Ser ovelhas do verdadeiro Pastor


Neste domingo a Igreja celebra o Domingo do Bom Pastor e o dia mundial de oração pelas vocações.

O Evangelho, apesar de curto, carrega em sí uma característica muito importante e bela. Analisando o seu profundo contexto poderemos notar as sábias palavras de Jesus. “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão” (Jo 10, 27-28).

Jesus se manifesta como o Bom Pastor. Um pastor capaz de dar a vida por seu rebanho. Ora, na verdade, no mundo de hoje está difícil ouvir a voz de Jesus. Quando tantas vozes julgam indicar o caminho correto, o caminho mais prazeroso? Como reconhecer a voz do Senhor?

Certamente se seguimos a Igreja e a ela ouvimos, com certeza não estaremos desviando-nos do verdadeiro caminho. Poderemos ainda encontrar a resposta à esta nossa dúvida na segunda leitura, um dos textos que mais gosto. “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do Cordeiro… Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos” (Ap 7, 14b. 17).

Não temos dúvidas que estes que estão diante do trono e que estão com tamanha alvura em suas vestes, são os mártires, além de trazerem palmas na mão (cf. 9), símbolo do martírio, vinham da tribulação. Estes seguiram o caminho do bom pastor, estes ouviram a voz de Cristo. Ele não temeram em suportar as tamanhas dores para estarem com Cristo.

Tertuliano já dizia: “O Sangue dos mártires é semente de novos Cristãos”.

Certamente muitos de nós hoje tememos as “dores” que o mundo pode causar por estarmos com Cristo. Mas não existe nenhuma dor maior do que estar longe de Cristo. Aquele que está afastado do Senhor está privado da esperança e da certeza da vida eterna.

O mundo deseja que sejamos do jeito que ele quer. Nós estamos no mundo, mas não somos do mundo. Viemos de Deus e para Ele voltaremos. Constantemente o mundo causa-nos tribulações e nós somos chamados a não deixarmos de testemunhar. Mais como reposta a ele, recordo as memoráveis palavras de São Paulo: “Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos em apuros, mas não desesperançados; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados” (2Cor 4,8-9).

Isto porque aquele que está com Cristo pode passar por tribulações, mas nunca será vencido.

“Eu sou o Bom Pastor”, disse Jesus. Hoje em dias sentimos na nossa Igreja, em alguns locais, falta de padres e bispos que assumem sua missão como Jesus assumiu a dEle. Jesus, em hipótese alguma renunciou a sua missão para satisfazer a sua vontade. Não! Ele foi até a cruz, padeceu pela nossa salvação, mas jamais renunciou a vontade do Seu Pai. Os padres e bispos são pastores do povo, não produto de um mercado consumista e cheio de ideologias políticas.

Neste domingo de oração pelas vocações temos como tema “O testemunho suscita vocações”.

De modo particular devo dizer que com dois anos de idade decidi ser padre. Não tinha um conhecimento verdadeiro sobre essa vocação, mas creio que em mim realiza-se as palavras que o Senhor dirigiu a Jeremias: Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações” (Jr 1, 5).

De modo particular, neste Ano Sacerdotal, os padres são chamados a darem testemunho e a serem modelos de vida para que, de tal forma, possa suscitar vocações na Igreja. E não somente os padres, como também os religiosos e religiosas.

Encerro com as sábias palavras do nosso Santo Padre Bento XVI, na sua Mensagem para o 47º dia mundial de oração pelas vocações:

Apraz-me recordar o que escreveu o meu venerado predecessor João Paulo II: «A própria vida dos padres, a sua dedicação incondicional ao rebanho de Deus, o seu testemunho de amoroso serviço ao Senhor e à sua Igreja – testemunho assinalado pela opção da cruz acolhida na esperança e na alegria pascal –, a sua concórdia fraterna e o seu zelo pela evangelização do mundo são o primeiro e mais persuasivo factor de fecundidade vocacional» (Pastores dabo vobis, 41). Poder-se-ia afirmar que as vocações sacerdotais nascem do contacto com os sacerdotes, como se fossem uma espécie de património precioso comunicado com a palavra, o exemplo e a existência inteira.

Isto aplica-se também à vida consagrada. A própria existência dos religiosos e religiosas fala do amor de Cristo, quando O seguem com plena fidelidade ao Evangelho e assumem com alegria os seus critérios de discernimento e conduta. Tornam-se «sinais de contradição» para o mundo, cuja lógica frequentemente é inspirada pelo materialismo, o egoísmo e o individualismo. A sua fidelidade e a força do seu testemunho, porque se deixam conquistar por Deus renunciando a si mesmos, continuam a suscitar no ânimo de muitos jovens o desejo de, por sua vez, seguirem Cristo para sempre, de modo generoso e total. Imitar Cristo casto, pobre e obediente e identificar-se com Ele: eis o ideal da vida consagrada, testemunho do primado absoluto de Deus na vida e na história dos homens.

À Virgem Maria pedimos que suscite santas vocações para a Igreja.