Homilia de Bento XVI no 5º ano da morte de João Paulo II

Fonte: Canção Nova

Venerados Irmãos no Episcopado e no sacerdócio,
queridos irmãos e irmãs!

Estamos reunidos em torno do altar, junto ao túmulo do Apóstolo Pedro, para oferecer o Sacrifício eucarístico em sufrágio da alma eleita do Venerável João Paulo II, no quinto aniversário da sua morte. Fazemo-lo com alguns dias de antecedência, pois o 2 de abril será, neste ano, a Sexta-feira Santa. Estamos, no entanto, dentro da Semana Santa, o contexto mais propício ao recolhimento e à oração, em que a liturgia nos faz reviver mais intensamente os últimos dias da vida terrena de Jesus. Desejo expressar minha gratidão a todos vós que estais participando desta Santa Missa. Saúdo cordialmente os Senhores Cardeais – especialmente o Arcebispo Stanislaw Dziwisz – os Bispos, os sacerdotes, os religiosos e as religiosas, bem como os peregrinos, especialmente os vindos da Polônia, e a tantos jovens e muitos fiéis que não quiseram perder esta celebração.

Na primeira leitura bíblica que foi proclamada, o profeta Isaías apresenta a figura de um “Servo de Deus”, que é, simultaneamente, o seu escolhido, no qual ele se compraz. O Servo agirá com firmeza inabalável, com uma energia que não desaparece até que tenha realizado a tarefa que lhe foi atribuída. No entanto, ele não terá à sua disposição aqueles meios humanos que parecem indispensáveis para implementar um plano tão grandioso. Ele se apresentará com a força da convicção, e será o Espírito que Deus colocou nele a dar-lhe a capacidade de agir com delicadeza e força, assegurando-lhe o sucesso final. Aquilo que o profeta inspirado disse sobre o Servo, o podemos aplicar ao amado João Paulo II: o Senhor chamou-o ao seu serviço e, confiando-lhe tarefas de sempre maior responsabilidade, também o acompanhou com sua graça e com a sua assistência contínua. Durante o seu longo Pontificado, ele se prodigalizou no proclamar o direito com firmeza, sem fraquezas ou hesitações, especialmente quando teve de lidar com a resistência, hostilidade e desperdício. Sabia ser conduzido pela mão do Senhor, e isso lhe permitiu exercer um ministério muito fecundo, pelo qual, mais uma vez, damos graças fervorosas a Deus.

O Evangelho há pouco proclamado nos conduz a Betânia, onde, como observa o Evangelista, Lázaro, Marta e Maria ofereceram um jantar ao Mestre (Jo 12, 1). Esse banquete na casa dos três amigos de Jesus é caracterizado pelo pressentimento da morte iminente: os seis dias antes da Páscoa, a sugestão do traidor Judas, a resposta de Jesus que lembra um dos atos piedosos da sepultura antecipados por Maria, o acenar de que nem sempre o terão com eles, o propósito de eliminar a Lázaro, em que se reflete a vontade de matar Jesus. Neste relato evangélico, há um gesto sobre o qual eu gostaria de focar a atenção: Maria de Betânia “levou trezentos gramas de perfume de nardo puro, muito precioso, com o qual ungiu os pés de Jesus, e após os enxugou com seus cabelos” (Jo 12, 3). O gesto de Maria é a expressão de fé e grande amor pelo Senhor: para ela, não é suficiente lavar os pés do Mestre com água, mas os unge com uma grande quantidade de perfume precioso, que – como contestará Judas – se teria podido vender por trezentos denários; não unge, pois, a cabeça, como era usual, mas os pés: Maria oferece a Jesus aquilo que tem de mais valiosos e com um gesto de devoção profunda. O amor não calcula, não mede, não se importa em gastar, não coloca obstáculos, mas se doa com alegria, procurando apenas o bem do outro, vence a mesquinhez, as mesquinharias, os ressentimentos, o fechamento que o homem carrega às vezes em seu coração.

