Discurso do Papa aos jovens de Turim


[Aqui está o artigo que eu traduzi do discurso do Papa aos jovens de Turim. Revirei a internet e não achei, então pensei: se falo italiano por que não traduzi-lo? Mas, enfim, aqui está ele. Perdoem-me se encontrarem algum erro, mas creio que não haverá nada de tão grave. O discurso foi proferido em 2 de maio passado, pelo Santo Padre Bento XVI, aos jovens, cerca de 20 mil, que estavam na praça de Turim para escutar a voz do Sucessor de Pedro]

Queridos jovens de Turim!
Queridos jovens que vêm de Piemonte e regiões vizinhas!

Estou realmente contente por estar com vocês na minha visita a Turim para venerar o Santo Sudário. Com grande afeto, saúdo a todos e obrigado pela acolhida e pelo entusiasmo da sua fé. Através de vocês, saúdo os jovens de toda a Diocese de Turim e Piemonte, com uma oração especial para os jovens que vivem em situações de sofrimento, dificuldade e perda. Um pensamento especial e um incentivo forte àqueles que entre vós estão percorrendo o caminho para o sacerdócio, a vida consagrada e as opções de serviço generoso ao passado. Agradeço ao vosso pastor, o cardeal Severino Poletto, pelas amáveis palavras que me dirigiu, e agradeço os vossos representantes que me manifestaram as intenções, os problemas e expectativas da juventude desta cidade e desta região.

Vinte e cinco anos atrás, por ocasião do Ano Internacional da Juventude, o venerável e amado João Paulo II dirigiu uma carta apostólica aos jovens do mundo, centrando-se sobre o encontro de Jesus com o jovem rico de que nos fala o Evangelho (Carta aos jovens, 31 de março de 1985). Partindo propriamente desta página (cf. Mc 10,17-22; Mt 19,16-22), que foi objeto de reflexão também na minha mensagem deste ano do Dia Mundial da Juventude, ofereço alguns pensamentos que eu espero que possa ajudá-los em seu crescimento espiritual e na vossa missão na Igreja e no mundo.

O jovem do Evangelho – nós sabemos – pergunta a Jesus: “Que devo fazer para ganhar a vida eterna?”. Hoje não é fácil falar de vida eterna e de realidades eternas, porque a mentalidade do nosso tempo nos diz que nada é permanente: tudo muda, e com grande velocidade. Mudança tornou-se, em muitos casos, a palavra de ordem, o exercício mais emocionante da liberdade, e desta maneira também vós jovens sois levados a pensar que é impossível fazer escolhas definitivas, que comprometem por toda a vida. Mas esta é a maneira certa de usar a liberdade? É verdade que para ser feliz é preciso contentarmo-nos com pequenos prazeres e fugazes alegrias momentâneas, que, uma vez terminadas, deixam a amargura no coração? Queridos jovens, não é esta a verdadeira liberdade, a felicidade não é alcançada assim. Cada um de nós é criado não para fazer escolhas provisórias e revogáveis, mas escolhas definitivas e irrevogáveis, que dão pleno sentido à existência. Vemos em nossas vidas: cada experiência boa, que nos enche de felicidade, queríamos que não tivesse mais término. Deus nos criou em vista do “para sempre”, colocou no coração de cada um de nós a semente para uma vida que alcance algo bonito e grande. Tenham a coragem de fazer escolhas definitivas e vivê-las fielmente! O Senhor poderá chamar-vos ao matrimônio, ao sacerdócio, à vida consagrada, para um dom particular de vós mesmos: respondei-o com generosidade!

No diálogo com o jovem, que possuía muitas riquezas, Jesus indica qual é a riqueza mais importante e maior da vida: o amor. Amar a Deus e amar os outros com tudo de si. A palavra amor – nós sabemos – se presta a várias interpretações e possui vários significados: precisamos de um Mestre, Cristo, que indique o sentido mais autêntico e mais profundo, para guiar-nos à fonte do amor e da vida. Amor é o nome próprio de Deus. O apóstolo João nos lembra: “Deus é amor”, acrescentando que “não fomos nós que amamos a Deus, mas que ele nos amou e enviou o seu Filho.” E “se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros” (1 Jo 4,8.10.11). No encontro com Cristo e no amor recíproco experimentamos em nós mesmos a própria vida de Deus, que permanece em nós com o seu amor perfeito, completo, eterno (cf. 1 Jo 4, 12). Não há nada, portanto, de maior para o homem, um ser mortal e limitado, que participar da vida do amor de Deus. Hoje vivemos em um contexto cultural que não favorece relações humanas profundas e desinteressadas, mas, ao contrário, induz frequentemente a fechar-se em si mesmos, ao individualismo, a deixar prevalecer o egoísmo existente no homem. Mas o coração de um jovem é por natureza sensível ao amor verdadeiro. Portanto me dirijo com grande confiança a cada um de vós e vos digo: não é fácil fazer de vossa vida algo belo e grande, é um desafio, mas com Cristo tudo é possível!

