São Pio V, Papa

Fonte: Página Oriente

Pio V nasceu em 1504 em Bosco, Itália, de nobre família Ghislieri. No santo Batismo deram ao filho o nome de Miguel. Menino ainda, deu Miguel indício de vocação sacerdotal, distinguindo-se sempre por uma piedade pouco vulgar.

Seguindo a sua inclinação, entrou na Ordem de S. Domingos, na qual ocupou diversos cargos de Superior. Igualmente distinto em santidade como em ciência, foi Miguel nomeado inquisidor, cargo este que desempenhou com grande competência. Muitas cidades e regiões inteiras lhe devem terem ficado livres da peste de heresia.

Reconhecendo-lhe o valor e os grandes méritos, o Papa Pio IV conferiu-lhe a dignidade de Bispo e Cardeal da Igreja Católica. O conclave, reunido por ocasião da morte de Pio IV, elevou-o ao pontificado.

Como Papa, desenvolveu Pio V uma atividade admirável, para o bem da Igreja de Deus sobre a terra. Foi um pontificado dos mais abençoados. Exemplaríssimo na vida particular, ardente de zelo pela glória de Deus e a salvação das almas, possuía Pio V as qualidades necessárias de um grande reformador. É impossível resumir em poucas linhas o que este grande Papa fez, pela defesa da verdadeira fé, pela exterminação das heresias e pela reforma dos bons costumes na Igreja toda. Incansável mostrou-se em restabelecer a disciplina eclesiástica, em defender os direitos da Santa Sé, em remover escândalos, erros e heresias, em particular a causa dos oprimidos e necessitados. Cumpridor consciencioso do dever, não se fiava na palavra de outros, quando se tratava do governo de Igreja ou da disciplina. Ele mesmo, em pessoa se informava, queria ver, ouvir para depois formar opinião própria e resolver os casos em questão. De máximo rigor usava contra a imoralidade pública; prostitutas queria ele que fossem enterradas, não no cemitério, mas no esterquilínio. Deu leis severas contra o jogo e proibiu as touradas, como contrárias à piedade cristã. Em 1566 publicou o “Catecismo Romano”, obra importantíssima sobre a doutrina católica. Deve-lhe a Igreja também a organização oficial e definitiva do Breviário e do Missal.

Não só mandou embaixadores a todas as cortes cristãs européias, mas, por sua ordem, muitos homens percorreram a França, os Países Baixos, a Alemanha e a Inglaterra em defesa da fé católica, que seriamente periclitava, principalmente naqueles países.

Infelizmente sua campanha contra Isabel, rainha da Inglaterra, cuja destronização chegou a decretar sem podê-la tornar efetiva, causou muitos sofrimentos e perseguições aos católicas ingleses. A Companhia de Jesus, cuja fundação é contemporânea desse pontificado, achou em Pio V um grande protetor.

Ameaçava grande perigo à Igreja, como à Europa toda, da parte dos turcos, cujo imperador jurara exterminar a religião cristã. Pio V envidou todos os esforços, fez valer toda sua influência junto aos príncipes cristãos para conjurar essa desgraça iminente. Para obter de Deus que abençoasse as armas cristãs, ordenou que se fizessem, em toda a parte da cristandade, preces públicas, particularmente o terço, procissões, penitência. Paralelamente, em 1570,  os otomanos, de notável poderio militar, apoderaram-se do Santo Sepulcro em Jerusalém e não permitiam a visita dos cristãos.  O próprio Papa, em pessoa, tomou parte nesses exercícios extraordinários, impostos pela extrema necessidade. Organizou uma Cruzada, cujo comando entregou a Dom João da Áustria, que era irmão  de Carlos V,  Imperador do Sacro Império Romano. Aconteceu a Batalha Naval no Golfo de Lepanto. A armada turca, com poderio militar que ultrapassava o dobro dos navios dos cruzados, incidiu ferozmente para destruir os cristãos. Os chefes cruzados ajoelharam e suplicaram a intercessão de Nossa Senhora. Por intercessão de Maria Santíssima, foram inspirados pelo Espírito Santo a rezar o Terço como única forma de enfrentar e vencer o inimigo e assim o fizeram. O êxito foi glorioso. A vitória dos cristãos em Lepanto (1571) foi completa. As festas de Nossa Senhora da Vitória e do SS. Rosário perpetuam até hoje a memória daquele célebre fato. No momento em que a batalha se decidia a favor dos cristãos, teve o Papa, por revelação divina, conhecimento da vitória e imediatamente convidou as pessoas presentes a dar graças a Deus. Era seu plano organizar uma nova campanha contra os turcos, mas uma doença dolorosa não lho permitiu pô-la em execução. A doença  era o prenúncio da morte, para a qual Pio se preparou com o maior cuidado. Quando as dores ( causadas por cálculos renais) chegavam ao auge, exclamava o doente: “Senhor ! aumentai a dor e dai-me paciência !”. Mandou que lhe lessem trechos da Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor, e continuamente se confortava com a citação de versos bíblicos e jaculatórias, até que a morte lhe pôs termo à vida, tão rica em trabalhos, sofrimentos e glórias. Antes, porém, havia instituído, como agradecimento pela vitória em Lepanto, a festa de Nossa Senhora das Vitórias. (Dois anos mais tarde, o Papa Gregório XIII, seu sucessor, lembrando que a vitória de Lepanto foi mais uma vitória do Rosário, mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário.)

Pio V morreu em 15 de maio de 1572, tendo seu pontificado durado seis anos e três meses. Não há virtude que este grande Papa não tenha exercitado. Todos os dias celebrava ou ouvia a Santa Missa, com o maior recolhimento. Terníssima devoção tinha a Jesus Crucificado. Todas as orações fazia aos pés do Crucificado, os quais inúmeras vezes beijava.

Certa vez que ia beijá-los, conforme o costume, a imagem retirou-se, salvando-o assim de morte certa. Pessoa má tinha-os coberto de um pó levíssimo e venenoso. Numa quinta-feira Santa, quando realizava a cerimônia do “Mandatum”, entre os doze pobres havia um, cujos pés apresentavam uma úlcera asquerosa. Pio, reprimindo uma natural repugnância, beijou a ferida com muita ternura. Um fidalgo inglês, que viu este ato, ficou tão comovido, que, no mesmo dia, se converteu à Igreja Católica.

