Homilia de Bento XVI no Dia Mundial do Doente – 11/02/2010

Fonte: Canção Nova

Senhores Cardeais,
Veneráveis Irmãos no Episcopado,
queridos irmãos e irmãs!

Os Evangelhos, nas sintéticas descrições da breve mas intensa vida pública Jesus, atestam que Ele proclama a Palavra e cura os doentes, sinal por excelência da proximidade do Reino de Deus. Mateus escreve, por exemplo: “Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, anunciando o Evangelho do Reino e curando toda a sorte de doenças e enfermidades nas pessoas” (Mt 4,23; cf. 9,35).

A Igreja, que possui a tarefa de estender, no espaço e no tempo, a missão de Cristo, não pode ignorar essas duas obras essenciais: a evangelização e o cuidado dos doentes no corpo e no espírito. Deus, de fato, deseja curar a pessoa como um todo e, no Evangelho, a cura do corpo é um sinal de uma reorganização mais profunda, que é a remissão dos pecados (cf. Mc 2, 1-12). Não é de se admirar, portanto, que Maria, mãe e modelo da Igreja, seja invocada e venerada como Salus infirmorum, “Saúde dos enfermos”. Como a primeira e perfeita discípula de seu Filho, Ela sempre demonstrou, ao acompanhar o caminho da Igreja, uma preocupação especial com o sofrimento. Nos dão esse testemunho as milhares de pessoas que visitam os santuários marianos para invocar a Mãe de Cristo e encontrar n’Ela força e alívio. O relato evangélico da Visitação (cf. Lc 1,39-56) mostra-nos como a Virgem, após o anúncio do Anjo, não mantém para si o dom recebido, mas parte imediatamente para ajudar à prima idosa Isabel, que há seis meses carregava o pequeno João. O apoio oferecido por Maria a uma parenta que vive, em idade avançada, uma situação delicada como a gravidez é a prefiguração de toda a ação da Igreja no sustento da vida necessitada de cuidado.

O Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde, criado há 25 anos pelo Venerável João Paulo II é, sem dúvida, uma expressão privilegiada de tal preocupação. Nossos pensamentos se voltam com gratidão ao Senhor Cardeal Fiorenzo Angelini, primeiro presidente do dicastério e sempre apaixonado por animar esta área de atividade da Igreja; da mesma forma, ao cardeal Javier Lozano Barragán, que até há alguns meses deu continuidade e incrementou tal serviço. Com viva cordialidade me dirijo, pois, ao atual presidente, Dom Zygmunt Zimowski, que recebeu esse significativo e importante legado: a minha saudação, que faço extensiva a todos os funcionários e às pessoas que, neste quarto de século, têm trabalhado neste admirável trabalho da Santa Sé. Eu também gostaria de cumprimentar as associações e organismos que tratam da organização do Dia do Doente, em particular à Unitalsi, e à Obra Romana de Peregrinações.

Minhas saudações mais afetuosas vão naturalmente a vós, queridos doentes! Obrigado por terem vindo e, especialmente, por suas orações, que enriquecem a oferta de vossas fadigas e sofrimentos. E a saudação se dirige, também, aos doentes e voluntários que nos acompanham em Lourdes, Fátima, Czestochowa e outros santuários marianos, àqueles que estão conectados através do rádio e da televisão e, especialmente, a partir dos lares de cuidados de idosos ou de suas próprias casas. O Senhor Deus, que vela constantemente sobre seus filhos, dá a todos o conforto e a consolação.

Há duas questões principais que a Liturgia da Palavra de hoje nos apresenta: a primeira é de caráter mariano e conecta o Evangelho e a Primeira Leitura, o capítulo final do Livro de Isaías, bem como o Salmo responsorial, derivado do hino de louvor de Judite. O outro tema, que encontramos na íntegra de Carta de Tiago, é a oração da Igreja pelo doente e, em particular, do sacramento reservado a eles. Na memória de aparição de Lourdes, local escolhido por Maria para expressar a sua materna solicitude pelos doentes, a liturgia destaca oportunamente o Magnificat, o cântico da Virgem que exalta as maravilhas de Deus na história da salvação: os humildes e os pobres, como todos aqueles que temem a Deus, experimentam a sua misericórdia, que inverte a sorte terrena e demonstra assim a santidade do Criador e Redentor. O Magnificat não é o cântico daqueles para quem a fortuna sorri, que estão sempre “de vento em popa”; é, antes de tudo, a gratidão de quem conhece os dramas da vida, mas confia na obra redentora de Deus. É um canto que expressa a fé provada de gerações de homens e mulheres que depositaram em Deus suas esperanças e se comprometeram em primeira pessoa, como Maria, a serem úteis aos irmãos em necessidade. No Magnificat, ouvimos a voz de muitos Santos e Santas da caridade; penso especialmente naqueles que passaram suas vidas entre os doentes e sofredores, como Camillo de Lellis e João de Deus, Damiano de Veuster e Benedettoto Menni. Quem permanece junto do povo sofredor conhece as angústias e  lágrimas, mas também o milagre da alegria, fruto do amor.

