PAPA NO ANGELUS: OS CRISTÃOS DEVEM VIVER COMO FILHOS DE DEUS E COMO IRMÃOS

Cidade do Vaticano, 10 jan (RV) – Bento XVI presidiu a oração mariana do Angelus deste domingo na Praça São Pedro, onde o aguardavam vários fiéis e peregrinos provenientes de várias partes do mundo.

Na alocução que precedeu a oração, o papa disse aos fiéis que tinha batizado algumas crianças, na Capela Sistina, tradição ligada à Festa do Batismo do Senhor que conclui o tempo litúrgico do Natal.

“Com o Sacramento do Batismo a pessoa humana se torna filha de Deus, graças à vinda de Jesus Cristo ao mundo” – disse o pontífice.

“Ele se fez homem para que possamos nos tornar filhos de Deus. Deus nasceu para que nós possamos renascer. Estes conceitos retornam continuamente nos textos litúrgicos natalinos e são importantes motivos de reflexão e esperança” – frisou o papa.

O Santo Padre disse ainda que “gerado pelo Batismo a uma vida nova o cristão inicia seu caminho de crescimento na fé que o levará a invocar com convicção Deus como ‘Abba, Pai’, a se dirigir a Ele com gratidão e viver a alegria de ser seu filho”.

“Do Batismo provém também um modelo de sociedade: a de irmãos. Reconhecemo-nos irmãos a partir da humilde, mas profunda consciência de ser filho do único Pai Celeste. Como cristãos, graças ao Espírito Santo recebido no Batismo, temos o dom e o compromisso de viver como filhos de Deus e como irmãos, para ser como fermento de uma humanidade nova, solidária e rica de paz e de esperança. Nisto nos ajuda a consciência de ter, além de um Pai nos céus, também uma mãe, a Igreja, cuja Virgem Maria é o modelo perene” – ressaltou o pontífice.

O papa confiou à materna proteção da Virgem Maria as crianças neobatizados e suas famílias e concedeu a todos a sua bênção apostólica.

Após a oração mariana, o Santo Padre saudou em várias línguas os diversos grupos de fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro e os convidou a renovar com alegria e convicção as promessas realizadas no Batismo e serem no mundo discípulos e missionários de Cristo, levando a luz do Evangelho a todos os âmbitos da sociedade, através da palavra e do exemplo.

PAPA: NO JORDÃO, A VOZ DE DEUS INDICA AOS HOMENS A PRESENÇA NO MUNDO DE SEU FILHO

Cidade do Vaticano, 10 jan (RV) – Bento XVI presidiu na manhã desde domingo, na Capela Sistina, no Vaticano, a celebração eucarística da Festa do Batismo do Senhor.

Durante a cerimônia foram batizados alguns recém-nascidos. “Demos graças a Deus, que hoje chama estas crianças a se tornarem seus filhos em Cristo. Nós as envolvemos com a oração e com o afeto e as acolhemos com alegria na comunidade cristã, que a partir de hoje se torna também a sua família” – frisou o papa em sua homilia.

O pontífice disse ainda que com a Festa do Batismo de Jesus continua o ciclo das manifestações do Senhor, que teve início no Natal com o nascimento em Belém do Verbo encarnado e uma etapa importante na Epifania, quando o Messias se manifestou aos povos.

“Hoje Jesus se revela, às margens do Jordão, a João e ao povo de Israel. É a primeira ocasião em que ele, como homem adulto, entra na vida pública, após ter deixado Nazaré” – ressaltou Bento XVI.

O batismo do Precursor, João Batista, é um batismo de penitência, um sinal que convida à conversão, a mudar de vida, porque se aproxima Aquele que batizará com o Espírito Santo e com o fogo.

Quando João Batista vê aproximar-se dele o Messias, entende que aquele Homem é o misterioso Outro que ele esperava e para o qual toda a sua vida estava orientada. O precursor está diante de Alguém maior que ele e não se sente digno sequer de desatar as correias de suas sandálias.

“No Jordão, Jesus se manifesta com uma extraordinária humildade, que evoca a pobreza e a simplicidade do Menino colocado na manjedoura, e antecipa os sentimentos com os quais, ao término de seus dias terrenos, chegará a lavar os pés dos discípulos e sofrerá a humilhação terrível da cruz. O Filho de Deus, Aquele que não tem pecado, coloca-se entre os pecadores, mostra a proximidade de Deus no caminho de conversão do homem. Jesus assume sobre si o peso da culpa de toda a humanidade, inicia a sua missão colocando-se no lugar dos pecadores, na perspectiva da cruz” – disse o papa.

O Evangelho de Lucas narra que quando Jesus foi batizado o “céu se abriu e desceu sobre ele o Espírito Santo (3, 21-22)” e uma voz disse: “Tu és o meu filho, eu, hoje, te gerei”. “Naquele momento o Pai, o Filho e o Espírito Santo descem entre os homens e nos revelam o seu amor que salva. Se são os anjos a levar aos pastores o anúncio do nascimento do Salvador, e a estrela aos Reis Magos do Oriente, agora é a voz de Deus que indica aos homens a presença no mundo de seu Filho e convida a olhar para a ressurreição, para a vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte” – disse Bento XVI.

“Podemos dizer que também para estas crianças hoje se abrem os céus. Elas receberão como dom a graça do Batismo e o Espírito Santo habitará nelas como num templo, transformando profundamente seus corações. A partir desse momento, a voz do Pai chamará também elas para serem seus filhos em Cristo e, na sua família que é a Igreja, doará a cada uma delas o dom sublime da fé” – destacou o pontífice.

O papa sublinhou que com o Batismo estas crianças participam da morte e ressurreição de Cristo, iniciam com ele a aventura alegre e enaltecedora do discípulo. “Os pais, padrinhos e madrinhas assumem o compromisso de educá-las na fé a fim de que possam caminhar na luz de Cristo e resplandecer neste mundo, levando a luz do Evangelho que é vida e esperança” – frisou Bento XVI.

O Santo Padre concluiu sua homilia, desejando que com a celebração do Batismo o Senhor conceda a cada um de nós viver a beleza e a alegria de ser cristãos e pediu para as crianças a materna intercessão da Virgem Maria, para que sejam durante toda a vida discípulos de Cristo e corajosas testemunhas do Evangelho. (MJ)