Pio era tão amigo da oração, que os turcos afirmaram ter mais medo da oração do Papa, do que dos exércitos de todos os príncipes unidos. À oração unia rigor contra si mesmo: a vida era-lhe de penitência contínua. ‘Três vezes somente por semana comia carne e ainda assim em quantidade diminutíssima.

Grande amor mostrava aos pobres e doentes. Entre os pobres, gozavam de preferência os neófitos. Pouco aproveitavam os parentes. Quando, em certa ocasião, alguém lhe lembrou de subvencionar mais os parentes, Pio respondeu: “Deus fez-me Papa para cuidar da Igreja e não de meus parentes”.

Seguindo o exemplo do divino Mestre, perdoava de boa vontade aos inimigos e ofensores. Nunca se lhe ouviu da boca uma palavra áspera.

Pio empregava bem o tempo. Era amigo do trabalho e todo o tempo que sobrava da oração, pertencia às ocupações do alto cargo. Alguém lhe aconselhara que poupasse mais a saúde, e tomasse mais descanso. Pio respondeu-lhe: “Deus deu-me este cargo, não para que vivesse segundo a minha comodidade, mas para que trabalhasse para o bem dos meus súditos. Quem é governador da Igreja, deve atender mais às exigências da consciência que às do corpo”.

Pio V foi canonizado por Clemente XI. O corpo descansa na Igreja de Santa Maria Maggiore.

Discurso de Bento XVI a bispos de países africanos

Fonte: Canção Nova

Queridos Irmãos Bispos,

tenho o prazer de receber-vos, os Bispos da Libéria, Gâmbia e Serra Leoa, em vossa visita ad Limina aos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo. Sou grato pelos sentimentos de comunhão e afeição expressos pelo Bispo Koroma em vosso nome, e peço-vos que transmitais a minha cordial saudação e encorajamento ao vosso amado povo, para que se esforce para levar uma vida digna de sua vocação (cf. Ef 4, 1).

A Segunda Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos foi uma rica experiência de comunhão e uma ocasião providencial para renovar vosso próprio ministério episcopal e refletir sobre sua função essencial, nominalmente, “ajudar o Povo de Deus a prestar à palavra da Revelação a obediência da fé e a abraçar integralmente a doutrina de Cristo” (Pastores Gregis, 31). Tenho o prazer de perceber, a partir de vossos relatórios quinquenais que, enquanto dedicados à administração de vossas Dioceses, vós pessoalmente vos esforçais para pregar o Evangelho através das Confirmações, visitas às paróquias, quando vos reunis com grupos de sacerdotes, religiosos ou leigos e em vossas cartas pastorais. Através de vosso ensinamento, o Senhor preserva o seu povo do mal, ignorância e superstição, e o transforma em filhos de seu Reino. Esforçai-vos para construir comunidades vibrantes e expansivas de homens e mulheres fortes na fé, contemplativos e alegres na liturgia, e bem instruídos sobre “como viver da maneira que agrada a Deus” (1 Ts 4, 1). Em um ambiente marcado pelo divórcio e poligamia, promovei a unidade e o bem-estar da família Cristã, construída sobre o sacramento do matrimônio. Iniciativas e associações dedicadas à santificação dessa comunidade de base merecem o vosso pleno apoio. Continuai a defender a dignidade das mulheres no contexto dos direitos humanos e defendei vosso povo contra as tentativas de introduzir uma mentalidade antinatalista disfarçada como uma forma de progresso cultural (cf. Caritas in Veritate, 28). Vossa missão também requer que deis atenção para o adequado discernimento e preparação de vocações e à formação permanente dos sacerdotes, que são vossos mais estreitos colaboradores na tarefa da evangelização. Continuai a conduzi-los pela palavra e pelo exemplo de serem homens de oração, sólidos e claros em vosso ensinamento, maduros e respeitosos em vosso relacionamento com os outros, fiéis aos vosso compromissos espirituais e fortes na compaixão para com todos os necessitados. Da mesma forma, não hesitai em convidar missionários de outros países para auxiliar no bom trabalho que tem sido feito por vosso clero, religiosos e catequistas.

Em vossos países, a Igreja é tida em alta consideração por sua contribuição pelo bem da sociedade, especialmente na educação, desenvolvimento e assistência à saúde, oferecidos a todos sem distinção. Esse tributo fala bem da vitalidade de vossa caridade cristã, aquele legado divino dado à Igreja universal por seu fundador (cf. Caritas in Veritate, 27). Agradeço, de forma especial, a assistência que ofereceis aos refugiados e imigrantes, e exorto-vos a procurar, quando possível, a cooperação pastoral de vosso países de origem. A luta contra a pobreza deve ser realizada com respeito pela dignidade de todos os envolvidos, encorajando-os a serem protagonistas do próprio desenvolvimento integral. Muito bem pode ser feito através de compromissos comunitários em pequena escala e iniciativas microeconômicas ao serviço das famílias. No desenvolvimento e manutenção de tais estratégias, melhorar a educação será sempre um fator decisivo. Assim, encorajo-vos a continuar a providenciar programas escolares que preparem e motivem as novas gerações a se tornarem cidadãs responsáveis, socialmente ativas para o bem de suas comunidades e país. Vós corretamente incentivais as pessoas em posições de autoridade a liderar a luta contra a corrupção, chamando a atenção para a gravidade e a injustiça de tais pecados. Neste contexto, a formação espiritual e moral dos leigos, homens e mulheres, para a liderança, através de cursos de especialização na Doutrina Social da Igreja, é um importante contributo para o bem comum.

Felicito-vos por vossa atenção ao grande dom que é a paz. Rezo para que o processo de reconciliação, na justiça e verdade, que vós tendes corretamente apoiado na região, possa produzir respeito duradouro por todos os direitos humanos dados por Deus e neutralizar as tendências à retaliação e vingança. Em vosso serviço à paz, continuai a promover o diálogo com outras religiões, especialmente com o Islã, de modo a sustentar as boas relações existentes e evitar qualquer forma de intolerância, injustiça ou opressão, prejudicial à promoção da confiança mútua. Trabalhando juntos na defesa da vida e na luta contra as doenças e a desnutrição, não deixareis de construir o entendimento, respeito e aceitação. Acima de tudo, um clima de diálogo e comunhão deve caracterizar a Igreja local. Por vosso próprio exemplo, levai os vossos sacerdotes, religiosos e fiéis leigos a crescer em entendimento e cooperação, ao ouvir um ao outro e na partilha de iniciativas. A Igreja, como sinal e instrumento da única família de Deus, deve dar testemunho claro do amor de Jesus, nosso Senhor e Salvador, que se estende para além das fronteiras étnicas e abraça todos os homens e mulheres.