A maternidade da Igreja é reflexo de um amor cuidadoso de Deus, sobre o qual fala o profeta Isaías: “Como uma criança que a mãe consola, sereis consolados em Jerusalém” (Is 66, 13). Uma maternidade que fala sem palavras, que desperta nos corações a consolação, uma alegria íntima, uma alegria que, paradoxalmente, convive com a dor, com o sofrimento. A Igreja, como Maria, guarda dentro de si o drama do homem e o consolo de Deus, os têm em conjunto, ao longo da peregrinação de história. Através dos séculos, a Igreja mostra os sinais do amor de Deus, que continua a operar grandes coisas em pessoas humildes e simples.

O sofrimento aceito e ofertado, a partilha sincera e gratuita, não são milagres do amor? A coragem de enfrentar o mal desarmado – como Judite -, com o poder da fé e da esperança no Senhor, não é um milagre que a graça de Deus desperta continuamente em tantas pessoas que gastam tempo e energia para ajudar aqueles que sofrem? Por tudo isso, nós experimentamos uma alegria que não esquece o sofrimento, pelo contrário, o compreende. Desta forma, os doentes e todos os que sofrem são, na Igreja, não apenas destinatários de assistência e tratamento, mas em primeiro lugar protagonistas da peregrinação da fé e da esperança, testemunhas das maravilhas do amor, da alegria pascal que floresce da Cruz e da Ressurreição de Cristo.

Na passagem de Carta de Tiago, há pouco proclamada, o Apóstolo convida a esperar com constância a iminente vinda do Senhor e, neste contexto, destina uma particular exortação aos que estão enfermos. Este colocação é muito interessante, pois reflete a ação de Jesus, que curando os doentes mostrava a proximidade do Reino de Deus. A doença é vista na perspectiva dos últimos tempos, com o realismo da esperança tipicamente cristã. “Alguém entre vós está sofrendo? Reze! Está alegre? Cante” (Tg 5, 13). Parece-me ouvir palavras similares de São Paulo, quando convida a viver todas as coisas em relação à novidade radical de Cristo, à sua morte e ressurreição (cf. 1 Cor 7,29-31). “Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre
ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo” (Tg 5, 14-15). Aqui fica evidente o prolongamento de Cristo em sua Igreja: é agora Ele que age, por intermédio dos presbíteros; é seu Espírito que opera através do sinal sacramental do óleo; é a Ele que se destina a fé, expressa na oração; e, como acontecia às pessoas curadas por Jesus, a cada doente se pode dizer: a tua fé, sustentada na fé dos irmãos e irmãs, te salvou.

A partir deste texto, que contém o fundamento e a prática do sacramento da Unção os Enfermos, se obtém ao mesmo tempo uma visão do papel dos doentes na Igreja. Um papel ativo no “desafio”, por assim dizer, da oração feita com fé. “Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja”. Neste Ano Sacerdotal, me apraz enfatizar o vínculo entre os doentes e os sacerdotes, um tipo de aliança, de “cumplicidade” evangélica. Ambos têm uma tarefa: o doente deve “chamar” os sacerdotes, e eles devem responder, para atrair sobre a experiência da doença a presença e a ação do Senhor Ressuscitado e do seu Espírito. Aqui podemos ver a importância da pastoral dos enfermos, cujo valor é realmente incalculável, pelo bem imenso que faz, primeiro, aos doentes e aos próprios sacerdotes, mas também para os familiares, conhecidos, à comunidade e, por caminhos desconhecidos e misteriosos, à toda a Igreja e ao mundo. Com efeito, quando a Palavra de Deus fala de cura, de salvação, da saúde do enfermo, estes conceitos possuem significado em um sentido integral, nunca separando corpo e alma: um doente curado pela oração de Cristo, através da Igreja, é uma alegria na terra e no céu, é uma primícia da vida eterna.

