Epifania do Senhor


Celebra-se solenemente hoje, dia 6, a Solenidade da Epifania do Senhor. Esta constitui uma das mais antigas festas da Igreja. Mas o que para nós significa a Epifania? Como ela pode ser vista hoje?

Em primeiro lugar é preciso notarmos que a Epifania do Senhor (do grego: πιφάνεια, : “a aparição; um fenômeno miraculoso”) é a manifestação do menino-Deus ao mundo. Neste dia a graça é manifestada em nós, depois de já aparecida. O profeta Isaias, na primeira leitura, vai nos dizer isto claramente: “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor.
Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora.” (60,1).

Naquele pequeno menino fulgura a verdadeira luz; luz esta que não será ofuscada por nenhum poder terreno, e muito menos por alguém. Sim, essa é a grande novidade deste nosso tempo, dita a todos os homens, a todos os que necessitam de uma palavra de conforto e de esperança: O Senhor vem, na sua fragilidade, na sua pequenês. Mas deste meio Ele se manifesta Rei e Senhor. Não um Rei que ostenta poderes terrenos, mas um Rei que pode garatir-nos coisas maiores, como a vida eterna. A sua luz ilumina aqueles que jaziam na obscuridão. E convida-os a também se tornarem partícipes da sua glória.

No presépio podemos contemplar não um mito criado pelos homens, mas uma Verdade querida por Deus. Os Magos, vindos para adorar o Senhor, deixaram-se guiar pela estrela de Belém. Esta estrela deseja brilhar também hoje em nosso meio. Mas isto só acontecerá quando todos os homens souberem reconhecer sua mensagem. Os Magos foram “os primeiros da grande procissão dos que, através de todas as épocas da história, souberam reconhecer a mensagem da estrela, caminhar na estrada indicada pelas Santas Escrituras, e encontrar Aquele que aparentemente é débil e frágil mas que, ao invés disso, tem o poder de dar a maior e mais profunda alegria ao coração do homem”. (Bento XVI, Homilia na Missa da Epifania, 2010).

“Muitos viram a estrela, mas poucos entenderam a mensagem”, afirma o Papa Bento XVI. “Embora os poucos de Belém tenham se tornado muitos, os crentes em Jesus parecem sempre poucos” (idem).
Mas daí surge-nos uma pergunta apresentada pelo Santo Padre Bento XVI: “Porque é que alguns vêem [a estrela] e encontram [o menino] e outros não? O que é que lhes abre os olhos e o coração? O que é que falta aos que permanecem indiferentes, aqueles a quem se indica o caminho mas não se mexem?” E ele mesmo responde: “Podemos responder que é a demasiada segurança em si mesmos, a pretensão de conhecerem perfeitamente a realidade, a presunção de já terem formulado um juízo definitivo sobre as coisas, fecha os seus corações e torna-os insensíveis à novidade de Deus. Estão tão seguros da ideia que fizeram do mundo que, no seu íntimo, não se deixam envolver pela aventura de um Deus que os quer encontrar” (idem).

Esta realidade pode ser constatada porque o homem tem sede de transcendencia e não aceita submeter-se aos desígnios salvíficos do Senhor. Mas este seu desejo só pode ser alcançado quando ele reconhecer que Deus está acima de tudo e de todos, e que ele deve cuvar-se a esta verdade.

Naquele menino inerme muitos não querem depositar sua confiança, talvez por medo; outros talvez porque já não mais querem se abrir à novidade de Deus; outros talvez porque deixam-se ser pesuadidos pelas ideologias humanas da ciência e da técnica, e assim acham-se autossuficientes para governarem a si mesmos e se esquecerem que existe uma lei moral. Mas só Ele pode dar-nos a plena felicidade. Não uma felicidade supérflua, mas uma felicidade que se baseia em satisfazer o espírito do homem moderno.

Deixemo-nos guiar pela estrela que conduz a humanidade ao Salvador. Uma estrela que não pode ser vista pela lógica da ciência, mas pela lógica da fé, que guia o homem para o Senhor e que não deixa que eles conheçam a “cegueira” espiritual. A manifestação do Senhor não se dá por interesse, mas por amor. Amor que muitas vezes o homem desviou para desejos concretos ou para interesses pessoais.

Voltemo-nos para Deus, Ele sim nos ama verdadeiramente.

Deus abençoe!

Breve saudação aos irmãos gregos que celebram amanhã o Natal:

Οι αδελφοί και αδελφές της Ανατολικής Εκκλησίες να γιορτάσουν τα Χριστούγεννα Ιερά αύριο ελπίζω το φως των αγοριών-Θεός λάμψη στις καρδιές σας και τις οικογένειές σας.
Καλά Χριστούγεννα!