Queridos Irmãos Bispos, sei que vós encontrais inspiração e encorajamento nas palavras de Cristo ressuscitado aos Apóstolos: “A paz esteja convosco. Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós” (Jo 20, 21). Em vosso regresso ao lar, continuai vossa missão como sucessores dos Apóstolos; por favor, transmitais meus afetuosos e sinceros bons votos, cheios de oração, aos vossos sacerdotes, religiosos, catequistas e todo o vosso amado povo. Para cada um de vós e àqueles confiados aos vossos cuidados pastorais, concedo cordialmente a minha Bênção Apostólica.

Abraça Jesus crucificado, amante e amado

“Querida irmã em Jesus. Eu, Catarina, serva dos servos de Jesus, escrevo-te no seu precioso sangue, desejosa que te alimentes do amor de Deus e que dele te nutras, como do seio de uma doce mãe. Ninguém, de facto, pode viver sem este leite!

Quem possui o amor de Deus, nele encontra tanta alegria que cada amargura se transforma em doçura e cada grande peso se torna leve. E isto não nos deve surpreender porque, vivendo na caridade, vive-se em Deus:

“Deus é amor; quem permanece no amor habita em Deus e Deus habita nele”.

Vivendo em Deus, por conseguinte, não se pode ter amargura alguma porque Deus é delícia, doçura e alegria infinita!

É esta a razão pela qual os amigos de Deus são sempre felizes! Mesmo se doentes, necessitados, aflitos, atribulados, perseguidos, nós estamos alegres.

Mesmo quando todas as línguas caluniosas nos metessem em má luz, não nos preocuparemos, mas nos alegraremos com tudo porque vivemos em Deus, nosso repouso, e saboreamos o leite do seu amor. Como a criança suga o leite do seio da mãe assim nós, inamorados de Deus, atingimos o amor de Jesus Crucificado, seguindo sempre as suas pegadas e caminhando com ele pelo caminho das humilhações, das penas e das injúrias.

Não procuramos a alegria se não em Jesus e fugimos de toda a glória que não seja aquela da cruz.

Abraça, portanto, Jesus Crucificado elevando a ele o olhar do teu desejo! Toma em consideração o seu amor ardente por ti, que levou Jesus a derramar sangue de todas as partes do seu corpo!

Abraça Jesus Crucificado, amante e amado e nele encontrarás a verdadeira vida, porque ele é Deus que se fez homem. Que o teu coração e a tua alma ardam pelo fogo do amor do qual foi coberto Jesus cravado na cruz!

Tu deves, portanto, tornar-te amor, olhando para o amor de Deus, que tanto te amou, não porque te devesse obrigação alguma, mas por um puro dom, impelido somente pelo seu inefável amor.

Não terás outro desejo para além daquele de seguir Jesus! E, como que inebriada do Amor, não farás caso se te encontras só ou acompanhada: não te preocuparás com tantas coisas mas somente de encontrar Jesus e segui-lo!

Corre, Bartolomea, e não estejas a dormir, porque o tempo corre e não espera nem um momento!

Permanece no doce amor de Deus.

Doce Jesus, amor Jesus.”

Das “Cartas” de Santa Catarina de Sena, Virgem e Doutora da Igreja (1347-1380) (carta n.165 a Bartolomea, esposa de Salviato da Lucca)

Oração

Oh inestimável Amor! Tu nos iluminas com a tua sabedoria para que nos possamos conhecer a nós mesmos, conhecer a tua verdade e os enganos subtís do demónio.

Com o fogo do teu amor acendes os nossos corações com o desejo de te amar e de te seguir na verdade.

Só tu és o Amor, somente digno de ser amado! (de Santa Catarina de Sena)

Postado em Sem categoria | Com a tag

Catequese de Bento XVI sobre dois santos sacerdotes

Fonte: Canção Nova

Queridos irmãos e irmãs,

estamos caminhando rumo à conclusão do Ano Sacerdotal e, nesta última quarta-feira de abril, desejo falar de dois santos Sacerdotes exemplares na própria doação a Deus e no testemunho de caridade, vivido na Igreja e pela Igreja, pelos irmãos mais necessitados: São Leonardo Murialdo e São   José Benedito Cottolengo. Do primeiro recordamos os 110 anos da morte e 40 anos da canonização; do segundo, começaram as celebrações pelo 2º centenário de Ordenação sacerdotal.

Murialdo nasceu em Turim, em 26 de outubro de 1828: é a Turim de São João Bosco, do próprio São José Benedito Cottolengo, terra fecundada por tantos exemplos de santidade de fiéis leigos e sacerdotes. Leonardo é o oitavo filho de uma família simples. Ainda criança, juntamente com seu irmão, entrou no colégio dos Padres Escolápios de Savona para o curso elementar, a escola média e o curso superior; ali encontraram educadores preparados, em um clima de religiosidade fundado sobre uma séria catequese, com práticas de piedade regulares. Durante a adolescência viveu, no entanto, uma profunda crise existencial e espiritual, que o levou a antecipar o retorno à família e a concluir os estudos em Turim, inscrevendo-se no biênio de Filosofia. O “retorno à luz” aconteceu – como ele conta – depois de alguns meses, com a graça de uma confissão geral, na qual redescobriu a imensa misericórdia de Deus; amadureceu, então, aos 17 anos, a decisão de se tornar sacerdote, como resposta de amor a Deus que o havia aferrado com seu amor. Ele foi ordenado em 20 de setembro de 1851. Exatamente nesse período, como catequista do Oratório do Anjo da Guarda, foi conhecido e apreciado por Dom Bosco, que o convenceu a aceitar a direção do novo Oratório de São Luís em Porta Nuova, cargo que ocupou até 1865. Ali, teve contato também com os graves problemas dos mais pobres, visitou as suas casas, desenvolvendo uma profunda sensibilidade social, educacional e apostólica, que o levou, em seguida, a dedicar-se a autonomamente a múltiplas iniciativas em favor da juventude. Catequese, escola, atividades recreativas foram os fundamentos de seu método educativo no Oratório. Sempre Dom Bosco o quis consigo em ocasião das Audiências concedidas pelo Beato Pio IX, em 1858.