No olhar de Jesus que fixa – como diz o Evangelho – com amor o jovem, compreendemos todo o desejo de Deus de estar conosco, de estar próximo; há um desejo de Deus de nosso sim, de nosso amor. Sim, queridos jovens, Jesus quer ser vosso amigo, vosso irmão na vida, o mestre que ensina o caminho a percorrer para alcançar a felicidade. Ele vos ama pelo que são, em vossa fragilidade e fraqueza, para que, tocados por seu amor, possais ser transformados. Vivam este encontro com o amor de Cristo em um forte relacionamento pessoal com Ele, vivei-o na Igreja, em primeiro lugar nos sacramentos. Vivei-o na Eucaristia, em que se faz presente o seu Sacrifício: Ele realmente dá seu Corpo e seu Sangue por nós, para redimir os pecados da humanidade, para que sejamos um só com Ele, para que aprendamos também nós a lógica do doar-se. Vivei-o em confissão, onde, oferecendo seu perdão, Jesus nos acolhe com todas as nossas limitações para nos dar um novo coração, capaz de amar como Ele. Aprendam a ter familiaridade com a palavra de Deus, para meditá-la, especialmente na lectio divina, a leitura espiritual da Bíblia. Finalmente, saibam encontrar o amor de Cristo no testemunho de caridade da Igreja. Turim oferece, em sua história, exemplos esplêndidos: segui-los, vivendo concretamente a gratuidade do serviço. Tudo na comunidade eclesial deve ser para induzir os homens a tocar o infinito amor de Deus

Caros amigos, o amor de Cristo ao jovem do Evangelho é o mesmo que ele tem por cada um de vós. Não é um amor contido no passado, não é uma ilusão, não é reservado para poucos. Vós encontrareis este amor e experimentareis toda a fecundidade se, com sinceridade, buscardes o Senhor e se viverdes com empenho a vossa vida na comunidade cristã. Cada um se sinta “parte viva” da Igreja, envolvidos no trabalho de evangelização, sem medo, num espírito de harmonia sincero com os irmãos na fé e em comunhão com os Pastores, saindo de uma tendência individualista também no viver a fé, para respirar a plenos pulmões a beleza de fazer parte do grande mosaico da Igreja Cristo.

Esta noite eu não posso não apontar-lhes como modelo um jovem da vossa cidade: Beato Piergiorgio Frassati, o qual este ano ocorre o vigésimo aniversário da beatificação. Sua vida foi totalmente envolvida da graça e do amor de Deus e foi consumida, com serenidade e alegria, no serviço apaixonado a Cristo e aos irmãos. Jovem como vós viveu com grande empenho a sua formação cristã e deu seu testemunho de fé, simples e eficaz. Um rapaz fascinado pela beleza do Evangelho das Bem-aventuranças, que experimentou toda a alegria de ser amigo de Cristo, de segui-lo, de sentir-se de maneira viva parte da Igreja. Queridos jovens, tenham a coragem de escolher o que é essencial na vida! Viver e não viver uma vidinha”, repetia o Beato Piergiorgio Frassati. Como ele, descubram que vale a pena comprometer-se para Deus e com Deus, respondendo ao seu chamado nas escolhas fundamentais e naquelas de todos os dias, mesmo quando custe!

A jornada espiritual do Beato Piergiorgio Frassati recorda que o caminho dos discípulos de Cristo exige a coragem de sair de nós mesmos, para seguir o caminho do Evangelho. Este exigente caminho do espírito vós o viveis na paróquia e em outras realidades eclesiais; também viveis na peregrinação da Jornada Mundial da Juventude, encontro sempre esperado. Sei que estais vos preparando à próxima grande manifestação, prevista para Madrid, em agosto de 2011. Desejo de coração que tal extraordinário evento, ao qual espero que participeis numerosos, contribua para crescer em cada um o entusiasmo e a fidelidade no seguimento a Cristo e no acolher com alegria a sua mensagem, fonte de vida nova.

Jovens de Turim e de Piemonte, sede testemunhas de Cristo em nosso tempo! Que o Santo Sudário seja para vós um convite a gravar em seu espírito o rosto do amor de Deus, para serdes vós mesmos, em seu ambiente, com os vossos coetâneos, uma expressão credível do rosto de Cristo. Maria, venerada em vossos santuários marianos, e São João Bosco, Patrono da juventude, vos ajude a seguir Cristo, sem nunca cansar-vos. E vos acompanhe sempre a minha oração e a minha bênção, que vos dou com grande feto. Obrigado pela vossa atenção!