Caros amigos, como escrevi na Encíclica Spe Salvi, “a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade” (n. 30). Através da criação de um dicastério dedicado à pastoral da saúde, a Santa Sé procurou dar sua contribuição também para promover um mundo mais capaz de aceitar e tratar os doentes como pessoas. Desejou, de fato, ajudá-los a viver a experiência da doença de uma forma humana, não renegando-a, mas dando-lhe um significado.

Desejo concluir estas reflexões com um pensamento do Venerável Papa João Paulo II, que foi um testemunho com a própria vida. Na Carta Apostólica Salvifici Doloris, ele escreveu: “Cristo ensinou o homem a fazer bem com o sofrimento e, ao mesmo tempo, a fazer bem a quem sofre. Sob este duplo aspecto, revelou cabalmente o sentido do sofrimento” (n. 30). Nos ajude a Virgem Maria a viver plenamente esta missão. Amém!

Quem defende o aborto nega sua condição de católico

 Fonte: CNBB 

O III Plano Nacional de Direitos Humanos ao falar da “autonomia” da mulher sobre seu próprio corpo e recomendar que o Congresso altere o Código Penal a fim de descriminalizar a prática do aborto recomenda um crime qualificado contra a humanidade e contra o próprio Brasil.
Ele quer outorgar legitimidade jurídica a um crime infamante, estabelecer como um direito democraticamente exigível o mais abominável dos delitos e o financiamento dele beneficiando os carrascos com dinheiro público.
  
Contra o povo brasileiro, povo apaixonado pela vida humana, tantas vezes comprovado em estatísticas da maior seriedade, a última deste mês em que não chega a um quarto de cidadãos brasileiros os que querem manchar de sangue de crianças o mapa do Brasil.
  
Em 2007, o Partido dos Trabalhadores aprovou, em seu programa, a luta pela implantação do aborto no Brasil. Isso não pode acontecer, pois é projeto revestido de fanatismo cruel contra o nascituro. Podemos dizer que é um dos projetos mais bárbaros de aborto conhecidos no mundo, que defende de modo obsessivo e neurótico a morte legal de inocentes. 
Se o Governo atual aprova tal Plano torna-se o inimigo número um da sociedade e o primeiro elemento desestabilizador da ordem social. Os que deveriam ser construtores e defensores da vida tornaram-se de modo incompreensível uma enorme ameaça contra o Brasil todo.
A Igreja defende e defenderá sempre que a vida humana é sagrada e inviolável desde o momento da concepção até o final da sua existência. Dessa sacralidade e inviolabilidade nasce o direito de todo ser humano a ser respeitado, protegido e promovido no desenvolvimento de sua existência em qualquer momento ou situação. Sempre em nome da razão e da dignidade nativa do homem e não só da fé, a Igreja o defenderá quando estiver em pauta qualquer vida humana.
Estamos comprometidos, juntamente com todo o povo brasileiro, com uma cultura da vida e não da morte. “Quem defende o aborto nega sua condição de católico”, proclamava bem alto o Papa João Paulo II (Ev.V 62). Como cristãos é impossível ficarmos calados e concordar com a decisão de aprovar tal projeto que nega o direito à vida. 
Defender e promover a vida e posicionar-se contra o aborto provocado é uma questão de humanidade. Não há nada que possa justificá-lo porque nada pode justificar o assassinato frio e calculado de uma vida humana inocente.
Podemos usar um dos Dez Mandamentos para dizer: Dr. Vannucchi, Dr. Temporão, Presidente Lula e tantos órgãos responsáveis pela defesa da vida: “Não matarás!”
O evangelho da vida, o evangelho da dignidade humana e o evangelho do amor de Deus aos homens é um mesmo e único Evangelho. O homem não tem direito de destruí-lo.

Dom José Luis Azcona
Bispo da Prelazia de Marajó (PA)

TRATADO DE LATRÃO COMPLETA 81 ANOS

Cidade do Vaticano, 11 fev (RV) – Comemorar! Exaltar! Algumas datas devem ser não só lembradas, mas celebradas por sua importância, que ultrapassa fronteiras e o tempo. Hoje, a Igreja Católica em Roma festeja os 81 anos do Tratado de Latrão, data que deve ser comemorada não apenas na Cidade do Vaticano, mas por todos os católicos do mundo.