Em 1873, fundou a Congregação de São José, cujo fim apostólico era, desde o início, a formação da juventude, especialmente aquela mais pobre e abandonada. O ambiente de Turim daquele tempo era marcado pelo intenso surgimento de obras e atividades caritativas promovidas por Murialdo até sua morte, em 30 de março de 1900.

Apraz-me sublinhar que o núcleo central da espiritualidade de Murialdo é a convicção do amor misericordioso de Deus; um Pai sempre bom, paciente e generoso, que revela a grandeza e a imensidão da sua misericórdia através do perdão. Essa realidade São Leonardo a experimentou em nível não intelectual, mas existencial, mediante o encontro vivo com o Senhor. Ele sempre se considerou um homem agraciado por Deus misericordioso: por isso, viveu o sentido alegre da gratidão ao Senhor, a serena consciência do próprio limite, o desejo ardente de penitência, o empenho constante e generoso de conversão. Ele via toda a sua existência não apenas iluminada, guiada, apoiada por esse amor, mas continuamente imersa na infinita misericórdia de Deus. Escreve em seu Testamento espiritual: “A tua misericórdia me envolve, ó Senhor … Como Deus está sempre em toda a parte, assim está sempre em toda a parte o amor, está sempre em toda a parte a misericórdia”. Recordando o momento de crise que teve na juventude, observou: “Eis que o bom Deus desejava fazer resplandecer ainda a sua bondade e generosidade de um modo todo singular. Ele não apenas me admitiu novamente em sua amizade, mas chamou-me a uma escolha de predileção: chamou-me ao sacerdócio, e isso apenas alguns meses após meu retorno a ele”. São Leonardo viveu, por isso, a vocação sacerdotal como dom gratuito da misericórdia de Deus com sentimento de gratidão, alegria e amor. Escreveu ainda: “Deus me escolheu! Ele me chamou, eu fui mesmo forçado à honra, à glória, à felicidade inefável de ser seu ministro, de ser ‘um outro Cristo’ … E onde estava eu quando me procurou, meu Deus? No fundo do abismo! Eu estava lá, e Deus lá veio me procurar; lá Ele fez-me entender sua voz ….”.

Sublinhando a grandeza da missão do sacerdote, que deve “continuar a obra da redenção, a grande obra de Jesus Cristo, a obra do Salvador do mundo”, isto é, aquele de “salvar almas”, São Leonardo recordava sempre a si mesmo e aos irmãos a responsabilidade de uma vida coerente com o sacramento recebido. Amor de Deus e amor a Deus: foi essa a força de seu caminho de santidade, a lei de seu sacerdócio, o significado mais profundo do seu apostolado entre os jovens pobres e a fonte da sua oração. São Leonardo Murialdo abandonou-se com confiança à Providência, cumprindo generosamente a vontade divina, no contato com Deus e na dedicação aos jovens pobres. Desta forma, uniu o silêncio contemplativo com o ardor inestancável, a fidelidade aos deveres de cada dia com a genialidade das iniciativas, a força nas dificuldades com a serenidade do espírito. Essa é a sua estrada de santidade para viver o mandamento do amor, a Deus e ao próximo.

Com o mesmo espírito de caridade viveu, quarenta anos antes de Murialdo, São  José Benedito Cottolengo, fundador da obra por ele próprio chamada de “Pequena Casa da Divina Providência” e chamada hoje também de “Cottolengo”. No próximo domingo, na minha Visita pastoral a Turim, terei a oportunidade de venerar as relíquias desse santo e encontrar os hóspedes da “Pequena Casa”.

José Benedito Cottolengo nasceu em Bra, cidade na província de Cuneo, em 3 de maio de 1786. Primogênito de 12 filhos, dos quais seis morreram na infância, mostrou desde a infância grande sensibilidade para com os pobres. Abraçou a via do sacerdócio, imitado também por dois irmãos. Os anos de sua juventude foram aquelas da aventura napoleônica e das consequentes perturbações no campo religioso e social. Cottolengo tornou-se um bom padre, procurado por muitos penitentes e, na Turim daquele tempo, pregador de retiros e conferências a estudantes universitários, onde alcançava sempre um notável sucesso. Na idade de 32 anos, foi nomeado cônego da Santíssima Trindade, uma congregação de sacerdotes que tinha a tarefa de oficiar na Igreja de Corpus Domini e de dar decoro às cerimônias religiosas da cidade, mas ele sentia-se inquieto naquela sistematização. Deus o estava preparando para uma missão particular, e, através de um encontro inesperado e decisivo, lhe fez compreender qual seria o seu futuro destino no exercício do ministério.

O Senhor coloca sempre sinais em nosso caminho para guiar-nos, segundo a Sua vontade, ao nosso verdadeiro bem. Para Cottolengo, isso aconteceu, de modo dramático, na manhã de domingo, 2 setembro de 1827. Proveniente de Milão, chega a Turim uma diligência, lotada como nunca antes vista, que se encontrava abarrotada por toda uma família francesa em que a mulher, com cinco filhos, estava em estado de gravidez avançada e com febre alta. Após perambular por vários hospitais, aquela família encontrou alojamento num dormitório público, mas a situação da mulher agravou-se e alguns foram em busca de um padre. Por um misterioso projeto, cruzaram-se com Cottolengo, e foi exatamente ele, com o coração pesado e oprimido, a acompanhar à morte essa jovem mãe, bem como a agonia de toda a família. Após ter realizado essa tarefa dolorosa, com dor em seu coração, colocou-se diante do Santíssimo Sacramento e orou: “Meu Deus, por quê? Por que me quis como testemunha? O que quer de mim? Necessito fazer alguma coisa!” Levantando-se, fez soar todos os sinos, acender as velas, e acolhendo os curiosos na igreja disse: “A graça aconteceu! A graça aconteceu!”. A partir daquele momento, Cottolengo foi transformado: todas as suas capacidades, especialmente a sua habilidade econômica e organizacional, foram utilizadas para dar vida a iniciativas de sustento aos mais necessitados.