Maria se coloca aos pés de Jesus em humilde atitude de serviço, como fará o Próprio Mestre durante a Última Ceia, quando – nos diz o quarto Evangelho – “levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido” (Jo 13,4-5), para que – disse – “como eu vos fiz, assim façais também vós” (v. 15): a regra da comunidade de Jesus é aquela do amor que sabe servir ao dom da vida. E o perfume se espalha: “toda a casa – anota o Evangelista – foi tomada pelo aroma do perfume” (Jo 12,3). O significado do gesto de Maria, que é resposta ao amor infinito de Deus, se difunde entre todos os convidados; todo o gesto de amor e devoção autêntica a Cristo não permanece um fato pessoal, não afeta somente a relação entre o indivíduo e o Senhor, mas afeta todo o corpo da Igreja, é contagioso: infunde amor, alegria e luz.

“Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam” (Jo 1, 11): ao ato de Maria, se contrapõe a atitude e as palavras de Judas, que, sob a pretexto de ajuda aos pobres, esconde o egoísmo e a falsidade do homem fechado em si mesmo, acorrentado à ganância de posse, que não é envolta pelo bom perfume do amor divino. Judas calcula lá onde não se pode calcular, entra com espírito mesquinho onde o espaço é o do amor, do dom, da dedicação total. E Jesus, que até aquele momento havia permanecido em silêncio, falou em favor do gesto de Maria: “Deixai-a; ela guardou este perfume para o dia da minha sepultura” (Jo 12,7). Jesus compreende que Maria sentiu o amor de Deus e agora indica que sua “hora” está se aproximando, a “hora” em que o Amor encontrará sua expressão suprema no lenho da Cruz: o Filho de Deus doa a si mesmo para que o homem possa ter vida, cai no abismo da morte para levar o homem à altura de Deus, não tem medo de se humilhar “fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fil 2,8). Santo Agostinho, no Sermão em que comenta tal passagem do Evangelho, dirige a cada um de nós, com palavras insistentes, o convite a entrar neste circuito de amor, imitando o gesto de Maria e se colocando concretamente no seguimento de Jesus. Escreve Agostinho: “Toda alma que deseja ser fiel, una-se a Maria com perfume precioso para ungir os pés do Senhor […] Ungir os pés de Jesus: siga as pegadas do Senhor, levando uma vida digna. Enxugue-lhe os pés com os cabelos: se livre do supérfluo e dá-o aos pobres, e tereis enxugado os pés do Senhor” (In Ioh. evang., 50, 6).

Queridos irmãos e irmãs! Toda a vida do Venerável João Paulo II se desenvolveu sob o signo da caridade, da capacidade de doar-se generosamente, sem reservas, sem medidas, sem cálculos. Aquilo que o movia era o amor a Cristo, a quem tinha consagrado a vida, um amor superabundante e incondicional. E exatamente porque se aproximou sempre mais a Deus no amor, pôde fazer-se companheiro de viagem para o homem de hoje, espalhando no mundo o perfume do Amor de Deus. Quem teve a alegria de conhecê-lo e ser-lhe próximo, pôde tocar com a mão o quão viva era nele a certeza “de contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos”, como ouvimos no Salmo responsorial (26/27, 13); certeza que o acompanhou durante a sua existência e, em particular, se manifestou durante o último período da sua peregrinação nesta terra: a progressiva debilidade física, de fato, nunca afetou a sua fé rochosa, a sua luminosa esperança, sua caridade ardente. Se deixou consumir por Cristo, pela Igreja, pelo mundo todo: o seu foi um sofrimento vivido até o fim por amor e com amor.

Na Homilia pelo XXV aniversário de seu Pontificado, ele lembrou que sentiu forte em seu coração, no momento da eleição, a pe
rgunta de Jesus a Pedro: “Tu me amas? Me amas mais do que estes …?” (Jo 21, 15-16); e acrescentou: “Todos os dias se realiza, dentro do meu coração, o mesmo diálogo entre Jesus e Pedro. No espírito, fixo o olhar benevolente de Cristo ressuscitado. Ele, apesar de estar  consciente da minha fragilidade humana, encoraja-me a responder com confiança, como Pedro: ‘Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo’ (Jo 21, 17). E me convida a assumir as responsabilidades que Ele mesmo me confiou” (16 de Outubro de 2003). São palavras cheias de fé e de amor, o amor de Deus, que tudo vence!

