Vamos também contigo


O Evangelho de hoje, tirado do livro de São João, chamou-me bastante atenção, principalmente na riqueza escondida neste texto.

Jesus está ressuscitado. Os discípulos, mesmo aqueles que duvidaram, agora já criam e testemunhavam que o Senhor impera sobre a morte.

Pedro e os discípulos estavam na Galiléia. Na Galiléia? Não deveriam estar em Jerusalém, onde o Senhor foi morto?

Fogem os discípulos do Monte das Oliveiras e retornam à sua velha vida após a morte do Senhor, o único que permaneceu aos pés da cruz foi João. Sim! O único! Onde estariam os outros aos quis o Senhor escolheu e designou-lhes como íntimos colaboradores? Fugiram com medo. Medo de serem presos e mortos pelos soldados romanos e pelos fariseus hipócritas e doutores da lei que viviam um cinismo em seus ensinamentos.

Ora, fico a lembrar-me das não poucas vezes em que abandonamos o Senhor e fugimos com medo. Lembro-me das vezes em que nos omitimos ao vermos os ataques à Igreja, que é Copo de Cristo e de qualquer forma é um ataque ao próprio Cristo. Quantas e quantas vezes parece a Igreja estar sozinha apenas com seus membros. E nós católicos, onde estamos? Por que nos omitimos? Será que fugiremos da Cruz de Cristo porque esta não nos parece agradável, já que esconde grande sentido de sofrimento? Será que deixaremos Jesus ser crucificado com a Igreja, sozinhos?

Católicos, despertem! É o Senhor quem nos convida a nos levantar em defesa da Igreja que tem sido tão atacada, e do nosso Papa, injustamente atacado. Não nos tornemos réplicas de discípulos covardes e que fogem quando sentem que o perigo os ronda. É certo que não somos perfeitos, nem mesmo o foram os discípulos. Pedro negou a Jesus três vezes, Natanael perguntou, ao saber que Jesus era Nazareno: “De Nazaré pode sair algo bom?” Tiago e João queriam por fogo na Samaria, e a estes Jesus chamou de Boanerges (filhos do trovão). Temos imperfeições, mas delas e com elas, aprendamos a extrair coisas que nos serão úteis.

Mas neste Evangelho há algo que acho mais fenomenal ainda.

Para isso devo transcrever um trecho do Evangelho:

Disse-lhes ele: Lançai a rede ao lado direito da barca e achareis. Lançaram-na, e já não podiam arrastá-la por causa da grande quantidade de peixes. Então aquele discípulo, que Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor! Quando Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se às águas. Os outros discípulos vieram na barca, arrastando a rede dos peixes (pois não estavam longe da terra, senão cerca de duzentos côvados). Ao saltarem em terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em cima delas, e pão. Disse-lhes Jesus: Trazei aqui alguns dos peixes que agora apanhastes. Subiu Simão Pedro e puxou a rede para a terra, cheia de cento e cinqüenta e três peixes grandes. Apesar de serem tantos, a rede não se rompeu.

(Jo 21, 6 – 11).

O que gostaria de ressaltar?

Em primeiro lugar, apenas para maior esclarecimento, Jesus pede para lançar as redes do lado direito. O lado direito na Bíblia é muito significativo, ele expressa acolhimento, benção.

Mais aqui gostaria de ressaltar o motivo do texto grifado. Percebemos uma contradição no Evangelho. Mas será uma contradição? Com certeza muitos já se indagaram sobre isso.

O texto diz que após apanharem os peixes os sete discípulos não conseguiram nem puxá-la. Após Pedro já estar com Jesus, os outros trazem a rede. Mas como, se com sete não conseguiam? Perdendo um conseguem. E porque depois só Pedro puxa a rede tão pesada? Não precisou dos outros.

Devo dizer que se não houver uma profunda interpretação, sentiremos grande dificuldade neste texto. Pedro na barca estava longe de Jesus, não só física, mas espiritualmente. Quando ele está com Jesus ele dá força aos que estavam ainda na barca, com esta força eles conseguem puxar as redes. Depois Pedro puxa, só ele, a rede. Isto porque estava ele “rejuvenescido” pelo Senhor.

Quando estamos fora da comunhão da Igreja, também nós enfraquecemos, também nós sucumbimos. Aquele que está unido à Barca de Pedro, aquele que une-se ao Papa, à Igreja Católica, jamais será vencido. É Cristo que os acompanha e fortalece. “Não temam!” Façamos ecoar também hoje este clamor de Jesus. Ele está com a Igreja. Ela nunca será vencida, por mais que Satanás tente.

Vamos também contigo Bento XVI.

Paz e bem!

Um pensamento sobre “Vamos também contigo

  1. Pingback: E você, também me ama? « Credo in Ecclesia

Os comentários estão desativados.