A Paz e a Misericórdia: sinais do cristão


Neste domingo somos convidados a centrarmo-nos em duas grandes Festas propostas pela Igreja. Junto com o domingo “in albis” (Segundo da Páscoa), celebramos também a Festa da Divina Misericórdia.

Após o Seu doloroso e salvífico sofrimento e a sua gloriosa Ressurreição – fundamento da nossa fé cristã –, Jesus aparece ressuscitado aos discípulos e manifesta àqueles que não acreditaram que Ele não morre mais. Por meio da Sua morte, da sua Cruz, somos salvos e libertos.

Estavam os discípulos reunidos no primeiro dia da semana, isto é domingo, com as portas fechadas, por medo dos judeus, e devo aqui dizer que depois que eles receberam o Espírito Santo eles não mais reuniam-se com as portas fechadas, mas agora já não tinham medo de testemunhar o grande mistério da Fé Cristã.

Jesus entra e põe-se no meio deles: “Pax Vobis – A Paz esteja convosco” (Jo 20, 19). Com esta saudação do Mestre os apóstolos contemplam, com os olhos fitos e trêmulos, o Senhor que reinou sobre a morte.

Paz! Esta palavra que se traduz em diversas formas, mas que carrega em seu bojo um só significado é um precioso dom que os homens almejam profundamente. Mas muitos não querem que ela chegue à plena consumação. A Paz que Jesus deseja àqueles galileus, homens iletrados, no entanto mais sábios do que nós, é a paz que Ele deseja também a nós, homens que, atravessando estes dois mil e dez anos, buscamos incessantemente a Paz. Não uma falsa paz, edificada sobre interesses materiais e finitos. Mas uma Paz que acompanhar-nos-á, mesmo após a nossa passagem à Glória celeste.

A eles Jesus se dirige dizendo: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (20, 21). Sim, enviado do Pai! Este Jesus que antes da sua morte proclamou-se Filho de Deus, e manifestou que tal afirmação não era falsa, após a sua Ressurreição ratifica o que antes havia dito e feito. Ele é o Enviado do Pai. Os apóstolos, por Ele, foram enviados. E nós hoje somos também enviados. Eis a missão do cristão: proclamar a boa nova do Reino que manifesta-se como enviados do Senhor.

E este anúncio da Boa Nova não está excluído do anúncio da Misericórdia. Neste dia, dia da misericórdia, instituído pelo Venerável João Paulo II, a pedido do próprio Cristo, somos chamados a mergulhar nesta misteriosa fonte de graças.

Na sua aparição à Santa Faustina Kowalska, Jesus lhe diz:

“Nenhuma alma terá justificação, enquanto não se dirigir, com confiança, à Minha misericórdia. E é por isso que o primeiro domingo depois da Páscoa deve ser a Festa da Misericórdia” (Diário, 570).

Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia;   a alma que se confessar e  comungar alcançará o perdão total das culpas e castigos; nesse dia estão abertas  todas as comportas Divinas, pelas quais fluem as  graças;

“Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de mim, ainda que seus pecados sejam como escarlate. A minha misericórdia é tão grande que por toda a eternidade não a aprofundará nenhuma mente, nem humana, nem angélica. Tudo que existe saiu das entranhas da minha misericórdia” (Diário, 699).

Dize à humanidade que sofre que se aproxime do meu coração misericordioso, e eu a cumularei de paz (Diário 1074)

Que grande graça, amados irmãos. Por maior que seja nosso pecado Jesus está sempre disposto a acolher-nos em sua infinita misericórdia. Ele não faz distinção, Ele deseja que todos recorram a sua incessante e infinita misericórdia.

Quantas vezes em minha humilde ignorância, tomada por fracassos, já duvidei da Misericórdia de Jesus? Quantas vezes já tentei sobrepor meu pecado ao infinito Amor de Deus? Não tenhamos vergonha de reconhecer isso. Jesus quer que nós possamos buscá-Lo de todas as formas em que sua misericórdia possa irradiar sua Luz e lavar, com o Sangue e Água, os nossos pecados, e a nossa débil condição de seres humanos.

Deixarmo-nos purificar e abrir-nos à Misericórdia, significa que devo também ser misericordioso com o outro. Que devo agir como Jesus agiu comigo. Que devo reconhecer que o meu pecado não é menor que o do outro, mais que, assim como eu, ele também pode abrir-se a este infinito mar de graças.

Sabe quando teremos uma humanidade verdadeiramente humana? No dia em que todos abrirem-se à Misericórdia e mergulharem profundamente em sua fonte inexaurível de graças.

Ouçamos o que Jesus disse à Santa Faustina. Aproveitemos o tempo oportuno: “Antes de vir como justo Juiz, venho como Rei da Misericórdia… agora prolongo-lhes o tempo da Misericórdia, mas ai deles, se não reconhecerem o tempo da Minha visita…” (Diário 83, 1160).

Paz e bem!