Assinado no dia 11 de fevereiro de 1929, o Tratado de Latrão ou Pacto Lateranense foi estabelecido entre o Reino da Itália e a Santa Sé, e teve como ponto primordial a criação do Estado da Cidade do Vaticano e seu reconhecimento perante a Itália.

Esse acordo significou um importante passo para a Igreja Romana, que passava por crises e conflitos desde 1870, época em que tropas do reinado da Itália, recém-unificado, entraram em Roma, incorporando as terras que pertenciam à Igreja desde o século VIII.

O Estado então criado tornou-se soberano, neutro e inviolável, sob a autoridade do papa. O documento estabeleceu normas para as relações entre a Santa Sé e a Itália, como, por exemplo, efeitos civis ao casamento religioso e o reconhecimento do catolicismo como religião oficial da Itália.

Por outro lado, a Santa Sé reconheceu Roma como capital da Itália e renunciou aos territórios que possuía desde a Idade Média, alocando-se no Ager Vaticanus, uma colina próxima a Roma.

Em fevereiro de 1984, foram modificados alguns termos do Tratado de Latrão, mas a sua sólida base permanece inalterada.

Mais do que uma convenção, o Tratado de Latrão possibilitou a confirmação da força e importância institucional da Igreja Católica, que passou a influenciar, com maior embasamento, importantes acontecimentos políticos, como a queda de regimes totalitários. (LC)

Engrandecidos pela humildade

A subida para Deus acontece precisamente na descida ao serviço humilde, a descida ao amor, que é a essência de Deus e, portanto, a verdadeira força purificadora, que capacita o homem para conhecer Deus e vê-lo”
(Bento XVI, Livro Jesus de Nazaré, p. 95).

Poderia aqui abordar dois aspectos que caracterizam, por assim dizer, a figura de Deus que tornou-se concreta em Jesus Cristo. A Primeira é a humildade; a segunda o amor.
Deus Caritas est – Deus é amor – escreve São João. E por ser o amor sua essência Ele não quis permanecer inacessível no mais alto dos céus. Não. Seu amor é um amor que se manifestou antes de tudo na pessoa de Jesus. É um amor que se doa sem reservas em favor de todos nós, mesmo àqueles que o hostilizam ou querem isentá-lo da sociedade hodierna.
O Papa recorda que os homens só poderão chegar até Deus passando pelo serviço da humildade, do amor. O amor caracteriza-se, sobretudo, pela humildade. O próprio Jesus quis passar pela experiência da humildade. A que se imaginava a figura do Messias? Como ele viria?
Muitos atribuiam sua vinda à vinda de um Rei – em conceito terreno: Revestido de ouro e poder, com grande opulência, nascido em berço de ouro. No entanto o próprio Cristo faz questão de se tornar um “paradoxo” para aquelas mentes. Ele não veio para sustentar um reinado terreno, efêmero; veio, porém, para indicar aos homens o verdadeiro caminho, o caminho da verdade que todos deveriam seguir. E por não se adaptar às ideologias daquelas mentes Ele foi rejeitado e morto.
Antes, porém, na Última Ceia Jesus faz algo inovador, surpeendente e que nenhum outro rei ousaria fazer. Diz-nos o Evangelista: “Sabendo que o Pai tudo colocara em suas mãos e que ele viera de Deus e para Deus voltava, levantando-se da mesa, depõe o manto e, tomando uma toalha, cinge-se com ela. Depois coloca água numa bacia e começa a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido” (Jo 13,3-5).
