E você, também me ama?


Neste domingo o Evangelho carrega em si uma característica petrina, assim como todo o contexto da celebração. Ele nos narra um fato fenomenal que acontece na vida de Pedro. Há alguns dias comentei aqui em um artigo, sobre este mesmo Evangelho de São João (21, 1-14), a importância de a Igreja estar unida a Pedro e, por conseguinte, a Cristo.

No entanto, no Evangelho de hoje gostaria de ressaltar a “segunda parte” deste texto. Onde Jesus interroga Pedro em um momento muito importante de confirmação da sua missão como primeiro Papa e chefe da Santa Igreja Católica.

Esta é a tradução que nós estamos acostumados a ver. No entanto, gostaria de me apropriar de outra tradução, de Jerusalém, que põe ante nossos olhos um grande significado, escondido em um contexto de poucas palavras. Jesus se dirige a Pedro, após comerem: “’Simão, filho de João, tu me amas, mas que estes?’ Ele disse: ‘Sim, Senhor, tu sabes que te gosto’. Lhe disse Jesus: ‘Apascenta minhas ovelhas’” (21, 15).

Em primeiro lugar convém ressaltar o que já havia dito no artigo acima citado. Pedro volta para a Galiléia com os seus. E ali volta à velha vida. Não mais àquela vida com Cristo, mas a vida que levava que escutasse o chamado persuasivo do Senhor. Por isso o Senhor não lhe chama de Pedro, mas de Simão. Já que levava uma vida velha, o Senhor queria tocá-lo lá. Naquele homem que, negando a Cristo, deixou-se abater pelo peso da angústia e da traição vemos figurar a nossa sociedade atual. Estamos formando uma sociedade que é “espelho” do Pedro antigo, angustiado. E sabe por que nos angustiamos?  Porque não temos plena confiança nas palavras de Jesus. Estas a nós muitas vezes não parecem ser indubitáveis; do contrário: muitas vezes fazemos pré-julgamentos e julgamos de forma errada: condenamos os bons e absolvemos os errados.

As nossas Igrejas que devem ser lugar de acolhimento e de fraternidade como uma só família, muitas vezes cedem lugar aos pré-julgamentos, às condenações e até mesmo às descriminações. Tudo isso não é culpa dos nossos pastores, às vezes estes podem ate contribuir para esta ação indigna. Com efeito, a maior parte desta humilhação à qual fazemos outros passarem se dá muitas vezes pela nossa falta de testemunho e vivência cristã. Um cristão que não sabe acolher ao próximo, não saberá também acolher a Cristo.

Mas voltando ao Evangelho podemos notar outra característica que não se encontram muito em nossas traduções, senão na Bíblia de Jerusalém (pelo menos que vi até agora). Jesus interroga a Pedro perguntando se este O amava. Pedro não diz “Amo-Te”. Mas de forma inusitada e indigna ele não diz que amava, mas gostava: “Senhor, tu sabes que te gosto”. Há irmãos, que coisa fenomenal Pedro responde. O único capaz de verdadeiramente amar-nos é Cristo. Nunca saberemos retribuir o Seu incomensurável amor por nós. Aquilo que chamamos de amor seria um afeto, um carinho, um querer bem, mas nunca um Amor. O amor verdadeiro é Deus.

Mas a cada um de nós, Jesus pergunta como o fez com Pedro: Você me ama? Muitas vezes damos um sim descomprometido e insincero. Somos estimulados a isso por vezes pela mídia, pela falta de justiça, pela falta de união na família. O nosso sim deve ser comprometido. Devemos dizer: “Senhor, eis-me aqui. Faça-se tua vontade. Olhai com confiança e piedade para este vosso indigno servo, que nada mais deseja se não fazer Tua vontade”.

Por duas vezes Jesus pergunta a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas, mas que estes?” Na terceira vez Jesus lhe diz: “Simão, filho de João, tu gostas de mim?” Então Pedro entristeceu-se profundamente porque se recordará das três vezes em que negou a seu Mestre. Não obstante tê-Lo negado, Jesus confia a Pedro o pastoreio da Igreja. Sabe das dificuldades e provações às quais nós, seres humanos, constantemente passamos, mas ainda assim confia na nossa indigna capacidade, assim como confiou a Pedro.

Este rebanho é sim a Igreja Católica. Guiada hoje pelo Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, o nosso Papa, de feliz reinado, Bento XVI. Cabe a nós católicos constantemente rezarmos pelo seu ministério, para que seja testemunho de santidade a todos os que ele guia. Nestes dias de grande tribulação é mais propício ainda elevarmos a Deus constantes preces por seu Pontificado. Por isso convido você para aderir a Campanha “Rezemos pelo Santo Padre”.

Em vez de atirarmos pedras injustamente no Santo Padre, levantemos nossa voz em defesa daquele que guia a Barca de Pedro, e que é uma grande coluna da nossa Igreja. Levantemos nossa voz em favor daquele que sempre nos acolhe como Pai e nos guia ao encontro de Cristo.

A Virgem Maria nos ajude nesta caminhada.

Paz e bem!

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