Ignorância ou má fé? Por que não se reconhece o valor da Igreja na História da nossa Civilização?


Nos últimos dias tenho me debatido, por vezes, com pessoas que, por uma grande influência dos meios de comunicação hoje, não reconhecem o valor que a Igreja tem nestes seus dois mil anos como “construtora da civilização ocidental”. E sobre isto resolvi escrever este artigo.
É muito difícil vermos a imprensa (que não esteja ligada a um âmbito religioso) mostrar aquilo que a Igreja faz e fez por seus filhos. A minha indignação é que esta imprensa (obviamente que mão me refiro a imprensa religiosa) imunda e tomada por ideologias anti-vida e comunistas e com suas notícias manipuladas e mal interpretadas mostram a sociedade uma Igreja que é tirana, opressora, maldosa. Uma Igreja que só pensa em si e esquece-se dos seus “filhos”. Uma Igreja repleta de pecados. Obviamente que a Igreja é formada de homens, por isso é pecadora, mas é antes de tudo Santa, e é santa porque Cristo a santificou e tornou-a sua esposa, e com elas somos chamados também a santificarmo-nos e entrarmos neste mistério de amor e de santidade.
Costuma-se por no centro os pecados dos filhos da Igreja, como se ela fosse um “poço de perdição”. Querem culpá-la pelos erros de seus filhos. Assim eu digo: culpem também a ciência pelos erros dos cientistas; a educação pelos erros dos professores; a medicina pelos erros dos médicos.
Jesus edificou a Igreja como “coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3, 15), Ele a fundou sobre a “Pedra”, que é Pedro, e ao qual quis Ele que fosse este o primeiro pastor da Igreja (cf. Mt 16, 18-19) e quis torná-la parte do seu corpo (cf. Ef 1, 22-23).
Mas por que a imprensa não mostra os benefícios que a Igreja trouxe ao mundo? Por que os professores e as Universidades não mostram os benefícios que a Igreja trouxe para a educação? Por que os médicos não agradecem a Igreja pelos benefícios que trouxe no âmbito da medicina? E os cientistas por que não reconhecem o grande progresso da Igreja na área científica? E tantos outros bens que, por meio da obra da Igreja chegaram até nós. Talvez porque desejam reter para si todos os agradecimentos e todo o louvável progresso que é “roubado” da Igreja.
Seria esta uma questão de má-fé ou de ignorância? Creio que um pouco dos dois. A ignorância até um certo aspecto que não abrange-se tanto como a má-fé.
A Igreja gerou em seu bojo a nossa Civilização ingrata. E sobre esta questão é de se recomendar o livro do Prof. Felipe Aquino “Uma História que não é contada”. Não é uma simples “estória”, mas é uma “História” que é ocultada das nossas salas de aula e da nossa sociedade por se achar sempre que a Igreja esteja em uma situação “deformada”.
Ó ignorância que atinge e deforma a verdadeira verdade, mas cria uma verdade falsa. Até quando insistireis em permanecer de pé? Até o dia em que Cristo cortar-te ao meio e lançar-te junto com todos os teus propagadores no fogo.
Nunca ouvi a imprensa noticiar que a Igreja, com sua organização caritativa “Cáritas”, doou 230 milhões de dólares para ajudar o povo assolado pelo terremoto no Haiti.
Não se reconhece que a Igreja, na pessoa do Papa São Leão Magno, impediu que Roma fosse devastada pelo feroz Átila, rei dos hunos.
Não se reconhece que a Igreja foi por muito tempo o auxílio dos pobres e sofredores. E daí surgiram grandes santos, que dedicaram sua vida a cuidar dos menos favorecidos e esquecidos pelos reis da época e pelos grandes senhores. Por exemplo: São Luiz IX, rei de França, Santa Isabel da Hungria, Santa Hedviges, São Roque, São Camilo de Lelis, São Vicente de Paulo, São João Bosco e tantos outros.
Santos que dedicaram-se a cuidar de prostitutas tão marginalizadas. “Inocêncio III numa bula de 1198 prometeu remissão total dos pecados aos homens piedosos que desposassem essas mulheres reconduzindo-as ao bom caminho” (Uma História que não é contada, pag. 239).
Ela foi a única a lutar contra o regime de escravidão desde o começo no século IV e V. Depois outros se juntaram ao seu ideal. E sempre via e vê no ser humano a “imagem e semelhança de Deus”. E reconhecia em todos esta dignidade.
A Igreja foi a primeira a fundar universidades. Estas provieram do seio das catedrais e mosteiros. E aqui gostaria de fazer uma nova citação: “Até 1440 foram erigidas na Europa 55 Universidades e 12 Institutos de ensino superior, onde se ministravam cursos de Direito, Medicina, Línguas, Artes, Ciências, Filosofia e Teologia. Todos fundados pela Igreja. Em 1200 Bolonha tinha dez mil estudantes (italianos, lombardos, francos, normandos, provençais, espanhóis, catalães, ingleses germanos, etc.). O Papa Clemente V no Concílio universal de Viena em 1311, mandou que se instaurassem nas escolas superiores cursos de línguas orientais (hebreu, caldeu, árabe, armênio, etc.), o que em breve foi feito também em Paris, Bolonha, Oxford, Salamanca e Roma.
Universidades como La Sapienza, Oxford, Salamanca, Bolonha e etc., sempre foram referências para todo o mundo. E estas foram constituídas pela Igreja. Será que isto deve ser esqueci
do.
A Igreja foi e é a instituição com mais ajuda a necessitados e sempre fomentou a caridade. Hospitais, sanatórios, asilos, etc. Tudo isto é sustentado por ela hoje. Não é a toa que em 14 países da América Latina, em Portugal e na Espanha, em uma pesquisa feita apontou que 71% das pessoas têm confiança na Igreja Católica.
Esta é a nossa Igreja! Esta é a Igreja de Cristo. Uma Igreja na qual seus filhos erram, sim. Afinal são homens. Mas por meio dos sacramentos buscam uma vida reta e perpétua com Deus. Uma Igreja na qual homens e mulheres derramaram seu sangue, foram queimados vivos por causa do anúncio do nome de Jesus e do Seu Evangelho. A Igreja dos Santos doutores, dos Santos Papas, dos Profetas, Confessores, Mártires, Apóstolos, Virgens… Uma Igreja rica de dons e que verdadeiramente ama seus filhos, guiada constantemente pelo dom que Cristo a concede da infalibilidade papal.
A Igreja que ficou de pé quando o Império Romano caía. A Igreja que sustentou estes dois mil anos de caminhada do povo cristão. A Igreja que acolhe o deficiente, quando Lutero manda afogá-los e matá-los. Por que não dizem isto? Medo? Que sentimento norteia a nossa imprensa hoje? Será justo aquilo que a Igreja sofre?
Independente de tudo ela sempre manterá consigo as palavras de Jesus: et portæ inferi non prævalebunt adversum eame as portas do Inferno prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).