Ele soube envolver em sua missão dezenas e dezenas de colaboradores e voluntários. Movendo-se rumo à periferia de Turim para expandir o seu trabalho, criou uma espécie de vila, em que a cada edifício que pôde construir atribuiu um nome significativo: “casa da fé”, “casa da esperança”, “casa da caridade”. Colocava em prática o estilo das “famílias”, constituindo verdadeiras e próprias comunidades de pessoas, voluntários e voluntárias, homens e mulheres, religiosos e leigos, unidos para afrontar e superar em conjunto as dificuldades que se apresentavam. Todos naquela Pequena Casa da Divina Providência tinham uma tarefa específica: quem trabalhava, quem rezava, quem servia, quem instruía, quem administrava. Sãos e doentes compartilhavam todos o mesmo peso do cotidiano. Também a vida religiosa especificou-se no tempo, de acordo com as necessidades e exigências particulares. Pensou também em um próprio seminário, para a formação específica dos sacerdotes da Obra. Esteve sempre pronto a seguir e servir a Divina Providência, nunca questioná-la. Dizia: “Sou um covarde e nem sequer sei o que estou fazendo. A Divina Providência, no entanto, sabe certamente o que deseja. A mim, cabe somente concordar. Avanti in Domino”. Para os seus pobres e necessitados, definia-se sempre como “o trabalhador da Divina Providência”.

Além das pequenas cidadezinhas, desejou fundar também cinco mosteiros de irmãs contemplativas e um de eremitas, e lhes considerou entre as realizações mais importantes: uma espécie de “coração” que devia bater para toda a Obra. Morreu em 30 de abril de 1842, pronunciando estas palavras: “Misericórdia, Senhor; Misericórdia, Senhor. Boa e Santa Providência … Virgem Santa, agora cabe a Vós”. A sua vida, como escreveu um jornal da época, foi toda “uma intensa jornada de amor”.

Queridos amigos, esses dois santos Sacerdotes, dos quais apresentei alguns traços, viveram o próprio ministério no dom total da vida aos mais pobres, aos mais necessitados, aos últimos, encontrando sempre as raízes profundas, a fonte inesgotável da própria ação no relacionamento com Deus, atraídos por seu amor, na profunda convicção de que não é possível exercitar a caridade sem viver em Cristo a na Igreja. A sua intercessão e seu exemplo continuam a iluminar o ministério de muitos sacerdotes que se gastam generosamente por Deus e pelo rebanho a eles confiado, e ajudam cada um a doar-se com alegria e generosidade a Deus e ao próximo.

Ser ovelhas do verdadeiro Pastor

Neste domingo a Igreja celebra o Domingo do Bom Pastor e o dia mundial de oração pelas vocações.

O Evangelho, apesar de curto, carrega em sí uma característica muito importante e bela. Analisando o seu profundo contexto poderemos notar as sábias palavras de Jesus. “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão” (Jo 10, 27-28).

Jesus se manifesta como o Bom Pastor. Um pastor capaz de dar a vida por seu rebanho. Ora, na verdade, no mundo de hoje está difícil ouvir a voz de Jesus. Quando tantas vozes julgam indicar o caminho correto, o caminho mais prazeroso? Como reconhecer a voz do Senhor?

Certamente se seguimos a Igreja e a ela ouvimos, com certeza não estaremos desviando-nos do verdadeiro caminho. Poderemos ainda encontrar a resposta à esta nossa dúvida na segunda leitura, um dos textos que mais gosto. “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do Cordeiro… Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos” (Ap 7, 14b. 17).

Não temos dúvidas que estes que estão diante do trono e que estão com tamanha alvura em suas vestes, são os mártires, além de trazerem palmas na mão (cf. 9), símbolo do martírio, vinham da tribulação. Estes seguiram o caminho do bom pastor, estes ouviram a voz de Cristo. Ele não temeram em suportar as tamanhas dores para estarem com Cristo.

Tertuliano já dizia: “O Sangue dos mártires é semente de novos Cristãos”.

Certamente muitos de nós hoje tememos as “dores” que o mundo pode causar por estarmos com Cristo. Mas não existe nenhuma dor maior do que estar longe de Cristo. Aquele que está afastado do Senhor está privado da esperança e da certeza da vida eterna.

O mundo deseja que sejamos do jeito que ele quer. Nós estamos no mundo, mas não somos do mundo. Viemos de Deus e para Ele voltaremos. Constantemente o mundo causa-nos tribulações e nós somos chamados a não deixarmos de testemunhar. Mais como reposta a ele, recordo as memoráveis palavras de São Paulo: “Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos em apuros, mas não desesperançados; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados” (2Cor 4,8-9).

Isto porque aquele que está com Cristo pode passar por tribulações, mas nunca será vencido.

“Eu sou o Bom Pastor”, disse Jesus. Hoje em dias sentimos na nossa Igreja, em alguns locais, falta de padres e bispos que assumem sua missão como Jesus assumiu a dEle. Jesus, em hipótese alguma renunciou a sua missão para satisfazer a sua vontade. Não! Ele foi até a cruz, padeceu pela nossa salvação, mas jamais renunciou a vontade do Seu Pai. Os padres e bispos são pastores do povo, não produto de um mercado consumista e cheio de ideologias políticas.

Neste domingo de oração pelas vocações temos como tema “O testemunho suscita vocações”.

De modo particular devo dizer que com dois anos de idade decidi ser padre. Não tinha um conhecimento verdadeiro sobre essa vocação, mas creio que em mim realiza-se as palavras que o Senhor dirigiu a Jeremias: Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações” (Jr 1, 5).

De modo particular, neste Ano Sacerdotal, os padres são chamados a darem testemunho e a serem modelos de vida para que, de tal forma, possa suscitar vocações na Igreja. E não somente os padres, como também os religiosos e religiosas.