Na zakończenie pragnę pozdrowić obecnych tu Polaków. Gromadzicie się licznie wokół grobu Czcigodnego Sługi Bożego ze szczególnym sentymentem, jako córki i synowie tej samej ziemi, wyrastający w tej samej kulturze i duchowej tradycji. Życie i dzieło Jana Pawła II, wielkiego Polaka, może być dla Was powodem do dumy. Trzeba jednak byście pamiętali, że jest to również wielkie wezwanie, abyście byli wiernymi świadkami tej wiary, nadziei i miłości, jakich on nieustannie nas uczył. Przez wstawiennictwo Jana Pawła II niech was zawsze umacnia Boże błogosławieństwo.

[Por fim, desejo saudar os poloneses aqui presentes. Vos reunis em grande número em torno do túmulo do Venerável Servo de Deus com um sentimento especial, como filhas e filhos da mesma terra, crescido na mesma cultura e tradição espiritual. A vida e a obra de João Paulo II, grande polonês, possa ser para vós motivo de orgulho. No entanto, devemos lembrar que isso é também um grande apelo a serdes fiéis testemunhas da fé, da esperança e amor, que ele nos ensinou ininterruptamente. Pela intercessão de João Paulo II, vós tereis sempre a benção do Senhor.]

Enquanto prosseguimos a celebração eucarística, nos preparemos para viver os dias gloriosos da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, nos entreguemos com confiança – a exemplo do Venerável João Paulo II – à intercessão da Beata Virgem Maria, Mãe da Igreja, a fim de que nos sustente no compromisso de sermos, em toda a circunstância, apóstolos incansáveis do seu Filho divino e do seu Amor misericordioso. Amém!

Papa, nós estamos com você!

Recentemente explodiu alguns casos de abusos sexuais cometidos por membros do Clero. Com isto, alguns grupos midiáticos aproveitaram para atirar, com toda voracidade, impropérios e ofensas não só a Igreja, mas também ao Santo Padre. Realmente entristeço-me muito pelo modo que a imprensa vê a Igreja hoje, e não só ela como muitas pessoas.

Fiquei revoltado nos últimos dias com os ataques sem fundamentos dirigidos ao Santo Padre, principalmente, em que diziam que ele acobertou casos de padres envolvidos em escândalos de pedofilia, sempre condenados com grande insistência pela Igreja.

Sabemos que a imprensa nunca nutriu boa imagem do Papa Bento XVI, mesmo quando era Cardeal, o que, aliás, não me surpreende, pois o Papa vai contra a corrente moderna que nos instiga a vivermos e a buscarmos a imoralidade. Jornais e TV’s maquiavélicas e anticatólicas (e aqui vem-me à mente o The New York Times, La Reppubblica, El país, Le Monde, a revista Veja, a TV Record, BBc e tantos outros que são declaradamente inimigos da Igreja, ou, no mínimo, não simpatizantes) aproveitando-se de tais problemas, provocados por padres que não sabem viver seu ministério e não zelam pelo sacramento recebido, descarregam toda sua raiva em cima do Papa, fazendo falsas acusações contra ele.

Todos sabemos que Bento XVI é o primeiro Papa a tratar diretamente destes assuntos de pedofilia. Ele dirigiu-se diretamente ao povo da Irlanda e a toda a Igreja e puniu severamente os padres envolvidos em tais casos, que, como ele mesmo designou, são uma “dolorosa ferida” (Cart. Pastoral aos católicos da Irlanda). Além de se dirigir duramente aos clérigos abusadores:

Deveis responder diante de Deus onipotente, assim como diante de tribunais devidamente constituídos. Perdestes a estima do povo da Irlanda e lançastes vergonha e desonra sobre os vossos irmãos. Quantos de vós sois sacerdotes violastes a santidade do sacramento da Ordem Sagrada, no qual Cristo se torna presente em nós e nas nossas ações. Juntamente com o enorme dano causado às vítimas, foi perpetrado um grande dano à Igreja e à percepção pública do sacerdócio e da vida religiosa.” (idem, 7).