Esta ação de Jesus os deixa estupefatos. Como o Mestre poderia agir de tal forma? Humilhar-se à condição de servo. E ele os adverte: “Dei-vos o exemplo para que, como eu fiz, também vós o façais” (v 15).
Jesus em toda a sua vida, como nos é sabido, quis manifestar o seu amor por meio de sua humildade e dos seus ensinamentos. A sua vinda já é uma prova de humildade: “Ele era igual a Deus, mas não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus, mas despojou-se de si mesmo, tomando a condição de servo, tornando-se semelhante ao homem… Humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, até a morte na cruz. Por isso Deus o exaltou acima de todas as coisas…” (Fl 2,6-9).
Pode se manifestar novamente aqui um paradoxo. Jesus é exaltado depois de ter sido humilhado e morto na cruz. Mais na verdade esta é a condição para que possamos fazer parte do discipulado do Senhor. E notemos que Jesus revela sua divindade, seu poder, justamente na cruz. Na humilhação ele é glorificado.
Ora, assim também é conosco. Aqueles que são humilhados, que são postos em último lugar, que são pisados pelo mundo; aqueles que sofrem humilhações por parte de outros, nestes é que a glória de Deus se manifestará. Não nos poderosos desta terra, mas nos injustiçados. E para isto é que as Bem-aventuranças nos dirige (cf. Mt 5,1-12). Os bem-aventurados são os excluídos, os marginalizados, os que são perseguidos pelo Reino de Deus, os que hoje choram.
“Eu vim para servir e não para ser servido”, disse Jesus aos seus. E só aquele que serve com Jesus pode experimentar o verdadeiro amor, que antes de tudo passa pelo serviço.
Se Deus é amor Ele serve. Se nós amamos a Deus, devemos servir também. O cerne de tudo é o amor. Ele nos dirige para Deus. Ele nos convida a estarmos atentos às urgentes necessidades da Igreja que clama para o mundo a boa nova do Evangelho. O amor que não carrega em si a humildade torna-se prepotência e induz o homem à arrogância.
De maneira nenhuma quero me colocar como defensor da Teologia da Libertação. Apenas quero manifestar aquilo que é reconhecido por toda a Igreja: Jesus fez-se humilde para que os homens também tornem-se humildes e possam contemplar a face de Deus.
Olhando o exemplo dos Santos vejamos o espelho da humildade, sem engrandecimento. Como ouvi certa vez uma frase: “Os santos concordam que são pecadores; só os pecadores acham que santos” (Peter Kreeft). 
Não deixe que sua vida se torne um abismo, um poço de autossuficiência sem Deus. Reconheça que  só podemos amar quando Deus faz-se presente em nós. Caso contrário apenas criamos ilusões, que mais tarde serão decepções.
Que possamos ser cristãos comprometidos verdadeiramente com o Evangelho. E que a Virgem mãe, que hoje invocamos com o título de Nossa Senhora de Lourdes nos ajude nesta tarefa. Ela que foi a serva obediente, que pôs-se a serviço do projeto salvífico de Deus, e que soube assumi-lo, mesmo diante de tão grande honra.

