por nós (Gal 2, 20).

Tal é a Palavra, o Verbo Todo-poderoso que nos diriges, Senhor. Enquanto todos mergulhavam no silêncio, ou seja, na profundidade do erro, Ele desceu das moradas reais (Sab 18, 14), para abater duramente o pecado e enaltecer suavemente o amor. E tudo quanto fez, tudo quanto disse na terra, até os opróbrios, até os escárnios e as bofetadas, até a cruz e o sepulcro, não eram mais que a Tua palavra pelo Teu Filho, palavra que nos incita ao amor, palavra que desperta em nós o amor por Ti.

Sabias com efeito, Deus, Criador das almas, que as almas dos filhos dos homens não podem ser forçadas a esta afeição, mas que é necessário provocá-las. Porque, onde houver constrangimento, não há liberdade; e onde não há liberdade, não há justiça. […] Quiseste que Te amássemos, porque em justiça não podíamos ser salvos sem Te amar. E não podíamos amar-Te a menos que o amor partisse de Ti. Por conseguinte, Senhor, como apóstolo do Teu amor o digo, Tu amaste-nos primeiro (1Jo 4, 10), e primeiramente amas todos os que Te amam. Mas nós, nós amamos-Te pela afeição de amor que puseste em nós. 

Guilherme de Saint-Thierry 

QUEM FOI SÃO SILVESTRE

Cidade do Vaticano, 31 dez (RV) – São Silvestre foi papa durante 21 anos e morreu em 335, durante o tempo de Constantino. Silvestre teve de enfrentar as intromissões do imperador no governo da Igreja. Constantino, herdeiro da grande tradição imperial romana, considerava-se o legítimo representante da divindade e do Deus dos cristãos e por isso, com naturalidade, sentia-se encarregado de controlar a Igreja como qualquer outra organização religiosa.

Constantino convocou em 325 o primeiro Concílio Ecumênico que foi realizado em Nicéia, na Bitínia. O Papa Silvestre, idoso, não pode comparecer, mas enviou representantes.

Graças ao bom relacionamento entre o Papa e o Imperador, este apoiou financeiramente a Igreja e o pontificado de Silvestre ficou caracterizado também pelas grandes construções de edifícios eclesiásticos. Conseguiu do Imperador a autorização para a construção da grande basílica em honra de São Pedro na colina do Vaticano, a de São Paulo fora dos Muros e a de São João de Latrão.
Foi também o Papa Silvestre que recebeu do Imperador Constantino o Palácio de Latrão para ser a residência dos pontífices.

Mas o grande presente que o Papa Silvestre desejava receber do Imperador era vê-lo batizado. Isso não aconteceu pois o papa morreu em 335 e Constantino, segundo Eusébio de Cesareia, foi batizado no leito de morte, em 337.
(CM)