O amor é a identidade do cristão


Uma das palavras que mais gosto e que mais tomo cuidado em quando pronunciá-la é “amor”. Vejo na palavra amor (aliás, não só eu como também São João) uma rica definição de Deus. Um Deus que é amor, e que por amor se encarnou para no amor salvar a humanidade. Que grande maravilha! Deus Caritas est – Deus é amor, nos diz o apóstolo que teve a graça de experimentar o próprio Amor, e com Ele compartilhou seus momentos de fraqueza.

A palavra amor, no latim caritas, possui dois significados: amor e caridade. E estes possuem uma relação intrínseca entre si. Deus olha para nós com amor e age com caridade.

No 3º domingo da Páscoa tive a oportunidade de aprofundar sobre esta relação entre o amor de Deus e o “amor” dos homens. Santa Catarina de Sena escreve: “Quem possui o amor de Deus, nele encontra tanta alegria que cada amargura se transforma em doçura e cada grande peso se torna leve. E isto não nos deve surpreender porque, vivendo na caridade, vive-se em Deus” (carta n.165 a Bartolomea, esposa de Salviato da Lucca)

No entanto o Evangelho proposto pela Igreja à nossa reflexão neste domingo nos diz que Jesus se encontrava na última ceia, no dia em que havia instituído o “novo mandamento”, o mandamento do Amor.

Jesus estabelece que os discípulos seus devem fazer-se reconhecer pelo amor. Em outras palavras, por Ele que é o verdadeiro amor. Ele deve nortear o caminho da paz e os pensamentos do homem hodierno. A sociedade não pode estar apenas com Cristo, mas deve estar em Cristo.

Na ceia pascal e ao longo de Sua Paixão e Morte, Jesus vai mostrar que o Seu amor pelo ser humano é incomensurável e que apesar de todas as nossas quedas e impossibilidades de caminharmos perfeitamente, Ele está do nosso lado e nos segura pela mão. Ele mostra-nos que viver a radicalidade do amor é difícil, mas quem está com Ele sabe ser cristão. Se Jesus quis que amassemos uns aos outros é porque Ele sabe que nós podemos; Ele confia em nós.

“Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo”.

O mistério da Santíssima Trindade aparece de forma significativa aqui. Jesus será glorificado pelo Pai, e essa glorificação será o Espírito Santo quem manifestará. Ele sofrerá como homem as dores das torturas, da flagelação e da crucifixão; no entanto sua glorificação e a redenção serão da parte de sua natureza divina.

E é na Sua morte que Ele, como está escrito no Apocalipse, faz novas todas as coisas (cf. Ap 21, 5). Para que tudo se fizesse novo Jesus é humilhado, morre, desce aos infernos, e na sua ressurreição tudo, completamente tudo, é feito novo. Ele dá novo sentido às coisas antigas. Ele renova o interior dos homens desgastados pelos pecados e pela lei, abusivamente usada pelo antigo povo. Apenas um mandamento: Amai-vos uns aos outros.

Logo no cristianismo primitivo, Tertuliano escreveu: “Vede como eles se amam”. Assim diziam os judeus e os gentios em relação aos cristãos.

É certo que na vicissitude dos tempos perdeu-se muito este sentido do amor. Tornou-se uma palavra muito desgastada. Mas creio que deveríamos redescobrir sua sacralidade, e retê-la apenas aos momentos necessários a que ela mereça ser usada.

Que Maria, Mãe do Amor, nos ajude a amar o próximo e nele ver o amor de Cristo. E que possamos tomar para nós as palavras de Santa Catarina: “Abraça Jesus Crucificado, amante e amado e nele encontrarás a verdadeira vida, porque ele é Deus que se fez homem. Que o teu coração e a tua alma ardam pelo fogo do amor do qual foi coberto Jesus cravado na cruz!” (idem).

Paz e bem!