Erros de certas Teologias da Libertação

RIO DE JANEIRO, quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos o artigo que o cardeal Eugenio de Araujo Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, difundiu esta quarta-feira no portal da arquidiocese do Rio, abordando o tema da Teologia da Libertação.
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Erros de certas T.L.
O apelo urgente que o Papa Bento XVI endereçava aos Bispos dos Regionais 3 e 4 da CNBB, em visita “ad límina” a 5 de dezembro 2009, não se limitou aos Bispos que estavam presentes, mas, como sempre nessas visitas, se dirige ao Episcopado inteiro e a toda a Igreja no Brasil.
O Santo Padre lembrou as circunstâncias prementes que, 25 anos atrás, exigiam uma clara orientação da Santa Sé no Documento “Libertatis Nuntius”. Este, já na primeira linha, afirma que “o Evangelho é a mensagem da liberdade e a força da libertação”. Daquele documento, a Igreja recebia grande luz; mas não faltava a animosidade dos que queriam obscurecer e difamar essa doutrina.
Com palavras claras e sempre muito mais convidativas para uma reflexão serena do que repreensivas, o Papa lembrou a gravidade da crise, provocada, também e essencialmente na Igreja no Brasil, por uma teologia que tinha, em seu início, motivos ideais, mas que se entregou a princípios enganadores. Tais rumos doutrinários da Teologia chamavam-se Teologia da Libertação.
A alocução do Papa aos Bispos dos Regionais Sul 3 e 4 é uma mensagem que envolve a autoridade apostólica do Supremo Pastor e o bem evangélico da Igreja entre nós. Por isso, urge que todos os pastores acolham a palavra do Papa e se lembrem daquela crise, que tornava quase impossível, mesmo em ambientes às vezes de alto nível eclesiástico, o diálogo e a discussão serena. Hoje ainda, a Igreja no Brasil, em alguns lugares, sofre consequências dolorosas daqueles desvios.
Ao relativizar, silenciar ou até hostilizar partes essenciais do “depósito da fé”, a Teologia da Libertação negligenciava “a regra suprema da Fé da Igreja, que provém da unidade que o Espírito Santo estabeleceu entre a Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério vivo”, diz Bento XVI, citando as palavras do Papa João Paulo II (“Fides et Ratio”, 55). “Os três não podem subsistir independentes” entre si. – Por isso, hoje ainda, as sequelas da Teologia da Libertação se mostram essencialmente ao nível da Eclesiologia, ao nível da vida e da união da Igreja. A Igreja continua enfraquecida, em algumas partes, pela “rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia” (mensagem de Bento XVI). Diz o Santo Padre: Cria-se assim “nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas” (Bento XVI, idem).
Já no documento “Libertatis Nuntius”, do ano 1984, o Papa João Paulo II e a Congregação da Doutrina da Fé, presidida pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, quis “estender a mão” e oferecer a clara e “benigna luz” da divina fé e da comunhão viva que o Espírito Santo dá à Igreja (Bento XVI, ibd).
Com palavras concisas e fortes, o documento “Libertatis Nuntius” sobre a Teologia da Libertação falava da justa “aspiração à libertação como um dos principais sinais” do tempo moderno. Especialmente “nos povos que experimentam o peso da miséria”, com suas massas deserdadas, ofendidas na sua profunda dignidade (cf. LN I,1-2). “O escândalo das gritantes desigualdades entre ricos e pobres já não é tolerado”. 
“Abundância jamais vista, de um lado, e, do outro, vive-se ainda numa situação de indigência, marcada pela privação dos bens de primeira necessidade” (I,6).
Infelizmente, certas Teologias da Libertação, as que mais espaço ocupavam na opinião pública, caíram em um grave unilateralismo. Para o Evangelho da libertação é fundamental a libertação do pecado. Tal libertação exige “por consequência lógica a libertação de muitas outras escravidões, de ordem cultural, econômica, social e política”, todas elas derivadas do pecado. Muitas Teologias da Libertação afastaram-se deste verdadeiro Evangelho libertador. Identificaram-se, coisas em si muito boas, com as graves questões sociais, culturais, econômicas e políticas, mas já não mostrando seu real enraizamento no Evangelho, embora vagamente citado, e chegaram até a apelar explicitamente à “análise” marxista. Silenciavam, ou ignoravam, que “na lógica marxista não é possível dissociar a «análise» da «práxis» e da concepção da história” (VIII,2). Destarte, “a própria concepção da verdade encontra-se totalmente subvertida” (VIII,4).
Compreende-se que diante da urgência da situação de tantos que – inermes – sofrem, e diante da insuficiente sensibilidade na consciência pública e nas estruturas dominantes, devem-se exigir não só palavras retóricas, mas ações que na prática se comprometem com cada pessoa, com cada comunidade e com a história.
Mas se este compromisso não se enraíza na dign
idade que Deus dá ao homem, tal Teologia, que se apresenta como Libertadora, é na realidade traidora dos pobres e de sua real dignidade (Introdução). “Certo número de teses fundamentais (da TL) não são compatíveis com a concepção cristã do homem” (cf. VIII,8).
O Santo Padre, sabendo que, sob muitos aspectos a Teologia da Libertação está ultrapassada, sabe também e vê que a Igreja no Brasil sofre ainda devastadoras sequelas de tal desvio doutrinário, propagado longamente até por gente bem intencionada, mas não capaz de analisar seus falsos princípios.
É quase um juramento que o Papa conclama os Bispos e agentes de Pastoral de todo o Brasil: “Que, no âmbito dos entes e comunidades eclesiais, o perdão oferecido e acolhido em nome e por amor da Santíssima Trindade, que adoramos em nossos corações, ponha fim à tribulação da querida Igreja que peregrina nas Terras da Santa Cruz” (final da mensagem de Bento XVI).
Cardeal Eugenio de Araujo Sales
Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro

BENTO XVI: PROMOVER UM MUNDO CAPAZ DE ACOLHER OS DOENTES COMO PESSOAS

 Cidade do Vaticano, 11 fev (RV) – O Santo Padre presidiu esta manhã, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, a celebração eucarística com os doentes, por ocasião do 18° Dia Mundial do Enfermo que se celebra nesta quinta-feira, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes.

Em sua homilia o papa frisou que a Igreja tem o compromisso de perpetuar a missão de Cristo, cuidar da evangelização e dar atenção aos doentes, no corpo e no espírito.