Ele também tentou abrir uma comissão – como afirmou o Cardeal Christoph Schöenborn – para investigar casos de abuso envolvendo um Cardeal austríaco, no entanto foi “barrado” por um grupo, opositor seu, que disse a João Paulo II que as acusações eram sem fundamentos.

A impressa é desmoralizada, porca e infame – e é esta é a expressão correta –, e não tem critério nenhum para falar de um homem que é um verdadeiro exemplo de vida. Destruir famílias, pregar uniões homossexuais, anunciar com tamanha astúcia as obras ardis de satanás, isto é o que ela faz. Como disse o exorcista do Vaticano, Pe. Gabriele Amorth, “não existe dúvida alguma” que os ataques da imprensa internacional ao Pontífice nos últimos dias “foram sugeridos pelo demônio, já que se trata de um papa maravilhoso, digno sucessor de João Paulo II”.

Ele acrescentou que o demônio “utiliza” os padres para atacar a Igreja, pois a odeia de morte por ser “a mãe dos santos”.

Será que algum católico fiel ousaria duvidar disso? Creio que não. Satanás é esperto e o próprio Jesus reconhece: “Os filhos deste mundo são mais prudentes do que os filhos da luz no trato com seus semelhantes.” (Lc 16, 8). Em algumas traduções fala-se em “filhos das trevas”. Tal texto faz-me lembrar de um de São João que diz: “Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno.” (1 Jo 5, 19). Claro que devo aqui esclarecer que não é exatamente o mundo-criação, mas sim as pessoas que nele estão e que espalham joio em meio ao trigo.

Mas, perguntar-se-á, por que o Senhor não acaba de vez com esta maldita corja que se ergue contra Sua Santíssima Igreja?

Ora, será que Cristo acabou com o Império Romano? Será que ele destruiu o comunismo? Não. Eles como que “implodiram”: caíram por suas maléficas ações e ensinamentos, e a Igreja foi cada vez mais fortalecida. Não será diferente nos dias hodiernos. Também a mídia implodirá. Também ela experimentará que em nada adiantou atingir a Igreja, senão que fortaleceu-a mais ainda. E sabem por quê? Porque a Igreja é de Cristo, e mais que isso, porque ela está com Cristo: “Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei minha Igreja. E nem o poder do inferno prevalecerá contra ela” (MT 16, 18).

“Nem o poder do inferno”! Não é a mídia que irá, então, destruí-la.

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Coragem, Papa! Estamos com você!” Dessa forma os fiéis marcaram presença na Missa de Domingo de Ramos. Incentivando e apoiando o Sucessor de Pedro, em um mento crucial.

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Em recente artigo disse que a nossa atual sociedade não valoriza a Igreja e não reconhece a grande construtora da nossa civilização ocidental, todo o bem que ela promoveu e todo o progresso a que ela contribuiu. Rejeitar a Igreja é rejeitar a Cristo.

Não devemos generalizar. Se alguns membros erram, não é a Igreja toda que erra. Se algum médico erra, não é erro da medicina. Se um cientista erra, não é erro da ciência. Tomemos cuidado com julgamentos precipitados e generalizados. Um dia eles poderão ser usados contra nós.

A Igreja ruma à eternidade com Cristo, e ela prevalecerá, apesar de todas as dificuldades. O mundo ruma, por sua própria vontade, à perdição e este cairá com todo o inferno. Vale-nos o sábio conselho de São Paulo: Dessa gente, afasta-te!” (2 Tm 3, 5).

Quanto a nós, resta-nos rezar pelo nosso Santo Padre, para que o Senhor Deus derrote todos os seus inimigos e o fortaleça em seu ministério petrino.

A ele dizemos: Santidade, estaremos sempre com o senhor! Deus está do seu lado.

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