As normas morais universais e imutáveis ao serviço da pessoa e da sociedade


A doutrina da Igreja, e particularmente a sua firmeza em defender a validade universal e permanente dos preceitos que proibem os actos intrinsecamente maus, é julgada frequentemente como sinal de uma intransigência intolerável, sobretudo nas situações extremamente complexas e conflituosas da vida moral do homem e da sociedade de hoje: uma intransigência que estaria em contraste com o sentido materno da Igreja. Nesta, dizem, escasseiam a compreensão e a compaixão. Mas, na verdade, a maternidade da Igreja nunca pode ser separada da missão de ensinar que ela deve cumprir sempre como Esposa fiel de Cristo, a Verdade em pessoa(…) (Carta Encíclica Veritatis Splendor, 95.)



Na sociedade atual nos é possível constatar uma certa “discriminação” quanto as normas morais da qual a Igreja incessantemente faz-se anunciadora. Sabemos que estamos diante de uma crise moral na sociedade, e estamos cientes também que tal crise não só afeta os valores morais e cristãos, como também abala, por assim dizer, as bases econômicas. A total segurança no dinheiro e a falta de Deus também corrobaram esta minha afirmação. São pessoas cujo “deus é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso. Apreciam só as coisas terrenas” (Fl 3,19).
A humanidade não pode deixar-se guiar apenas por valores socio-econômicos, esquecendo que tem uma lei moral que deve ser seguida, que não pode ser deixada de lado, como se fosse um mero ensinamento, ao qual os homens estão ou não na faculdade de seguir. Sabemos que por vezes grupos e até mesmo membros ativos da Igreja tem levantado suas vozes para contradizer os santos esinamentos da Igreja. Ora, assim ensina-nos o sagrado Magistério: “O homem é obrigado a seguir a lei moral que o chama a ‘fazer o bem e evitar o mal’ (Gs 16). Esta lei ressoa em sua consciência” (CIC 1713). Seguir a lei moral não é apenas saber o que é ou não correto, mas é um meio de fugirmos do pecado que tenta predominar na humanidade.
Nestes tempos modernos é muito sábio e prudente o conselho do apóstolo: “Proclama a Palavra, insiste oportuna e inoportunamente, convence, repreende e exorta” (2 Tm 4,2-4). Tal exortação urge com mais necessidade no mundo hodierno, até mesmo tentando enganar cristãos para que deixem-se persuadir por tais ideologias. Viver a radicalidade em Cristo é sempre necessário, principalmente quando sabemos que o mundo impõe outros meios de vida aos quais aqueles que não se adaptarem serão vistos como “antiquados”; apresenta caminhos insidiosos e de fácil meio de vida: do liberalismo sexual, ou deveria dizer da perversão? Caminhos que já não tem como guia Jesus Cristo, mas sim o capital financeiro, o consumismo, as leis anti-vida, a concupiscência, a vanglória e vários outros fatores dos quais seria impossível inumerá-los aqui. Estes não contribuem com o desenvolvimento dos povos, com o serviço que os governos devem prestar e muito menos es a serviço da pessoa, mas destinar-lhes-á um trágico fim.
Por conseguinte é necessário reafirmar aqui que as normas morais não privam o homem dos seus direitos e da sua liberdade, este não é seu objetivo; pelo contrário, o Cardeal J. H. Newman, eminente defensor dos direitos da consciência afirma: “A consiência tem direitos, porque tem deveres”. Os direitos só podem existir graças aos deveres. Sem deveres os direitos seria ab-rogados e viveriamos em escravidão, principalmente na escravidão do pecado. Mas a verdadeira liberdade só haverá quando o homem reconhecer que deve curvar-se diante de Deus; quando ele reconhecer que para transcender é necessário rebaixar-se à sua condição.
Se muitos tratam com vilipendio as normas morais, nós cristãos não podemos fazê-lo da mesma forma. Santo Agostinho convida-nos sempre a voltarmo-nos ao nosso interior: “Volta à tua consciência, interroga-a,… Voltai irmãos ao interior, e em tudo o que fizerdes atentai para a testemunha, Deus” (ep. Jo 8,9).

Se muitos tratam com vilipendio as normas morais, nós cristãos não podemos fazê-lo da mesma forma. Santo Agostinho convida-nos sempre a voltarmo-nos ao nosso interior: “Volta à tua consciência, interroga-a,… Voltai irmãos ao interior, e em tudo o que fizerdes atentai para a testemunha, Deus” (ep. Jo 8,9).
A Igreja Mater et Magistra (Mãe e Mestra) tem sua função designada por Cristo de anunciar o Evangelho e de ser uma prefiguração do Reino de Deus na terra. Quem sabe se ouvissimos mais a Igreja não teríamos tantas tribulações como temos hoje?