“Alegra-te, cheia de graça!”


Com estas palavras somos introduzidos no mistério que hoje celebramos. A Solenidade da Anunciação do Senhor, recorda o dia em que, pelo poder do Espírito Santo, Jesus dá início ao “processo” da salvação, penetrando no seio materno da Virgem Maria, para que daí pudesse realizar-se todos os desígnios de Deus na humanidade. E por que celebra-se a 25 de março? Porque são 9 meses para o Natal. 9 meses normalmente é o tempo de gestação de uma mulher.
Também neste dia às palavras do Credo Nisceno-Constantinopolitano: “Et Incarnatus est – E se encarnou”, todos os fiéis se ajoelham para adorar o Cristo que vem ao nosso encontro.
Também acho muito propício esta Festa situar-se próximo à Pascoa. Se observarmos bem estaremos nas duas “extremidades” da salvação e da vida de Cristo (Cito extremidades entre aspas porque esta salvação perdura até os nossos dias, mesmo que não seja de igual forma). A Encarnação é o ínicio do caminho para a redenção da humanidade, que dar-se-á na Páscoa.
Maria é escolhida para fazer parte deste “projeto salvífico” do Pai. Ela é inserida por Deus em todo o contexto da salvação. Nela a Igreja busca cotidianamente modelar sua vida.
O anjo aparece a Maria e lhe diz: “Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está com você!” (Lc 1, 28). O termo “alegra-te”, na sua original poderá dizer-se “Ave-Maria”, designa um convite à alegria messiânica.  
Maria sente-se pertubada com a saudação do anjo. E fica a indagar-se e a temer o motivo de tal honra. Após o anjo explicar-lhe o motivo da saudação e tudo o que iria acontecer por meio de Jesus, Maria diz uma das frases que acho mais maravilhosas e que se insere na nossa missão: “Eis a serva do Senhor” (v. 38). Sim, Maria enquanto Rainha, ainda assim, faz-se serva.
Quantas vezes somos dominados pela arrogância, pela prepotência e perdemos o nosso senso de humildade. O capitalismo, fortemente predominante nos dias hodiernos, faz com que nos descentralizemos da Verdade para seguirmos caminhos tortuosos e de fim duvidoso.
É notório também que até mesmo nossos padres e bispos, muitas vezes perdem uma característica fundamental nos seus ministérios. Quando falo em humildade, não é para abster-se dos bens materiais e viver apenas na pobreza, no sentido literal. Humildade é testemunhar Jesus Cristo e o Seu Evangelho sem engradecer-se, sem querer ser a “estrela”. 
Temos uma Igreja de Doutores e sábios Teólogos, mas acho que falta um pouco mais de humildade. Os Bispos dêem mais atenção aos fiéis que a eles se dirigem (não que eles não dêem, mas acho que falta isso em alguns Bispos), ou que deles esperam uma resposta. Os Padres escutem mais seus “filhos”, os paroquianos. Sejam figura de um pai para eles, tanto na repreensão, como no acolhimento.
Em suma: ser humilde é ser “Maria”; é dizer “sim” a Deus, para que Ele realize em nós o que realizou em Maria, claro que não em uma forma restrita da palavra, mas carregando em nós o Cristo Eucarístico, que sempre se doa na Santa Missa.
O “sim” de Maria deve ser o nosso “sim”.
***