Encerro com as sábias palavras do nosso Santo Padre Bento XVI, na sua Mensagem para o 47º dia mundial de oração pelas vocações:

Apraz-me recordar o que escreveu o meu venerado predecessor João Paulo II: «A própria vida dos padres, a sua dedicação incondicional ao rebanho de Deus, o seu testemunho de amoroso serviço ao Senhor e à sua Igreja – testemunho assinalado pela opção da cruz acolhida na esperança e na alegria pascal –, a sua concórdia fraterna e o seu zelo pela evangelização do mundo são o primeiro e mais persuasivo factor de fecundidade vocacional» (Pastores dabo vobis, 41). Poder-se-ia afirmar que as vocações sacerdotais nascem do contacto com os sacerdotes, como se fossem uma espécie de património precioso comunicado com a palavra, o exemplo e a existência inteira.

Isto aplica-se também à vida consagrada. A própria existência dos religiosos e religiosas fala do amor de Cristo, quando O seguem com plena fidelidade ao Evangelho e assumem com alegria os seus critérios de discernimento e conduta. Tornam-se «sinais de contradição» para o mundo, cuja lógica frequentemente é inspirada pelo materialismo, o egoísmo e o individualismo. A sua fidelidade e a força do seu testemunho, porque se deixam conquistar por Deus renunciando a si mesmos, continuam a suscitar no ânimo de muitos jovens o desejo de, por sua vez, seguirem Cristo para sempre, de modo generoso e total. Imitar Cristo casto, pobre e obediente e identificar-se com Ele: eis o ideal da vida consagrada, testemunho do primado absoluto de Deus na vida e na história dos homens.

À Virgem Maria pedimos que suscite santas vocações para a Igreja.

Crê na doutrina e comunga

Fonte: Evangelho Quotidiano

No dia que se chama o dia do sol [o domingo], todos os habitantes das cidades ou dos campos se reúnem num só local. Lemos as memórias dos apóstolos e os escritos dos profetas quando o tempo o permite. Quando a leitura termina, quem preside toma a palavra para chamar a atenção sobre esses belos ensinamentos e exortar a segui-los. Seguidamente, levantamo-nos todos juntos e recomendamos as intenções de oração. Depois trazem pão, vinho e água. O presidente faz subir de todo o seu coração ao céu orações e acções de graças, e o povo responde com a aclamação «Ámen!», uma palavra hebraica que significa: «Assim seja».

Nós chamamos este alimento eucaristia, e ninguém pode tomar parte dele se não crê na verdade da nossa doutrina e se não recebeu o banho do baptismo para a remissão dos pecados e a regeneração. Porque nós não tomamos este alimento como um pão vulgar ou uma bebida comum. Tal como, pela Palavra de Deus, Jesus Cristo, nosso Salvador, incarnou em carne e osso para a nossa salvação, assim o alimento consagrado nas próprias palavras da Sua oração é destinado a alimentar a nossa carne e o nosso sangue para nos transformar; este alimento é o corpo e o sangue de Jesus incarnado: esta é a nossa doutrina. Os apóstolos, nas memórias que nos deixaram e a que chamamos evangelhos, transmitiram-nos assim a recomendação que Jesus lhes fez: Ele tomou o pão, deu graças e disse: «Fazei isto em memória de Mim; isto é o Meu corpo». Tomou igualmente um cálice, deu graças e disse: «Isto é o Meu sangue». E deu-lhos só a eles (Mt 26, 26ss.; 1Cor 11, 23ss.). […] É no dia do sol que nós nos reunimos todos, porque esse é o primeiro dia, em que Deus separou a matéria das trevas para fazer o mundo, e é o dia em que Jesus Cristo nosso Salvador ressuscitou dos mortos.

São Justino (c. 100-160), filósofo, mártir
Primeira Apologia, 67.66; Pg 6, 427-431

Parabéns Santidade!

A cinco anos atrás toda a Igreja jubilava de alegria com a eleição deste grande Servo de Deus para a Cátedra de São Pedro. Hoje vemos que o Espírito Santo realmente sabia o que estava fazendo, ao colocar este grande homem, esta “coluna da fé”, para guiar a Barca de Pedro em seio pastoreio marcado por grandes ações de fé, amor, esperança, diálogo e fraternidade.

Algumas estatísticas do Pontificado de Bento XVI nestes cinco anos.

Canonizações: 7 (entre elas a de Frei Galvão, realizada em São Paulo, no dia 11 de maio de 2007). Com um total de 28 Santos.

Beatos: Já foram proclamados 573 Beatos.

Encíclicas: 3 (Deus Caritas Est, Spe Salvi e Caritas in Veritate)

Exortação Apostólica: Sacramentum Caritatis

Livros: Jesus de Nazaré, Lembranças da minha vida, A família e a transmissão da fé, A revolução de Deus

Viagens Apostólicas fora da Itália: 14 (Alemanha (2 vezes), Polônia, Espanha, Turquia, Brasil, Áustria, Estados Unidos, Austrália, França, Camarões e Angola, Terra Santa, República Tcheca e Malta. Além de estarem duas agendadas para Portugal e Chipre)

Viagens Apostólicas na Itália: 17

Número de Cardeais criados: 37

Motu Proprio: 10

Parabéns, Santidade! Estaremos sempre com o Senhor.

E você, também me ama?

Neste domingo o Evangelho carrega em si uma característica petrina, assim como todo o contexto da celebração. Ele nos narra um fato fenomenal que acontece na vida de Pedro. Há alguns dias comentei aqui em um artigo, sobre este mesmo Evangelho de São João (21, 1-14), a importância de a Igreja estar unida a Pedro e, por conseguinte, a Cristo.

No entanto, no Evangelho de hoje gostaria de ressaltar a “segunda parte” deste texto. Onde Jesus interroga Pedro em um momento muito importante de confirmação da sua missão como primeiro Papa e chefe da Santa Igreja Católica.

Esta é a tradução que nós estamos acostumados a ver. No entanto, gostaria de me apropriar de outra tradução, de Jerusalém, que põe ante nossos olhos um grande significado, escondido em um contexto de poucas palavras. Jesus se dirige a Pedro, após comerem: “’Simão, filho de João, tu me amas, mas que estes?’ Ele disse: ‘Sim, Senhor, tu sabes que te gosto’. Lhe disse Jesus: ‘Apascenta minhas ovelhas’” (21, 15).