“Maria, mãe e modelo da Igreja, seja invocada e venerada como “Salus infirmorum”, “Saúde dos enfermos”. Como primeira e perfeita discípula de seu Filho, Ela sempre demonstrou, ao acompanhar o caminho da Igreja, uma solicitude especial com os sofredores. Como testemunho disso, milhares de pessoas procuram os santuários marianos para invocar a Mãe de Cristo, e encontram nela força e alívio” – frisou o papa.

Bento XVI recordou o 25° aniversário do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde, instituído por João Paulo II com o Motu Proprio Dolentium Hominum de 11 de fevereiro de 1985, que mostra a dedicação da Igreja para com os doentes. Instituindo um organismo dedicado à Pastoral da Saúde, a Santa Sé quis dar sua contribuição a fim de promover um mundo capaz de acolher os doentes como pessoas.

Na memória das aparições, em Lourdes, lugar escolhido por Maria para manifestar a sua materna solicitude pelos enfermos, a liturgia de hoje reflete sobre o Magnificat, o canto da Virgem que exalta as maravilhas de Deus na história da salvação.

O Magnificat é o canto de agradecimento de quem conhece os dramas da vida, mas confia na obra redentora de Deus. É um canto que mostra a fé vivida por gerações de homens e mulheres que colocaram em Deus suas esperanças e se comprometeram, como Maria, a ajudar os irmãos mais carentes. No Magnificat ouvimos a voz de tantos Santos e Santas da caridade” – sublinhou o papa.

O Santo Padre falou ainda sobre o papel dos doentes na Igreja. “Um papel ativo ao provocar, por assim dizer, a oração feita com fé” – disse ainda Bento XVI.

“Quem está doente, chame os presbíteros. Neste Ano Sacerdotal, ressalto com prazer a relação entre doentes e sacerdotes, uma espécie de aliança, de cumplicidade evangélica. Ambos têm um dever: o doente deve chamar os padres e eles devem responder, para atrair, na experiência da doença, a presença e a ação do Ressuscitado e de seu Espírito” – frisou o Santo Padre.

O papa destacou a importância da Pastoral dos Doentes, cujo valor é realmente incalculável, “pelo bem imenso que oferece aos enfermos, primeiramente, e ao próprio sacerdote, mas também aos familiares, conhecidos, à comunidade, e através de caminhos misteriosos e desconhecidos, a toda a Igreja e ao mundo“.


O Santo Padre lembrou o Papa João Paulo II, que na Carta Apostólica Salvifici Doloris ressalta: “Cristo ensinou o homem a fazer bem com o sofrimento e, ao mesmo tempo, a fazer bem a quem sofre. Sob este duplo aspecto, revelou completamente o sentido do sofrimento” (n° 30).

“Que a Virgem Maria nos ajude a viver plenamente esta missão” – concluiu Bento XVI. (MJ)

11 de fevereiro – Nossa Senhora de Lourdes

Fonte: Wikipédia e ACI Digital


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As aparições de Nossa Senhora de Lourdes começaram no dia 11 de fevereiro de 1858, quando Bernadette Soubirous, camponesa com 14 anos, foi questionada por sua mãe, pois afirmava ter visto uma “dama” na gruta de Massabielle, cerca de uma milha da cidade, enquanto ela estava recolhendo lenha com a irmã e um amigo. A “dama” também apareceu em outras ocasiões para Bernadette até os dezessete anos.

Bernadette Soubirous foi canonizada como santa, e muitos católicos acreditam que suas visões seriam da Virgem Maria. A primeira aparição da “Senhora”, relatada por Bernadette foi em 11 de fevereiro. O Papa Pio IX autorizou o bispo local para permitir a veneração da Virgem Maria em Lourdes, em 1862.

Em 11 de Fevereiro de 1858, Bernadette Soubirous foi com a irmã Toinette e Jeanne Abadie para recolher um pouco de lenha, a fim de vendê-la e poder comprar pão. Quando ela tirou os sapatos e as meias para atravessar a água, junto à gruta de Massabielle, ela ouviu o som de duas rajadas de vento, mas as árvores e arbustos não se mexaram. Bernadette viu uma luz na gruta e uma menina, tão pequena como ela, vestida de branco, com uma faixa-azul presa em sua cintura com um rosário em suas mãos em oração e rosas de ouro amarelo, uma em cada pé. Bernadette tentou manter isso em segredo, mas Toinette disse a mãe. Por essa razão ela e sua irmã receberam castigo corporal pela sua história. Três dias depois, Bernadete voltou à gruta com as outras duas meninas. Ela trouxe água benta para utilizar na aparição, a fim testá-la e saber se não “era maligna”, porém a visão apenas inclinou a cabeça com gratidão, quando a água foi dada a ela.

Em 18 de fevereiro, ela foi informada pela senhora para retornar à gruta, durante um período de duas semanas. A senhora teria dito: “Eu prometo fazer você feliz não neste mundo, mas no próximo“. Após a notícia se espalhar, as autoridades policiais e municipais começaram a ter interesse. Bernadette foi proibida pelos pais e o comissário de polícia Jacomet para ir lá novamente, mas ela foi assim mesmo. No dia 24 de Fevereiro, a aparição pediu oração e penitência pela conversão dos pecadores. No dia seguinte, a aparição convidou Bernadette a cavar o chão e beber a água da nascente que encontrou lá. Como a notícia se espalhou, essa água, foi administrada em pacientes de todos os tipos, e muitas curas milagrosas foram noticiadas. Sete dessas curas foram confirmados como desprovidas de qualquer explicação médica pelo professor Verges, em 1860. A primeira pessoa com um milagre certificado era uma mulher, cuja mão direita tinha sido deformada em conseqüência de um acidente. O governo vedou a Gruta e emitiu sanções mais duras para alguém que tentasse chegar perto da área fora dos limites. No processo, as aparições de Lourdes tornaram-se uma questão nacional na França, resultando na intervenção do imperador Napoleão III, com uma ordem para reabrir a gruta em 4 de Outubro de 1858. A Igreja decidiu ficar completamente longe da polêmica.

Bernadette, conhecendo as localidades bem, conseguiu visitar a gruta à noite, mesmo quando vedada pelo governo. Lá, em 25 de março, a aparição lhe disse: “Eu sou a Imaculada Conceição” (“que soy era Immaculada concepciou“). No domingo de Páscoa, 7 de abril, o médico examinou Bernadette e observou que suas mãos seguravam uma vela acesa e mesmo assim não possuiam qualquer queimaduras.[6] Em 16 de Julho, Bernadette foi pela última vez à Gruta e relatou que “Eu nunca a tinha visto tão bonita antes“. A Igreja, diante de perguntas de nível nacional, decidiu instituir uma comissão de inquérito, em 17 de Novembro de 1858. Em 18 de Janeiro de 1860, o bispo local declarou que: “A Virgem Maria apareceram de fato a Bernadette Soubirous“. Estes eventos estabeleceram o culto mariano de Lourdes, que, juntamente com Fátima, é um dos santuários marianos mais freqüentados no mundo, ao qual viajam anualmente entre 4 e 6 milhões de peregrinos.

A veracidade das aparições de Lourdes não são um artigo de fé para os católicos. Não obstante todos os últimos Papas visitaram este local. Bento XV, Pio XI e João XXIII foram quando ainda eram bispos, Pio XII, como delegado papal. Ele também declarou uma peregrinação a Lourdes em uma encíclica na comemoração sobre o 100º aniversário das aparições, completados em 1958. João Paulo II visitou Lourdes três vezes e o Papa Bento XVI concluiu uma visita lá em 15 de setembro de 2008 para comemorar o 150º aniversário das aparições em 1858.


A Mensagem da Virgem
A Mensagem que a Santíssima Virgem deu em Lourdes, pode ser resumida nos seguintes pontos:
1.- É um agradecimento do céu pela definição do dogma da Imaculada Conceição, que tinha sido declarado quatro anos antes por Pio IX (1854), ao mesmo tempo que assim apresenta Ela mesma como Mãe e modelo de pureza para o mundo que está necessitado desta virtude.
2.- Derramou inumeráveis graças físicas e espirituais, para que nos convertamos a Cristo em sua Igreja.
3.- É uma exaltação às virtudes da pobreza e humildade aceitas cristanamente, ao escolher a Bernadete como instrumento de sua mensagem.
4.- Uma mensagem importantíssima em Lourdes é o da Cruz. A Santíssima Virgem repete que o importante é ser feliz na outra vida, embora para isso seja preciso aceitar a cruz. “Eu também te prometo fazer-te ditosa, não neste mundo, mas no outro”
5.- Em todas as aparições veio com seu Rosário: A importância de rezá-lo.
6.- Importância da oraçao, da penitência e humildade (beijando o solo como sinal disso); também, uma mensagem de misericórdia infinita para os pecadores e do cuidado com os doentes.
7.- Importância da conversão e a confiança em Deus.