Em primeiro lugar convém ressaltar o que já havia dito no artigo acima citado. Pedro volta para a Galiléia com os seus. E ali volta à velha vida. Não mais àquela vida com Cristo, mas a vida que levava que escutasse o chamado persuasivo do Senhor. Por isso o Senhor não lhe chama de Pedro, mas de Simão. Já que levava uma vida velha, o Senhor queria tocá-lo lá. Naquele homem que, negando a Cristo, deixou-se abater pelo peso da angústia e da traição vemos figurar a nossa sociedade atual. Estamos formando uma sociedade que é “espelho” do Pedro antigo, angustiado. E sabe por que nos angustiamos?  Porque não temos plena confiança nas palavras de Jesus. Estas a nós muitas vezes não parecem ser indubitáveis; do contrário: muitas vezes fazemos pré-julgamentos e julgamos de forma errada: condenamos os bons e absolvemos os errados.

As nossas Igrejas que devem ser lugar de acolhimento e de fraternidade como uma só família, muitas vezes cedem lugar aos pré-julgamentos, às condenações e até mesmo às descriminações. Tudo isso não é culpa dos nossos pastores, às vezes estes podem ate contribuir para esta ação indigna. Com efeito, a maior parte desta humilhação à qual fazemos outros passarem se dá muitas vezes pela nossa falta de testemunho e vivência cristã. Um cristão que não sabe acolher ao próximo, não saberá também acolher a Cristo.

Mas voltando ao Evangelho podemos notar outra característica que não se encontram muito em nossas traduções, senão na Bíblia de Jerusalém (pelo menos que vi até agora). Jesus interroga a Pedro perguntando se este O amava. Pedro não diz “Amo-Te”. Mas de forma inusitada e indigna ele não diz que amava, mas gostava: “Senhor, tu sabes que te gosto”. Há irmãos, que coisa fenomenal Pedro responde. O único capaz de verdadeiramente amar-nos é Cristo. Nunca saberemos retribuir o Seu incomensurável amor por nós. Aquilo que chamamos de amor seria um afeto, um carinho, um querer bem, mas nunca um Amor. O amor verdadeiro é Deus.

Mas a cada um de nós, Jesus pergunta como o fez com Pedro: Você me ama? Muitas vezes damos um sim descomprometido e insincero. Somos estimulados a isso por vezes pela mídia, pela falta de justiça, pela falta de união na família. O nosso sim deve ser comprometido. Devemos dizer: “Senhor, eis-me aqui. Faça-se tua vontade. Olhai com confiança e piedade para este vosso indigno servo, que nada mais deseja se não fazer Tua vontade”.

Por duas vezes Jesus pergunta a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas, mas que estes?” Na terceira vez Jesus lhe diz: “Simão, filho de João, tu gostas de mim?” Então Pedro entristeceu-se profundamente porque se recordará das três vezes em que negou a seu Mestre. Não obstante tê-Lo negado, Jesus confia a Pedro o pastoreio da Igreja. Sabe das dificuldades e provações às quais nós, seres humanos, constantemente passamos, mas ainda assim confia na nossa indigna capacidade, assim como confiou a Pedro.

Este rebanho é sim a Igreja Católica. Guiada hoje pelo Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, o nosso Papa, de feliz reinado, Bento XVI. Cabe a nós católicos constantemente rezarmos pelo seu ministério, para que seja testemunho de santidade a todos os que ele guia. Nestes dias de grande tribulação é mais propício ainda elevarmos a Deus constantes preces por seu Pontificado. Por isso convido você para aderir a Campanha “Rezemos pelo Santo Padre”.

Em vez de atirarmos pedras injustamente no Santo Padre, levantemos nossa voz em defesa daquele que guia a Barca de Pedro, e que é uma grande coluna da nossa Igreja. Levantemos nossa voz em favor daquele que sempre nos acolhe como Pai e nos guia ao encontro de Cristo.

A Virgem Maria nos ajude nesta caminhada.

Paz e bem!

Um grande dia para a Igreja e para os católicos

16 de abril aniversário do Santo Padre Bento XVI, e dia 19 aniversário de sua eleição. É um grande momento para nós católicos e para a Igreja. Uma data histórica que põe ante nossos olhos a urgente necessidade de elevarmos, incessantemente, preces em louvor a Deus pelo Ministério do Sucessor de São Pedro.

Quem é para nós Bento XVI? Uma figura que em nossos dias hodiernos não cessa de apontar-nos o caminho para o Cristo. Esse “Bento Magno”, que a Igreja e que nós católicos reconhecemos na importante figura de um grande teólogo e pastor, oriundo de um Joseph Alois Ratzinger tímido, mas com sua grande sabedoria, e com esta soube dissipar da Igreja as trevas e ignorâncias do erro, e as mais contrárias e singulares correntes modernistas e heréticas dos nossos tempos.

Para a Igreja, Bento XVI não é um simples Papa, mas que isso: é um sinal, um porto seguro, por assim dizer, onde a Igreja ruma para seu encontro definitivo com Cristo. E ele guia esta Barca, a Barca de Pedro. A barca dos homens que, mesmo temerosos em sua fé, confiam e nele vêem a amável figura de um pai que os guia de forma destemida, sem medo da sociedade hodierna e de suas tendências anti-católicas. Mas é sobretudo a Barca de Cristo. Um Cristo que não abandona a Sua Igreja, e que constantemente põe-se do lado do Santo Padre. E por isso muitos o perseguem, o caluniam, o rejeitam. Rejeitam a voz de Cristo na terra, rejeitam o representante de Cristo em nosso meio, e, por conseguinte rejeitam o próprio Cristo. Como, de fato, Ele nos fala: “…e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou(Lc 10, 16).

Sim, esta é a missão do Papa: ser portador do Evangelho, portador do Cristo. No entanto nem todos o aceitam. Muitos não reconhecem nele o enviado de Cristo.

Recentemente, tomados pelo grande escândalo de pedofilia que envolveu alguns membros do clero, o Santo Padre foi injustamente caluniado e injustamente culpado pelo erro de certos “padres”. A imprensa, que nunca nutriu boa imagem do Papa, desde que este era Cardeal, atacou vorazmente este grande Servo de Deus. Mas este não vacilou em nenhum momento. Sempre esteve convicto de sua posição de defensor do Evangelho e nunca deixou que nenhuma crítica o abalasse.

Seu lema é muito propício à característica de seu pontificado. Ele vive radicalmente o seu lema: “Nos ergo debemus sublevare huiusmodi, ut cooperatores simus veritatis – Devemos, portanto, acolher esses homens, para sermos cooperadores da Verdade” (3 Jo 1, 8). Sim, assim como Bento XVI, nós, membros incorporados da Igreja, fiéis ao Evangelho, devemos manifestar a nossa missão em sermos cooperadores da Verdade.

Rezemos, irmãos e irmãs, incessantemente pelo nosso Papa Bento XVI, neste seu Pontificado marcado por sinais de unidade e de paz. Com grandes conquistas o Papa conquista também a confiança do povo, e, sobretudo, nos dá a certeza de que o Espírito Santo escolheu muito bem ao colocá-lo como o grande dirigente desta Igreja, Santa e pecadora. Que o Senhor o conserve muitos anos nesta Cátedra.

Parabéns Santidade! Nós fiéis temos muito orgulho do Senhor.

Ad multos annos!

***

Leia também: Campanha “REZEMOS PELO SANTO PADRE”

Ainda ele?!

Fonte: AFP

[Meus comentários]

Há muito tempo eu não via uma notícia de Hans Küng e suas sandices rebeladas contra a Igreja. Finalmente hoje poderei deleitar-me neste doutor de “meia-tigela” que já me encheu o saco demais. Não são comentários bem-humorados, particularmente eu não acho, quem quer humor vai pro blog do Frei Rojão.

ROMA — O teólogo rebelde suíço Hans Kung, suspenso do ensino, em 1979, por suas posições progressistas, instou ao clero da Igreja Católica que se rebele contra o pontificado de Bento XVI, diante dos atuais escândalos de abusos de menores envolvendo sacerdotes pedófilos [Era o que faltava! Realmente estou pasmo. Mas o que esperar desse rebelado, que mais parece um Judas Iscariotes? É o cumulo dizer que a culpa da pedofilia é do Papa. Isso é um teólogo ou um esterco? A resposta está a seu critério. O Papa anda com bola de cristal para saber quem é pedófilo ou não? ]

Em carta aberta dirigida a todos os bispos do mundo e reproduzida pela imprensa europeia, Kung, criticou o pontificado de Bento XVI, que na segunda-feira completará cinco anos, considerando-o um tempo de oportunidades perdidas. [Isso não é mais novidade. Não foi só hoje que ele criticou. Ele nunca está feliz com nada. Até a unidade dos cristãos que ele tanto falava, agora está criticando. Mas se o Papa “tranca” as portas da Igreja ele vai dizer que a Igreja é retrógada e blá, blá, blá]

Kung, que se tornou professor ao mesmo tempo que o atual Papa, a quem conheceu em uma sessão teológica em Innsbruck (Áustria), em 1957, e com quem trabalhou entre 1962 e 1965 como conselheiro no Concílio Vaticano II e de quem se distanciou em seguida por questões doutrinárias, estimou que o Papa alemão perdeu a chance de superar os grandes desafios da Igreja, os quais enumerou em sua longa carta.

“Minhas esperanças e as de tantos católicos e católicas comprometidos infelizmente não se cumpriram (…). No tocante aos grandes desafios do nosso tempo, seu pontificado de apresenta cada vez mais como o das oportunidades desperdiçadas, não como o das chances aproveitadas”, escreveu. [Desperdiçada? E o encontro com judeus e mulçumanos? A unidade que ele busca incessantemente; a valorização da Eucaristia e da Missa, onde o único centro é Cristo. Isso é desperdício? Desde o início do pontificado de Bento XVI, Küng já criticava o Papa, não é novidade, como disse não é novidade]

O teólogo analisou os recentes escândalos de pedofilia dentro da Igreja e que, segundo ele, levaram a uma “crise de confiança e de liderança sem precedentes”.

“Com razão, muitos pedem um ‘mea culpa’ pessoal do então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e atual Papa. Mas, infelizmente ele deixou passar a oportunidade na Sexta-feira Santa e, ao contrário, testemunhou sua inocência no domingo de Páscoa”, escreveu Kung. [Testemunhou porque ele é inocente. Ele não se finge de lobo em pele de cordeiro]

O professor suíço sustentou que “a política de restauração de Bento XVI fracassou. Todas as suas aparições públicas, viagens e documentos não são capazes de modificar, no sentido da doutrina romana, a postura da maioria dos católicos em questões controversas, especialmente no campo da moral sexual”. [Modificar a Moral sexual? É o cúmulo da sandice].

“Nem mesmo os encontros papais com a juventude, aos quais assistem, sobretudo, grupos conservadores carismáticos, podem frear os abandonos da Igreja, nem despertar mais vocações sacerdotais”, comentou.[Ele anda bem desatualizado. A Igreja tem um número crescente de sacerdotes e de vocações. Basta olhar os últimos dados. Quanto as jovens, não preciso falar nada, basta ver a Jornada Mundial da Juventude, só em Madrid, próximo ano, se esperam 2 milhões de jovens]

Kung instou os bispos a romperem o silêncio diante das diretrizes do Vaticano que considerem errôneas porque a obediência ilimitada se deve unicamente a Deus e não deve impedir que se diga a verdade.

“A obediência incondicional só se deve a Deus. Todos vocês, ao serem consagrados como bispos, juraram obedecer incondicionalmente ao Papa, mas não sabem que nenhuma autoridade humana merece esta obediência incondicional, só Deus. Por isso não devem sentir-se limitados por seu juramento”, sustentou. [Todos os Bispos prestam obediência ao Papa porque tem noção de que, no Papa, repousa o Espírito Santo, e ele é escolhido por Cristo para ser Pastor das suas ovelhas, para que estas não se dispersam].

O teólogo rebelde pediu a celebração de um concílio ou pelo menos um sínodo representativo de bispos e cardeais. [Espera sentado!]

“Inúmeras pessoas perderam a confiança na Igreja Católica. Para recuperá-la, só valerá abordar de forma franca e honrada os problemas e as reformas consequentes”, afirmou. [Sem comentários. Com hereges não se discutem]